2. LA COLLABORATION AU CŒUR DE L’AGIR PROFESSIONNEL
3.2 La collaboration comme mode d’apprentissage cognitif et sociocognitif
Esboço da distribuição da população de origem africana nas Américas – 1650
56 Os primeiros africanos vieram da região da Guiné Portuguesa, uma zona que possivelmente se estendia do Senegal até Serra Leoa — então denominada Costa da Malagueta. Essa população se dirigia aos canaviais, principalmente na Bahia e em Pernambuco, e era em sua maioria das etnias fulas e mandingas. Esses africanos ―da Guiné‖, também foram trazidos como escravos quando Portugal partiu para a conquista da Amazônia (CARNEIRO, 1948).
A análise das interfaces entre os ciclos econômicos e as etnias no período do tráfico de africanos pode ser feita também a partir da leitura dos principais acontecimentos históricos e econômicos, como o fez a etnolinguista Yeda de Castro (2001). A partir de estudos nas aduaneiras subsistentes de Goulart (1949), a autora estabelece uma relação entre os ciclos do tráfico de africanos, sua direção entre determinadas regiões da África e do Brasil, e os números aproximados de importação para cada ciclo econômico. A partir desses ciclos, é possível fazer aproximações dos saberes das plantas por parte dos africanos, uma vez que a maioria dos ciclos, com exceção da mineração, contou com o conhecimento da etnobotânica.
Os ciclos de comércio de partes de plantas in natura (sementes) ou beneficiadas (tabaco, cana de açúcar, algodão) aparecem em diversos momentos direcionando rotas e acontecimentos históricos.
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Quadro 1
Ciclos do tráfico e sua direção entre determinadas regiões da África e do Brasil, e números aproximados de importação para cada ciclo
Ciclos Acontecimentos Denominações
Internos (Brasil) Externos
Séc. XVI Guiné (toda costa
atlântica) + 30.000
Posse e desbrava mento da terra. Introdução da cana de açúcar, do gado, e engenhos.
Escravidão indígena. Fundação da cidade de Salvador, primeira capital da
América Portuguesa.
1482, construído o forte da Mina, na costa de Gana. Tráfico já existente para Portugal, desde o séc. XV. Desastrosa tentativa de evangelização no Reino do Congo. Negro da Guiné Negro da Costa Negro do Congo Gentio da Guiné Gentio da Costa Séc. XVII CONGO-ANGOLA +800.00 Economia açucareira no Nordeste. Invasões de franceses e holandeses. Destruição de Palmares. Plantio de tabaco no Recôncavo baiano e da fabricação de fumo - de- corda. Descoberta das minas
na Bahia, Minas Gerais e Goiás.
Comércio de escravos feito através de pombeiros. Decadência do congo e concentração do tráfico em
Luanda, depois Banguela. Enviada da Bahia esquadra para
desocupação de Luanda pelos holandeses, em 1637. Início do
tráfico no Golfo de Benin.
Congos Angolas Cabindas Benguelas Mandingas Minas Séc. XVIII Costa da Minas (ao longo de Gana, Togo,
Benin). + 2.500.000
Companhia do Grão Pará e Maranhão e o comércio do
algodão. Aumento na produção e exportação do
fumo- de- corda da Bahia para o Daomé. A corrida para
as minas. Introdução maciça de Jeje e minas. Transferência da capital para
o Rio de janeiro. Importação maior de Mulheres. Tráfico
com Moçambique.
Dependência comercial com o forte da Mina. Concorrência com
França, Holanda, Espanha e Inglaterra. Em 1721, é construído o forte de Uidá com o
aumento do tráfico no Golfo de Benin. Comércio de Fumo e de escravos feito com os régulos locais por crioulos da Bahia, ali
estabelecidos. Angolas Congos Cabinda Benguela Jeje Minas Ardra Savalus Nagôs Moçambique Quelimanes Séc. XIX Baía de Benin, Angola e Contra-Costa. Tráfico interno +1.500.000
Família Real no Rio de Janeiro, feita capital. Abertura
dos portos, desenvolvimento urbano e introdução maciça
de oeste-africanos nas cidades. Revolta de negros
islamizados ou malês na Bahia. Fim do tráfico transatlântico, cerca de 1850. Tráfico interno até a abolição
da escravatura em 1888. Comércio de Produtos- da – costa e retorno de africanos libertos e descendentes para a África Ocidental, via Lagos.
Avanço do islamismo com guerras interétnicas na Nigéria.
Destruição de Oyó, em 1830. Lagos como centro do protetorado inglês e do comércio
de produtos - da- costa com a Bahia. Os agudas e as comunidades brasileiras fundadas na Nigéria, Benin e
Togo, pelos retornados. “Suspensa, “em 1903, a linha de
barcos” Brazil-Lagos” Angolas Congos Jeje Mahis Nagôs Hauçás Grunces Canures Tapas Bornus
58 Nos anos de 1600-1700, o Atlântico passa a ser o cenário do tráfico de seres humanos escravizados, respondendo por 60% das exportações da mão-de-obra escrava africana.
Tabela 1
Exportações estimadas de escravos da África, 1500-1800
Setor 1500-1600 % 1600-1700 % 1700-1800 % Total % Mar Vermelho 100.000 9,3 100.000 4,4 200.000 2,7 400.000 3,7 Saara 550.000 51,0 700.000 31,1 700.000 9,5 1.950.000 18,2 África Oriental 100.000 9,3 100.000 4,4 400.000 5,4 600.000 5,6 Atlântico 328.000 27,8 1.348.000 60,0 6.090.000 82,4 7.766.000 72,4 Fonte: Lovejoy (2002, p. 90).
Esses fluxos resultantes do tráfico de humanos escravizados são crescentes, principalmente de 1500 a 1800. O Atlântico toma uma dimensão socioespacial e política de organização de novas relações sociais, chegando, entre 1700 e 1800, a totalizar 72% das migrações forçadas. Mesmo que no século XX a escravidão ainda existisse, os 27 milhões de escravos do mundo representam menos de 0,5% da população na era contemporânea, ou seja, muito menos do que os 95% da população mundial ―de não livres‖ no século XVIII (ELTIS, 2003, p. 16).
O processo da escravidão nas Américas obrigou 15 milhões de pessoas a emigrarem forçadamente de suas terras africanas. No período colonial, o Brasil evidencia-se como um grande receptor de mão-de-obra africana. Durante o período colonial, de 1600 a 1700, o Brasil se torna o país que mais recebia africanos com destino ao trabalho escravo. Estima-se, segundo Cardoso (2002), que 40% do contingente de africanos escravizados vieram para o Brasil. Esses dados talvez expliquem parte da realidade atual, na qual o Brasil é o país com maior população negra fora da África ou o segundo país em população negra do mundo (ANJOS, 2005).
Da diversidade da população africana migrada forçadamente para o Brasil pelo tráfico de escravos, Fonseca Junior (1993) reconhece que eram cerca de 280 etnias diferentes, das quais ele destaca: os mushi-congos, benguelas, cabindas, enbembos, iorubas, ijeshás, óyós, haussas, mandingas, fantis, ashantis, minas, fons, mahiis, ijebus, fulanis, ibos, krobos, bantos, zulus. O Mapa 4 apresenta algumas etnias no século XVIII,
59 na África Ocidental, anterior ao reparto da África pelos colonizadores europeus, produzindo o mapa político atual do continente.