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L’iode comme solution

Dans le document Histoire de l iode, d hier à aujourd hui (Page 46-49)

III. Les troubles de l’iode depuis l’antiquité

6. L’iode comme solution

As condições de organização e de funcionamento da vida em sociedade e ambientais, da forma como se apresentam podem ser caracterizadas de crise. Situação esta anteriormente caracterizada, mas que pode ser compreendida de distintas maneiras, dadas as possíveis formas de identificá-la, compreendê-la e de explicá-la. Variáveis que dependem do viés que se toma como referência – científico, econômico, político, ecológico, ou outro – para enfrentar ou não este quadro e das apostas nela envolvidas. Um contexto que denominamos de crise, ou seja, o período entre situado entre o “não mais e ainda não”, conforme define Arendt (2013, p. 35-36).

No entender de Zizek (2012, p. 11-12), a lógica do sistema capitalista de escala global está em rota de destruição total do planeta e da humanidade, aproximando-se de um ponto zero apocalíptico, expresso nos quatro cavaleiros do Apocalipse: “a crise ecológica, as consequências da revolução biogenética, os desequilíbrios do próprio sistema (problemas de propriedade intelectual, a luta vindoura por matéria-prima, comida e água) e o crescimento explosivo das divisões e exclusões sociais”. Este pensador articula, relaciona as problemáticas sociais e ambientais e aponta para a necessidade de compreensão destes dois fenômenos interligados para uma busca mais adequada de suas possíveis soluções.

Em relação aos problemas socioambientais, muitas são as posturas possíveis de serem adotadas: negá-los, evitá-los, conviver com os mesmos, ou enfrentá-los. Recorrendo à teoria da psicóloga Kübler-Ross (2009), pode-se compreender a situação da humanidade ante à verdade dos discursos da situação socioambiental do planeta Terra, a exemplo do que acontece no caso de uma doença grave com alguém. Podem ocorrer cinco estágios de luto quando a pessoa descobre que possui uma doença terminal: a negação (recusa em aceitar o fato); a raiva (reação explosiva frente à impossibilidade de negar a realidade da doença); a barganha (esperança em adiar ou diminuir a gravidade da situação); a depressão (já que é

assim mesmo, por que ficar preocupado, por que se desesperar); e a aceitação (não tendo o que fazer mesmo, o melhor é se preparar bem para o momento que virá inexoravelmente).

Esta teoria psicológica dos estágios do luto pode ser estendida para compreender outras formas de perdas significativas, impactantes na vida da pessoa como na perda do emprego, da morte de um familiar ou amigo, frente ao vício em drogas (lícitas e ilícitas). Porém, os estágios não ocorrem de forma escalonada, em sequência e nem são experienciados por todas as pessoas que passam por estas situações na vida.

As cinco dimensões do luto podem ocorrer nos comportamentos individuais ou societários em relação às problemáticas socioambientais. Negar que esta realidade existe; ter explosão de raiva ou indignação contra as injustiças da ordem mundial instalada; tentar alguma barganha pessoal, tirar algum proveito financeiro do momento (por exemplo: venda de drogas ilícitas, a corrupção), obter alguma melhora pontual, buscar um ganho no comércio internacional e exploração de recursos naturais; afastada a possibilidade de obtenção de algum benefício individual, da categoria ou do país, afastar-se da realidade; não percebendo a realidade como ameaça de vislumbrar a possibilidade de reconstrução das relações humanas, na base de uma subjetividade emancipatória e da construção de um mundo comum. Tal como pode acontecer no caso de uma doença, na realidade ambiental também existem as hipóteses da resignação e aceitação passiva ou o enfrentamento do quadro, no intuito de propor alguma forma de superação da situação.

Algumas das propostas que buscam contribuir na resolução da problemática ambiental ancoram-se em dados produzidos, nos relatórios de conferências, para legitimar política e cientificamente seu prestígio e reconhecimento junto à sociedade reforçando a tese da conscientização das pessoas para a real situação ambiental do planeta e possivelmente mudar seu estilo de vida. Produzem-se regimes de verdades sobre o contexto ambiental e aposta-se na formação da consciência individual e coletiva que apresenta um grande limite à solução destes desafios ambientais.

No contexto da situação de catástrofe, da quase situação apocalíptica, recorre-se à necessidade discursiva da formação das pessoas, apela-se à tomada de consciência com vistas a frear a destruição da vida planetária. Parte-se do pressuposto de que para mudar as atitudes, comportamentos, as práticas cotidianas no cuidado com o planeta Terra, são fundamentais os conhecimentos ecológicos e os dados empíricos, cientificamente produzidos em determinados regimes de verdade. Estas ações provocariam mudanças comportamentais nos indivíduos, nas suas práticas de consumo e mudariam suas formas de se relacionar com o ambiente natural e adotariam práticas de preservação dos ambientes nos quais vivem.

O fundamento epistêmico das ciências empírico-analíticas, que produz as realidades ambientais, é o mesmo da ciência cartesiana a qual se constitui na fonte teórica embasadora da relação destruidora e exploradora dos recursos ambientais e das relações humanas. Os dados coletados por aquelas ciências fundam-se no paradigma epistemológico interpretativo e explicativo que funda e mantém a civilização ocidental. Baseia-se também no credo de que o acúmulo de informações certas, precisas, objetivas e universais poderia resultar em algo benéfico ao indivíduo e ao conjunto da sociedade porque produziu mais conhecimento e aumentou o saber das ciências. É uma postura científica redundante porque busca solucionar um problema fundamentando sua resolução nos mesmos pressupostos e elementos que pretende superar e resolver. Pretende resolver uma problemática com a causa que a provocou. Com a dinâmica da globalização e ocidentalização (Morin, 2013), as relações de sociabilidade humana se alteraram drasticamente. O humano é colocado em uma luta fratricida pela sobrevivência, que submete todo e qualquer critério de relação social, humanitária e ambiental ao princípio da competição. Parece o retorno ao estado de natureza

descrito por Hobbes (2008a), no qual existe a guerra de todos contra todos (bellum omnium

contra omnes), onde o homem é lobo do homem (Homo homini lúpus). O que importa neste

contexto é ser mais ágil, competente, empreendedor, é continuar vivo e não morrer, “correr

mais que o amigo”30

, o concorrente.

Suscita uma postura antimodernista e arcaizante de pensar os problemas ambientais, pois provoca nos indivíduos uma postura e prática denominada por Carvalho (1989) de sobrevivencialista. O sobrevivencialismo não se preocupa com a permanência ou não da espécie humana, dos demais seres vivos, do planeta, mas com a continuidade – sobrevida – de cada um. A preocupação passa a ser em desenvolver aptidões e competências para manter-se, individualmente, vivo neste mundo competitivo. Apela-se, de acordo com Carvalho (1989) à tese da catástrofe, fundamentada na análise químico-estatística e na predição matemática, que produzem um discurso ecológico do terror.

A retórica da crise protagonizada pelos discursos eco-catastróficos-matemáticos tem desenhado e operado um recorte paradoxal no nível do indivíduo. O “efeito” de um tal discurso é bem diferente do que poderíamos supor num primeiro momento. Poderíamos ser levados a pensar que a “produção do terror” seria capaz de influenciar positivamente a compreensão do caráter político e ético envolvido na

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Conta-se uma história em cursos de capacitação profissional, de motivação, de qualificação de trabalhadores, especialmente nos de “qualidade total”: dois amigos andavam na floresta quando apareceu um leão que pôs-se a persegui-los com o intuito de devorá-los. Um deles interrompe a corrida para tirar os sapatos. O outro se surpreende e pergunta o por que desta decisão, ao que aquele responde: “Eu não preciso correr mais do que o leão. Basta-me correr mais do que você”.

devastação da natureza. A saturação desse discurso parece estar conduzindo à impotência política (GRÜN, 1996, p. 87-88).

Relatórios oficiais e discursos ambientais31 têm sido produzidos nos mais distintos

encontros, conferências, seminários, dentre outros, especialmente aqueles realizados sob a

direção da ONU. Um dos órgãos da ONU é o IPCC32. Este organismo emite muitos

prognósticos, apresenta visões plurais que orientam governos nacionais e organismos internacionais na formulação de políticas e programas públicos a serem implementados para o enfrentamento dos problemas diagnosticados. Os dados contidos no relatório do IPCC emitido em 2007 “apenas em pequena parte argumentam com base em modelos, prognósticos e hipóteses, mas principalmente se alicerçam em evidências científicas já mensuradas sobre o aumento da temperatura mundial, o erguimento da superfície dos oceanos ou a dimensão do derretimento das geleiras”, pondera Welzer (2010, p. 56). O referido relatório também apresenta as possíveis consequências sociais, econômicas, políticas, humanitárias, dentre outras, do aquecimento global ou outros desastres naturais, trazendo um novo fenômeno de injustiça global: “as assimetrias e desigualdades nas condições de vida serão aprofundadas pelas variações climáticas”, conclui Welzer (2010, p. 58).

O 5º relatório divulgado do IPCC, em sua primeira parte, evidencia que houve um aumento de 0,85ºC da temperatura na superfície da terra e do mar e afirma, de forma categórica, que é a ação humana a principal causa das alterações climáticas.

Por sua vez, o PBMC33 prevê profundas mudanças climáticas no país, afetando

ecossistemas aquáticos e terrestres. A instituição irá “disponibilizar informações técnico- científicas sobre mudanças climáticas a partir de avaliação integrada do conhecimento técnico-científico produzido no Brasil ou no exterior, sobre causas, efeitos e projeções relacionadas às mudanças climáticas e seus impactos, de importância para o país” (PBMC, 2013, s.p.).

Este relatório aponta para impactos negativos, decorrentes das mudanças climáticas, sobre a saúde humana através de doenças endêmicas, desastres como deslizamentos de terra,

31 Caracterizo como discurso oficial aquele advindo de eventos organizados por órgãos governamentais ou

organismos estatais. Não estabeleço uma definição binária e excludente entre oficial e alternativo, pois em alguns eventos definidos como oficiais participam organizações sociais de cunho ambiental e ecológico, e pessoas físicas.

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Órgão nas Nações Unidas responsável por produzir informações e dados científicos, através de relatórios, baseadas na revisão de pesquisas de cientistas de todo o mundo.

33 O PBMC foi criado em 2009 pelos ministérios do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia, nos moldes do

IPCC, com o objetivo de reunir, sintetizar e avaliar informações científicas sobre aspectos relevantes das mudanças climáticas no Brasil. Outros relatórios que abordam a crise de relações humanas de produção e sociabilidade, apresentam indicadores da crise ambiental, social, econômica, encontram-se no Relatório do PNUD.

morte por afogamento, aumento da temperatura do ar, redução de geadas, aumento de precipitações pluviométricas intensas. Além destes fenômenos naturais, o documento aponta para os possíveis impactos sociais especialmente na agricultura, segurança alimentar e saúde da população (PBMC, 2013).

Para a OMM, o ano em curso é o mais quente já registrado pela instituição. A média da temperatura ficou 1,3ºC acima dos índices verificados da era pré-industrial e 1,05ºC mais quente do que a média da temperatura durante todo o século XX. Deste quadro climático decorrem fenômenos com repercussões mundiais, tais como o derretimento das geleiras do polo Ártico de forma mais rápida do que na normalidade e a ocorrência de chuvas irregulares. Regiões do planeta nas quais ocorriam chuvas regulares são afetadas pela redução das precipitações, de acordo com cada região pesquisada. Neste cenário, conforme a OMM, está o nordeste do Brasil, a Espanha, o norte da Colômbia, o Chile, o sul da Argentina, partes do centro da Rússia, o oeste e a porção central do território norte-americano. Já o norte da Argentina, a Austrália, as regiões centrais e sul da Ásia e o norte e centro da Europa estão sendo afetadas por chuvas bem cima das médias históricas.

Nos seis primeiros meses de 2016 registradas as mais altas temperaturas já verificadas desde quando são realizadas e registradas as temperaturas na Terra, iniciadas no ano de 1880, conforme a OMM, conforme fica evidenciado no Gráfico 4. O recorde anterior havia sido verificado no ano de 2015, que havia sido considerado o ano mais quente da história recente.

De acordo com a ONU, de janeiro a junho deste ano, a média global da temperatura na Terra foi estimada em 1,3ºC acima das últimas décadas do século XIX e 1,05ºC mais quente do que a média registrada na primeira década do século XX. A temperatura registrada no primeiro semestre de 2016 supera em 0,2ºC a observada no ano de 2015. A Organização Meteorológica Mundial – agência climática da ONU – informa que, ainda que o fenômeno climático El Niño já tenha se dissipado, as mudanças climáticas causadas pelos gases do efeito estufa não irão passar. Isto significa afirmar que mais ondas de calor, de temperaturas extremas e um risco maior de ciclones tropicais poderão ocorrer.

Esta agência das Nações Unidas chama a atenção para outros dois fenômenos relacionados ao aumento da temperatura: o derretimento do gelo no Oceano Ártico, que está destruindo as calotas mais rapidamente, isto é, a extensão do mar congelada no auge do verão é 40% menor do que a área coberta por gelo no final da década de 1970. Segundo, é a elevada concentração de dióxido de carbono na atmosfera, que chegou, no mês de junho de 2016 a 407ppm. Este volume de partículas evidencia um aumento de 4ppm na comparação com mesmo mês do ano passado.

Os possíveis impactos do aquecimento global no mundo são projetados para todas as direções. Estimam-se secas prolongadas, chuvas intensas, inundações, queda nas colheitas, crises hídricas, conforme a Mapa 2.

De acordo com o pesquisador do INPE, Carlos Nobre, referindo-se aos possíveis impactos sobre o clima no mundo em razão do aquecimento global, afirma que os “impactos e os riscos são tão grandes que não existe outra possibilidade que não seja a mais rápida redução de gases de efeito estufa” (MCTI, 2016b, s. p.). Até o final deste século, este pesquisador sinaliza para a existência de um clima completamente caótico. Uma situação climática com o menor grau de previsibilidade. No entanto, estima a ocorrência para longos períodos secos e extremos, se um lado, e, por outro, chuvas intensas.

Seguindo o pensamento de Nobre (MCTI, 2016b), os impactos e os riscos decorrentes do aquecimento global são enormes para sete setores fundamentais para as condições de vida

humana na Terra: saúde humana, biodiversidade, agricultura e pecuária34, cidades, energias

renováveis, recursos hídricos e eventos climáticos extremos. Entende que a origem do aquecimento global está na emissão dos gases do efeito estufa. Esse quadro, enfatiza Nobre, deverá ser enfrentado com urgência e seriedade, ou seja, zerar as emissões destes gazes até o ano de 2050 ou 2060 e chegar a emissões negativas, como preconiza a Conferência do Clima – COP 21. Tirar dióxido de carbono da atmosfera deverá ser a meta a ser buscada pela humanidade, para tornar o mundo em condições melhores de ser habitado por todos.

Conforme a obra Modelagem climática e vulnerabilidades setoriais à mudança do clima no Brasil, as mudanças climáticas afetam diretamente o Brasil em três direções: os

34 Neste aspecto em particular o processo de desertificação e de arenização dos solos é um dos impactos de maior

visibilidade e de preocupação. De acordo com estudos da ONU, se o atual ritmo de desertificação de terras se manter constante, até o ano de 2050, estima que a Terra perderá áreas cultiváveis equivalentes ao território brasileiro, ou seja, em torno de oito milhões de quilômetros quadrados. No caso brasileiro, existem dois grandes focos nos quais este processo está ocorrendo: um no Nordeste, de desertificação, e o outro no Rio Grande do Sul, de arenização. Conforme o INPE, em torno de 40% da superfície terrestre é formada por terras secas, das quais 10 a 20% estão sofrendo processos de degradação e desertificação. Neste universo global, 44% das áreas agrícolas no mundo e, aproximadamente, dois bilhões de pessoas (próximo de 25% da população mundial), estão localizadas sobre essas terras. No Brasil, segundo o INPE, existem Áreas Suscetíveis de Desertificação (ASD), que correspondem a 16% do território nacional. Abrangem 1.488 municípios, afetam mais de trinta milhões de pessoas. Conforme o Ministério do Meio Ambiente (2007), o país possui quatro núcleos de desertificação em curso. Todos localizados no Semiárido nordestino os quais somam 21,3 km², conforme detalha o Atlas das áreas suscetíveis à desertificação do Brasil (p. 27). “Desde 1997 o Brasil é signatário da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD). De acordo com este Tratado, desertificação é a degradação da terra nas regiões áridas, semi-áridas e subúmidas secas, resultante de vários fatores, entre eles as variações climáticas e as atividades humanas. A degradação da terra compreende a degradação dos solos, dos recursos hídricos e da vegetação” (BRASIL, 2007, p. 13). Com vistas ao enfrentamento deste quadro das áreas de desertificação o Brasil criou e institui, no ano de 2004, o Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca – PAN-Brasil. De acordo com Suertegaray (2011), o que ocorre no RS é um processo de degradação do solo (algo que também é registrado no Centro-Oeste do país), semelhante à desertificação, que é a arenização. A diferença entre estes dois processos consiste no volume de chuvas que cada um dos locais recebe por ano. Nas áreas de arenização ocorrem precipitações pluviométricas anuais próximas a 1.400 mml. A sua origem remonta a 200 milhões de anos, quando a maior parte do centro-sul do Brasil era um imenso deserto. De acordo com os dados desta pesquisadora o RS possui 1.634 areais, totalizando 3.027 hectares, cujos maiores núcleos estão nos municípios de Alegrete, Quaraí e São Borja, em área afeta à bacia do Rio Uruguai e em grande medida provocados e agravados pelo uso inadequado do solo, sobretudo pelo cultivo da soja.

biomas, a produção agrícola e os recursos hídricos (BRASIL, 2016a). Nos biomas este quadro poderá ser verificado na redução das florestas (também em razão do desmatamento) e na expansão de vegetações abertas. A Amazônia seria fortemente afetada em sua parte oriental, ampliando as áreas de savanas, que formariam um cerrado empobrecido. No setor agropecuário, a projeção do aumento das temperaturas prejudicará a produção de café, de feijão, de arroz, de soja, de milho e de leite, bem como a criação de aves e de suínos. A única cultura que não seria afetada negativamente, conforme o estudo, é a da cana-de-açúcar, a qual poderia ser transferida para a região sul do país. Porém, passaria a ocupar as áreas agrícolas hoje destinadas ao cultivo de arroz, milho, soja e feijão. Quanto aos recursos hídricos, o estudo evidencia anomalias de escoamento em regiões hidrográficas, com redução do volume e da regularidade da água em praticamente todo o território brasileiro. O maior impacto está previsto, em termos percentuais, nas bacias do rio Doce e do São Francisco. Em sentido oposto, as bacias do rio Uruguai e do rio Paraná em razão da intensificação de cheias a ocorrem na região Sudeste do país. De acordo Brasil (2016a), havendo impactos negativos nos cursos hídricos do Brasil, haverá redução da geração de eletricidade, pois a maior fonte de geração da eletricidade é de hidrelétricas. Projeta-se uma queda de, pelo menos, um terço da capacidade na usina de Belo Monte, no Pará. Havendo a redução da geração de energia elétrica nesta matriz energética, haverá a necessidade de investimentos em outras fontes, tais como a eólica e solar.

Em conformidade com a teoria de Alves (2016), a temperatura na Terra se manteve surpreendentemente estável nos últimos dez mil anos, com uma variação de 0,5ºC para cima ou para baixo, se comparado à media da temperatura aferida durante todo o século XX. O período desta regularidade climática iniciou no final do período Pleistoceno e início do Holoceno, o qual corresponde ao início das grandes transformações na história humana, a revolução agrícola. A estabilidade climática foi indispensável para a realização deste feito humano, a revolução agrícola, para a sedentarização, o surgimento das cidades, o surgimento da escrita e a afirmação das civilizações.

O período holocênico, isto é, os últimos dez mil anos, foi um período de grande estabilidade climática. Alves (2016) entende que a temperatura deste período histórico se manteve abaixo da época Eemiano (entre 130.000 e 110.000 anos) e acima do último período

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