CONCLUSION GENERALE
2.4 L’OBJECTIF D’UN ESPACE PUBLIC
Na área das ornamentais, tem merecido alguma atenção a roseira (Rosa sp.), uma espécie considerada como uma das três flores de corte com consumo mais elevado a nível mundial. A sua propagação por estacaria é muito interessante para os floricultores devido à redução do tempo necessário para a formação de novas plantas bem como à facilidade e rapidez da técnica quando comparada com o processo de enxertia. Pelo facto de se verificarem enormes variações na sua capacidade de enraizamento, Pivetta et al. (2001), Santos (2001) e Sarzi e Pivetta (2005) estudaram o efeito da aplicação de reguladores de crescimento, tendo em vista diminuir tal heterogeneidade.
Também o Ilex aquifolium tem sido uma espécie muito citada. O seu enorme potencial ornamental, especialmente na época Natalícia, transformou-a numa espécie vulnerável, vindo o seu número de efectivos sistematicamente a ser reduzido devido à destruição das florestas autóctones e à procura indiscriminada por parte dos consumidores; para além disso, é uma planta dióica e a sua reprodução tem sido posta em causa pelo desaparecimento preferencial das plantas femininas. Noutra perspectiva, a regeneração é dificultada pela profunda dormência das sementes e pela elevada resistência do endocarpo que envolve o tegumento (Ribeiro et al., 1996). Por estes
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motivos, a estacaria surge como uma alternativa viável para se obterem novas plantas, com a mesma capacidade genética e em menos tempo garantindo a sua variabilidade (Saloca, 1995; Ribeiro et al., 1996; Afonso, 1998).
Stumpf et al. (1999, 2001) utilizaram estacas de Chamaecyparis lawsoniana, uma conífera com ampla aceitação no paisagismo e cuja propagação por semente, apesar de possível, não permite a manutenção de algumas características desejáveis.
O azereiro (Prunus lusitanica) é uma espécie autóctone relativamente rara e que apresenta potencial ornamental. Ribeiro e Antunes (1997) afirmam que a sua multiplicação por semente exige estratificação durante vários anos e o crescimento é muito lento. Para que a sua produção seja economicamente viável, os autores preconizam a propagação por estacaria.
O Rodhodendron thomsonii é outra espécie ornamental muito difundida e que foi alvo de um estudo por parte de Ferriani et al. (2006) que tentaram avaliar o enraizamento das suas estacas, na tentativa de a estacaria se tornar uma ferramenta viável para a produção de plantas em larga escala.
Outros arbustos ornamentais muito importantes no paisagismo urbano português são a Nerium oleander (Rocha et al., 2004; Pedrinho, 2006), a Hydrangea macrophylla (Luz et al., 2007) e a Fuchsia regia (Alcântara et al., 2008). Os autores citados estudaram a capacidade de enraizamento de cada uma das espécies. No caso da N.
oleander, uma das vantagens da propagação vegetativa quando comparada com a via
seminal é o florescimento precoce (Rocha et al., 2004). No caso da F. regia, o interesse deve-se à crescente procura nos últimos anos (Alcântara et al., 2008).
Ainda uma referência para a Jasminum mesnyi, um arbusto de grande potencial ornamental utilizado como cerca viva ou sebe, que tradicionalmente se propaga facilmente por estacaria e que foi objecto de estudo dado que as informações técnicas relativas ao seu cultivo ainda são escassas (Althaus et al., 2007).
A Hibiscus rosa-sinensis é, também, uma espécie com grande potencial paisagístico pelo que se pretende obter plantas vigorosas e sadias através de um método rápido e de baixo custo, como é o da propagação vegetativa por estacaria (Silva et al., s. d.). A Glandularia sp. (Campos e Petry, 2007), tem um enorme potencial ornamental e
A UTILIZAÇÃO DA ESTACARIA COMO FORMA DE PROPAGAÇÃO VEGETATIVA
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os estudos, utilizando estacaria, tentaram promover e incrementar esse potencial. Com o género Ardisia (Roh et al., 2005), o objectivo era estudar o efeito das auxinas no enraizamento de estacas de Ardisia crenata e determinar se seria possível produzir, num período de dois anos, plantas de alta qualidade comercialmente aceitáveis.
Biondi et al. (2008) testaram o enraizamento de Tecoma stans sem efectuarem qualquer tipo de aplicação de reguladores de crescimento com bons resultados. O que não deixa de ser anómalo é o facto de esta espécie ter sido alvo de um estudo deste género mesmo sendo considerada no Estado do Paraná (Brasil), local de realização do ensaio, uma espécie invasora nociva sendo mesmo proibida a sua entrada, plantação, transporte, produção e comercialização quer de plantas quer de sementes ou pedaços de caules ou raízes. Como a informação disponível sobre a reprodução assexuada desta espécie é muito reduzida, os autores procuraram avaliar cientificamente o seu potencial de enraizamento, uma vez que, independentemente das proibições a que está sujeita, ela pode ser usada como ornamental sendo adequada para parques e jardins (Biondi et al., 2008).
Embora com menor frequência, muitas outras espécies tem sido alvo de estudos. Referenciam-se os trabalhos, alguns académicos, com Tibouchina cf. moricandiana (Ribeiro et al., 2007), Tibouchina sellowiana (Bortolini et al., 2008); Dendranthemum
grandiflora (DeVier e Geneve, 1997), Dianthus caryophillus (Teixeira, 1999), Platanus x acerifolia, um híbrido resultante do cruzamento entre o P. occidentalis e o P. orientalis (Dias et al., 1999; Hoppe et al., 1999), Arbutus andrachne (Al-Salem e
Karam, 2001), Aglaoema modestum, Gardenia augusta e Hedera helix (Blythe et al., 2004), Ficus benjamina (Rodriguez et al., 1998; Blythe et al., 2004; Bortolini et al., 2008); Taxus baccata (Metaxas et al., 2004), Arbutus unedo, Myrtus communis, Olea
europeae var. sylvestris, Phillyrea latifolia e Viburnum tinus (Pignatti e Crobeddu,
2005), Gloxinia sylvatica (Leal e Biondi, 2007), Amelanchier canadensis, Cornus mas,
Eleagnus umbellata (Bounous et al., 1992), Duranta repens (Lopes et al., 2005)e Evolvulus pusilus (Pianta et al., 1994), Calliandra selloi e Calliandra tweediei (Lima et
al., 2006; Mayer et al., 2008), Hylocerus undatus (Silva et al., 2006; Araújo et al., 2008), Abelia X grandiflora (Paes et al., 2006), Rollinia rugulosa (Pinto et al., 2003),
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Nandina domestica (Carvalho e Gosek, 2008), Syzygium malaccense (Almeida et al.,
2008) e Oncidium baveri (Sorace et al., 2007).
Importantes nesta área, os estudos levados a efeito por DeVier e Geneve (1997) respeitante à influência negativa da floração na formação de raízes. Segundo os autores, essa influência negativa ficar-se-ia a dever mais à indução floral pelo estímulo do fotoperíodo do que à competição entre flores e raízes pelos recursos disponíveis.