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5.2 Les lots Monte-Carlo utilis´es pour le signal et les bruits de fond

5.2.3 La composition en saveur des processus W+jets

O campo desta pesquisa foi constituído por duas escolas das redes públicas - municipal e estadual, de ensino fundamental, da cidade de Uberlândia-MG, onde foram relatados casos de práticas da automutilação por equipes da gestão escolar. Designaremos a escola municipal como Escola A e a escola estadual como Escola B9.

Antes de apresentar os dados das escolas, descreveremos, detalhadamente, o modo como chegamos às escolas. Como dito na introdução desta dissertação, o primeiro contato com a escola A ocorreu por meio de convite e conversa com os (as) formadores (as) do Núcleo do Ensino Fundamental do CEMEPE, de uma supervisora da escola com a coordenadora (líder) do GPECS, para a realização de uma palestra sobre o tema corpo, razão da presença de meninas que, segundo informado no diálogo em questão, se automutilavam. A

9 A escola A, localizada na região sul da cidade de Uberlândia, atende a população do seu entorno e ofereceu

1130 vagas em 2015 para o ensino fundamental – anos iniciais e finais. A Escola B está localizada na região oeste da cidade de Uberlândia, atendendo, em 2015, o número total de 999 alunos (as) no ensino fundamental e médio.

partir da palestra, cujo público-alvo foi composto de professores (as) e outros (as) profissionais da referida escola, o GPECS foi convidado pela equipe gestora a organizar e realizar oficinas sobre o tema corpo e adolescência com os (as) alunos (as) de suas turmas de 8º e 9º anos. Contudo, a equipe gestora da escola demonstrou preocupação quanto à abordagem do tema automutilação e solicitou que este não fosse explicitamente exposto nas turmas em que ocorreriam as oficinas, o que foi respeitado pelo grupo.

As oficinas foram acompanhadas pela coordenação do Núcleo de ensino fundamental do CEMEPE e pela equipe gestora e professores (as) da escola, com a participação ativa dos (das) estudantes, e foram organizadas em dois momentos. No primeiro momento, os (as) alunos (as) receberam cartolinas, tecidos, pincéis, revistas para recortes, entre outros materiais, com a orientação de que produzissem um corpo adolescente. Vários personagens foram criados e, dentre eles, o de um dos grupos, em uma turma de 8º ano, apresentava marcas de automutilação – no desenho do personagem, foi colada parte de uma lâmina de barbear. No grupo, havia uma garota que se automutilava. A informação sobre ela foi repassada previamente pela escola e confirmada pelos (as) seus (as) colegas. Aquela era a garota que, à época, provocava grande preocupação na equipe, em razão da sistematicidade e aumento do número de cortes em seu corpo. Assim, na realização das oficinas, os (as) adolescentes de quase todas as turmas participantes apresentaram-nos o tema automutilação e mostraram que a prática fazia parte do cotidiano de muitos (as), de modo que não demonstraram qualquer dificuldade em falar sobre o assunto.

Percebemos, por meio das oficinas, que tanto os (as) adolescentes que realizam a prática da automutilação quanto os (as) que não a realizam têm diversas informações sobre o tema corpo e automutilação. A curiosidade e a inquietação por conhecê-los (as) e ouvi-los (as) para tentarmos acessar seus universos e suas práticas, nos fez pensar em reformular o projeto de pesquisa de mestrado inicialmente apresentado à linha de Pesquisa Educação em Ciências e Matemática do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Uberlândia (PPGED/UFU).

No decorrer da realização do trabalho na escola A, um dos (as) formadores (as) do Núcleo do Ensino Fundamental do CEMEPE sugeriu a ampliação da pesquisa para uma escola da rede estadual (escola B), em função dos relatos de algumas professoras sobre casos de automutilação, o que foi prontamente acatado.

Reformulado, o projeto foi submetido à apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Uberlândia – CEP/UFU, em abril/2015, de modo que a análise perdurou até o dia 21 de maio, quando ocorreu a aprovação, conforme o parecer

consubstanciado número CAAE 45529415.9.0000.5152. Assim, a proposição e autorização para a realização da pesquisa foram, então, apresentadas às duas escolas, seguindo-se o processo de localização das turmas, mediado pela gestão e coordenação escolar, que nos colocou em contato com turmas nas quais havia estudantes (meninas) que realizavam a “prática de automutilação”. Assim, procedemos à apresentação e obtenção dos Termos de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) assinados pelos (as) estudantes e seus (as) responsáveis.

Como nós já estávamos presentes na escola A via grupo de pesquisa, o contato para a realização da pesquisa foi bem acolhido pela equipe gestora, que nos possibilitou, de imediato, o acesso às turmas para a realização do trabalho. Na apresentação da pesquisa às turmas, os (as) meninos (as) ficaram agitados, comentando entre eles (as) o que era a automutilação. Na turma do 8º ano, uma garota, sentada com um grupo de quatro meninas, disse: “Eu vou ter que contar sobre isso?” Respondemos que, se ela quisesse, sim. Ela, então, falou: “Tá, eu conto, se eu não começar a chorar”. Assim, quatro garotas presentes na sala, nesse momento, começaram a contar e a mostrar os seus braços com as marcas da automutilação. Por fim, os (as) adolescentes demonstraram interesse pelo tema e se propuseram a colaborar e participar da pesquisa.

No primeiro contato com a Escola B, apresentamos o projeto de pesquisa à direção da escola, informando que havia sido uma indicação do CEMEPE. A escola interessou-se pela pesquisa e autorizou seu desenvolvimento por meio da assinatura e declaração de termo de participação do CEP/UFU. Após esse contato inicial e autorização da gestão escolar e CEP/UFU, o tema e objetivos da pesquisa foram apresentados a duas turmas, uma do 8º e outra do 9º ano. Ao citar o tema automutilação, algumas perguntas me foram feitas: “Ah, são pessoas que se cortam?” e já começaram a comentar e informar que conheciam meninas que faziam cortes nos braços.

Cabe informar que o termo automutilação nos foi apresentado pelas equipes gestoras, professores (as) e adolescentes das escolas, referindo-se ao ato de meninas cortarem regiões do próprio corpo – principalmente braços e pernas -, utilizando-se, para isso, de lâminas.