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Nas Tabelas 5.16 e 5.17, contam os resultados das análises microbiológicas de bolores e leveduras das rações produzidas com subprodutos de abacaxi, acerola e maracujá oriundos da produção de polpas para sucos, armazenadas em B.O.D para envelhecimento acelerado na temperatura de 45 ºC durante 60 dias. Os baixos níveis de bolores e levedura verificados entre

o início (dia de fabricação) e o final do período de armazenamento indicaram que todas as rações analisadas apresentaram qualidade microbiológica satisfatória, estando aptas a serem utilizadas na alimentação animal.

Tabela 5.16 Contagem de bolores (UFC g-1) nas amostras das rações (R1, R2, R3 e R4)

processadas nas temperaturas (40, 50, 60 e 70 ºC) e armazenadas na BOD à 45 ºC durante 60 dias Temperaturas de fabricação 40 ºC 50 ºC 60 ºC 70 ºC Tempo dias R1 R2 R3 R4 0 3,3 x 10-4 1,0 x 10-3 Ausente 7,0 x 10-5 30 Ausente Ausente 3,3 x 10-4 3,3 x 10-4 60 4,4 x 10-4 6,7 x 10-4 Ausente 3,3 x 10-4

Médias de nove repetições. (Ausente) corresponde a amostras que durante o período de armazenamento não apresentaram presença de contaminação pelos tipos de microrganismos analisados.

Tabela 5.17 Contagem de Leveduras (UFC g-1) nas amostras das rações (R1, R2, R3 e R4)

processadas nas temperaturas (40, 50, 60 e 70 ºC) e armazenadas na B.O.D à 45ºC durante 60 dias Temperaturas de fabricação 40 ºC 50 ºC 60 ºC 70 ºC Tempo dias R1 R2 R3 R4 0 1,0 x 10-3 1,0 x 10-3 3,0 x 10-4 6,0 x 10-4 30 Ausente Ausente 3,0 x 10-4 2,0 x 10-3 60 3,0 x 10-3 Ausente 4,0 x 10-3 1,0 x 10-4

Médias de nove repetições. (Ausente) corresponde a amostras que durante o período de armazenamento não apresentaram presença de contaminação pelos tipos de microrganismos analisados.

Durante o armazenamento, não houve presença de bolores nas rações R1 e R2 em 30 dias, e na R3 em zero e 60 dias. Nos outros períodos, a presença de contaminação desses microrganismos foi muito baixa entre 1,0 x 10-3 a 7,0 x 10-5 UFC g-1. Quanto a leveduras, a

ausência ocorreu na ração R1 em 30 dias e na R2 em 30 e 60 dias, nos outros períodos, houve contagens também com níveis insignificantes entre 1,0 x 10-3 a 6,0 x 10-4 UFC g-1.

Carlos & Delezuck (2015) processaram farinha de trigo integral com moagens em diferentes granulometrias e com teor de água entre 9,9 a 11%, as amostras foram armazenadas durante 90 dias na temperatura ambiente variando entre 22,5 a 29,5 ºC, encontrando bolores e leveduras na faixa de 120 a 660 UFC g-1. Segundo os autores, estes valores encontrados estão

dentro dos níveis aceitáveis de acordo com a legislação brasileira para o produto. A conservação de cereais e seus derivados, durante o armazenamento, depende das condições de embalagem e do teor de água do produto, porque níveis altos de teor de água favorecem a proliferação de organismos tais como fungos, ácaros e insetos que podem deteriorar os produtos, dando origem a elementos nocivos à saúde (MOURA et al., 2014).

Oliveira et al. (2015) analisaram bolores e leveduras em farinhas de linhaça (Linun usitatissimun L.), vendidas, embaladas e a granel, em lojas de produtos naturais, feiras livre e supermercados de Vitória da Conquista - BA, encontrando, respectivamente, os seguintes resultados: para a linhaça dourada as contagens para bolores foram 2,5 x 10; 7,5 x 10 e 5 x 10 UFC g-1 e leveduras 2,5 x102; 7,7 x 102 e 1,1 x 102 UFC g-1, enquanto para linhaça marrom as

contagens de bolores foram 1,27 x 102; 1,25 x 102 e 3,25 x 102 UFC g-1 e leveduras 7,5 x 10;

3,55 x 102 e 4 x 10 UFC g-1, a contaminação mais alta na linhaça marrom foi atribuída à

preferência do consumidor pela linhaça dourada, que retarda naquela região a rotatividade da linhaça marrom, no entanto, segundo os autores, as duas ainda estão dentro de padrões sanitários. A contaminação mais alta também pode estar relacionada com a manipulação dos produtos comercializados a granel, em feiras livres, que estão sujeitos à contaminação (RODRIGUES et al., 2015).

Para Mendes et al. (2014), rações estocadas em ambientes com temperatura e umidade variadas, com o tempo de armazenagem prolongado podem causar riscos à saúde dos animais. Análise para detectar a presença de microrganismos torna-se importante, porque eles são responsáveis por acelerar a deterioração dos alimentos, reduzir o valor nutricional e mudar as qualidades organolépticas do produto, fatores estes indesejáveis, uma vez que acabam afetando a vida de prateleira dos alimentos (OLIVEIRA et al., 2015).

Rodrigues et al. (2015) analisaram bolores e leveduras em quatro tipos farinhas de mandioca (Manihot esculenta Cratz) vendidas a granel, nas feiras de Ji-Paraná-RO, encontrando os níveis de contaminação nas amostras das seguintes farinhas, branca fina: 1,0 x

102 a 1,2 x 105 UFC g-1, branca grossa: <1,0 x 101 a 2,0 x 105 UFC g-1, amarela e fina: <1,0 x

101 a 3,0 x 103 UFC g-1 e amarela e grossa: <1,0 x 101 a 9,0 x 104 UFC g-1, os autores concluíram

no final do trabalho que, entre os produtos analisados houve maior contaminação nas farinhas branca grossa e branca fina, porém a maioria das amostras demonstraram contagens inferiores aos padrões estabelecidos na legislação.

Em rações para avestruz, peixes e equinos, armazenadas por 12 meses no depósito da indústria, as contagens de bolores e leveduras se mantiveram entre 0,1447 x 104; 0,055 x 104 e

0,1912 x 104 UFC g-1, para o armazenamento em ambiente controlado a contagem foi de 2,4298

x 104; 0,0054 x 104 e 0,0626 x 104 UFC g-1, no entanto, as mesmas rações armazenadas em um

distribuidor com sérios problemas de umidade, com 90 dias de armazenamento foi o suficiente para a contaminação alcançar níveis impróprios para consumo na ordem de 220,016 x 104;

130,005 x 104 e 120,0300 x 104, respectivamente (GABBI et al., 2011).

Fungos se desenvolvem em certas condições de umidade, oxigênio e temperatura, em produtos agrícolas e alimentos, produzindo micotoxinas elementos tóxicos, estáveis e termo- resistentes, sendo, portanto, difíceis de serem eliminados, causando inúmeros problemas de saúde tanto ao homem como aos animais, em maior gravidade por via digestiva, pela ingestão de alimentos contaminados (INMETRO, 2018). Dessa forma, o teor de água em farinhas e rações, assim como as condições do local de estocagem aceleram a deterioração dos produtos tornando-os de má qualidade (MENDES et al., 2014).

Para Franco (1996), quando microrganismos se encontram em ambiente neutro a multiplicação depende da sua capacidade de modificar o pH, porém em acidez próxima de 4,0 as aminoácido-descarboxilaeses de muitos deles são ativadas, para a produção de aminas, aumentando o pH, no entanto, bolores se multiplicam em pH mais alto que as leveduras, que são mais tolerantes do que bactérias.

Durante o armazenamento todas as rações apresentaram valores de pH entre 4,6 a 5,3 (Tabelas 5.12; 5.13; 5.14 e 5.15). De acordo com Franco (1996), nesses valores de pH poderia haver crescimento de bolores, no entanto, as contagens das colônias realizadas nas quatro rações trabalhadas foram extremamente baixas, ocorrendo ausência total em alguns períodos do armazenamento (Tabelas 5.16 e 5.17).

Na legislação brasileira, segundo Mendes et al. (2014) e Reinoso et al. (2017), atualmente não consta especificamente o limite para bolores e leveduras em rações, dessa forma para a conclusão dos resultados deste trabalho foram considerados os valores de referência na

faixa 103 a 104 UFC g-1, constantes na RDC nº 12, de 02 de janeiro de 2001, no item “Frutas,

produtos de frutas e similares” (BRASIL 2001).

Dentro do exposto, os resultados para bolores e leveduras, no presente trabalho, estão abaixo dos valores padrão recomendados pela legislação brasileira. A preservação da qualidade das rações pode ter sido beneficiada pela manipulação preventiva realizada no início do processamento, como por exemplo, a higienização com a solução de cloro e o tratamento térmico aplicado nos resíduos. Uma vez que a Resolução da Comissão Nacional de Normas e Padrões para Alimentos RDC nº 12/2001 Brasil (2001) preconiza que as práticas de manipulação da matéria prima, estocagem e erros durante o processamento podem resultar em níveis altos de contaminação, ficando os alimentos fora dos padrões sanitários e impróprios para o consumo.

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