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3. Une autorité mouvante

3.1. L'installation de l'autorité au cours de l’année

Para Osório e Valle (2002), as relações conjugais são aquelas que mantêm homens e mulheres, com o outro ou com o mesmo sexo, por terem estabelecido laços de natureza sexual e afetiva e que os levam a desejar uma vida compartilhada, independente dos fins de procriação da espécie ou da institucionalização dessa união pelos ritos do casamento civil ou religioso.

Finkler (2004) refere que o casal, como um sistema, desenvolve mecanismos de regulação emocional e comportamentos próprios, definidos por meio da comunicação ou de acordos conscientes e inconscientes e do estabelecimento de regras que são mediadoras da interação e definem a qualidade da comunicação, a compreensão da realidade e o conceito de si.

Tais aspectos não podem ser vistos isoladamente e os casais e as famílias devem ser pensados dentro das comunidades em que vivem e em um determinado momento. Waldegrave (2003) afirma que todas as culturas carregam consigo histórias, crenças e maneiras de fazer as coisas. Mais do que isso, as culturas carregam significados que dão sentido às experiências e, assim como no interior das famílias aprende-se regras, a vida pública também é determinada pelos significados criados pelas culturas.

Na opinião de Fuks (2007), na cultura da pós-modernidade, valores e princípios são construções sociais que se encaixam nas condições culturais, socioeconômicas e geográficas. Casais que constroem certos princípios próprios e os reformulam ao longo da vida em comum contam com mais e melhores instrumentos para poder transformar sua relação.

Para Almeida, Woods, Messineo e Font (2003), o contexto cultural aborda a família a partir de uma perspectiva baseada na comunidade, que lida com fatores de gênero, origem étnica e socialização. A cultura pertence não apenas aos costumes, valores, padrões familiares e crenças, mas também às forças sociais e políticas que têm moldado a vida familiar ao longo do tempo.

Bucher-Maluschke (2003) acredita que a tradição tem relação direta com os costumes que são específicos de uma época, passados dos pais para os filhos em cada geração, sendo as famílias os agentes da tradição através da preservação da memória transgeracional.

Nesse sentido, é importante situar o contexto social no qual a família está inserida, com suas transformações, dificuldades, limitações e conquistas. Para a autora acima citada, a sociedade moderna se caracteriza como uma sociedade de mudança constante e rápida. O desenvolvimento tecnológico, a globalização da informação e a descoberta da pílula anticoncepcional possibilitaram, entre outras coisas, que a mulher passasse a ter o controle sobre sua gestação, desvinculando a sexualidade da procriação e ressaltando um novo binômio prazer e sexo, no mundo feminino. Além disso, são desenvolvidas autonomia e

independência dos membros da família, sobretudo da mulher que passa a compartilhar a tarefa de provedor econômico da família. As separações conjugais passam do desquite para o divórcio, possibilitando as pessoas se casarem novamente, dando origem a inúmeros recasamentos e também novas configurações familiares. Existem mais uniões informais e a homossexualidade começa a se manifestar de forma mais explícita, bem como as inseminações artificiais, bebês de proveta e as barrigas de aluguel. Esses fenômenos pós- modernos surgem e trazem a necessidade de novas formas de uniões conjugais, uma vez que o casal é uma organização viva, com identidade própria que se organiza a partir de regras estabelecidas desde o início do casamento e geradas a partir do contrato familiar.

O casal de hoje sofre porque não se sente à altura da tarefa que tem para cumprir, buscando viver em sintonia com sua imagem ideal: harmonia, união, solidez no tempo e com os ideais da sociedade pós-industrial: eterna juventude, sucesso e opulência. Ocorre uma oscilação entre os velhos mitos e as novas realidades sociais, afetivas e culturais dos papéis tradicionais (NICHILO, 1995).

Segundo Welter-Enderlin (1994), os casais modernos experienciam liberdade dos aspectos institucionalizados do casamento e da família, mas enfrentam novas restrições como a ideia de franqueza completa na expressão dos próprios sentimentos e do intercambio verbal contínuo acerca do estado subjetivo de cada parceiro. A tirania da intimidade que proíbe a privacidade e os segredos pessoais um do outro, afeta os casais em seu desenvolvimento uma vez que está relacionado com a falta de diferenciação dos cônjuges de suas famílias de origem, bem como um do outro. Para a autora, o reconhecimento do significado da história e estórias familiares presentes na vida do casal é de particular importância.

Na opinião de Anton (2000), existe em nossa cultura uma aura de romantismo que envolve o casamento, tornando-o instrumento de libertação e de felicidade. O outro se torna

responsável pela realização dos sonhos de seu parceiro, devendo compensar carências, através dos papéis que exerce.

Para Satir (1995), os papéis, sobretudo os atribuídos às mulheres, começaram a ser questionados durante e após a Segunda Guerra Mundial, quando as mulheres demonstraram que tinham condições de fazer o trabalho que era executado apenas por homens, o que gerou leis que reduziram a polarização do mundo do trabalho em atividades masculinas e atividades femininas. Essa idéia é nova e marca uma grande mudança social no que diz respeito, principalmente à questão de gênero. Planejamento familiar, divórcio, maior aceitação no mercado de trabalho e o movimento das mulheres proporcionaram a possibilidade de escolher.

Tais conquistas, além de favorecerem a independência financeira da mulher, transformando comportamentos de poder e hierarquia, geraram mudanças no que diz respeito aos papéis desempenhados dentro da família pelo casal. Nesse contexto, ocorreram transformações significativas na intimidade e sexualidade do casal. Para Papp (1995), é impossível falar de amor, sexo, casamento e intimidade sem levar em conta as diferenças de como homens e mulheres aprenderam a considerar esses aspectos. As diferenças de gênero levam a atitudes e expectativas que podem originar conflitos quando se estabelece uma relação íntima entre um homem e uma mulher. As mulheres são ensinadas a cuidar dos outros, o que as prepara para cumprir determinados papéis no relacionamento conjugal e na família. Os homens possuem um senso de identidade que se baseia na realização de objetivos econômicos e sociais, sendo que a confirmação de sua masculinidade vem, sobretudo, do papel que desempenham fora da família e de sua posição de liderança.

De acordo com a autora, em uma sociedade onde o dinheiro é sinônimo de inteligência, talento, iniciativa e intuição, a auto-estima é associada à capacidade de ganhar bem e proporcionar à família um bom padrão de vida, significando status, prestígio e autoridade no trabalho e em casa. E no que diz respeito à sexualidade, as mulheres se

esforçavam para dar mais do que receber prazer, tornando o sexo um ato simbólico, realizado em nome do dever, para o bem do matrimônio e visando a maternidade. Significava agradar os homens dos quais dependiam emocionalmente e economicamente. A partir das mudanças sociais e econômicas, das transformações nos papéis sexuais e da disseminação dos métodos anticoncepcionais, o sexo começou a assumir outro significado na relação conjugal. A liberdade sexual da mulher ameaça ideias sagradas sobre amor, casamento, família, despertando novos questionamentos e levando os casais a se adaptarem à nova realidade.

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