TOPOLOGIE DES RÉSEAUX LOCAUX 2.1.4 Réseaux en étoile
3. SERVICES RESEAUX TRADITIONNELS DANS LE MONDE TCP/IP
3.8 L'INTERFACE GRAPHIQUE XWINDOW .1 Généralités sur XWindow
Neles eu não seria. Mas na realidade, sou. Antes, deixe-me pincelar um pouco sobre mim. Natural da cidade mineira Sete Lagoas, situada a pouco mais de 70 km da capital, mudei-me para Viçosa, cidade do interior de Minas Gerais, em 2004, para cursar a Licenciatura em Matemática. A partir de então, tudo em minha vida seria novo, distante da família e dos amigos, era momento de iniciar meu próprio caminho e encontrar novos espaços, aconchegos e corações. A viagem de mudança para Viçosa foi uma verdadeira aventura. Meu pai, Adilson, pegou emprestada uma caminhonete com um amigo e enchemos a carroceria de móveis, malas, colchão e algumas tralhas. Em bom ‘mineirês’, era um tanto de ‘trem’. Num improviso paternal, ele cobriu tudo com um forro de mesa de plástico encerado e velho e, saímos estrada afora. No meio do caminho fomos surpreendidos por uma chuva assustadora, que além de encharcar toda a minha mudança tirou a nossa visibilidade da estrada, de modo que paramos um tempo. Corajosamente, sem conhecer o caminho, à época desprovidos de recursos tecnológicos para nos guiar, chegamos na fé, até Viçosa. Até hoje eles lembram que foi a pior viagem da vida, já que na volta também passaram por contratempos em virtude das fortes chuvas que acometiam a zona da mata naquele fevereiro de 2004.
Após descarregar a caminhonete e descansar um pouco, enquanto minha mãe tentava secar as roupas de cama – encharcadas pela chuva – com a ajuda do ferro de passar, fomos todos ao campus universitário para eu fazer a minha matrícula na Licenciatura em Matemática. Ao entrarmos na Universidade Federal de Viçosa (UFV), eu e meus pais nos encantávamos, a cada passo, pela dimensão e beleza daquele lugar e, diante do orgulho deles por eu pisar aquele chão eu disse para mim mesma que não mais sairia daquela universidade. E assim se fez, até aqui. Sobre alguns aspectos que considero importantes acerca da minha trajetória acadêmica e profissional darei a conhecer ao longo desses meus escritos.
Como já disse, eu nem cogitava ser professora no COLUNI, mas sou. Sou professora licenciada em Matemática pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), e desde o ano de 2011 exerço a docência em seu Colégio de Aplicação, contexto inscrito nesse estudo. Sou mestre em Educação pela UFV, momento em que pude ouvir professores universitários do curso de Matemática e conhecer algumas de suas crenças e concepções acerca da avaliação da aprendizagem em Matemática. Sou doutoranda em Educação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e, então, investigo as
experiências de ex-alunos/alunas do COLUNI com a Matemática no decorrer de suas trajetórias de formação, almejando, a princípio, conhecer e compreender as trajetórias dessas experiências, a partir de suas narrativas.
Ademais, bem ademais, sou mulher de trinta e quatro. Sou cantora e instrumentista. Sou filha de um sensível e amoroso ‘setentão’, Adilson Evangelista, homem de muita fé e trabalhador, lanterneiro de primeiro escalão e que nos criou, eu e a meus irmãos, sob o suor de seu trabalho duro e honroso. Filha dele com uma mulher de muita fibra, Ana Maria, dona de um senso de humor que é um verdadeiro primor, inteligente, delicada, cuja rigidez e sagacidade não ocultaram seu imenso coração, tão apto ao amor. Ela que um dia, ao conversarmos sobre minhas experiências como professora, disse: “você tem a Matemática a seu favor”. Essa fala ainda possui eco na professora que sou/almejo ser. A ‘verdade’ enraizada nessas palavras coincide com a que foi narrada pelos jovens participantes desse estudo, quando apontaram, com explícito incômodo, para o lugar de destaque da disciplina. Ao longo dessas linhas você irá conhecer essas narrativas.
Bom, deixe-me retomar... Ana, minha mãe! Ontem, professora e bancária, hoje aposentada e avó. Sim, também sou tia! E madrinha! De duas meninas lindas, Sophia (cinco anos) e Maria Clara (um ano). Com a chegada das crianças, meus pais foram promovidos a avós e, daí por diante, um novo ciclo se abre em nossa família. São filhas de Tiago, meu irmão mais velho, com Lane, sua esposa. Ele, após aprender de nosso pai a profissão e encontrar o seu próprio caminho profissional, é hoje um virtuoso pintor automotivo. Vive em Sete Lagoas com a família e próximo aos meus pais. João é o ‘irmão do meio’, casado com Patrícia, administrador de empresas, com ampla experiência profissional. Há mais ou menos quatro anos fez um concurso e se tornou professor do Instituto Federal do Sul de Minas quando, então, muita coisa mudou! Há pouco, terminou o mestrado e segue na carreira docente, feliz, realizado e agora bem mais adaptado aos desafios próprios da vida de um professor. Como morei em São Carlos, cidade do interior de São Paulo, carinhosamente ‘sanca’, durante os dois primeiros anos de doutorado (2016 e 2017) e, eles se mudaram para Passos-MG em virtude do concurso, estávamos a menos de 250 km de distância, proximidade essa que nos propiciou a alegria dos encontros mensais e nos sustentou no novo que cada um vivia naquele momento. São muitos os causos...
Sou um conjunto de histórias, cenários, poesias, canções, pessoas, espaços, trajetórias, escolhas mais ou menos acertadas. Sou e sou e sou. Dada a pluralidade de ‘eus’ que me habita digo que “Eu sou muitos. Tem-se a impressão de que se trata da mesma pessoa porque o corpo é o mesmo. De fato o corpo é o mesmo. Mas os ‘eus’ que moram nele são muitos”.22 E por ser tantas, tenho muito a contar. Hei de me expor23, por essas linhas afora, por acreditar que o compartilhar das minhas histórias e experiências, especialmente no raio de minhas vivências formativas que me constituíram professora de Matemática e pesquisadora em Educação, tece a base dessa empreitada investigativa. E também por compartilhar junto ao Larrosa que “é incapaz de experiência aquele que se põe, ou se opõe, ou se impõe, ou se propõe, mas não se ‘expõe’”. E quando conto um pouco sobre o COLUNI inevitavelmente me exponho. Ali, foram muitas as experiências que a mim me tocaram e me afetaram significativamente no âmbito das crenças em mim afirmadas enquanto professora, enquanto pessoa bem humana. Recordo-me que, na oportunidade de cursar a disciplina ‘Seminário IV: Diálogos Entre Perspectivas Sócio‐ Históricas e Narrativas’ na UNICAMP, no primeiro semestre de 2017, com o professor Guilherme do Val Toledo Prado, fui convidada por ele a tecer uma narrativa ao fim do semestre e, compus os seguintes versos que revelam um pouco do que vivencio e ouso compartilhar:
Eles – os ALUNOS - me tornam: Mais interessada,interessante,inquieta. Mais humana,falível,humilde. Mais estudante,sensível,gente. Mais professora. Menos detentora de verdades.
Nessa inspiração, intuo o inevitável: sem eles, não existiria o meu eu-professora. Tampouco a pesquisadora. Portanto, é um estudo especialmente feito, por/com/para cada um deles.
Em minha complexa inteireza, percebo ter misturado aqui a minha vinda para Viçosa, a presença da família, uma síntese sobre a minha formação acadêmica e a importância dos alunos e alunas que por mim passaram. Acredito que seja exatamente essa a forma como esse texto se compõe. Sem fôrmas. Dinâmico que só.
22 ALVES, R., 2012, p. 29.