interdisciplinar F
Mudança de posição/ novo paradigma
G Apatia, protesto, indiferença G Falta de mobilização
H Descrença na formação
I Não pertencimento ao grupo
GGrruuppoo ddee pprrooffeessssoorreess sseelleecciioonnaaddooss ppeelloo pprroojjeettoo CCNNPPqq ((22001122)) ddoo CCEEMM PPrrooffªª N
NeeyyddeeTToonnaannnniiMMaarrããoo: [Profª a]: 1, [Profª 2m], [Profª 1m] e [Profª 5t]
Categoria A - Importância do conhecimento prático inicial
[Profª1m]: No começo foi meio complicado essa parte de entrar, conhecer, ir nas temáticas, assim. O modelo dele é interativo. Se você já vai entrando, já vai lendo e tendo as explicações. Então eu achei assim de fundamental importância eu conhecer todas as temáticas. [...] Se você não tiver esse primeiro contato, esse primeiro conhecimento, o projeto não flui.
[Suporte m]: Bom, eu também faço curso de técnico de informática e a gente vai estudar o Linux... [...]. Ele é muito bom. Mas é muito difícil... [...] alunos. Vamos dizer assim, não é a mesma coisa. Eles não conseguem entender algumas palavras, que [...] É muito difícil para eles e até para os professores que não conseguem identificar onde está a localização [...].
_____________________________________________________________________________________________
O conteúdo deste DSC indica que o conhecimento prático inicial tem significação importante para ‘o fazer e o compreender’, pois “[...] a primeira forma de conhecer teria sido, de certo modo, o fazer [...]” (Essertier, apud Piaget, 1978, p.9). Especialmente no computador, quanto mais e melhor compreensão se tem do sistema, melhor proveito se faz dele! Ou seja, a relação de interação com o computador está determinada pela compreensão que se tem do seu sistema. Então o aproveitamento das potencialidades do equipamento depende da compreensão que o usuário tem do sistema operacional e do equipamento. Por outras palavras, faz melhor aproveitamento quem tem melhor domínio do objeto. Eis então, na devida proporção, a relação entre fazer e compreender. Esse discurso mostra que, de fato o projeto não fluirá se o professor não tiver consciência de primeiramente conhecer o equipamento, engajar-se na exploração do sistema operacional. Nessa primeira fase da formação, de conhecimento desse sistema, em primeiro plano, é necessário tomar consciência dos problemas e implicações de lidar com algo novo, revendo as formas pessoais de se relacionar com os desafios da novidade. Do ponto de vista desta tese, tomar a iniciativa de estudar, de reconhecer a necessidade desse ‘primeiro conhecimento’, de enfrentar as dificuldades como aponta o discurso é um progresso. As complicações iniciais relatadas são para a função cognitiva o desafio de lidar com o desconhecido, e de organizar as partes em forma de conhecimento.
Categoria B - Fazer analogias
[Profª2m:] Assim que começou o projeto a dificuldade maior, foi em relacionar os nomes ‘né’! Relacioná-los com o Windows, [...] e depois vai fazendo essa associação Windows. Ah! Isso na interface já é outra janela, é outro nome. A maior dificuldade foi isso... Essa ‘né’? Mas assim, como já vai fazer dois anos que a gente vem trabalhando com isso, começou a facilitar. Mas ainda tem que parar pensar para a gente fazer. Não é uma coisa automática ainda não!
DSC – Discurso do Sujeito Coletivo da Categoria A:
No começo foi meio complicado essa parte de entrar, conhecer, ir nas temáticas, assim. O modelo dele é interativo. Bom, mas eu também faço curso de técnico de informática e a gente vai estudar o Linux... [...]. Ele é muito bom. Mas é muito difícil... [...] alunos. Vamos dizer assim, não é a mesma coisa. Se você já vai entrando, já vai lendo e tendo as explicações. Então eu achei assim de fundamental importância eu conhecer todas as temáticas porque eu não conhecia esse novo sistema, para mim era uma coisa nova. No entanto, no início eu falei assim, nossa, eu não quero. Eu prefiro o outro! O outro sistema do que esse... Eu acho assim, é de fundamental importância você conhecer isso porque a programação do laptop é essa! Se você não tiver esse primeiro contato, esse primeiro conhecimento, o projeto não flui. Porque eles não conseguem entender algumas palavras, que [...], por exemplo, para mudar a letra, o tamanho da fonte [...]. É muito difícil para eles e até para os professores que não conseguem identificar onde está a localização, para aumentar, ou para mudar de cor mesmo, dá um trabalho muito grande, por as vírgulas, os acentos, são coisas assim, pequenas coisas, mas para eles são muito difíceis. Para eles, em sala de aula, em dificuldade de encontrar alguma coisinha, ou mesmo aplicativos, tem muitos probleminhas legais, mas que estão escondidas mesmo e até achar, eles ficam perdidos! Sempre fazem as mesmas coisas, porque não tem como, eles não conseguem encontrar esses aplicativos, que são muito interessantes. Mas, assim o conteúdo ele é excelente, mas a dificuldade mesmo é a localização... E trabalhar ‘né’,... Esses probleminhas, que são difíceis. Eles são meio difíceis de localizar!
_____________________________________________________________________________________________
O DSC mostra que estabelecer analogias, associar, é uma forma de conhecimento, e assim sendo, demanda construção. Conhecimento de perceber relações entre os objetos. Na própria ação nasce a noção de causa que progressivamente é transformada em função do grau de conceituação. A passagem do inconsciente ao consciente exige reconstruções. Foi a partir das semelhanças existentes entre a realidade e os modos de ser da evolução lógica, que Piaget percebeu mais claramente a construção do mundo objetivo. Em suma, aprende-se fazendo. Por isso, a analogia entre um sistema operacional e outro não é uma ação automática. Compreender o que é diferente, entender no que consiste a diferença e no que ela pode se tornar requer pensar de modo interdependente. Pensar de uma nova maneira trata-se de uma adaptação. Integrar novos elementos aos esquemas mentais já existentes e estabelecer analogias é adaptar-se às novas situações e encontrar sentido no processo de diferenciação das coisas. Do ponto de vista do desenvolvimento piagetiano, atribuir analogia aos objetos é um progresso, que pode se desdobrar em tomada de consciência. Então enfrentar as dificuldades impostas pelas diferenças entre dois sistemas operacionais e estabelecer analogias foi produtivo no sentido do progresso de conhecimento obtido. Para o formador é interessante considerar que desenvolver tarefas de comparação pode trazer respostas positivas para o curso e auxiliar a construção do mundo objetivo.
PPrrooffeessssoorreess ppaarrttiicciippaanntteess ddoo CCEEMM PPrrooffªª NNeeyyddee TToonnaannnnii MMaarrããoo: [Profª 3m], [Profª : 4m], [Profª 5m], [Profª 6m], [Profª 7m], [Suporte m], [Profª 1t], Profª 2t], [Profª 3t], [Prof. 4t], [Profª 6t ], [Profª 7t], [Profª 8t], [Suporte t], [Profª b], [Profª c], [Profª d], [Profª e], [Profª f], [Profª g], [Profª h]
Categoria C - Aspectos favoráveis ao conhecimento da ferramenta digital
[Profª3m:] Eu gostaria de falar assim: apesar de eu ter curso de hardware, conhecer o Linux, eu tive muita dificuldade, não no portal que ensina [...] um computador normal, mas no laptop para conseguir entender os programas que poderia ser trabalhado com o aluno. Eu tive muita dificuldade apesar de ter um conhecimento. Eu achei ele muito complexo, difícil, não é tão facilitador assim. Então o professor, aos poucos ele teria que ir aprendendo sozinho.
[Profª4m:] Eu sou iniciante. [...] Eu comecei em abril. Comecei o curso e a trabalhar com os alunos. E assim: eu estou sofrendo muito, porque eu carrego o meu computadorzinho na bolsa e sempre que eu tenho tempo eu abro ele. Vou descobrindo. A [Profª1:] (período manhã) me ajuda muito, [...] me socorre! Porque é muito complicado. Aí agora que eu estou pesquisando para eu achar um joguinho que dava certo, que eles gostam. Então primeiro eu tenho que estudar em casa, correr lá... [...], para eu poder preparar como eu vou trabalhar com eles, porque na realidade eu estou aprendendo junto com eles. [...] eu como professora estou apanhando. Para chegar lá, dar uma aula boa para eles gostarem, aqui na escola, [...] quando eu tenho um tempinho eu tenho que pegar o computador, tenho que saber como funciona, eu tenho que saber para passar para eles.
DSC – Discurso do Sujeito Coletivo da Categoria B: Assim que começou o projeto a dificuldade maior, foi em relacionar os nomes ‘né’! Relacioná-los com o Windows, [...] e depois vai fazendo essa associação Windows. Ah! Isso na interface já é outra janela, é outro nome. A maior dificuldade foi isso... Essa ‘né’? Mas assim, como já vai fazer dois anos que a gente vem trabalhando com isso, começou a facilitar. Mas ainda tem que parar pensar para a gente fazer. Não é uma coisa automática ainda não!
_____________________________________________________________________________________________
O aspecto exploratório, o estudo, o planejamento e o trabalho colaborativo ajudam a conhecer o funcionamento da ferramenta digital para ensinar e aprender com os alunos. Algo que o formador tem que trabalhar e desmistificar na formação são as falsas ideias de que o computador é um facilitador na sala de aula. Ao contrário, como instrumento de ensino e aprendizagem, ele é uma ferramenta problematizadora, portanto, um complicador do ponto de vista construtivista. Para a visão construtivista, o sujeito aprende a partir dos desafios, dos problemas, das dificuldades que enfrenta. É, consequentemente, explorando, estudando, planejando, trabalhando colaborativamente que o professor pode aprender fazendo e encarando a tarefa. A ferramenta digital supõe justamente uma nova forma de aprender e ensinar interdisciplinar. Tomar consciência da própria insuficiência de recursos próprios e buscar ajuda é um passo decisivo nos termos da lei da tomada de consciência, uma vez que o sujeito procura dar um estatuto social àquilo que estava restrito à sua própria condição. Estar aberto a novos conhecimentos, conceitos, atitudes e experiências denota a disposição de sair da posição de solitário e ‘tornar-se’ mais social. A transformação da sua ação e pensamento em relação ao seu próprio patrimônio de conduta pessoal na busca de mais organização, crítica e harmonia mostra indícios da tomada de consciência e conscientização porque ultrapassa a esfera espontânea de apreensão da realidade quando o professor entende a necessidade de estudar, de preparar o que e como vai trabalhar, e dar uma boa aula. (Freire, 1979, p.15). Em suma, a experiência de formação registra aqui um progresso significativo para o grupo de professores nos princípios de tomada de consciência de Piaget, quando começam a se conscientizar daquilo que é necessário fazer para usar a tecnologia digital com mais sabedoria e responsabilidade.
Categoria D - Desafios da Gestão
[Profª5m:] Eu praticamente estou zerada. [...] eu tenho assim muito pouco tempo para me dedicar. Então eu estou fazendo as minhas atividades com o auxílio das meninas e eu estou achando difícil. [...] Agora você está na minha escola e está ajeitadinha, mas estava um caos. E tudo o que acontece na escola, chega um saco de cimento, chega um prego, tudo, chamam a diretora.
DSC – Discurso do Sujeito Coletivo da Categoria C: Eu sou iniciante. [...] Eu comecei em abril. Comecei o curso e a trabalhar com os alunos. Eu gostaria de falar assim: apesar de eu ter curso de hardware, conhecer o Linux, eu tive muita dificuldade, não no portal que ensina [...] um computador normal, mas no laptop para conseguir entender os programas que poderia ser trabalhado com o aluno. Eu tive muita dificuldade apesar de ter um conhecimento. Eu achei ele muito complexo, difícil, não é tão facilitador assim. Então o professor, aos poucos ele teria que ir aprendendo sozinho. E assim: eu estou sofrendo muito, porque eu carrego o meu computadorzinho na bolsa e sempre que eu tenho tempo eu abro ele. Vou descobrindo. A [Profª1:] (período manhã) me ajuda muito, [...] me socorre! Porque é muito complicado. Aí agora que eu estou pesquisando para eu achar um joguinho que dava certo, que eles gostam. Então primeiro eu tenho que estudar em casa, correr lá... [...], para eu poder preparar como eu vou trabalhar com eles, porque na realidade eu estou aprendendo junto com eles. [...] eu como professora estou apanhando. Para chegar lá, dar uma aula boa para eles gostarem, aqui na escola, [...] quando eu tenho um tempinho eu tenho que pegar o computador, tenho que saber como funciona, eu tenho que saber para passar para eles.
_____________________________________________________________________________________________
O discurso do Gestor indica as dificuldades e desafios da gestão escolar em conciliar espaço e tempo. Coordenar sincronicamente espaço e tempo é uma competência e como tal supõe como ponto de partida a formulação de um desejo, conforme o modelo dinâmico de competência explicitado por Le Boterf (2000; 2003, apud Macedo, 2005a, p.65). Assim, o desejo, como algo importante, orientará a ação gestora. Coordenar o tempo para conciliar o aspecto administrativo com o aspecto pedagógico é então, algo a aprender e a construir com prática reflexiva, tendo em vista o desafio posto no mesmo contínuo com os professores e as consequências das próprias ações. Estando no mesmo contínuo, resta tomar consciência de que a gestão administrativa trabalha em função da gestão didático-pedagógica, e como tal, deve colocá-la em primeiro plano nas prioridades urgentes da escola, visto que este é, de fato, o papel da instituição escolar. Além disso, trata-se de dar o exemplo, evidenciando como coordenar diferentes tarefas com competência no complexo ambiente escolar. Implica em fazer o administrativo e compreender a necessidade do plano pedagógico, trabalhando um, sem descuidar do outro, considerando-os interdependentes e complementares. Para Freire, “[...] a conscientização não consiste em “estar frente à realidade” assumindo uma posição falsamente intelectual. A conscientização não pode existir fora da “práxis”, ou melhor, sem o ato ação – reflexão [...].” (Freire, 1979, p.15). Por outras palavras, não basta que o gestor apoie o uso da tecnologia digital: é preciso que ele participe da ação, proponha encaminhamentos e participe da formação nos mesmos moldes dos professores, mostrando com propriedade o exemplo por meio da sua práxis. Aprende-se com esse discurso, a necessidade de mobilizar o gestor para a prática pedagógica, nos moldes da visão interdisciplinar, sem apartar o aspecto pedagógico do administrativo, buscando respostas no contexto e soluções conjuntas com professores, setores da escola e comunidade escolar. Categoria E - Limitações de acessibilidade para crianças com necessidades especiais
[Profª6m:] Eu trabalho [...] com serviço educacional especializado. Eu estou mais ou menos "no mesmo pé" da professora [...] e por fatores externos, por final de pós-graduação e tudo o mais, eu não consegui dar andamento no curso. [...] Mas, como eu vejo os trabalhos das meninas e tudo o mais, e por o meu trabalho ser diferenciado na sala de [...], o que eu percebo é assim, [...] precisaria assim, que esse computadorzinho fosse um pouquinho maior para eles, que tivesse assim uma certa adaptação. [...].
DSC – Discurso do Sujeito Coletivo da Categoria D: Eu praticamente estou zerada. [...] eu tenho assim muito pouco tempo para me dedicar. Então eu estou fazendo as minhas atividades com o auxílio das meninas e eu estou achando difícil. [...] Agora você está na minha escola e está ajeitadinha, mas estava um caos. E tudo o que acontece na escola, chega um saco de cimento, chega um prego, tudo, chamam a diretora [...].
DSC – Discurso do Sujeito Coletivo da Categoria E:
Eu trabalho com serviço educacional especializado. Eu estou mais ou menos "no mesmo pé" da professora [...] e por fatores externos, por final de pós-graduação e tudo o mais, eu não consegui dar andamento no curso. [...] Mas, como eu vejo os trabalhos das meninas e tudo o mais, e por o meu trabalho ser diferenciado na sala de [...], o que eu percebo é assim, [...] precisaria assim, que esse computadorzinho fosse um pouquinho maior para eles, que tivesse assim uma certa adaptação. [...]
_____________________________________________________________________________________________
O discurso revela que o professor não foi mobilizado para a formação. Cabe ao formador inspirar o sujeito para a ação, sondando, descobrindo e movimentando fatores internos que determinam a realização da ação e da conduta individual, convencendo-o da importância e do valor desse conhecimento para a vida. Considerando a observação de inadequação feita a respeito do laptop, destacamos essa fala permanente em diversos momentos pontuais da formação. As dimensões do laptop dificultam tirar foto, tornam o teclado inadequado para o manuseio pelas mãos das crianças maiores e dos professores, prejudicam a leitura na tela, etc. Ao mesmo tempo em que o laptop tem potencialidades de aplicativos, tem limitações do tamanho, embaraçam o manejo do aluno e do professor, descarregam muito rapidamente, consistindo em desfavoráveis ao convencimento de uso pelo professor. Então, o curso de formação docente tem que mobilizar o professor para duas frentes que se completam e que são interdependentes. Uma, para fazer bom aproveitamento prático do laptop, conhecendo as potencialidades e as limitações da tecnologia, considerando que ele tem esse formato simples por razões políticas e econômicas, isto é, o equipamento teve que ser mais simples por razões políticas e econômicas, mas, no entanto, é uma máquina com potencialidades para quem souber tirar proveito delas. Outra, para convencer o professor a participar da formação e aprender coisas novas. Então, para ações futuras, seria pertinente sugerir um modelo de computador com características mais próximas das apontadas pelos docentes, especialmente, em se tratando de alunos com necessidades especiais. Da mesma forma, seria pertinente destacar que o aproveitamento do equipamento, mesmo sendo simples, é diretamente proporcional ao nível de apropriação tecnológica do sujeito, motivo pelo qual exige estudo, exploração, dedicação, aprendizado e tudo o mais que o curso de formação prevê.
Categoria F - Importância do trabalho colaborativo e interdisciplinar
[Profª7m:] Eu preciso de ajuda em tudo [...] e esperar as professoras que mexem nas atividades e os alunos também em sala de aula [...] que eu estou com o segundo ano e eu fico assim, e tem tanta atividade e conteúdo para dar que às vezes eu me perco. Então eu me perco, eu não sei se eu dou com o laptop, se eu não dou [...] eu fico assim mais no segundo plano ‘né’, [...] eu tenho que alfabetizar, eu tenho muitos conteúdos, eu tenho que dar a minha apostila [...].
O conteúdo deste DSC revela que as questões que permeiam o contexto didático- pedagógico escolar são complexas, envolvem diferentes tipos de desafios, inseguranças, perturbações e conflitos. Piaget cita que a tomada de consciência é um “[...] processo bem mais complexo que uma simples percepção interior” [ou] “iluminação” (Piaget, 1977b, p.11; p.201). A construção da tomada de consciência mediante a intervenção de atividades especiais do formador tem que ir além da apresentação do sistema operacional e recursos do laptop: ela consiste em tornar a experiência de formação em uma prática reflexiva e de sentido nesse contexto complexo. Isso quer dizer que o formador, tem que trabalhar uma ação concreta para formar e organizar no
DSC – Discurso do Sujeito Coletivo da Categoria F: Eu preciso de ajuda em tudo [...] e esperar as professoras que mexem nas atividades e os alunos também em sala de aula [...] que eu estou com o segundo ano e eu fico assim, e tem tanta atividade e conteúdo para dar que às vezes eu me perco. Então eu me perco, eu não sei se eu dou com o laptop, se eu não dou [...] eu fico assim mais no segundo plano ‘né’, [...] eu tenho que alfabetizar, eu tenho muitos conteúdos, eu tenho que dar a minha apostila, [...].
_____________________________________________________________________________________________
pensamento do sujeito um objetivo em face dessa ação e construção do real, e, por conseguinte, viabilizar significação psicológica e epistemológica. O caminho lógico para vencer os desafios, inseguranças, perturbações e conflitos é o do trabalho interdisciplinar e colaborativo “[...] dada a sua fecundidade para a solução de problemas [...]” (Piaget, apud Macedo, 1994, p. 4). Reconhecer as próprias insuficiências para lidar com a tecnologia digital e solicitar ajuda são indícios de progresso. Progresso no sentido de sair da posição solitária e se dispor a aprender numa relação colaborativa e de abertura para o outro. E assumir os desafios impostos pela reflexão e prática é um bom começo para pensar as perspectivas das situações-problema, para conjecturar sobre os obstáculos à frente, para ponderar os desafios a superar, para analisar o contexto, etc., que contribuem à descoberta de si próprio como sujeito da sua história. (Freire, 1987).
Categoria G - Apatia, protesto, indiferença.
[Profª 1t], [Profª 2t], [Profª 3t], [Profª 4t], [Profª 5t], [Profª 6t], [Profª 7t], [Profª 8t]:] [Suporte t:] [silêncio]
O conteúdo deste DSC não expresso por palavras é revelador no sentido de que ele exprime uma atitude, uma posição de não participar. Mexendo com aspectos subjetivos estamos mobilizando sentimentos e emoções, considerando que não raciocinamos sem emoções e que há sempre uma emoção relacionada com o conhecimento. Sabendo disso, é necessário que o formador refaça o foco trazendo de volta o assunto em pauta. Principalmente na educação evocam-se muitas emoções de todos os tipos e valores que as pessoas já têm subjacentes em relação principalmente às questões das dificuldades, das perturbações, das inseguranças, dos medos, etc que se embrenham no contexto escolar nos dias de hoje. Tudo isso vem à tona porque envolve a educação, as emoções, a escola, a pessoa, a família, embora haja uma questão em foco. Mobilizando todos os pensamentos, situações e experiências vividas, boas e más, emergem as emoções do grupo na dinâmica do Grupo Focal, em forma de silêncio, como se o formador tivesse que enfrentar a desaprovação dos encaminhamentos dados no curso de formação. Então, taticamente silencioso, o grupo de professores manifestou sua recusa em falar, como sinal de protesto, com tom de indiferença, entreolhando-se. De acordo com Freire, “[...] precisamos aprender a compreender a significação de um silêncio, ou de um sorriso ou de uma retirada da sala. O tom menos cortês com que foi feita uma pergunta. Afinal, o espaço pedagógico é um texto para ser constantemente “lido”, interpretado, “escrito" e “reescrito”.[...]” (Freire, 1996, p. 97). Para esta pesquisadora, enquanto formadora, o silêncio foi uma