No Brasil, a educação em saúde, voltada para profissionais direta ou indiretamente ligados à complexa rede de serviços do SUS e os resultados advindos de sua prática interferem de maneira significativa no cotidiano das comunidades assistidas. A pesquisa possibilitou um contato real com as necessidades de formação continuada de uma pequena parcela de profissionais ligados à rede de atenção básica, como foi o caso dos ACS, na comunidade de Aimorés (MG), que por si, apresentaram carências formativas consideráveis e necessárias de serem sanadas para uma melhor prática social.
Os encontros formativos com os ACS, especialmente nos dois primeiros encontros, possibilitaram conhecer essas lacunas formativas de educação em saúde consideradas importantes para melhoria da sua prática profissional. Tais informações serviram de subsídio para o desenvolvimento dos casos investigativos pela equipe do LCC-Fiocruz. Foram apontadas como expectativas dos ACS de Aimorés quanto às suas próprias necessidades formativas: Abordagem as doenças crônicas mais comuns (cardiovasculares, renais, diabetes e hipertensão arterial sistêmica) e; Subsídios de conteúdo de saúde e biologia para construção de protocolo básico de abordagem prévia ao paciente, mas que fosse discutido de forma direta e informal abordando o dia-a-dia dos pacientes Crônicos (Medicação, dietas, condicionamento físico). Essa demanda foi o alvo principal da construção do processo formativo apresentado aqui.
A experiência do pesquisador na prática da odontologia em Unidades de Saúde, descrita na introdução deste trabalho foi sem dúvida, uma fonte de reflexão sobre a discrepância que há entre a democratização do atendimento em saúde, preconizada na lei do SUS, e a formação dos profissionais de saúde nas Instituições de educação de nível técnico e superior intrinsecamente de caráter elitista . Claramente há um conflito entre a formação inicial em saúde e a realidade do que se espera do profissional de saúde no SUS. Tal realidade vem sendo recentemente modificada na medida em que cursos de formação em saúde vem estabelecendo novos currículos voltados para a assistência democrática em saúde. Essa mudança é de extrema importância dada à carência de profissionais treinados dispostos a interagir especificamente com essa realidade.
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Espera-se que outros processos de educação em saúde possam acontecer com o fim específico de melhor preparar os profissionais da rede do SUS para o atendimento à população. Quando um profissional em formação continuada trabalha de forma cooperativa, torna-se agente da construção de seu próprio conhecimento. Isso possibilita a ele oportunidade de questionar, recusar ou aceitar o novo saber, modificando também as formas de cuidar-educar. O diálogo com o saber popular torna por assim dizer, o conhecimento científico mais adequado ao uso e aos hábitos comuns do mundo prático, tão necessários na atualidade.
Buscamos nos momentos formativos com os ACS possibilitar a eles que se tornassem sujeitos ativos em seu processo educativo. Toda a prática metodológica de rodas de conversa, debates, dinâmicas foi direcionada para que os ACS pudessem falar e serem ouvidos, o que apontou para uma possível potencialização da uma aprendizagem significativa voltada para atender às suas necessidades formativas e às necessidades em saúde da população assistida, fato que seguramente irá redundar num atendimento mais eficaz.
A realização da formação continuada apresentou potencial para melhorar a qualidade do serviço prestado pelos ACS à população de acordo com a própria avaliação dos agentes, o que ficou evidenciado em suas falas, nos comentários no Facebook® e no questionário de avaliação do curso.
O uso das ferramentas em plataforma virtual como metodologia alternativa de educação em saúde promoveu uma maior interatividade dos agentes para além dos momentos presenciais; o contato com outros agentes e com profissionais de saúde de outras instituições e; maior autonomia e acessibilidade às informações disponibilizadas, promovendo também a reflexão e o trabalho em equipe do ACS.
No processo formativo foi possível evidenciar como unidades de saúde podem funcionar como espaços não formais de educação voltados para a educação em todos os seus âmbitos, inclusive para a formação continuada em serviço dos profissionais que nela atuam.
Além disso, a sistematização detalhada e a validação dos módulos formativos desenvolvidos em Aimorés podem servir como modelo de estratégia de intervenção possível de ser utilizada para mediação de outros temas e para diversos públicos, desde que seja observado o diálogo
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constante com o referencial teórico e realizada uma avaliação processual e imparcial de todos os atores do processo.
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