Chapitre VI : La contribution à l’Histoire des intellectuels formés durant la période 1862-1945
1. L’intellectuel et l’évolution de la presse et de la littérature vietnamienne 1862-1945
O modelo capitalista de acumulação acaba estruturando-se de forma que o ente mais forte sobreponha-se ao mais fraco, submetendo-o à dominação, impondo condutas no intuito de ditar os rumos do mercado, como, por exemplo, quando da
fixação dos preços de certos produtos em valores inferiores ao custo de produção, forçando a concorrência a baixar os seus.
Nesse sentido, considera-se que está no íntimo do sistema capitalista a tentativa de dominação dos menos competitivos; e, na medida em que determinada empresa ou corporação traça seus objetivos, geralmente está implícito em sua lógica, que ela terá de ser competitiva para poder se manter no mercado e, talvez, crescer.
Para que a obtenção de bons lucros ocorra, o capitalista terá de superar parte dos seus rivais tendo, para tanto, de lançar mão de estratégias que sejam, ao menos, mais eficientes que as adotadas pelos concorrentes. Outrossim, à medida que a concorrência aumentar, cada integrante do mercado terá de repensar suas táticas. Formar-se-á uma via de mão dupla, uma cadeia de ações e reações, um lutando contra o outro, na busca de sobreviver.
A busca pela monopolização é uma constante nesse modelo econômico, sendo que numa situação de alta concorrência, os participantes lutarão para ocupar o espaço rival, de forma a ampliar o controle sobre o mercado.
Uma prática normalmente utilizada para manipular o mercado consiste na baixa de preço para aquém do seu custo de produção, fazendo com que empresas de menor porte não tenham condições de fazer frente a tais valores por um período mais longo de tempo, vindo, em consequência, a perder parte do mercado que possuía.
A companhia que vencer a disputa terá, em princípio, um mercado menos competitivo e mais propício a acatar os preços impostos aos seus bens, os quais serão mais elevados do que aqueles antigamente praticados, neles se embutido os valores antes abdicados.
No modelo capitalista, tende a sagrar-se vencedor aquele que tiver mais poder econômico, o que for mais competitivo e que dispuser dos melhores profissionais, das melhores estratégias, dando-se ínfimas chances àqueles que não estejam comprometidos com a obtenção de lucro e reprodução do capital.
Na situação acima, pode-se verificar que a sociedade obtém certas vantagens decorrentes do aumento da concorrência e da consequente redução do preço dos produtos. Constata-se também que, com a redução da concorrência,
haverá o predomínio de um determinado interesse, marca, produto, no mercado, que terá maior liberdade para impor-se, podendo gerar, ao final, um desequilíbrio na sua área de atuação - redução de postos de trabalho, menor oferta de produtos, aumento de preços, concentração de renda.
Ainda, Mészárosconsidera que:
O imperialismo, por sua vez, é o concomitante necessário do impulso incansável do capital em direção ao monopólio, e as diferentes fases do imperialismo corporificam e afetam de modo mais ou menos direto as mudanças da evolução histórica atual (2003, p. 12).
Disso, destacam-se duas afirmações acerca do imperialismo do capital: a primeira refere-se à tendência dele em promover, de forma acentuada, uma integração global; e a segunda relaciona-se com o fato de que, embora haja esta tendência do capital em tentar dominar, ele ainda tem sido incapaz de criar o estado do sistema do capital como tal. Assim, mesmo que tenha alcançado certo absolutismo quanto ao aspecto econômico - facilidade no deslocamento de capitais entre nações, domínio fatores produtivos e tecnológicos, controle de investimentos -, tal não se sucedeu em relação ao aspecto político, pois os Estados nacionais, em sua maioria, ainda continuam com independência e domínio sobre as políticas internas relacionadas à sua gestão e ao estabelecimento das diretrizes quanto aos aspectos produtivos, tributários, culturais, etc.
Muito embora o imperialismo econômico seja capaz de promover mudanças significativas no mercado interno de muitos países, tanto em relação à manutenção das indústrias nacionais face à competitividade, seja quanto à colocação no mercado de produtos mais avançados/evoluídos, ele ainda tem se demonstrado incapaz de impor suas determinações na seara administrativa dos Estados, os quais ainda mantêm uma relativa soberania na gestão de sua estrutura interna.
Apesar de o sistema capitalista ter se espraiado por quase todo o mundo, fazendo com que alguns governos tentem impor seu imperialismo financeiro sobre outros economicamente mais débeis, isso não fez com que os Estados nacionais abdicassem sua independência para gerenciar suas políticas, tanto públicas quanto privadas.
Ressalta-se, finalmente, que os governantes continuam sendo os definidores das políticas socioeconômicas e de incentivos ao sistema produtivo, adotando medidas quanto ao gerenciamento do capital estrangeiro, regulando de forma relativamente autônoma os limites do livre comércio e da circulação de mercadorias.
Tal situação se dá, preponderantemente, por meio da elevação ou redução de tarifas alfandegárias, tornando-se num importante instrumento a ser utilizado, tanto no controle da produção interna quanto na de exportação ou de importação de produtos.
Nesse universo, destacam-se algumas situações possíveis: num primeiro caso, a elevação das tarifas alfandegárias de importação acaba por criar restrições ao ingresso de bens produzidos no estrangeiro, favorecendo àqueles produtores (nacionais e estrangeiros) que já tenham suas indústrias instaladas no país; numa segunda situação, gera-se um protecionismo no mercado interno, indo contra o livre comércio e dando margens a que seu setor exportador também sofra retaliações no estrangeiro semelhantes à internamente adotada.
Marx denominava tais auxílios como ‘ajuda externa’, no qual o Estado proporciona aos capitalistas as condições adequadas para que se reproduzam, além de adotar medidas que protegem a propriedade e o capital produtivo, garantindo mais segurança para que os detentores de capital invistam e tenham preservados seus direitos a sacar resultados criados com o emprego do capital.
Outra forma de proteger as empresas nacionais dá-se por meio da distribuição de subsídios pelo governo, o qual, ainda que não crie barreiras à entrada de produtos de origem estrangeira, indiretamente prejudica a sua comercialização no mercado interno, concedendo benefícios financeiros aos nacionais, reduzindo o custo de produção e, consequentemente, o preço dos bens.
Essa é uma forma eficaz para proteger e aumentar a produção interna, formando um preço artificial para os produtos subsidiados. Trata-se de uma prática bastante questionada junto às entidades reguladoras do comércio mundial, pois restringe o livre mercado.
Considera-se, também, que o capital defronta-se constantemente com crises conjunturais, destacando-se, dentre elas, a ocasionada pela má distribuição de renda e pelo aumento da capacidade produtiva, propiciando aumento dos estoques
mundiais, sem que, em contrapartida, se verifique um aumento proporcional da demanda ou melhora na repartição da renda.
Pode-se afirmar que essa crise é reflexo de um somatório de circunstâncias, resultado, muitas vezes, do fato das indústrias constantemente estarem aumentando a sua capacidade produtiva, sem que se crie, na mesma proporção, novos postos de trabalho ou mais equitativos níveis de renda. Isso faz com que haja maior distanciamento entre a quantidade produzida e a capacidade de consumo, que fica propensa a retrair-se, ampliando os estoques e dando azo à estagnação da economia ou, até mesmo, à redução do volume produzido, com consequentes demissões e outros danos ao meio sócio-econômico.
Um dos fatores responsáveis por isso está relacionado com o desenvolvimento de novas tecnologias, geradoras de uma maior automatização do processo produtivo, possibilitando um aumento na produtividade, em decorrência da sua maior rapidez e perfeição técnica e, ainda, por reduzirem os custos de produção, decorrentes, dentre outros fatores, da redução de desperdícios e pelo melhor aproveitamento das sinergias.
Não obstante, também surgem novos problemas sociais em função do uso dessas tecnologias, destacando-se o aumento do desemprego, comumente denominado de ‘desemprego estrutural’, decorrente da implantação de novas formas de organização do trabalho e da produção, mudando a estrutura da economia.
Outra consequência reflete-se no aumento da desigualdade na distribuição de renda, na repartição dos resultados auferidos, os quais ficam, em sua maior parte, com a minoria capitalista. Amplia-se a mecanização do sistema produtivo como forma de maximizar os lucros, pois implica em maior produtividade a menores custos, muitas vezes determinando a redução de postos de trabalho.
Não nos esqueçamos, ainda, do confronto constituído pela divisão funcional do trabalho - dimensão horizontal, constituída por trabalhadores que se encontram no mesmo padrão/nível de subordinação, melhor representada pela classe operária - , e a divisão hierárquica do trabalho - dimensão vertical, definida pelo escalonamento em níveis hierárquicos/subordinação, cargos de direção. Basicamente em razão de que a primeira - dimensão horizontal - já nasce propensa a ser limitada pelas restrições, subordinação, impostas pelo sistema capitalista ou, primeiramente, pelas
diretrizes de comando definidas pelos detentores de capital, os estabelecendo como principais objetivos da camada vertical, que se garanta a expansão do capital, apoiando-se, essencialmente, na extração do sobretrabalho dos localizados na camada horizontal.
Mészáros sintetiza que:
Na raiz de todas elas encontramos o antagonismo inconciliável entre capital e trabalho, assumindo sempre e necessariamente a forma de subordinação estrutural e hierárquica do trabalho ao capital, não importando o grau de elaboração e mistificação das tentativas de camuflá-la (2003, p. 19).
Surge, por derradeiro, controle e submissão da classe trabalhadora aos imperativos do capital, permitindo que se aproprie da maior parcela dos benefícios produzidos, ampliando a acumulação de riquezas.
A ascensão do modelo capitalista de produção e de imposição de seus ditames vem sendo construído com o passar dos tempos. Foi solidificando-se com base, tanto no desenvolvimento das sociedades, como na ânsia por se acumular maiores quantias de bens materiais.
Seu desenvolvimento não se deu sem o auxílio do Estado, o qual, muitas vezes atrelado aos interesses de seus governantes ou da elite dominante, concede benefícios às suas entidades produtivas, procurando, com isso, também se beneficiar, ampliando suas reservas financeiras e o seu poder. Um de seus objetivos é fortalecer-se, de forma a ter melhores condições para influir sobre outros Estados, neles lançando os propósitos capitalistas, forçando-os a ceder espaço aos ditames do mercado. Isso não representa uma regra de conduta, mas ocorre indiretamente, face à necessidade de que as entidades produtoras têm de ampliarem o seu mercado consumidor, refletindo, por fim, na atuação econômica dos Estados, pois, quanto maior for a comercialização de bens, maior tende a ser a arrecadação de tributos, necessários para dar conta dos investimentos públicos.
Enfim, existem constantes tentativas de fazer com que o capital reproduza- se, expanda-se, gerando maiores lucros, procurando criar uma cultura mundial de aceitação das suas diretrizes.