3. Trafic vésiculaire neuronal
3.1. L’exocytose
Uma pesquisa científica pode advir de diversos motivos, seja a partir de uma curiosidade ou até mesmo de uma inquietação. Assim, a realização de uma pesquisa por meio de dados ou de estudo bibliográfico, permite entrelaçar pensamentos de teóricos com suas mais diversas reflexões filosóficas, podendo vir a proporcionar transformação e ampliação de conhecimentos previamente estabelecidos e desta forma contribuir para um desenvolvimento da ciência.
Sob esta ótica, o percurso metodológico de uma pesquisa científica corresponde a um trajeto sistemático, que segundo Gil (1999, p. 44), tem o objetivo de “[...] descobrir respostas para problemas mediante o emprego de procedimentos científicos." Marconi e Lakatos (2007, p. 83) complementam o referido autor ao inferirem que método é “[...] o conjunto das atividades sistemáticas e racionais que, com maior segurança e economia, permite alcançar o objetivo - conhecimentos válidos e verdadeiros -, traçando o caminho a ser seguido, detectando erros e auxiliando as decisões do cientista.” Depreende-se assim, que o pesquisador, ao traçar seu método de pesquisa e escolher o instrumento para levantar os dados e posteriormente analisá- los e interpretá-los, estará colaborando para a construção de novas narrativas para o desenvolvimento científico, que permanece em constante metamorfose.
Partindo para a motivação da realização desta pesquisa, salienta-se que primeiramente esta se originou quando a pesquisadora como acadêmica do curso de Biblioteconomia e Documentação da UFBA, participou como bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), no projeto desenvolvida pelo Grupo de Pesquisa Ciência da Informação: Cognição, Mediação e Construção do Conhecimento (COGNICIC). O referido projeto objetivou evidenciar se as bibliotecas universitárias promoviam ações de competência informacional como parte de suas atividades de capacitação do usuário. Como consequência, inferiu-se que as bibliotecas universitárias usam de modo tênue os recursos de marketing para divulgar a oferta dos seus produtos e serviços.
De modo geral, ficou evidenciada a inexistência de um programa de marketing e mesmo a aplicação eventual de serviços de marketing para a divulgação dos serviços das bibliotecas pesquisadas e os resultados foram reunidos no artigo Aportes da cognição na construção dos processos de organização, recuperação e uso da informação, pelo grupo de pesquisa supracitado, no XVII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU).
No segundo momento foi quando a pesquisadora elaborou seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Biblioteconomia e Documentação em 2013, onde verificou-se a necessidade de aprofundar mais sobre o assunto o qual teve como objeto de estudo o Sistema de Bibliotecas
da Universidade Federal da Bahia (SIBI/UFBA). Durante o percurso da pesquisa, constatou-se que o SIBI/UFBA utilizava algumas mídias sociais, mas, no entanto, não as usava de maneira assídua para promover seus produtos e serviços, não possuía um planejamento estratégico e nem um plano de marketing.
Por algum tempo, surgiu a inquietação da necessidade de aprofundar os estudos sobre o marketing digital como estratégia de promoção para bibliotecas universitárias em outras instituições do Brasil, visto que, a literatura acerca do tema ainda é pouca.
5.1 DELINEAMENTO DA PESQUISA E OS OBJETIVOS
O delineamento da pesquisa é uma etapa importante para tecer de forma sistematizada todo o planejamento para o desenvolvimento do estudo que inclui desde a exposição do método, a definição do universo e dos critérios para a seleção da amostra, até a seleção da bibliografia e do instrumento de pesquisa e dos procedimentos para coleta de dados.
Acontece que toda pesquisa parte de uma inquietação do pesquisador a qual é representada pela formulação de um problema e sua delimitação. Tão importante como os demais procedimentos a serem adotados, Bachelard (1996, p. 18-19) enfatiza que primeiramente é necessário saber formular problemas, já que para o espírito científico todo conhecimento é resposta para uma pregunta. Tudo é construído e não formulado de maneira instintiva. Tem que haver o questionamento. A pergunta irá suscitar um problema cuja resposta levará o sujeito a efetuar esforços para respondê-la e adquirir conhecimento. Assim se este sujeito simplesmente opinar não ocorrerá a ciência. Corroborando o autor, Lopes (1996, p. 265) considera que “É preciso que formulemos devidamente as perguntas a serem respondidas, os problemas a serem investigados, pois os obstáculos epistemológicos se imiscuem justamente no conhecimento não formulado”.
Deste modo, nesta pesquisa delineou-se o seguinte questionamento: - Se o marketing digital, incluído no Planejamento Estratégico do Sistema de Bibliotecas das Universidades Federais, é capaz de promover os produtos e serviços ao usuário, fidelizando-o satisfatoriamente em suas demandas informacionais por meio das mídias sociais?
Para responder a questão acima, estabeleceu-se como objetivo geral identificar se os SIBI adotam o Planejamento Estratégico e, nele, o marketing digital, na perspectiva de promover os produtos e serviços desses Sistemas de Bibliotecas das Universidades Federais por meio das mídias sociais. Na perspectiva de cumprir o objetivo geral, tomou-se como objetivos específicos:
a) Averiguar se os Sistemas de Bibliotecas das Universidades Federais adotam o marketing digital no Planejamento Estratégico;
b) Mapear as mídias sociais utilizadas pelos Sistemas de Bibliotecas, na perspectiva do marketing digital;
c) Observar se há promoção de produtos e serviços dos SIBI nas mídias sociais por meio de ações dissociadas ao marketing digital;
d) Perceber o engajamento dos usuários quanto aos conteúdos postados na mídia social Facebook referente à promoção dos produtos e serviços do SIBI,
Quanto aos objetivos, trata-se de uma pesquisa exploratório-descritiva. Segundo Gil (2016, p. 27-28), a pesquisa descritiva “[...] têm como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno [...]”, visto que, nesta pesquisa, as promoções de produtos e serviços dos SIBI na mídia social selecionada foram descritas a fim de relacioná-las a ações de marketing digital. Já sobre o caráter exploratório, o autor aponta que é uma pesquisa que “[...] têm como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e ideias, tendo em vista a formulação de problemas mais precisos e que [...] esse tipo de pesquisa é realizado especialmente quando o tema escolhido é pouco explorado [...]” (GIL, 2016, p. 27). Assim, vale enfatizar que em relação à conjuntura teórica sobre marketing digital em bibliotecas universitárias ainda há insuficiência de conhecimento reunido e sistematizado sobre o tema.
Quanto à abordagem, considera-se que esta pesquisa é quantitativa, no entanto, esta não deixa de ser também qualitativa, onde segundo Rodrigues a pesquisa qualitativa (2007),
[...]é a pesquisa que – predominantemente – pondera, sopesa, analisa e interpreta dados relativos à natureza dos fenômenos [...] já a quantitativa se apoia predominantemente em dados estatísticos [...] no entanto o fator quantidade não exclui o fator qualidade. (RODRIGUES, 2007, p. 34-38). Apesar de o fator quantitativo ser o mais predominante nesta pesquisa ela também é qualitativa pois os números são significativos e passíveis de interpretações, o que possibilitou efetuar inferências a partir deles. Ainda, quanto ao método, paralelamente ao levantamento bibliográfico para tecer o embasamento teórico, realizou-se uma pesquisa documental, para levantamento das informações oficiais acerca dos Sistemas de Bibliotecas selecionados. Segundo Gil (2016, p. 51), “[...] a pesquisa documental vale-se de materiais que não receberam ainda um tratamento analítico, ou que ainda podem ser reelaborados de acordo com os objetivos da pesquisa.”
Para efeito do levantamento bibliográfico, incluíram-se diversos suportes e fontes de informações primárias, como livros, artigos em periódicos impressos e disponíveis na internet, anais de eventos, entre outros, pois a leitura proficiente e a reflexão sobre os textos selecionados contribuíram para o estabelecimento do referencial teórico do estudo, etapa básica para o aprofundamento do conhecimento sobre diversos ângulos do assunto em pauta e para o desenvolvimento da pesquisa.
Para Manzo (1971, p. 32 apud MARCONI; LAKATOS, 2007, p. 183), a bibliografia pertinente "[...] oferece meios para definir, resolver, não somente problemas já conhecidos, como também explorar novas áreas onde os problemas não se cristalizaram suficientemente [...]." Apesar de imergir na literatura sobre um determinado assunto já abordado por outros autores, Marconi e Lakatos (2007, p. 183) afirmam que “[...] a pesquisa bibliográfica não é mera repetição do que já foi dito ou escrito sobre certo assunto, mas propicia o exame de um tema sob novo enfoque ou abordagem, chegando a conclusões inovadoras. ”
5.2 O UNIVERSO E OS CRITÉRIOS PARA SELEÇÃO DA AMOSTRA
O universo da pesquisa compreende os Sistemas de Bibliotecas das Instituições Federais de Educação Superior do Brasil (IFES), institucionalizados como órgão coordenador, não sendo incluídas, portanto, as universidades estaduais e as particulares. Desta forma, para determinar uma amostragem por etapas, para definir quais seriam os Sistemas de Bibliotecas das universidades brasileiras que participariam desta pesquisa, já que as universidades se encontram distribuídas pelo país, foram estabelecidos os seguintes critérios:
a) Integrar a região Nordeste do Brasil; b) Ser universidade pública da esfera federal; c) Estar situada na capital; e,
d) Dispor de um Sistema de Bibliotecas estabelecido, por ato oficial, em estatuto ou regimento.
Assim, levantaram-se, no site do Ministério da Educação e Comunicação (MEC), nos nove estados da região Nordeste do Brasil uma população formada por 19 Instituições de Educação Superior, conforme revela o Quadro que segue.
Quadro 9 – Instituição de Educação Superior da Região Nordeste do Brasil
ESTADO IES
Alagoas Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
Bahia
Universidade Federal da Bahia (UFBA)
Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB) Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) Universidade Federal do Sul da Bahia (UFESBA) Universidade da Integração Internacional da
Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB)
Ceará
Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB) Universidade Federal do Cariri (UFCA) Universidade Federal do Ceará (UFC)
Maranhão Universidade Federal do Maranhão (UFMA) Paraíba Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)
Pernambuco
Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
Fundação Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF)
Piauí Universidade Federal do Piauí (UFPI) Rio Grande do Norte Universidade Federal Rural do Semi-Árido
(UFERSA)
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
Sergipe Universidade Federal de Sergipe (UFS) Fonte: Brasil (2017).
Todavia, as alíneas “c” e “d” dos critérios constituídos, possibilitou traçar uma amostra total de nove Sistemas de Bibliotecas de Universidades Federais na Região Nordeste do Brasil, cujos históricos e características estão detalhadas na seção 2.3.
A seguir, no Quadro 10, apresentam-se os SIBI selecionados, por ordem alfabética das unidades federadas onde estão sediados.
Quadro 10 – Os Sistemas de Bibliotecas das Universidades Federais pesquisadas
SISTEMA DE BIBLIOTECAS ESTADO ANO DE
CRIAÇÃO