• Aucun résultat trouvé

L’enjeu du choix des portefeuilles de référence

Dans le document Liste des tableaux (Page 26-0)

3. Revue de la littérature

3.2. L’enjeu du choix des portefeuilles de référence

e em condições de pouca salubridade, muitas vezes entre porcos e galinhas, ainda tinham que considerar o espaço a teares. Em regra, toda

a família do tecelão vivia deles (…)”

A ilha do sec.XIX e inicio do sec.XX analisada de um ponto de vista meramente económico pode ter sido considerada como uma estrutura geradora de receita (quer a inquilinos, quer a proprietários). Todas as condições descritas anteriormente possibilitavam à maioria dos agregados familiares gerar poupanças e para os proprietários, no caso de não serem os donos das fábricas, a ilha representava um investimento de risco mínimo, uma vez que eram construções baratas, o retorno do capital inicial era bastante rápido. Mas para os industriais a ilha funcionava como o prolongamento da sua cadeia de produção, ou mesmo o único espaço de produção da unidade fabril. Muitos são os relatos de fábricas com zero teares a produzirem quantidades enormes de mercadoria18. Por trás das

portas da cidade industrial o som dos teares, do trabalho, era uma realidade diária. Apenas no final do século XIX, segundo o inquérito industrial de 1891, é que começaram a aparecer as grandes fábricas, com novos métodos de produção, alvo de maior controlo.

O momento em que as ilhas passaram de fonte de receita para fonte de despesa pode ser entendido como o momento em que esta solução provisória se transformou numa situação permanente. Com esta mudança do modo de habitar as ilhas, começaram a aparecer as expansões das habitações e os anexos, em regra da responsabilidade dos moradores e, por isso, utilizando mão de obra não qualificada e com os materiais que o seu reduzido rendimento permitia. A construção dos novos compartimentos deve ser entendida como uma resposta às necessidades dos moradores, à nova atitude em relação à casa da ilha. A implementação das expansões e anexos veio acrescentar mais caos dentro das ilhas e por terem sido abordagens em regime de autoconstrução a qualidade das habitações viu muito pouca melhoria. O problema da falta de áreas e funcionalidades das casas das ilhas foi, em parte, uma consequência da atitude que ambos moradores e proprietários mantiveram durante muito tempo, condicionando a sua capacidade de adaptar a uma situação permanente.

Os anexos e expansões desenvolveram-se de formas bastante diferentes, estando relacionados com a forma da ilha e com as demolições que foram exigidas pelos planos de salubrização (1940 e 1956) que envolveram as ilhas. Sempre que existiam espaços livres, quer fossem de origem, quer fossem por ordem das demolições, os moradores aproveitavam para

18 “(…) como ocorre com a fábrica de tecidos de algodão de José Carneiro de Melho, no 213 da Rua do

Bonfim que apesar de em 1881 registar uma produção final assinalável e contar com 68 operários, não possuir qualquer máquina de tecer dentro das paredes da fábrica… o mesmo se passava dentro da fábrica de Bahia & Genro, no número 37 da Rua do Poço das Patas(…)”; PINTO, Jorge Ricardo Ferreira -A expansão (sub)urbana do Porto na segunda metade do sec.XIX. Porto: FLUP, 2014. Tese de Doutoramento, p.283.

alargar os seus espaços habitacionais, dotando-os das funcionalidades que faltavam. Estas ampliações não só tiveram consequências no interior de cada ilha, mas também na relação com os edifícios vizinhos.

Não será, portanto, de estranhar que grande parte dos anexos que foram construídos tenham chegado aos dias de hoje em péssimo estado de conservação19. Para além dos custos que estiveram envolvidos na construção

dos acrescentos, estes necessitam constantemente de reparações, também através de mão de obra não qualificada, ou seja, resultando numa constante fonte de despesa.

A desindustrialização da cidade pode ter sido uma das responsáveis pela alteração da atitude dos moradores. Com a saída, ou até mesmo falência, de grande parte da indústria do Porto para áreas periféricas, as oportunidades vizinhas às ilhas deixaram de existir e a população viu-se obrigada a reavaliar a sua situação tendo apenas duas opções: acompanhar o movimento industrial ou tentar manter-se dentro da cidade, que oferecia outras oportunidades para além da vida industrial. Este movimento das oportunidades de emprego e o resto das grandes mudanças urbanas vieram destruir a estrutura social montada em torno das ilhas.

A segunda opção só seria de facto possível, mas cada vez mais difícil, ficando nas ilhas. A ilha tornou-se numa situação permanente ao mesmo tempo que a cidade se transformava, e rapidamente a renda das habitações se transformou na fonte de maior despesa, tornando ainda mais evidente a mudança de panorama. No início, a renda apenas simbolizava 5% do rendimento de um agregado e hoje assistimos a casos em que a taxa de esforço ultrapassa os 70%20, deixando uma percentagem demasiado

reduzida quer para as necessidades do dia a dia, quer para a tentativa da resolução dos problemas da habitação.

Com o tempo as habitações economicamente construídas demonstraram a sua incapacidade de responder às novas necessidades dos habitantes, contudo a cidade era igualmente incapaz de oferecer opções adequadas, em termos de boa localização, para a população residente nas ilhas. A erradicação desta tipologia habitacional foi durante muito tempo uma vontade, até que, simplesmente foram esquecidas e ignoradas. A imagem social da ilha foi cada vez ficando mais denegrida, o que significou e ainda significa um grande transtorno na vida daqueles que insistiram em manter a sua morada e que recorrem agora a esta tipologia. Muitos dos proprietários assistiram impotentemente ao seu património a degradar-se e as autarquias, por falta de ferramentas para intervir, viram o seu território e a sua população cada vez mais fragilizados, desperdiçando uma estrutura que apresenta bastantes mais-valias.

19 Baseado nos resultados obtidos no levantamento arquitetónico e social de um leque de 40 ilhas na zona do Bonfim e de Campanhã,, efetuado pelo Habitar Porto, 215 habitações receberem extensões, e das que fo- ram possível visitar, 4 são novas cozinhas, 52 são WCs, 5 são cozinhas e WCs e 58 são compartimentos com outras finalidades (como arrumos, quartos, oficinas, etc..) sendo que aproximadamente 40% se encontra em mau estado de conservação, alguns (10 casos dos que foram analisados) encontram-se mesmo em estado de ruína.

20 De acordo com o levantamento do Habitar Porto, no leque dos moradores das 40 ilhas 63,21% vive acima dos 30% de taxa de esforço mensal.

05|06 Ilha nº98 Rua Miraflor. Nesta figura e no esquema, ao lado, podemos verificar como os mo-

radores se apropriaram do espaço deixado pela demolição de uma das filas de habitações. O que se pretendia como solução, devido à reduzida dimensão da área das casas, tornou-se novamente num problema.

03|04 4 ilhas da Rua São Víctor. Nesta figura podemos observar o tipo de demolição que ocorreu re-

sultante do plano de salubrização de 1940, em que 1 em cada 3 casas deveria ser demolida. Com esta solução as habitações ganharam mais uma fachada para melhorar a iluminação e a ventilação. To- davia, os moradores sentiram necessidade de expandir as sua casas para os espaços deixados livres.

07|08Ilha na Rua das Antas. Nesta figura podemos constatar como os moradores expandiram as suas

casas para o espaço central do núcleo, prejudicando quer as habitações (corte de pontos de ventila- ção e iluminação) quer a qualidade do pátio comum.

Um outro problema associado ao estado de conservação e à impossibilidade financeira de grande maioria dos moradores em investir no património, é a existência de núcleos com muitos fogos desocupados e outros com inquilinos a pagar rendas bastante baixas, valores que podem mesmo ser inferiores a 10 euros por mês.

O que então se pretende com esta investigação e com o projeto resultante da mesma, é perceber de que maneira a ilha do século XXI se pode tornar numa ferramenta para a cidade dar resposta, de forma adequada, à crise habitacional, que tem expressões diferentes por cada área, e se estes núcleos podem ou não ajudar a cidade a funcionar como um instrumento para minimizar a desigualdade social. A sua substituição não é economicamente viável, pelo que deverão ser reformuladas para se tornarem num recurso viável.

Localização de ilhas Quarteirões edificados Principais vias de

mobilidade Linha férrea

Campanhã, Campo 24 Agosto, Trindade, Campo Alegre, Fonte da Moura, Foz Velha Aliados, Boavista, Antas

Viso, Arca D’Água, Contumil.

Dans le document Liste des tableaux (Page 26-0)

Documents relatifs