CHAPITRE 2. Ce que peut la photographie : un cadre théorique pour une
2.5 Ce que peut l’expérience photographique dans une recherche en architecture
As teorias e reflexões acerca da personalidade são controversas e sempre estão
presentes em toda a história da Filosofia, da Psicologia, da Sociologia, da Antropologia, da
Medicina Geral de outros ramos da ciência. Desta forma para caracterizar a personalidade de
modo mais favorável, podemos considerar que a personalidade é a organização dinâmica dos
traços no interior do eu, formados dos genes pessoais que herdamos, das existências
singulares que experimentamos e das percepções individuais que temos do mundo, as quais
são capazes de tornar cada indivíduo que é único em sua maneira de ser, de sentir e de
desempenhar o seu papel social (BALLONE, 2008).
No entendimento de Marquez (2004), personalidade é o modo de ser da pessoa.
Com base nesta expressão, queremos dizer que a personalidade é uma construção formal
sobre o indivíduo e que ela abstrai todos os seus conteúdos. Com esse conceito, constatamos
que cada pessoa é tendente a ser de uma determinada forma, que predomina sobre sua história
e sua atualidade. Tais traços de personalidade são delineados e percebidos desde a infância,
como pode ser observado nas falas dos atores sociais, sujeitos desta pesquisa.
[..] com dez anos de idade, fui matriculado no Curso Klein, dirigido por um mestre muito reconhecido à época o Professor Luciano Klein. O curso era caro e lá estudavam crianças notáveis. (CIRO NOGUEIRA FILHO).
Segundo meus pais, sempre fui uma criança "buliçosa", isto é, gostava de mexer nos objetos com curiosidade. Muito cedo "fabricava" meus brinquedos. Gostava muito de desmontar e montar brinquedos que eventualmente me chegavam às mãos. (JOSE MARIA DE SALES ANDRADE NETO).
[..] uma das coisas que sempre marcou a minha criação é que nós tínhamos aquelas brigas diárias, certo? Mas sempre fomos muito unidos, até hoje os sete filhos continuam bastante unidos. Em todos os momentos muito solidários de formação complementar, de personalidades diferenciadas, mas todos unidos. (ROBERTO CLÁUDIO FROTA BEZERRA).
[...] durante meu tempo de estudante do ginasial e do cientifico, eu me considero um aluno altamente, vamos dizer assim, de conhecimento médio daquilo que deveria ter aprendido nos bancos da escola, era um pouco mesmo relapso, no entanto quando terminado o terceiro cientifico, nós tivemos então o conhecimento que deveríamos fazer uma faculdade. (LUIS CARLOS UCHOA SAUNDERS).
O sujeito poderá mudar de convicções, ideias, crenças, profissão e, até realizar
revoluções em sua vida, mas permanecerá sempre com o seu mesmo modo de ser, ou seja,
sempre fará tudo com suas mesmas tendências. Disto concluímos que a personalidade é inata
e não modifica a sua natureza no decorrer de sua existência.
Nesse entender, com o passar dos tempos, é possível que o sujeito possa se
transformar, posteriormente, mas, mesmo assim, permanecerá com o tipo de personalidade
com a qual nasceu, uma vez que é inata. A maneira de ser do sujeito, e o seu modo, são
satisfeitos com sua essência, que lhe dá a unidade da característica de um ser exclusivo e
singular, igual a todos os demais seres humanos (DUBET, 1998).
Destarte, falar de personalidade é tratar da pessoa humana, se considerarmos a
essência humana sob o aspecto ontológico, embora comprovadamente sejamos diferentes uns
dos outros. Nesse entendimento, sobressai o papel social como personalidade, cuja missão é
constituída pelos sentimentos, atitudes e comportamentos em que a sociedade busca de um
sujeito, mesmo quando este assume posição de destaque na organização social, consoante a
assumir papéis e adaptar-se a eles por designação superior. Podemos observar tal fenômeno
nos discursos dos atores sociais, sujeitos desta investigação:
O valor dos estudos, não apenas como única oportunidade de ascensão social e sim pelo seu valor intrínseco do crescimento intelectual, a ética, a retidão, a honestidade e principalmente uma visão otimista sobre o mundo e as pessoas. (CIRO NOGUEIRA FILHO).
[...], eu fiz concurso para Universidade para professor, entrei como Professor Colaborador, depois eu passei para professor assistente por concurso, depois para professor adjunto por concurso, e professor titular. Quando eu voltei eu fiz concurso para professor adjunto. (LUÍS CARLOS UCHOA SAUNDERS).
Entrei na primeira classe da carreira do magistério superior como professor auxiliar de ensino nível I e galguei todas as classes e níveis dessa carreira até aposentar-me em 04 de fevereiro de 2004, como professor adjunto IV após trinta e quatro anos de atividades. A minha vida com professor totalizou trinta e oito anos de serviço, pois incorporei um ano na Faculdade de Ciências e Letras e três anos no Curso Pré- Universitário Walter Bezerra de Sá. (JOSE MARIA DE SALES ANDRADE NETO).
Fiz o concurso para assistente e sai, modéstia a parte, muito bem, apesar de não ser mestre. Fui o primeiro [...] fui colaborar com todos os cursos de mestrados que tinham estatísticas na área de Ciências Agrárias e eu fui pioneiro no Programa de Ciências Sociais do Nordeste. (ROBERTO CLAUDIO DA FROTA BEZERRA).
Isto significa dizer que todos os sujeitos exercem alguns papéis sociais, ao seu
tempo, em lugar e época, que podemos conceituar essa apresentação social como Persona
3(JUNG, 1984). Na realidade, ponderar a personalidade através do papel social pode até não
representar a verdade dos fatos, mas corresponde ao papel social de cada persona. A
interpretação mais eficaz é representá-la por meio dos traços do “eu”, de modo mais subjetivo
e profundo.
Semelhante significação ocorre na própria história do sujeito, onde Lipovetsky
(1983) nomeia como processo de personalização, sendo o ideal inovador de subordinação do
sujeito pulverizado e se subordina a uma conduta racional coletiva, favorecendo a relevância
fundamental da realização pessoal, da obediência à singularidade subjetiva, e da
personalidade divergente, tendo em vista que a singularidade é o que diferencia um homem do
outro, e o torna único na ontogênese.
Por meio dos relatos de vida dos sujeitos sociais, é possível observar que essa
singularidade é a responsável pela produção da história relativa às condições sociais e
materiais, bem como pelo relacionamento com o homem e a natureza.
3
Persona significa máscara, caracteriza a maneira pela qual o indivíduo irá se exibir no palco da vida em sociedade. Conceito de Jung (1984).
Para refletirmos sobre personalidade individual, é relevante dizer que esta
característica é interpretada como aquilo que se relaciona à singularidade da pessoa, sem
qualquer diferenciação entre subjetividade e personalidade. Nesse prisma, a personalidade,
para Leontiev (2004, p.129 e 145) , diz respeito à complexidade da individualidade, sendo
considerada como a herança biológica de todo indivíduo, que é a base para o processo de
subjetivação e de formação do psiquismo, e que, para se entender esta personalidade, é
necessária uma abordagem teórico-metodológica numa perspectiva de atividade como
unidade de análise, senão vejamos:
[...] dessa forma, não se nasce personalidade, chega-se a ser personalidade por meio da socialização e da formação de uma endocultura, através da aquisição de hábitos, atitudes e formas de utilização de instrumentos. A personalidade é um produto da atividade social e suas formas poderão ser explicadas somente nestes termos. [...] não é possível obter nenhuma estrutura da personalidade a partir de uma seleção de algumas peculiaridades psíquicas ou psicossoais do homem, mas é preciso, a partir do desenvolvimento da atividade, de seus tipos e formas concretas e dos vínculos que estabelecem entre eles, enquanto seu desenvolvimento modifica radicalmente a significação dessas premissas. Consequentemente, a investigação não deve estar orientada a partir dos hábitos, habilidades e conhecimentos adquiridos nas atividades que os caracterizam, mas no conteúdo e nos vínculos das atividades, na busca do como, mediante que processos se realizam e são possíveis (LEONTIEV, 2004, p.129 e 145).
A acepção de Leontiev (2004) pode ser ilustrada com os depoimentos dos
professores, ao discorrerem sobre as influências familiares:
A minha religiosidade e da minha família, eu sou católico não por convicção, mas por família, sou daqueles que não perco uma missa de sétimo dia, nem um casamento, nem um batizado, mas não vou a missa todo domingo. (LUÍS CARLOS UCHOA SAUNDERS).
... é uma espécie de síntese do imaginário que tinha na época, também a religiosidade da minha mãe levou a uma aproximação muito precoce com a igreja. (ROBERTO CLAUDIO DA FROTA BEZERRA).
Criado no seio de uma família católica como a minha, adotei essa religião por convicção e a ainda hoje a pratico. Não tenho preconceito contra nenhuma outra religião, culto ou seita, enfim, qualquer crença que alguém adote ou pratique, desde que contribuam para o bem da humanidade. (JOSE MARIA DE SALES ANDRADE NETO).
Por outro lado, alguns teóricos, como Martins (2001) definem a personalidade
como objetivação da individualidade, a sua manifestação máxima e complexa do ser. Engloba
um processo que decorre do relacionamento do indivíduo com o mundo exterior, as
particularidades das suas funções psicológicas superiores sociais e do seu temperamento,
influenciado pelas experiências vivenciadas pelo indivíduo na sociedade. Para concluir, o
mesmo teórico ratifica a ideia de que a personalidade é um produto da atividade individual
condicionada pela totalidade social, isto é, uma ação individual com possibilidade de
interpretar a gênese e o desenvolvimento da personalidade, sendo constituída a análise
psicológica do processo de personalização.
Por outro giro, relevante é demonstrar que a personalidade é tão primordial que a
nossa Carta Magna de 1988, em seu art. 5º, inciso X, a privilegiou como um direito da
personalidade, insculpido nas garantias fundamentais dos Direitos e Deveres Individuais e
Coletivos do cidadão brasileiro, determinando que todos são iguais perante a lei, sem
distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no
País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade,
nos termos seguintes:
Art. 5º, X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; entendendo o fundamento dos Direitos e Garantias Fundamentais, nota-se que o legislador assegurou com total proteção estatal a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, como um dos mais importantes componentes de um Estado Democrático de Direito (FERREIRA FILHO, 1998, p. 37).