Chapitre 1 - Le processus de conception vu comme un dialogue entre le réel, le concevable et
2. La conception vue au travers d’un modèle dialogique
Se a segunda fase do QSLT é avaliada pelos ativistas como construtiva, a terceira e última fase, que se inicia após o 2 de Março, é perspetivada como um estádio descendente devido principalmente a dois fatores: por um lado, o facto de o número de manifestantes ter diminuído consideravelmente nos protestos e, por outro, a abertura dos plenários a todos os que quisessem participar potenciou, segundo alguns entrevistados, maiores tensões e conflitos entre os membros. A abertura total do grupo não foi consensual. Alguns membros opuseram- se, receando a repetição dos episódios vividos na Plataforma 15 de Outubro.
O primeiro alargamento foi um alargamento controlado. Foi um alargamento, não eram plenários abertos [a entrevistada refere-se à segunda fase de funcionamento do QSLT]. Depois, de repente, começas a fazer plenários abertos e grupos de ação e de trabalho abertos e comecei a ver um bocadinho a repetir-se as coisas que tinham levado a que o 15 de Outubro deixasse de ser uma Plataforma para passar a ser um bocadinho um instrumento do MAS. Mas o Que se Lixe a Troika nunca se tornou um instrumento do MAS. (Patrícia)
De acordo com alguns ativistas, começam também a adensar-se as desconfianças entre os indivíduos pertencentes a diferentes grupos ou com preferências partidárias distintas. Se em momentos ulteriores, estas eram particularmente observadas como conflitos latentes que se conseguiam contornar, nesta fase tornam-se difíceis de dirimir.
Criaram-se líderes informais: houve um problema de egos que se agravou entre algumas pessoas como, por exemplo, pessoas que decidiam sem consultar o grupo. As pessoas que estavam envolvidas no Bloco e no PC começaram a desconfiar umas das outras. (Madalena)
Aumentaram as tensões entre PC e Bloco e um bocado entre organizados e não organizados que, no início, foram muito bem resolvidas, mas depois duraram cada vez mais tempo porque se foi perdendo algum vigor. (Simão)
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No entanto, há também quem reitere que não existiram tensões políticas, mas que estas eram maioritariamente de índole pessoal e que se agravaram nesta fase descendente do QSLT.
Depois havia quem dizia que havia conflitos políticos, mas eu não vi. Acho que depois, às vezes, se arranjam máscaras políticas para escamotear ou normalizar conflitos pessoais. O conflito final que se veio a verificar teve a ver com o falhanço do movimento, isto é, a gente sentíamo-nos todos infelizes porque não estávamos a conseguir fazer as coisas que queríamos. (Ricardo)
Por outro lado, estabeleceram-se alguns conflitos face à possibilidade de agendar uma manifestação internacional contra a Troika (protesto que se realizaria no dia 1 de Junho de 2013), que se viria a integrar no âmbito de um protesto programado entre movimentos sociais e grupos de diferentes países. Estas divergências, conforme algumas opiniões, estiveram relacionadas com diferentes orientações e sentidos políticos relativamente à concretização do protesto e a uma certa tensão entre ativistas mais e menos ‘internacionalistas’.
Foi uma manifestação convocada na base da desconfiança, houve gente que era contra. A ligação internacional é fundamental para alguns setores, para mim é, para outros não é. Não vale a pena fingirmos que não existe esta cisão entre quem é patriota e quem é internacionalista porque isto é verdade, existe! (Sónia)
Quando a gente passou da manifestação de 2 de Março e a que passámos a seguir foi uma manifestação internacional, aquilo não tinha consenso no seio do movimento. Por exemplo, eu era contra, havia muita gente que era contra, mas a gente aceitou a deliberação da maioria. Mas isso foi um momento de tensão porque nós achávamos que a questão internacional não estava na agenda das pessoas. Era um passo atrás como se veio a verificar. As pessoas não percebiam esta questão. Ficámos demasiado tempo pendurados até fazer a manifestação internacional e depois foi uma manifestação muito mazinha, muito fraquinha. (Ricardo)
Ainda de acordo com Ricardo, a ideia de levar a cabo este protesto teve razões e origens políticas porque partiu de um conjunto de ativistas do BE e de uma resolução conjunta do Partido da Esquerda Europeia onde o mesmo se integra.
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Aquilo foi criado por um conjunto de coisas relacionadas com o Bloco. Era malta dos Precários que tinha uma ligação muito próxima ao Bloco e que tinha que ver com uma agenda do Partido da Esquerda Europeia. Era uma preocupação deles que era uma preocupação justa. Mas depois não se refletiu na população. (Ricardo)
Assim, o insucesso de participação cívica neste evento, a par das tensões entre os membros do QSLT, devido ao conjunto de fatores expostos anteriormente, ditariam o declínio contínuo do coletivo que realizou uma última manifestação, em 26 de Outubro de 2013, caracterizada também por uma baixa adesão da população.
Porém, do conjunto de coletivos de protesto que despoletaram de 2011 a 2013, o QSLT foi o grupo que conseguiu manter uma dinâmica de protesto mais contínua. Como se verificou, sofreu diferentes transformações organizativas ao longo da sua existência de modo a adaptar-se quer às circunstâncias da estrutura de oportunidades políticas, quer às conceções internas dos ativistas sobre os modos de funcionamento da ação coletiva. Numa primeira fase, o grupo constituiu-se de forma a evitar os “erros” de organização de coletivos anteriores; numa segunda fase, devido ao sucesso de mobilização atingido, alargou-se a “novos” e “velhos” atores coletivos e alcançou o apoio institucional assumido dos partidos políticos de esquerda e das organizações sindicais; por último, numa terceira fase, numa tentativa de flexibilizar o processo de organização, o grupo adotou um modelo que evitou fortemente no início da sua constituição: realiza reuniões abertas a todos os que queiram participar. Não se pretende partir do pressuposto de que este tenha sido o único fator que levou ao declínio do QSLT. Tal como é considerado pelos ativistas, este fenómeno a par de um certo desgaste e cansaço nas relações entre os membros e do insucesso, a partir de determinada altura, na mobilização popular, contribuíram em conjunto para o fim do coletivo.