Chapitre II : La communication marketing sur les marchés industriels
Section 02 : L’importance de la communication marketing sur les marchés industriels
5.
Conclusões
Este trabalho foi desenvolvido a partir da seguinte motivação: conhecer quais as possibilidades de se favorecer o conforto térmico dos indivíduos no ambiente construído, a fim de fundamentar a escolha de estratégias de projeto voltadas ao condicionamento ambiental passivo.
Ao se definir como objetivo avaliar o potencial de uso de estratégias de condicionamento ambiental passivo em residências, percebeu-se a necessidade de identificar também quais os condicionantes que se impõem ao projeto arquitetônico no sertão alagoano, tomando-se como exemplo o caso de Santana do Ipanema.
Nesse sentido, a avaliação do desempenho térmico das tipologias arquitetônicas selecionadas para estudo foi considerada como o ponto de partida. Com base nessa avaliação, identificaram-se nas tipologias predominantes da arquitetura residencial quais os aspectos mais relevantes que necessitam ser modificados ou adaptados, tendo-se como objetivo assegurar a adequação das edificações ao meio onde se encontram inseridas. No caso da tipologia “casa em fita”, predominante em Santana do Ipanema e também em outras cidades do interior do Nordeste, destaca-se a inadequação das propriedades térmicas dos elementos construtivos, principalmente a cobertura. Problemas relativos à ausência de sombreamento das aberturas e o dimensionamento das áreas para ventilação também foram comuns às outras edificações avaliadas, destacando-se como as principais modificações necessárias em benefício ao desempenho térmico das edificações e também do conforto de seus usuários.
Os aspectos negativos levantados através da avaliação prescritiva se confirmaram quando os usuários relataram suas experiências. Queixas relativas às condições térmicas dos ambientes internos foram recorrentes e, na visão dos usuários, o conceito de “conforto” é associado freqüentemente à ventilação. Os efeitos da ventilação são considerados mais satisfatórios em relação ao uso do condicionamento artificial, que por sua vez é limitado por representar o aumento nos gastos com energia elétrica. Dentre as atitudes recorrentes face ao calor, a busca por ambientes mais ventilados foi várias vezes mencionada. Tais “pistas” fornecidas pelos usuários permitem concluir que deve-se
buscar meios de resfriar o ambiente interno, segundo eles, através da ventilação. “Traduzir” este desejo por meio do emprego da ventilação em larga escala no interior das edificações pode não surtir o efeito esperado pelos usuários, dadas as temperaturas externas elevadas ao longo do dia. Cabe ao arquiteto, portanto, fazer uso do conhecimento acerca das melhores formas de adequação da arquitetura ao clima quente e seco local, de modo a atender as expectativas e preferências dos usuários com relação ao desempenho da edificação.
Pôde-se constatar também a influência das condições climáticas sobre a percepção ambiental dos indivíduos, evidenciando-se a sua aclimatação. Porém, identificaram-se duas vertentes nesse processo. As pessoas apresentaram-se tolerantes a temperaturas mais elevadas, o que não impedia que sempre tomassem atitudes para minimizar a sensação de calor. Por outro lado, em situações onde a atividade sedentária estava associada à pouca vestimenta e a temperaturas amenas no interior de um ambiente condicionado, a sensação de neutralidade térmica (ou a preferência por manter as condições do ambiente) foi quase unanimidade. Quanto aos modelos preditivos, as sensações térmicas estimadas tendiam já ao desconforto por frio, nas mesmas situações. Além disso, a correspondência entre as sensações e preferências térmicas relatadas e as predições realizadas a partir do PMV foram bastante limitadas. Mesmo a aplicação de fatores de ajuste ao PMV propostos por Fanger e Toftum (2002) e Humphreys e Nicol (2002), denominados respectivamente PMVe e PMVNEW , não alterou
significativamente os resultados das predições. Observaram-se ainda desvios próximos a 1 e coeficientes de determinação inferiores a 0,6 nas comparações entre os votos relatados e as predições. Convém salientar que a amostra de votos de conforto analisada no presente trabalho foi pequena, mas os resultados chamam a atenção pela divergência entre o que foi constatado em campo e as estimativas realizadas através dos modelos preditivos. Observou-se também que a aplicação do fator de ajuste PMVNEW proposto por Humphreys e Nicol (2002), embora considere dados
reconhecidamente influentes sobre o comportamento térmico dos indivíduos, resultou em reduções demasiadas nos valores do PMV calculados a partir do modelo original proposto por Fanger. Isto indica que o modo como tais dados se correlacionam e a dimensão da influência de cada fator na percepção ambiental dos usuários não se encontram ainda claramente definidos.
Partindo-se para a abordagem adaptativa, não foi possível estimar limites de temperatura considerados confortáveis a partir das sensações relatadas pelas pessoas. Porém, a comparação entre as condições de temperatura durante o período de monitoramento e as estimativas da temperatura neutra de conforto indicaram correspondências com relação às temperaturas mais elevadas. As estimativas realizadas com base na temperatura média externa correspondente ao período de 34 dias (monitoramento) e temperatura média diária indicaram valores de temperatura neutra em torno de 30ºC. Comparando-se os totais de insatisfeitos e os valores das temperaturas internas
correspondentes ao momento da aquisição dos votos, observou-se que acima do limite de 32ºC nenhum dos indivíduos se manifestava satisfeito com as condições térmicas do ambiente.
Pode-se afirmar que as diferenças verificadas entre os resultados das predições e a realidade prática não permitem a obtenção de informações claras a respeito dos limites de temperaturas considerados confortáveis pelos usuários, tampouco “prever” de modo preciso qual será a sua sensação térmica. Por outro lado, o contato efetuado durante a pesquisa de campo permitiu identificar aspectos importantes com relação às suas expectativas, sensações e preferências, as quais poderiam influenciar na concepção do projeto ou indicar modificações necessárias na edificação, conforme já citado. Desse modo, reforça-se a necessidade de se investir em pesquisas de campo, a fim de promover a evolução do conhecimento relativo ao conforto térmico dos usuários das edificações, sob diferentes contextos climáticos. A importância desse tipo de estudo é evidenciada ainda mais diante do inter-relacionamento existente entre os parâmetros de desempenho térmico e os limites de conforto a serem considerados durante a fase de projeto, momento no qual são definidas as estratégias de condicionamento ambiental.
Dentre o vasto repertório de estratégias de condicionamento ambiental passivo que podem ser incorporadas ao projeto arquitetônico em localidades quentes e secas, no caso de Santana do Ipanema identificou-se que a ventilação noturna e o resfriamento evaporativo são alternativas que apresentam significativo potencial de aplicação nas edificações residenciais. Por outro lado, o uso da ventilação noturna associada à massa térmica para resfriamento não apresentaria resultados satisfatórios, devido às temperaturas externas se manterem superiores aos limites de aplicabilidade relacionados a esta estratégia.
Outro aspecto positivo é a duração dos períodos nos quais a ventilação noturna e o resfriamento evaporativo poderiam ser aplicados. Quanto à ventilação noturna, o período de uso da estratégia corresponde aos horários de maior ocupação das residências, durante a noite, quando as condições térmicas são imprescindíveis ao favorecimento do descanso e bem estar dos usuários após a rotina diária. No caso do resfriamento evaporativo, os períodos de utilização corresponderiam às horas mais quentes do dia, quando o resfriamento da temperatura é mais desejável. Além disso, as estimativas do potencial de redução da temperatura indicaram que seria possível manter as temperaturas internas abaixo dos limites estimados da temperatura neutra de conforto, durante a maior parte do tempo, caso fosse utilizado o resfriamento evaporativo direto.
Convém destacar também que o emprego de tais estratégias solicita algumas adaptações no caso de edificações já construídas, cabendo ao arquiteto adequá-las a cada caso a fim de assegurar a obtenção de bons resultados. Como forma prática de viabilizá-las, sugerem-se algumas alternativas: introdução de jardins internos sombreados no interior das edificações (pergulados); uso de captadores
de vento; uso de sistemas diretos de refrigeração evaporativa. Quanto ao controle de ganho de calor solar, deve-se privilegiar o uso de cores claras nas superfícies externas, sombrear adequadamente as aberturas e selecionar materiais com baixa transmitância térmica, principalmente aqueles a serem empregados na cobertura, conforme as recomendações normativas (ABNT, 2005).
Identificando-se os diversos condicionantes que se impõem à adequação arquitetônica no contexto de Santana do Ipanema, pode-se concluir que há possibilidade de se favorecer o desempenho térmico satisfatório das edificações residenciais e, por conseguinte, o conforto térmico de seus usuários. Considerando-se o potencial de aplicação das estratégias de condicionamento ambiental, verificou-se que mesmo sob as condições rigorosas do clima local é possível reduzir as temperaturas internas a níveis considerados satisfatórios pelos usuários. Isto sem ser necessário empregar o condicionamento artificial, de modo que tais estratégias representam opções inteligentes que podem ser utilizadas na arquitetura residencial independente do padrão de renda da habitação. No contexto do sertão alagoano, a utilização dessas estratégias alcança relevância ainda maior, pois possibilita o atendimento às exigências de conforto térmico através de meios mais econômicos e financeiramente acessíveis à maioria da população.
5.1. Sugestões para trabalhos futuros
Com relação à avaliação do potencial de estratégias de condicionamento ambiental em edificações em Santana do Ipanema, o presente estudo deteve-se a verificar se as condições externas de temperatura manter-se-iam sob os limites definidos para a aplicação das mesmas. Desse modo, este trabalho constitui-se em um ponto de partida para investigações mais aprofundadas, tanto para as estratégias de condicionamento passivo aqui avaliadas quanto para as demais alternativas recomendáveis para o clima quente e seco, destacando-se as coberturas ajardinadas e o gotejamento de água sobre o telhado. Quanto à ventilação noturna e o resfriamento evaporativo, uma vez que os resultados indicaram que as mesmas apresentam um significativo potencial de uso nas edificações analisadas, são necessários estudos relacionados ao desempenho de tais estratégias, incluindo medições em campo (sistemas em funcionamento) e/ ou simulação computacional. Investigações relativas às condições de ventilação natural (velocidade, freqüência e direção dos ventos) também são necessárias para uma investigação abrangente acerca do seu real potencial de uso nas edificações.
A partir da análise de conforto, identificaram-se alguns aspectos que carecem de investigação mais aprofundada, relativos aos mecanismos responsáveis pela adaptação dos indivíduos ao calor e as reações esperadas quando os mesmos encontram-se no interior de ambientes condicionados. Destacam-se os seguintes aspectos: fatores envolvidos ao ajuste do PMV (pessoais e climáticos) e
inter-relação entre os mesmos; determinação de fatores de expectativa; relação entre o tempo de permanência no interior de ambientes condicionados e mudanças nas sensações de conforto e, por fim, estudos relativos à determinação do limite inferior da zona de conforto para indivíduos aclimatados ao calor. Considerando-se o reduzido número da mostra de votos de conforto analisada no presente trabalho, é necessária a realização de estudos mais abrangentes em localidades de clima semelhante ao de Santana do Ipanema.
Por fim, além das questões climáticas e de ordem econômica, outro fator relacionado ao desempenho térmico das edificações merece investigação. A obtenção dos benefícios esperados quanto ao desempenho térmico e consumo energético das edificações está diretamente relacionada à habilidade do usuário em lidar com as estratégias incorporadas ao projeto. O usuário é o responsável pelo controle dos dispositivos incorporados na edificação, sejam eles arquitetônicos (janelas, brises móveis) ou sistemas mecânicos (resfriadores evaporativos, ventiladores, ar condicionado). Desse modo, deve-se aprofundar o conhecimento a respeito da influência do usuário na eficácia de estratégias de condicionamento ambiental, durante a fase de uso da edificação, como meio de assegurar a eficácia das estratégias e facilitar o diálogo técnico entre os usuários e os projetistas na seleção das alternativas mais adequadas.
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