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Chapitre 5 : Trajectoire des stagiaires : de la confusion à l’intégration

5.2 La confusion culturelle : une approche alternative pour penser l’intégration des stagiaires

5.2.4 De l’invité au membre de la famille

Começamos esta seção com a seguinte questão: O que é uma teoria lógica epistêmica?

Grosso modo, poderíamos responder que consiste de um “estudo lógico de noções como conhecimento e crença”. Certamente, isso faria parte de uma resposta satisfatória. No entanto, ainda não é suficiente para esclarecer o que é a lógica epistêmica.

Ao que parece, a definição do que é a lógica epistêmica está fortemente li- gada à sua finalidade. A lógica epistêmica, no princípio, não tinha a função de entender o que é o conhecimento ou a crença. Isso, como se sabe, é uma tarefa historicamente dada à epistemologia, não à lógica. Entretanto, Hendricks (2006) defende a tese de que a lógica epistêmica – ou, como prefere o referido autor, “epis- temologia formal” – é uma teoria epistemológica por si só, mas que deveria sim

97Ainda assim, essa não é uma tarefa tão fácil. Como aponta Hadley (1991, p. 56), os pesquisado-

res em inteligência artificial não esclarecem quando uma dada teoria ou formalismo lógico deva ser considerado um modelo cognitivo. Além disso, existem usos diferentes para a noção de crença.

98O importante, portanto, é verificar que cada uma das abordagens discutidas satisfaz ao menos

um dos critérios acima. Ex. A abordagem original de Hintikka satisfaz o critério 4; isso lhe possibi- lita investigar a introspecção positiva, negativa, transmissão de conhecimento etc. Já na Lógica de Levesque, o critério 1 é satisfeito, e assim por diante.

trabalhar juntamente com a epistemologia informal. Para Hendricks, o que a epis- temologia formal tem a oferecer à epistemologia mainstream é muito mais do que uma simples modelagem lógica de algumas das noções mais importantes desta úl- tima, tais como “conhecimento”, “crença”, “consciência” etc. No entanto, apesar de ser bastante popular atualmente, além de promissora, essa é uma ideia relativa- mente recente, ainda a ser bastante debatida nos dois âmbitos: na epistemologia informal e também entre os lógicos.

Em Knowledge and Belief, Hintikka (1962, p. 3) esclarece que a meta prin- cipal de sua obra consiste em formular e defender critérios explícitos de consistên- cia para certos conjuntos de sentenças – no caso, sentenças epistêmicas. Ou seja, o modelo epistêmico de Hintikka é um estudo puramente lógico. A partir disso, poderíamos pensar que não deveríamos esperar que uma lógica epistêmica expli- casse no que consiste o conhecimento e a crença, mas apenas as circunstâncias sob as quais argumentos que comportam sentenças epistêmicas seriam válidos ou in- válidos. No entanto, como era de se esperar de um campo de estudo tão vasto, o crescente desenvolvimento da lógica epistêmica acabaria por elevá-la da condição de mero “suporte” de teorias epistemológicas ao status de parceira na elucidação de conceitos de interesse típicos da epistemologia mainstream. Isso, como vemos, parece reforçar a posição de Hendricks de que a lógica epistêmica, ou epistemologia formal, é uma teoria epistemológica por si só.

Atualmente, o conhecimento de epistemologia formal se mostra cada vez mais necessário ao debate epistemológico informal. Os problemas do fecho epistê- mico e da onisciência lógica são fortes evidências para essa afirmação, na medida em que percebemos, agora, que o problema do fecho epistêmico vai muito além de perguntar se um determinado princípio de fecho é válido ou não. Ou seja, o trata- mento dos princípios de fecho segundo a dicotomia validade/invalidade é uma sim- plificação exagerada do problema da análise lógico-epistemológica dos princípios de fecho epistêmico. É justamente contra isso que tenho argumentado até agora, e tenho utilizado evidências da lógica epistêmica para sustentar essa posição. Ora, o próprio fato de utilizar exemplos da epistemologia formal (o problema da onisci- ência lógica) para fundamentar uma posição epistemológica informal (sobre a não- simplificação da análise lógico-epistemológica de princípios de fecho) demonstra o quão importante pode ser a lógica epistêmica na elucidação de questões da episte- mologia mainstream. Entretanto, essa não é minha meta principal neste capítulo. Aqui, contento-me em mostrar as estratégias da lógica epistêmica para a solução

do problema da onisciência lógica, e sugerir a utilização de estratégia similar na análise epistemológica de princípios de fecho epistêmico.

Por outro lado, não podemos negar, uma lógica epistêmica também pode ser entendida como um modelo lógico para uma teoria epistemológica. Essa não seria a perspectiva sugerida por esta investigação, na medida que esta última concebe a epistemologia formal como o conjunto de teorias formais sobre o conhecimento e a crença, e não meramente como o conjunto de modelos lógicos de suporte a teorias epistemológicas. Porém, mesmo se assim o fosse, ainda assim a importância da lógica epistêmica para a epistemologia ficaria demonstrada. Nessa perspectiva, a teoria epistemológica seria aquela responsável pela interpretação das noções de conhecimento e crença; a teoria lógica estudaria os critérios de consistência para essas noções, tudo isso visando um modelo lógico que seja compatível com a teoria epistemológica. Quando então, teríamos problemas? Quando um dado resultado do modelo lógico (isto é, um teorema) não for válido na teoria epistemológica, e vice-versa. Ex:

• Suponha que, em minha teoria epistemológica, a introspecção positiva é um princípio válido. Isto é, sempre que alguém sabe de algo, essa pessoa sabe que sabe. Agora suponha que eu construo uma lógica epistêmica na qual a fórmula Kap→ KaKap é inválida. Ora, se traduzirmos a formula Kap como

significando “o agente a conhece p”, nosso resultado no modelo lógico é incom- patível com aquele defendido pela teoria epistemológica. Nesse caso, se sus- tentamos que o princípio da introspecção positiva é correto, concluímos que o problema está com nosso modelo lógico, que gerou um resultado incompatível com aquele que defendemos.

Nessa perspectiva, a onisciência lógica surge como uma incompatibilidade entre modelo lógico e teoria epistemológica. Tratamos dessa questão a seguir.