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L’utilisation

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13. La gestion des scènes avec des conteneurs 1 Le principe

13.2 L’utilisation

Assumir a postura participativa prevista no modelo de comunicação para mudança social pode ser entendido como conquista de cidadania, segundo Peruzzo (2002). Essa autora destaca que cidadania, a qual se fundamenta em direitos e deveres do cidadão, vai além das

dimensões de liberdade individual (como liberdade, igualdade, locomoção, justiça) e participação política. Abrange também direitos sociais e coletivos, como direito das mulheres, direito ao desenvolvimento, direito à paz, ao meio ambiente. O acesso à informação e aos canais de expressão é também considerado por ela como um direito de cidadania, inscrito entre os direitos da pessoa.

E nos idos deste século, ainda que lentamente, há indícios de que a fundamentação da comunicação participativa ou para a mudança social vem se concretizando. Ações interpessoais e também via meios formais de comunicação empreendidas por movimentos sociais, organizações não-governamentais, igrejas e núcleos comunitários seriam exemplos desse avanço. “A cidadania é sempre uma conquista do povo. A ampliação dos direitos de cidadania depende da „capacidade política‟ dos cidadãos, da qualidade participativa desenvolvida” (Peruzzo, 2002, p.5.).

O estudioso das áreas de comunicação e cultura Jesús Martín-Barbero, espanhol com pesquisas focadas na América Latina, considera haver nítidos avanços na formação de cidadãos nesses países, em boa parte resultante do trabalho de movimentos sociais.

Neste momento [1999], o que vejo é a multiplicidade de pequenos movimentos, um pouco tateantes, construindo algo que tem traços de cidadania, por um lado, uma superação, em certa medida, do silêncio. Isto é, existe uma insubmissão, uma rebeldia frente ao poder da Igreja, frente ao poder do Estado, frente ao poder da escola... frente a muitos poderes. (MARTÍN-BARBERO, entrevista a FÍGARO e BACCEGA , 1999, p.80)

Martín-Barbero ressalta a existência de uma “nova sociabilidade”, de uma “nova agenda de temas importantes para as pessoas” decorrente da articulação paulatina de movimentos pequenos, mas capazes de influenciar a escola, meios de comunicação municipais e comunitários entre outros de modo a criar redes eficazes para potencializar vozes dispersas no espaço regional e mesmo em âmbito nacional. “Dessa multiplicidade, vejo que está surgindo uma nova cidadania” (p.9 on-line).

Ao estudar as relações entre comunicação e educação no processo de conquista de cidadania, priorizando a comunicação implementada por organizações, movimentos populares e ONGs, Peruzzo (2002) conclui que seria “possível visualizar a concretização, na prática, dos princípios da comunicação horizontal” (p.10). Os meios de comunicação usados por esses grupos, segundo a autora, assumem papel educativo pelo conteúdo de suas mensagens e também pela oportunidade que concedem no processo de sua elaboração.

A participação na comunicação é um mecanismo facilitador da ampliação da cidadania, uma vez que possibilita à pessoa tornar-se sujeito de atividades de ação comunitária e dos meios de comunicação ali forjados (...). A pessoa inserida nesse processo tende a mudar o seu modo de ver o mundo e de relacionar-se com ele. Tende a agregar novos elementos à sua cultura (PERUZZO, 2002, p.10).

Os avanços da comunicação popular/comunitária, segundo a autora, são vistos principalmente a partir de meados dos anos 90, tanto no sentido de entidades se apropriarem das tecnologias de comunicação, em especial do rádio, TV e, mais recentemente, da internet, em substituição aos antes simples e restritos meios utilizados, para a divulgação de suas mensagens, quanto em sua capacidade de inserir seus pontos de vista na pauta de canais tradicionais de informação. Conforme Peruzzo (2002), também o interesse do público (audiência) por temas voltados a realidades locais ou por assuntos segmentados contribuiu para essa mudança do mainstream da mídia.

Não só para o meio rural, mas para todo o movimento popular nacional, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) é um caso emblemático de organização em busca de direitos sociais. Com base em relato da jornalista Cácia Cortez, então responsável pela comunicação do MST, no I Simpósio Comunicação, Cultura e Política, de setembro de 1997 (CORTEZ, 1999), pode-se dizer que o Movimento exemplifica o amadurecimento que iniciativas sociais estariam obtendo sobre o uso amplo da comunicação.

De acordo com Cortez (1999), o trabalho de comunicação do MST foi construído num processo lento, com muitos impasses. Sem apoio da mídia e mesmo sem contar com profissionais de comunicação, o Movimento assumiu a produção de material informativo voltado para o próprio grupo e também ao público externo. “Para nós, a comunicação não é um apêndice, uma coisa paralela, à parte. Ela faz parte das ações, tanto que, no MST, o setor de comunicação é tão importante quanto o setor de produção, que é quem ajuda a pensar e organizar os assentamentos” (p.134).

Também no contexto de reforma agrária, Sebastião Geraldo analisa em sua tese de pós-doutorado apresentada à ECA-USP em 2002 o cotidiano e a comunicação no assentamento 17 de Abril, da fazenda Boa Sorte, em Restinga (SP). Seu entendimento de comunicação coincide com o adotado pela tese ora desenvolvida. Para Geraldo (2002), a análise da comunicação implica “falar de cultura e de relação, portanto na dimensão mais profunda da interdisciplinaridade” (p.104). Em sua análise, o pesquisador destaca a

importância dos processos de comunicação desde a mobilização para a ocupação do Horto Florestal da Fazendo Boa Sorte. Essa fase inicial, comenta, “ocorre a partir de um processo intenso de comunicação, de interação e até de persuasão” (p.104). A comunicação nesse grupo, no entanto, teria como característica essencial a participação, segundo o autor.

A prática da comunicação no assentamento é também destacada pelo pesquisador como o espaço de conflito, de mediações sociais, de negociação. Ele comenta que é através da comunicação que os sujeitos interagem, manifestam suas divergências e, assim, exercem sua participação na comunidade. “A comunicação tem o compromisso de agitar os valores que estão sendo construídos e outros que estão sendo rejeitados” (GERALDO, 2002, p.113).

Nesse contexto, Geraldo (2002) conclui que a comunicação funciona como um elo das iniciativas que se processam no dia-a-dia do assentamento, que compõe a integridade das relações sociais. “Não é um fragmento, ela sustenta e se sustenta na constituição cotidiana e na tentativa incessante de criação desse espaço [social]. Não pode ser dissociada dos processos históricos, políticos e culturais pois está manifesta na concretização dessas práticas” (p.125).

Segundo o autor, as condições daquele grupo não permitiam no período o uso de técnicas avançadas de comunicação, predominando a oralidade que, por sua vez, vinha a reiterar o “potencial emancipador e transformador da palavra” (GERALDO, 2002, p.125).

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