Ao se finalizar este trabalho tem-se a nítida impressão de que se realizou um pequeno mergulho em uma temática extensa e complexa cujo maior aprofundamento se dará mediante a realização de mais pesquisas acadêmicas e pelo maior interesse da administração pú blica em compreender a realidade da distribuição dos serviços no território maranhense. Apesar das limitações, mediante a conclusão deste trabalho pode -se fazer algumas considerações finais sobre as suas hipóteses e objetivos.
Inicialmente há de se retomar o principal motivo que levou à elaboração deste trabalho que foi a constatação inicial e óbvia de que Imperatriz é uma importante cidade no centro-oeste maranhense, com isto viu-se uma oportunidade para a realização deste trabalho visando compreender melhor a rede urbana articulada com Imperatriz e que constitui sua região de influência tendo como referência fatores socioeconômicos e de serviços públicos de saúde , sendo que tais serviços são pouco abordados pela academia, que m atem o foco das suas pesquisas no comércio imperatrizense . Assim, este trabalho foi dividido em três capítulos, cada um com seu objetivo e respectiva hipótese.
Para o primeiro capítulo se propôs que seria possível hierarquizar as cidades do centro- oeste maranhense segundo três temáticas básicas: as redes urbanas, as cidades médias e a diferenciação urbano-rural.
A confirmação dessa hipótese se deu mediante o cumprimento do objetivo de investigar estas temáticas por meio de levantamento bibliográfico que constitui a base teórico- conceitual desse trabalho, ou seja, essas temáticas foram retomadas nos capítulos que se seguiram, tornando possível hierarquizar e caracterizar a rede de cidades sob sua influência, sendo que o trabalho Região de Influência das Cidades de 2008 realizado pelo IBGE se mostrou fundamental devido sua riqueza de dados e informações em relação à rede urbana brasileira.
O segundo capítulo está focado na cidade de Imperatriz, neste se conjecturou que Imperatriz é uma cidade média e capital regional que polariza para si uma rede composta por uma média de 50 municípios localizados a um raio de 200 km de distância, chegando a ultrapassar os limites do próprio município.
Esta hipótese foi parcialmente confirmada visto que a rede a rede urbana de Imperatriz abrange uma média de 95 cidades cuja algumas como Balsas, estão localizadas a uma média de 600 km de distância. Entretanto, quando se alcançou o objetivo deste capítulo mediante pesquisa bibliográfica e levantamento de dados, pôde-se constatar que, de fato, Imperatriz é
193 uma cidade média devido fatores quantitativos, como sua população de quase 300 mil habitantes; e fatores qualitativos, como sua função de prestadora de serviços educacionais, dos quais se destacam os ofertados por universidades públicas e as faculdades privadas; serviços de saúde, especialmente os ofertados pelos dois principais hospitais públicos da cidade; funç ão comercial de atacado e varejo; administrativa (especialmente a administração pública ), comercial (atacado e varejo); sua localização privilegiada entre duas cidades de grande porte, que são Goiânia e Belém, a rede de comunicação por rodovias que convergem para Imperatriz . Estes são alguns fatores que tornam Imperatriz não apenas uma cidade média, mas cidade polo e capital regional de uma extensa rede de cidades.
No terceiro capítulo o foco se deu em relação a Região de Saúde Imperatriz e sua polarização regional em relação as outras três que são sua adjacentes, a Região de Saúde Açailândia, Região de Saúde Balsas e Região de Saúde Barra do Corda. Neste capítulo partiu- se da hipótese de que a gestão dos serviços de saúde é fator determinante para a polarização de Imperatriz, e que também gera benefícios, como a dinamização da economia local; assim como problemas, principalmente para a estrutura hospitalar da cidade.
Para verificar essa hipótese se objetivou caracterizar a rede urbana das regiões de saúde adjacentes a Imperatriz visando comprovar sua polarização e a importância dos dois principais hospitais da cidade, o HMI e o HRMI. Mediante coleta de dados em fontes variadas, foi possível evidenciar a grande disparidade entre a cidade de Imperatriz e os demais municípios das regiões de saúde vizinhas assim como da sua própria região; me smo naqueles economicamente dinâmicos como Açailândia e Balsas, percebe-se que falta o básico em infraestrutura de saúde, como equipamentos e médicos.
Posteriormente buscou-se aprofundar essa importância regional de Imperatriz analisando os fluxos de pesso as da sua rede urbana que buscam serviços nos dois principais hospitais da cidade: o Hospital Municipal de Imperatriz (HMI) e o Hospital Regional Materno Infantil de Imperatriz (HRMI), que são responsáveis por um fluxo crescente de pessoas de outros municípios para Imperatriz, visto a quantidade de procedimentos hospitalares e clínicos ofertados por ambos hospitais. Imperatriz também conta com uma vasta quantidade de estabelecimentos privados especializados em vários tipos de serviços de saúde, polarizados em dois dos principais bairros da cidade: o Centro e o Juçara.
A importância destes dois hospitais pode ser evidenciada mediante o levantamento de dados, aplicação de formulários a pacientes e a realização de entrevista com o diretor do HMI. Com os resultados obtidos foi possível demonstrar a existência de uma rede de cidades cuja
194 população depende de Imperatriz para ter acesso a serviços de saúde de média e alta complexidade. Essa afirmativa foi confirmada com a aplicação de formulários a pacientes do HMI cuja origens se mostraram muito variadas, mas que muitas vezes se identificam como residentes em Imperatriz devido receio de não conseguir atendimento, gerando assim distorções nos dados; estas distorções também foram confirmadas em entrevista ao diretor do HMI.
Apesar desse fluxo de pacientes de outros municípios para Imperatriz trazer problemas financeiros e de gestão dos serviços devido esgotamento da capacidade instalada, alguns setores da economia local se beneficia, principalmente os relacionados a s erviços de saúde, com destaque para os laboratórios, clínicas e farmácias; e ainda outros como de alimentação, transporte etc., enfim, todos os serviços que servem de suporte à estadia dos pacientes e acompanhante. Portanto, a hipótese deste capítulo se mostrou verdadeira mediante a confirmação do respectivo objetivo. Mediante a conclusão do trabalho pode-se dizer que as hipóteses deste trabalho se mostraram verdadeiras e que de fato a cidade de Imperatriz é um polo regional de saúde, especialmente para a região centro-oeste e sul do Estado do Maranhão, extremo norte do Tocantins e sudeste do Estado do Pará.
Além dessas conclusões pode-se fazer algumas considerações. Apesar dessa polarização ser responsável por vantagens econômicas para a cidade, principalmente por dinamizar o setor de serviços, faz-se necessário organizar o sistema de saúde estadual como um todo. O primeiro passo para isto seria a elaboração do Plano Diretor de Regionalização (PDR) que permitiria à gestão estadual fortalecer e organizar a infraestrutura dos polos regionais de saúde distribuindo de maneira mais equânime os equipamentos e recursos hospitalares entre as regiões de saúde de maneira a se evitar a contínua repetição de problemas graves como o esgotamento da infraestrutura e serviços hospitalares de Imperatriz, o subfinanciamento da saúde, a falta de repasse financeiro intermunicipal por utilização de serviços de saúde.
Em relação à distribuição dos polos de cada uma das regiões de saúde analisadas, percebe-se nitidamente uma distribuição pouco funcional, visto que Imperatriz e Açailândia são cidades polo de sua respectiva região, mas Açailândia é eclipsada por Imperatriz devido à proximidade de ambas. Ao mesmo tempo Balsas e Imperatriz estão localizadas a grandes distâncias, deixando um enorme vazio entre ambas.
Uma possível solução para este problema seria o deslocamento do Polo de Saúde Açailândia para Buriticupu, que não é uma cidade economicamente dominante como Açailândia, mas que está localizada a uma maior distância de Imperatriz e, portanto, sofre uma menor influência dela; deve-se salientar que Buriticupu é a cidade mais importante dessa região
195 de saúde depois de Açailândia. Já o Polo de Saúde Barra do Corda poderia ser deslocado para Grajaú, as duas cidades são equivalentes em tamanho, economia e infraestrutura conforme já demonstrado. Essas duas mudanças já significariam uma grande melhoria para o problema que é a distância entre Imperatriz e Balsas e a proximidade entre Imperatriz e Açailândia. Para se obter uma melhor visão desta configuração, observar o Mapa 32.
M apa 32 - Novo Pr oposta de Regionalização
Fonte: DATASUS, 2011 Elaboração: O autor
196 Essa configuração para ser funcional necessita que, de fato, os polos de saúde sejam fortalecidos em sua infraestrutura de saúde; ainda mais porque , como já colocado, a maioria dos municípios possuem um forte caráter rural constituídos por população de baixo poder aquisitivo, o que significa a impossibilidade de manter uma estrutura de saúde funcional. Nesse caso, os polos de saúde são cidades que dev eriam suprir essa necessidade regional por serviços de saúde e desafogar Imperatriz enquanto único polo cuja infraestrutura de saúde é resolutiva.
Essa proposta de divisão precisa ser estudada de maneira mais profunda, visto que aqui tem-se a colocação de uma possibilidade baseada em critérios que não levam em consideração, por exemplo, a questão dos interesses políticos. Portanto, dessa primeira aproximação faz -se necessários que se continue a pesquisar as viabilidades de tais mudanças.
Outra sugestão para pesquisa é compreender quais são os entraves que levam Balsas a não se concretizar como um polo de saúde, visto que enquanto polo funcional, uma grande quantidade de pessoas que moram em municípios ao sul do estado se tornariam menos dependentes de Imperatriz. Esta é uma questão importante visto que o município de Imperatriz e Balsas estão localizados muito distante um do outro.
Também é preciso dizer que essas temáticas não se esgotaram e que se faz necessário a realização de mais pesquisas para que se possa formar um quadro completo da realidade regional do centro-oeste maranhense, especialmente em relação à oferta e acesso a serviços de saúde.
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