Gonzalo García de Santa María (1447-1521) : portrait d'un érudit aragonais
C. Les érudits autour de l’archevêque Alphonse d’Aragon
2. La « cour humaniste » d’Alphonse d’Aragon
Para Goulet (1966), aqueles que participam de um processo de desenvolvimento, que é um processo primordialmente coletivo, exige a cooperação das pessoas, pois fica difícil
somente alguns indivíduos empreenderem, por exemplo em um assentamento rural sem muitos recursos financeiros, uma ação eficaz em torno do desenvolvimento. Por isso, a colaboração é uma das sustentabilidades entre as famílias de um assentamento ou comunidade e entre estes e o Estado ou qualquer outro parceiro.
A partir deste ponto, “o conhecimento mútuo” entre os colaboradores ou companheiros de empreitada é, então, fundamental, sendo esta uma outra diretriz importante, atribuindo sempre um ao outro “(...) uma reflexão crítica acerca dos princípios de ação no trabalho coletivo”. Dentro de um trabalho de colaboração, onde o entendimento desabrocha numa atmosfera de ignorância ou inventivos julgamentos, não haverá evolução nem o cimento da amizade. Desta maneira, tudo deve ser levado de forma clara e consciente, assumindo cada parte sua posição exatamente como pensa (GOULET, 1966, p. 23). Os conflitos aqui não devem ser encarados como desentendimentos, mas como afirma Hirschman (1996), como pilares de uma sociedade plural, democrática e livre, pois é do conflito social que surgem as grandes parcerias e criatividades humanas.
Já no diálogo inicial, devemos “evitar o equívoco”, ou seja, é primordial que se reconheça que a colaboração e o trabalho não estão sendo pautados pela falsidade. Elimina-se, assim, qualquer engano que esteja alimentando a parceria, para logo não perder tempo e desperdiçar forças, pois nesta verificação podemos perceber se as garantias iniciais concebidas na parceria permaneceram autênticas. (GOULET, 1966)
Todas estas diretrizes podem ser aplicadas também em instituições, partidos, movimentos sociais e indivíduos como uma verdadeira “ética do desenvolvimento”, onde, mais adiante, esboçaremos alguns fundamentos. Por hora, apontamos algumas diretrizes importantes que formam um impulso inicial deste processo que tentamos analisar aqui.
A “confiança mútua” é outra direção importante a ser seguida neste caminho de colaboração. Existem, de fato, equipes com muitas divergências, que acabam ou se diluem em etapas de um trabalho. Entretanto, o que deve sempre sobressair no desenrolar de uma tarefa é a confiança entre os parceiros, gerando, assim, um grande clima de cooperação. Desta maneira, deve-se rejeitar qualquer tipo de sectarismo, pois vivemos numa sociedade plural e o respeito entre as diferenças é fundamental, como as diferenças entre etnias, raças e gênero. Reduzir o mundo a um ponto de vista, seja ele qual for, e recusar enfrentar as divergências não garante um diálogo fecundo num processo de cooperação para o desenvolvimento. (GOULET, 1966)
Uma diretriz inicial e também secundária que devemos empreender é a “total lealdade ao ser humano”, pois se não acreditamos no ser humano, já começamos mal. Não convém
nem começar um diálogo se existe uma pré-disposição em tratar pessoas com preconceitos ou como simples objeto, um instrumento de produção e consumo, não amando-as e respeitando- as como um ser humano, pois o processo estará, logo de início, prejudicado. Sendo assim, uma premissa básica e primária num trabalho coletivo é a lealdade e se constitui numa exigência forte no seio da equipe. (GOULET, 1966; FREIRE, 1996)
A promoção do desenvolvimento sempre se encontra dentro de uma perspectiva coletiva e cooperativa e dentro desta coletividade é imprescindível que tenham equipes multidisciplinares, unindo-se em torno de problemas comuns. Sendo assim, seja num assentamento rural ou dentro de uma comunidade, onde a coletividade está sempre viva, deve- se tomar bastante cuidado ao usar técnicas de controle organizacional, pois estas devem estar sempre “(...) a serviço da liberdade, da personalidade e, sobretudo, da vida criativa da coletividade (...)” e o progresso econômico que surge no processo é senão, um meio de assegurar às pessoas uma vida digna, sendo a preocupação central ou o fim o “ser mais” nas dimensões dos “(...) problemas de valores e de civilização”. (GOULET, 1966, p. 36)
Desta maneira, propõe-se o esboço de uma ética do desenvolvimento, pois um desenvolvimento autêntico não se alcança sem uma ética, ou seja, homens e mulheres que possuam “uma ciência e arte dos fins e meios” do desenvolvimento. Uma ética que contenha uma mudança profunda e efetiva de valores e das estruturas de poder, citando o regime fundiário nas mãos de poucos e a distribuição desigual das riquezas no Brasil, como exemplo de estruturas desiguais que não favorecem um desenvolvimento humano. Podemos citar, também, as estruturas de poder como o clientelismo e o paternalismo na política e no meio rural brasileiro, as estruturas de ideias, como as ideologias revestidas de sociais e humanitárias, como também as religiosas (CHAUI, 2003). O discurso tecnológico como resolução do problema ambiental, também é um bom exemplo. (BRUSEKE, 2003)
Sendo assim, é imperativo para o desenvolvimento uma racionalização dos meios produtivos: no meio rural, uma política, seja de Estado ou da iniciativa privada, reordenando a grande propriedade que polui o subsolo e contamina alimentos, monopolizando riquezas através das grandes corporações, utilizando o poder político, econômico, técnico e ideológico (SILVA, 2004). A descentralização política e econômica também é crucial num processo como este. O investimento, numa perspectiva territorial do desenvolvimento, promovendo pesquisas em todos os níveis (local, regional e nacional), seria indispensável numa ação coletiva entre organizações sociais, instituições públicas e privadas, promovendo a cultura e os recursos locais de cada região. (VIEIRA, 2006)
Dentro de um processo como este, um dos maiores empecilhos identificados é a “inércia”, em todos os seus sentidos. Por exemplo, países que vivem em pleno século XXI, com todas as modernidades tecnológicas, mas que utilizam as mesmas normas institucionais de séculos passados. Vivemos em outros tempos, por isso, devemos mudar nossas leis e normas conforme a realidade e não aceitar que determinadas jurisdições permitam, ainda, privilégios conservadores (MARTINS, 1997; CAZELLA, 2006). Uma outra situação de inércia é o próprio silêncio, que abafa situações de criatividade e mudanças relativas ao desenvolvimento em prol do proselitismo, da corrupção, da ignorância e do preconceito, impedindo comunidades inteiras de avançarem para um patamar do ”ser mais humano”.