Chapitre I – Bibliographie des approches spatiales des conflits d’usages
I.1 L’identification des conflits via les entrées par les acteurs
No CURA Brás–Bresser – CBB, a área total definida para o estudo foi determinada na adoção dos seguintes limites: Largo da Concórdia (Estação Roosevelt), parque D. Pedro II e Estação da Moóca (metrô). Para a análise pormenorizada por setores, a região foi subdividida em 10 subáreas: Parque D.
Pedro II; Gasômetro; Oriente; Concórdia Roosevelt; Bresser I; Bresser II; Radial Leste; ZML; Moóca I e Moóca II (ver figura s seguir).
357REIS FILHO, N. G.; TANAKA, M.; HUCK, M; COSTA, B. Análise Urbana: Área CURA Brás - Bresser. São Paulo: EMURB, 1979
Como observamos no mapa constante no ANEXO P (mapa – Área CBB – Análise Urbana), dentro dessas áreas existem apontadas 4 grandes manchas, indicadas como “áreas de transformação”: os dois círculos em volta da região que seriam instaladas as Estações de Metrô Brás e Bresser; uma outra mancha é a da região do Gasômetro e Largo da Concórdia e, por fim, mais a norte, a da região da rua do Oriente.
No diagnóstico geral da região, inicialmente foi apresentada uma caracterização da população e a identificação dos polos comerciais. Foi constatada a presença maciça de imigrantes italianos, mais idosos do que jovens, tendo sido identificado também que houve uma mudança de nível econômico na área, gerando um afastamento dos “moradores tradicionais” que ascendiam em nível de renda. Quanto aos novos moradores, frisou-se a população migrante da região Nordeste do Brasil, atraídos pela área do terminal de ônibus interestadual e pela
antiga “Estação do Norte”, a Estação Roosevelt: “O Brás vai se transformando cada vez mais no centro nordestino de São Paulo”
Foram identificados cinco “polos regionais”:
• Gasômetro: comércio madeireiro atacadista de nível regional; • Piratininga: comércio especializado de peças para máquinas;
• Oriente: comércio atacadista de confecções associado a pequenas
indústrias localizadas na área;
• Concórdia: Roosevelt: comércio regional de artigos populares e
nordestinos. Articulação intermodal de transportes coletivos;
• Alfândega: comércio atacadista cerealista nas imediações da Rua
Alfândega
Na análise do mapa de Uso do Solo apresentado358 identificamos a distribuição por toda a área de lotes com uso industrial, estando o uso habitacional com predominância na parte ao sul da linha férrea e, ao norte, maior concentração das atividades de comércio e serviços. A área como um todo, foi diagnosticada na época como de “dormitório”.
Nesse mesmo caderno, o de Análise Urbana, foi apresentada além do diagnóstico algumas propostas/diretrizes de intervenção urbana para algumas áreas específicas. As diretrizes foram indicadas durante o diagnóstico, como conclusão das análises, apresentadas na mesma página, em duas colunas: Hipóteses de
Intervenção e Análise da Situação (ver fig. a seguir)
Durante essa Análise/Proposta, os autores discorreram sobre um universo amplo de temas, englobando diversas escalas de aproximação. Indicaram a instalação de mobiliário urbano, equipamentos públicos, usos, comunicação visual, áreas de lazer, passarelas, áreas para estacionamento, assim como áreas que deveriam receber tratamento paisagístico e manutenção das instalações públicas. No entanto, percebemos que a atenção dos técnicos ficou focada principalmente na demonstração de um diagnóstico preciso do uso do solo, da predominância de atividades comerciais específicas em determinados trechos, da questão habitacional, da capacidade de mobilidade, da requalificação do espaço do pedestre.
Algumas áreas, como a do Gasômetro, por exemplo, mereceram atenção especial dos técnicos. Para essa região, foi dedicado um texto que discorreu sobre as características da área, dando destaque à Rua do Gasômetro, o “eixo de urbanização”, referida por apresentar ainda uma “configuração espacial muito peculiar para o traçado urbano do período,mantendo-se em linhas gerais até os
nossos dias”. Inseriram, ainda, a leitura de alguns edifícios que marcavam a paisagem por pertencerem ao período da ocupação industrial, apresentados como “edifícios de interesse”.
Como exemplo de tais edifícios, ainda na subárea do Gasômetro, em que foi dado destaque às instalações industriais da San Paulo Gás Company Ltd. (1872), “antiga Chácara do Ferrão loteada e vendida, mantendo entretanto a sede, Chácara da Figueira que pertenceu a Marquesa de Santos” e às Indústrias Matarazzo (Moinho Matarazzo e Tecelagem Mariângela)359, qualificando-as como:
“ambas em edifícios de grande porte e interesse, quer pelo valor histórico das edificações, datando do período inicial da implantação industrial no Brás, quer pelas dimensões das mesmas, ambas com área superior a 20.000m²”
Como proposta no que tange os “edifícios de interesse”, foi indicado um “estudo de legislação para preservação do conjunto urbano que compõem a Rua do Gasômetro” para a “preservação das relações urbanas existentes.
(rua/calçada/edifício)”360.
Na análise da subárea do Oriente destacaram a área de galpões da Rua Juta e o galpão da CEAGESP, como exemplos de “construção significativa”, e ainda identificaram uma “vila significativa com importante localização urbana e ampla área de circulação e uso comum” indicando à “valorização da Vila, com a reutilização das construções e espaços livres para uso público, e instalação de mobiliário urbano”.
No complexo Concórdia-Roosevelt, foi dada ênfase ao processo de transformação do Largo da Concórdia, com destaque para a construção e demolição do Teatro Colombo (1908-1966) como marco da alteração funcional da área, as atividades em torno da Estação Roosevelt e a presença da antiga Sede do Clube Minas Gerais, como sendo a mais antiga construção ainda restante.
Identificou-se ainda no Complexo Concórdia-Roosevelt uma “vila
habitacional significativa de interesse urbanístico, pela sua localização, uso, conservação, padrão construtivo e estrutura interna” para onde foi proposto um
“estudo de revitalização da vila pela sua adequação ao uso habitacional” tendo em 359Sobre o caso da Tecelagem Mariangela, ver BARDESE, Cristiane Ikedo. Arquitetura Industrial. Patrimônio
edificado, preservação e requalificação: O caso Moinho Matarazzo e Tecelagem Mariângela. Dissertação
(Mestrado), FAUUSP, São Paulo, 2011. 360 Idem, p. 31.
vista o seu “significado histórico arquitetônico representativo da ocupação do
bairro”
Na subárea Bresser I, foi identificada a predominância de vilas habitacionais e antigos galpões industriais, para os quais propõem a manutenção dos edifícios, com a possível reciclagem de uso dos galpões industriais, visto serem considerados edifícios “com valor significativo para o patrimônio da cidade”; e a conservação das vilas, em que apontam mais uma vez para o “estudo de legislação de uso do solo incentivando a permanência das vilas”, indicação presente em todas as ocorrências de vilas habitacionais.
Na subárea Radial Leste foi dado destaque à Hospedaria dos Imigrantes (1886), como um “edifício de valor arquitetônico e urbanístico”, que deveria ser preservado e ter o seu uso transferido.
Sobre a subárea ZML, foi definido o perímetro aprovado em 1975, da criação da Zona Metrô Leste361, área que margeia a linha férrea e de implantação do metrô362. No ano desse diagnóstico, 1978, já é afirmada a condição recente dessas áreas como regiões “de intervenção direta já desapropriadas pelo Metrô e
atualmente utilizadas como canteiro de obra” Na ZML também foram
identificadas vilas habitacionais em quadra próxima a estação Bresser do metrô, para as quais se propõem “a possibilidade de compatibilização das vilas habitacionais com os conjuntos habitacionais propostos para a área de reurbanização” e galpões industriais “representativos da industrialização paulista, subutilizados. Na subárea Moóca I foi onde se identificou a maior quantidade de construções em “estado precário de conservação”, situação atribuída principalmente às frequentes enchentes na área; foi identificada uma vila de interesse e a Cia Antarctica como estrutura industrial significativa.
E finalmente, na subárea Moóca II, foi onde se diagnosticou o maior número de vilas e conjuntos habitacionais, além de “construções de valor arquitetônico”, como os identificados: edifício da EBCT, Cotonifício Crespi e Vilas dos Bancários.
Dessa análise geral, os técnicos entenderam que a solução da questão habitacional seria resolvida por meio, principalmente, da requalificação das estruturas existentes, da preservação das vilas habitacionais e da utilização das instalações industriais ociosas. Para a defesa da proposta, procederam ao inventário dos imóveis de interesse, o que resultou em uma pesquisa mais aprofundada, 361Lei n.8328 de 02 de dezembro de 1975.
ocasionado a identificação e seleção de Vilas, Conjuntos Habitacionais e Galpões
Industriais considerados “significativos” para preservação.