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4.2 L IMITES DES ETUDES .1Qualité des articles

No que se refere aos profissionais que trabalham no prédio da SEMED de Porto de Moz, a maioria é formado em nível superior e atuam nas questões técnicas, pedagógicas e administrativas desta secretaria. Os cinco técnicos entrevistados durante as pesquisas informaram ter experiência relacionada ao trabalho com as escolas da RESEX Verde para Sempre, pois ao longo de suas carreiras profissionais tiveram oportunidades de realizar trabalhos que se estendem até essas escolas, sendo que o um desses informou que já havia lecionado em comunidades da área rural. Todos informaram que realizam trabalhos voltados ao planejamento e formação dos professores das comunidades que compõem a reserva.

Com relação à RESEX e sobre UC, todos responderam que são sabedores dos assuntos relacionados a este tema.

A criação da reserva se deu num muito período muito conflituoso que de certa forma acabou dividindo a opinião das pessoas que eram a favor e conta a criação da reserva. Eu creio que essa medida era necessária, mas que acabou acontecendo de uma maneira que a gente num tava preparado. De uma hora pra outra a cidade entrou numa situação de engessamento da economia. Acho que faltou mais um tempo de preparação (A. L., técnico em educação da SEMED Porto de Moz, 2013). Eu acho que a criação dessa reserva num passou de um capricho do governo federal, por que veja só, aqui a situação da vida das pessoas tem ficado cada vez pior. É bacana a gente preservar o verde, a floreta, os animais, os rios, eu concordo, mas

num é justo as pessoas que já são pobres passarem por novas dificuldades. Pra criar a reserva antes era preciso desenvolver novas formas de sobrevivência, tirando as pessoas da dependência da madeira que um dia acaba, e incentivando novas formas como tão fazendo em Paragominas (S. S., técnico em educação da SEMED Porto de Moz, 2013).

O IBAMA e ICMBIO tem sido implacável aqui, isso amedronta as pessoas. Até onde sei o acordo era que a floresta seria protegida e que as pessoas poderia retirar o necessário pra sobreviver, mas num é isso que o pessoal que vive lá dentro anda falando. Outro dia um senhor me disse que ele já num sabe mais o que fazer pra cuidar da família por que a única coisa que ele sabia era caçar, pescar e fazer roça, mas que nem isso ele pode fazer mais, por que num pode colocar fogo pra preparar a terra. Acho que essa reserva ainda num é um exemplo de desenvolvimento sustentável (I. F., técnico em educação da SEMED Porto de Moz, 2013).

As falas são muito ricas, sobretudo por refletirem a angústia vivida pelas pessoas que vivem na cidade de Porto de Moz, já que a madeira era um dos principais elementos da economia local. Mesmo sem dar detalhes profundos sobre o que é uma UC os técnicos conseguem fazer

boas reflexões expondo duas linhas de discussão: uma a favor e outra conta a criação da reserva. É perceptível por meio das falas que existe debilidade nos trabalhos de assistência técnica rural aos produtores familiares que necessitam de aprendizado sobre formas menos agressivas de plantio, por outro lado, é significativa a insatisfação com o hiato deixado entre o processo de decreto de criação da UC e as ações direcionadas à mudança de paradigma econômicosocial do lugar.

Todos os técnicos da educação, ao longo das pesquisas, reconheceram a emergência em se elaborar projetos e ações voltadas para melhorar o desempenho dos estudantes, professores e potencializar participação das comunidades não só na vida escolar, como também fazer da escola um instrumento de conhecimento a serviço da RESEX.

Como você pode ver nossa secretaria ainda é limitada em relação a muitas coisas, encontramos tudo sucateado, sem ao menos ter sido feita transição. Estamos, de certa forma, começando tudo do zero. Estamos correndo atrás das informações e tentando reunir tudo de novo. As escolas que ficam na reserva são de difícil acesso, e a gente já pegou tudo com o calendário pra começar as aulas. Tivemos muito trabalho pra reorganizar tudo, e sabemos que muito ainda precisa ser feito. Esperamos que nos próximos anos a gente possa sair mais da parte burocrática do trabalho e atender mais a parte pedagógica com oficinas, cursos de formação e novas turmas do PARFOR (S. S., técnico em educação da SEMED Porto de Moz, 2013). A nossa secretaria tem procurado atender as demandas dentro das nossas possibilidade, você viu que pra chegar nas escolas da reserva é preciso deslocar uma certa logística, por que tudo é muito longe. A gente sabe que tem muito professor lá dentro que precisa ter acesso à formação e precisa se reciclar, isso exige certo tempo e planejamento de nossa parte. Por enquanto a gente ainda tá organizando as informações que foram extraviadas. Quando a gente assumiu aqui, a gente sabia que

num ia ser fácil, mas também a gente quer mostrar nosso trabalho. A gente tem compromisso com todos os nossos colegas alunos e professores, vamos sim chegar em todas as escolas da Verde (E. L., técnico em educação da SEMED Porto de Moz, 2013).

A zona rural de Porto de Moz tem duas realidades, uma que é a área de várzea que fica alagada quase o ano todo, e outra a áreas de terra firme. Pra chegar nesses lugares a gente precisa de toda uma preparação por que os lugares são extremamente distantes. Tem lugar lá dentro que se você for hoje você só chega no finzinho da tarde. Temos muitos professores que estão trabalhando com a formação mínima, quando teve o concurso o pessoal até fez e passou, passou gente formado, mas ninguém queria ir lá pra dentro. Todo mundo que fazia a prova só queria ficar aqui na cidade. A gente acaba tendo que contratar pra num faltar aula pros alunos. Aí pergunto pra você: como a gente pode executar um trabalho se o pessoal tem pouca formação e é temporário? (I. F., técnico em educação da SEMED Porto de Moz, 2013).

A justificativa relacionada à dificuldade em montar quadros qualificados e permanentes nas áreas rurais da região amazônica é um problema que acompanha a maioria das secretarias municipais de educação, pois a debilidade das unidades escolares associada aos baixos

salários e dificuldade na viabilidade de acesso às comunidades faz com que a área rural não desperte o interesse de docentes graduados.

Os programas e projetos realizados nas escolas investigadas estão limitadas àqueles encaminhados pelo MEC tais como PARFOR, PDDE Escola, PAR, bolsa família (umas das condições é manter o estudante na escola), transporte escolar, merenda escolar. Com a exceção de uma escola que informou que vem trabalhando a construção e implementação de projeto politico pedagógico, mas que não apresentou nada de concreto, nenhuma das 10 escolas da RESEX realiza projetos de pesquisa, levantamento histórico e cultural do local, valorização de saberes tradicionais, experiências exitosas na educação. Por outro lado, há de se destacar experiências em outros setores tais como melhoria na produção de leite de búfala e derivados, criação de frangos, reaproveitamento de resíduos de madeira, plantio consorciado, controle de zoonoses, programa luz para todos, bolsa verde, casa construídas pelo INCRA. O problema está no raio de ação, pois tais projetos não acontecem em todas as comunidades, não se estabelecem parcerias com as escolas (apenas utilizam o prédio, quando existe ou se faz necessário), nem todos recebem as bolsas, a energia elétrica ainda é um beneficio a ser concretizado. Atualmente a EMBRAPA vem estudando junto ao ICMBIO a realização de estudos com objetivo de fazer um levantamento sobre as capacidades produtivas das comunidades que compõem a RESEX.

Com relação à constituição dos componentes pedagógicos tais como: desenho curricular, conteúdos, sistemática de avaliação, calendário escolar etc., trabalhados nas escolas da RESEX entre as demais escolas do Município/Estado, os técnicos informaram que em toda rede municipal são trabalhadas as mesmas coisas. Segundo os técnicos o período execução do planejamento escolar, bem como a elaboração de estratégias voltadas para as escolas rurais acontecem junto às escolas da área urbana. Nessas atividades pouca se fala da aplicabilidade de tecnologias educacionais, temas geradores e metodologias interdisciplinares, e/ou execução de projetos piloto incentivados pela SEMED, ficando tal discussão apenas no plano das ideias de alguns docentes inconformados com a falta de mudança.

Para que as mudanças aconteçam é preciso que tenhamos uma equipe de professores efetivos, compromissados e dispostos a abraçar a mudança. Infelizmente não é isso que temos hoje. Tem muito professor que se aproveita desses problemas pra justificar a sua falta de interesse e compromisso com a educação. É muito fácil eu dizer que num faço nada diferente por que num tenho Datashow, num tem computador pra mim, enfim, se encontra um motivo pra justificar a omissão (S. S., técnico em educação da SEMED Porto de Moz, 2013).

A gente sempre traz questões interessantes para o planejamento, fazemos as discussões procuramos orientar. Porém quando chega na escola quem tem que fazer acontecer é o professor. É ele que tem que chamar pra sí a execução as propostas.

Ele conhece o seu público melhor que a gente, e por isso a nos só cabe procurar dar o auxílio pedagógico e material (E. L., técnico em educação da SEMED Porto de Moz, 2013).

Em Porto de Moz, a SEMED disponibiliza combustível e lanchas para os técnicos direcionarem-se às escolas, porém como já fora dito, a quantidade destes profissionais é limitada, o que inviabiliza a cobertura de todas as escolas do município em tempo hábil, haja vista a existência de outras demandas nesta secretaria.

7.6 Os dirigentes de órgãos que possuem projetos e/ou responsabilidades com a

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