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2. Revue de la littérature

2.1. La danse-thérapie de son apparition à nos jours

2.1.3. Notions théoriques

2.1.3.1. Corps, image du corps et schéma corporel

2.1.3.1.2. L’image du corps

Após a detalhada análise descritiva dos dados que fizemos nos pontos anteriores, interessa agora desenvolver a interpretação dos mesmos, recorrendo, de um modo geral, a toda a fundamentação teórica apresentada nos capítulos precedentes e, mais especificamente, às matrizes de análise adotadas de Hargreaves e Fontoura que apresentamos nos quadros 6 e 7 do ponto 3.4.2.

Importa relembrar que, partindo dos dois eixos de análise que estabelecemos no inicio do nosso estudo, a) Formas da cultura docente e b) Orientação das lógicas de ação dos educadores perante a diversidade étnico-cultural, nos concentramos na análise da(s) cultura(s) profissional(is) que caracteriza(m) o Departamento de Educação Pré-escolar colaborante no nosso estudo, aferindo simultaneamente a forma como lidam os docentes deste departamento com a diversidade étnico-cultural que caracteriza o seu contexto profissional.87

Importa por fim, apresentar as respostas que conseguimos inferir através dos argumentos das educadoras, apresentados nos pontos precedentes, e partilhar a reflexão que desenvolvemos em torno dos dados recolhidos.

– Formas da cultura docente

Num contexto altamente centralizado como o que caracteriza o sistema educativo português, com agrupamentos escolares progressivamente mais numerosos (tanto em alunos como em docentes) e caracterizado pelas distâncias cada vez maiores entre

escolas, torna-se mais difícil encontrar culturas docentes verdadeiramente coesas e colaborantes onde se verifique a existência de dinâmicas de ação organizada que permitam aos elementos de uma unidade organizacional (neste caso um Departamento Curricular) trabalhar de foram fluida e articulada como um todo.

No caso do Departamento Curricular sobre o qual incide a nossa investigação, apesar de se verificar que o departamento é uma unidade que promove a identidade profissional dos docentes, estes dividem-se de forma bastante vinculativa pelos três estabelecimentos de ensino, que, não se encontrando a grande distância entre si, limitam o desenvolvimento de relações sistemáticas e consistentes entre as docentes de todo o departamento. Não se verifica desde modo, a existência de contactos formais ou informais regulares entre todas as docentes do departamento. As interações que as educadoras desenvolvem entre si, como elementos de um mesmo departamento, acontecem apenas nas reuniões formais ordinárias e extraordinárias de departamento que ocorrem mensalmente. Consideramos que se verifica ocorrer pouca ação organizada no departamento. Sendo que a que existe se centra essencialmente na demarcação de posições em relação a questões problemáticas e conflituosas entre o DCEP e a direção do agrupamento.

Não obstante, dentro de cada estabelecimento as docentes desenvolvem frequentemente, trabalho de planeamento e de reflexão conjunto, assim como desenvolvem atividades e partilham tomadas de decisão em conjunto. Foi-nos, ainda possível percecionar, através do conjunto de respostas apresentado pelas diversas educadoras, que num dos JI (JI1) as relações profissionais entre as docentes são mais intensas, consistentes e regulares que nos outros dois JI (JI 2 e 3), sendo que no JI 1 as educadoras se encontram “todos os dias”, no “intervalo da manhã” ou na “hora de almoço” para organizar o estabelecimento ou partilhar ideias e estratégias, enquanto nos JI 2 e 3 as educadoras se reúnem “sempre que é necessário” porque “surge” alguma questão que é preciso “tratar em conjunto”. Neste sentido, podemos esquematizar as relações profissionais desenvolvidas no departamento como apresentado na figura 1.

Figura 1 - Relações profissionais desenvolvidas entre as docentes do DCEP

Fazendo a correspondência às formas da cultura docente que adotamos de Hargreaves (1998) e que apresentamos na matriz de análise representada no Quadro 6 – Matriz de análise das formas da cultura dos docentes (Adaptado de Hargreaves, 1998).Pensamos que dentro do DCEP a cultura profissional dominante se aproxima da cultura balcanizada, no sentido em que as relações profissionais das docentes se desenvolvem em ilhas, em cada um dos estabelecimentos de ensino, é nesse espaço que as educadoras se juntam no sentido de desenvolver trabalho em colaboração. Não se identificam, no entanto, alguns dos traços que Hargreaves apresenta, nomeadamente, a pouca abertura a elementos externos ao grupo e a pertença exclusiva apenas ao seu grupo. As educadoras de infância do DCEP demonstram interesse em desenvolver mais momentos de trabalho colaborativo com todos os elementos do departamento e muitas conseguem idealizar as condições necessárias para que tal ocorra e as formas, os conteúdos e os objetivos que deveriam caracterizar esse trabalho.

Consideramos que o mesmo se verifica em relação às relações profissionais que as educadoras do DCEP desenvolvem com outros departamentos, assim como pensamos que o DCEP se encontra numa fase de perfil balcanizado, já que as relações com outros departamentos são distantes e esparsas e se caracterizam por um clima de desconfiança. No geral, as educadoras caracterizam as relações do seu departamento com o exterior como pouco efetivas e muitas vezes problemáticas, afirmando que o DCEP é frequentemente excluído de projetos desenvolvidos ao nível do agrupamento e que é subvalorizado quer pela liderança quer pelos colegas de outros departamentos, como não passasse de uma unidade organizacional menos importante e necessária.

Não obstante, apesar do trabalho de equipa com outros departamentos ter sido imposto pela direção por questões de imposição legal, parece-nos que, o pouco trabalho deste tipo que é desenvolvido presentemente, é voluntário e todas as docentes do DCEP parecem compreender a sua importância e valorizá-lo. Denota-se, assim, algum interesse por parte das educadoras em fortalecer e intensificar as suas relações profissionais com outros departamentos, em especial com o do 1.º Ciclo e o da Educação Especial. As educadoras demonstram encontrar benefícios nesta forma de trabalho mais coletiva, tanto no que se refere ao seu trabalho não letivo, organizativo e burocrático, como em relação às suas práticas pedagógicas. Porém, consideram que existem poucas condições, físicas, humanas e horárias para o fazer, assim como pouco interesse por parte de muitos dos docentes de outros departamentos.

Em suma, é possível afirmar, fazendo uma avaliação geral da(s) cultura(s) profissional(is) do departamento que, presentemente, a cultura que caracteriza o DCEP é a balcanizada com grande interesse por parte de todo o grupo departamental em desenvolver uma forma cultural mais articulada com outros departamentos, ou seja, mais colaborativa.

– Orientação das lógicas de ação dos educadores perante a diversidade étnico-cultural Sendo a diversidade cultural étnico-cultural, do agrupamento que connosco colaborou, uma característica evidente, sobressai-nos que essa é uma característica que as docentes do DCEP reconhecem e levam em consideração no seu dia a dia profissional.

As educadoras do DCEP veem essa diversidade como um aspeto positivo do contexto onde lecionam e usufruem dela para desenvolver com todo o grupo atividades que consideram valorizadoras das características individuais e culturais de cada criança. Apesar de demonstrarem que pouco desenvolvem uma pedagogia de tipo diferenciado, uma vez que se centram mais no grupo do que no individuo único que é cada criança, têm, no entanto, a preocupação de em relação às dificuldades de comunicação, desenvolverem estratégias que permitam às crianças imigrantes, ou descendentes de imigrantes, compreender as atividades em desenvolvimento, proporcionando-lhes as oportunidades necessárias para que atinjam os níveis gerais dos alunos falantes da língua portuguesa.

As docentes entrevistadas demonstram, ainda, não possuir um conhecimento exato do que distingue a educação intercultural da educação multicultural. Sendo que em ambos os casos, a ação é organizada por princípios de equidade e de justiça social tendo como objetivos assegurar a igualdade de oportunidades e de acesso ao sucesso, percebe-se que parte das educadoras desenvolvem uma educação de tipo multicultural, colocando as crianças em contacto com as diferentes origens étnicas e culturais, com o objetivo de desenvolver nelas a aceitação e o respeito por cada uma dessas diferentes origens, mas não preparando dinâmicas verdadeiramente interativas de partilha entre culturas, pois consideram que muitas das crianças, tendo já nascido em Portugal, se encontram perfeitamente aculturadas não se diferenciando das restantes crianças.

Assim, partindo da matriz de análise das lógicas de ação face à diversidade cultural, que adotamos de Fontoura (2005) e que apresentamos anteriormente (ver Quadro 7), consideramos que as educadoras do DCEP se dividem em dois grupos que, apenas ligeiramente, se distinguem entre si: as educadoras que seguem uma lógica multicultural e as que seguem uma lógica intercultural.

Quadro 13 – Lógicas de ação identificadas no DCEP

Lógica Indicadores

Multicultural

Os docentes consideram que:

- Diversidade étnico-cultural é um aspeto positivo da população escolar;

- Muitos alunos, já nascidos em Portugal, filhos de pais imigrantes, são mais influenciados pela cultura portuguesa que pelos traços culturais dos pais e por isso não dão a perceber, no dia a dia, os seus traços culturais;

- O contacto com a diversidade étnico-cultural possibilita o desenvolvimento nos alunos de compreensão, aceitação e respeito pelas diferenças de cada etnia ou cultura;

- Sempre que surge a oportunidade é importante desenvolver atividades que permitam a partilha de modos de ser e fazer noutras culturas, inclusivamente com a participação das famílias.

Intercultural

Os docentes consideram que:

- Diversidade étnico-cultural é um aspeto positivo da população escolar;

- O contacto com a diversidade étnico-cultural possibilita o desenvolvimento nos alunos de compreensão, aceitação e respeito pelas diferenças de cada etnia ou cultura;

- O contacto com a diversidade étnico-cultural possibilita oportunidades de aprendizagem para alunos e docentes;

- Partindo da diversidade presente na sua sala, é importante promover atividades que possibilitam a divulgação e interação entre etnias- culturas.