4. Etat de l’art en matière de détection de la discrimination
4.2. L’impact de la légitimité perçue du comportement du discriminateur
O instrumento de coleta de dados utilizado neste estudo teve por objetivo gerar informações relacionadas ao tema capital social. Foi aplicado nos 18 municípios objeto de
Princesa 2 604 5% 1 339 1 265 8 4
estudo no período de junho a agosto de 2010. Os questionários foram distribuídos observando a proporcionalidade referente ao número de habitantes, gênero e local de moradia.
Dentre os instrumentos para mensuração do capital social analisados para ser utilizado nessa pesquisa pode-se destacar o construto utilizado por Cairns, Til, Williamson (2003), para mensuração do capital social e individualismo / coletivismo em comunidades irlandesas, baseado no instrumento de pesquisa elaborado por Onyx e Bullen (2000). Hjøllund e Svendsen (2000) fizeram uma combinação de indicadores de “confiança”, “cidadania” e “organizações voluntárias”, sendo parte dele baseada nos estudos de Putnam (1993). Além disso, o questionário inclui questões acerca do relacionamento com a comunidade em que o indivíduo está inserido.
Foi analisado para a mensuração do capital social nessa pesquisa o Questionário Integrado para Mensuração do Capital Social, instrumento de coleta de dados utilizado pelo Banco Mundial (2009) para mensuração do capital social em países. Esse instrumento mostrou-se complexo e extenso para a realidade na qual se pretende realizar esse estudo. Outro instrumento analisado foi encontrado no banco de dados da Saguaro Seminar (2009). Esse instrumento foi elaborado para aplicação utilizando-se contato telefônico.
Nesse período de estudos sobre o instrumento a ser utilizado na pesquisa foi relevante a colaboração e o interesse que o tema despertou em pesquisadores que são referência para a realização dessa pesquisa, uma vez que já realizaram estudos nessa área. Além da disponibilização dos instrumentos utilizados para a coleta de dados, os professores Pedro Bandeira (da Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Maria Ester Menegasso e Arnildo Korb (Universidade Federal de Santa Catarina), facilitaram o acesso aos relatórios e análises por eles realizadas.
Bandeira (1994) desenvolveu um estudo de mensuração do capital social nas regiões do Rio Grande do Sul. O professor Leonardo Monteiro Monastério (2002) complementou os resultados desse estudo com indicadores econômicos das regiões a fim de comprovar, por meio do cruzamento dessas informações e da análise do contexto histórico, o desenvolvimento desigual existente nas regiões gaúchas, enfatizando a região da campanha.
Os professores da Universidade Federal de Santa Catarina realizaram uma pesquisa intitulada “Diagnóstico do Capital Social em dez regiões de Santa Catarina” realizado pelo Grupo Politéia. O Grupo Politéia é um grupo de pesquisa do Centro de Ciências da Administração da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Essa pesquisa integra
o Projeto Meu Lugar (2004) do Governo do Estado de Santa Catarina que foi realizada mediante contrato celebrado entre o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD e a Secretaria de Planejamento e Gestão do Governo do Estado de Santa Catarina.
Baseado em elementos como cooperação e confiança, o estudo do capital social é relevante para a compreensão do processo de desenvolvimento das comunidades, a interação do individuo em grupo, redes, associações, o comportamento cooperativo, a estrutura das redes, ações voluntárias. Isto se justifica, pois o capital social tem sido apontado como elemento fundamental para desenvolvimento econômico de países, regiões, e até mesmo nos estudos no campo político, do empreendedorismo, inovação e na identificação das causas das diferenças existentes entre regiões (MACKE, VALLEJOS e TOSS, 2010).
Com o intuito de observar o comportamento das publicações acerca do tema capital social, Vallejos et al (2008) desenvolveram uma meta-análise. Esse estudo compreendeu os artigos publicados na base de dados Business Source Premier e apontou uma elevação no número de publicações que abrangem esse conceito. As principais conclusões desse estudo destacam que o tema capital social no contexto das redes colaborativas precisa de uma exploração adicional; nas dimensões do Capital Social, a dimensão cognitiva não está recebendo muita atenção e que existem estudos sobre o tema, no entanto há dificuldades metodológicas para sua mensuração no que diz respeito às dimensões estrutural e relacional.
O grupo de pesquisa Teoria Social das Organizações, da Universidade de Caxias do Sul, está envolvido no aprimoramento dos conceitos e desenvolvimento de pesquisas sobre o tema capital social. Um dos objetivos do grupo é a análise do papel do capital social no desempenho organizacional, sobretudo nas questões de comprometimento, mudança e processos de aprendizagem. Pesquisas anteriores foram desenvolvidas com o intuito de contribuir para a evolução dos instrumentos de coleta de dados, a exemplo das pesquisas das acadêmicas Kadigia Faccin (2010) e Denise Genari (2010).
A acadêmica Kadigia Faccin desenvolveu sua dissertação buscando verificar em que medida o capital social está relacionado à competitividade das redes colaborativas vitivinícolas da Serra Gaúcha. Os focos dessa pesquisa consistiram em relacionar os níveis de capital social com a competitividade das redes; verificar quais características das empresas interferem na manifestação dos construtos acima mencionados e comparar os níveis de capital social e competitividade nas duas redes em estudo. Nessa pesquisa, desenvolvida no âmbito inter-organizacional, foi demonstrada a existência de correlações entre o capital social e a melhoria da competitividade, bem como que estes dois construtos compartilham variáveis
determinantes, e essencialmente subjetivas, que constitui, talvez, uma das principais contribuições deste estudo.
Outro estudo desenvolvido sobre o tema foi elaborado pela acadêmica Denise Genari. Nesse estudo foi realizada uma avaliação sobre como o capital social e o comprometimento se manifestam e se relacionam no ambiente interno de organizações em redes, através da mensuração dos mesmos em indústrias vitivinícolas localizadas no Vale dos Vinhedos. Nessa pesquisa, desenvolvida no nível inter-organizacional, buscou verificar quais variáveis influenciam a criação de capital social nas empresas pesquisadas, comparar as principais características do perfil dos respondentes com as manifestações de capital social e comprometimento organizacional e verificar se existem diferenças entre os níveis de capital social e comprometimento nas vitivinícolas associadas à APROVALE e à APROBELO.
No desenvolvimento da presente pesquisa a participação e contribuição dos integrantes do grupo de pesquisa Teoria Social nas Organizações foi muito importante. Além de terem, pesquisas anteriores, contribuído na definição das diretrizes dessa pesquisa, o delineamento e a elaboração do instrumento de coleta de dados do presente estudo também teve contribuição e envolvimento do grupo.
Da mesma forma com que pesquisas anteriores tiveram contribuição significativa para essa pesquisa, convém ressaltar que pesquisas futuras serão desenvolvidas tendo como base o instrumento desenvolvido para a coleta de dados nos municípios da região das SDRs do Extremo Oeste Catarinense. A utilização do instrumento criado baseado na matriz do capital social de Halpern (2008) tem como intuito o aprimoramento e adaptação desse instrumento á realidade brasileira. Prezou-se pela inclusão de afirmativas de características histórico culturais da região em que o questionário seria aplicado. Esse aspecto possibilitou um reflexo mais próximo da realidade dos municípios pesquisados.
Sendo assim, o questionário que foi aplicado nos 18 municípios que fizeram parte da pesquisa está descrito no apêndice A. Foi elaborado tendo como base a matriz conceitual do capital social elaborado por Halpern (2008) e com a experiência acumulada nas pesquisas anteriores do grupo TSO. Essa matriz engloba o que o autor chama de dimensões transversais do capital social, visualizadas na Figura 7. O autor apresenta o conceito em três dimensões que abrangem: componentes (redes, normas e sanções), níveis de análise (micro, meso e macro) e funções (bonding, bridging e linking). Destaca-se que para cada elemento das dimensões (por exemplo: o elemento parents, siblings, etc, pertencente ao nível micro, capital social do tipo bonding, característica de redes) buscou-se elaborar três questões. Dessa forma
o questionário foi composto por 63 questões, além das 14 questões gerais de identificação da população.
Enfatiza-se que antes da aplicação definitiva do questionário foi realizado um pré-teste com 30 questionários. O pré-teste refere-se ao “teste do questionário com uma pequena amostra de entrevistados, com o objetivo de identificar e eliminar problemas potenciais” (MALHOTRA, 2007, p. 291).
Por meio da aplicação do questionário em uma pequena amostra foi possível identificar falhas na redação do questionário, assim como verificar a complexidade das questões para o público que se pretendeu investigar. Foi possível também verificar se a seqüência adotada era favorável para responder as questões, se os dados eram passíveis de análise e se os resultados obtidos tinham sentido (GIL, 1999; ROESCH, 1999).
3.5 CONSIDERAÇÕES FINAIS DO CAPÍTULO
Nesse capítulo foi explicitado o método utilizado para a realização dessa pesquisa. Foi descrita e fundamentada a amostra da população que fez parte da coleta de dados, discriminada por município, gênero e local de moradia. Na coleta de dados foi observada também a distribuição da população de acordo com os dados do IBGE referentes à escolaridade e à idade.
O instrumento de coleta de dados foi elaborado após a análise de vários instrumentos pára mensuração do capital social existentes. Após as análises e o estudo da matriz do capital social elaborado por David Halpern, decidiu-se pela elaboração do instrumento que seria utilizado na pesquisa. Essa elaboração contou com a participação dos membros do grupo de estudos Teoria Social das Organizações da Universidade de Caxias do Sul.
A aplicação, tabulação e análise dos questionários se deu no segundo semestre do ano de 2010. Os resultados foram analisados por meio do cruzamento dos dados utilizando o software SPSS (Statistical Package of Social Science) versão 17.0. A caracterização do universo pesquisado e as análises descritiva, fatorial, de variância e regressão estão descritas nos capítulos seguintes.
4 CARACTERIZAÇÃO DA REGIÃO PESQUISADA
Em meados do século XX, as florestas rio-grandenses estavam desbravadas. O desmatamento havia tomado conta de áreas cada vez maiores; mesmo nos locais mais íngremes e inacessíveis, a destruição já era iminente. As reservas de terra por cultivar, no inicio extremamente férteis, haviam se tornado improdutivas em razão da ação do tempo. Onde morar? Como sobreviver?
A pressão demográfica dos povos de origem européia que haviam emigrado no século XIX acelerava e impulsionava a ocupação de novos espaços.
Os colonos, atraídos pela propaganda de colonizadoras, e imbuídos de um espírito de luta e de sobrevivência, passaram a ocupar os rincões do Oeste catarinense. Em meio aos povos nativos e à selva subtropical do Oeste catarinense, levantaram-se, mediante esforço contínuo, novas comunidades de colonos, movidos pelo instinto de sobrevivência.
Armados de um espírito empreendedor, venceram com muita bravura a floresta imponente, para ali reproduzirem suas famílias numerosas. Por meio da conjugação de esforços individuais e coletivos venceram doenças epidêmicas, superaram desafios do mundo pioneiro e marcaram o território. Com perspicácia e agressividade, consumiam todas as suas forças na conquista da fronteira agrícola para, assim, garantir felicidade tão desejada.
Com trabalhos de mutirão foram edificados estradas, hospitais, escolas, clubes e igrejas. As práticas coletivas, solidarias e coesas foram determinantes à sobrevivência dessas novas comunidades, além de fator de proteção que lhes viabilizou a existência e a reprodução social. No coletivo a população buscou sentido para a vida local. Desbravar a selva em meio à solidão, foi um grande desafio: a solidariedade foi a receita do sucesso. A vida venceu! Esta, erigida com sacrifícios e renuncias, após mais de meio século, finalmente pode ser vivida sem maiores percalços e sobressaltos (FONTANA, 2009, p. 17).