MATERIELS ET METHODES
PROFIL EPIDEMIOLOGIQUE :
D- La réponse au traitement :
X- L’EVOLUTION : 1-La Rémission :
Elaine Arruda Anne Dias Verônica Lima Víviam Santa Brígida Débora Oliveira Pâmela Carneiro
O nome Aparelho faz uma referência aos Aparelhos da época da ditadura, que eram lugares, eram porões, eram apartamentos que os artistas se reuniam pra pensar em modos de resistência à ditadura. Então, era um espaço de fluxo, eram territorialidades, eram lugares que existiam no espaço-tempo. Depois, aquele Aparelho caía e vinha outro Aparelho. Então eu acho que a própria origem do conceito Aparelho, ela prescinde multiplicidades, várias formas de encontro, modos de resistência.
Tudo começou com a necessidade da artista visual Elaine Arruda em encontrar um lugar que abrigasse as dimensões de suas obras artísticas mergulhadas no experimento, durante cinco anos, de técnicas de produção, veiculação e expansão da gravura em metal. Com a proximidade do Atelier do Porto (onde Elaine foi gestora durante quatro anos, em parceria com Armando Sobral) a uma região de portos, em Belém, essa artista passou a entrar em contato com o conhecimento tradicional dos metalúrgicos navais da Amazônia, incorporando esse estudo à sua linguagem gráfica, que elevaria suas gravuras a uma escala arquitetônica. Foi a partir do contato com as técnicas dos operários, maquinário e ferramentas das oficinas, que Elaine Arruda elaborou o projeto Paisagem Suspensa, contemplado, em 2013, com a Bolsa da Funarte de Estímulo à Produção de Artes Visuais, resultando na produção de gravuras em mental com dimensões de 12m X 3m. Com o intuito de dar visibilidade a toda essa produção e processos, restituindo ao lugar a experiência com seus agentes e colaboradores, é que surgiu a ideia de que essa exposição acontecesse no galpão da Oficina Santa Terezinha.
A minha poética eu passei a trabalhar na Santa Terezinha e vi naquele espaço uma potência muito grande pra contribuição no trabalho com os artistas. Foi o contato com a Santa Terezinha que me permitiu elevar minha gravura para uma escala arquitetônica.
Elaine Arruda
Então o meu trabalho ele nunca coube num Atelier e ele nunca coube num formato, assim, de galeria, pode-se dizer. Andando lá pela Cidade Velha, eu descobri a Santa Terezinha e o dono, o seu Chico me acolheu, e foi nesse período que eu conheci as meninas e nós começamos a trabalhar juntas. Só que eu entendi que aquilo, esse deslocamento do Atelier para um espaço que não é um espaço de arte, enriqueceu muito a minha prática, a minha visão de arte, o meu trabalho. Enfim, ganhou uma outra dimensão. E aí, ocupar a Santa Terezinha e convidar outros artistas pra ocupar, foi uma forma de compartilhar isso, de dizer olha aqui você pode ir conhecendo as ferramentas, os operários, o modo que eles trabalham. Isso pode enriquecer a tua poética de um jeito que tu nem imaginas.
Assim, Elaine Arruda abriu uma convocatória, convidando artistas com seus trabalhos, projetos e intervenções para conhecer e ocupar democraticamente a Oficina Santa Terezinha. A primeira Ocupação aconteceu em uma das edições do Projeto Circular, e as duas seguintes, logo depois, fora desse circuito. Essa metalúrgica foi ocupada com videomapping, performances, gravuras, pinturas, site-specifics, chorinho, jazz e instalações visuais, urbanas e sonoras.
Cada um chegou com seu trabalho, ocupou um espaço e contribui com que sabia, com que tinha pra mostrar e foram três grandes ocupações, cada uma com 50 artistas. Então a coisa foi bem potente. Aí, em função de várias questões que surgem, né, de você dialogar com 50 pessoas que pensam diferentes, dentre elas uma pessoa que era filho do dono, então, que a gente percebeu que o nível de negociação não seria horizontal. Haveria uma imposição
por ser um espaço privado e a gente viu a necessidade mesmo de se deslocar para um espaço público, que era o Mercado do Sal.
Dentro desse contexto do complexo portuário surge o Aparelho, que atua em parceria com os trabalhadores do Mercado do Porto do Sal e mantém uma programação cultural com atividades continuadas voltadas para a população do entorno, em especial, as crianças, através de minicursos de desenho, fotografia, teatro e ensaios de um coral regido por Dulci Cunha. No Aparelho, os artistas que participam das ocupações são convidados a propor oficinas para a comunidade, que ocorrem sempre aos finais de semana. Tudo acontece de forma colaborativa. Os cursos de formação são definidos em diálogo com os moradores, a partir de um mapeamento das famílias que habitam os arredores do Beco da Malvina e Beco do Carmo, e a escuta dos tipos de atividades que gostariam que fossem ofertadas. Os artistas pensam suas propostas buscando o contato entre os interesses da comunidade e seus processos artísticos individuais.
A gente começou a pensar em atividades educativas, porque não é só pensar em atividade como evento no dia, e sim a gente buscar uma construção mais contínua dentro do território. A gente teve esse momento de um questionário que era muito simples, mas que foi a primeira escuta assim de perguntar o quê que vocês querem. A gente já estava aqui, já estava fazendo as ocupações, mas a gente queria ouvir pra poder alavancar mais essa etapa do educativo. E aí que começou essa história de realmente ir nas casas buscar as crianças, saber onde é que elas moram, e isso acabou criando uma cultura de que as oficinas elas acontecem porque nós vamos buscar as crianças nas casas. É bacana porque isso fez a gente se aproximar mais, como uma relação de mais confiança com os pais, mas a gente já tá pensando de que é preciso, também, promover uma autonomia dessas famílias.
O Aparelho foi organicamente se inserindo no espaço como uma rede de colaboração, conduzida por uma gestão formada por artistas e agentes comunitários, que se reúnem para realização de atividades culturais no Mercado do Porto do Sal e arredores da Malvina, ao fundo, e do Carmo, na lateral direita para quem está descendo a Cidade Velha. Conta com uma estrutura organizacional complexa e flutuante, cujos artistas horas respondem individualmente, horas coletivamente.
Existe o grupo, o coletivo Aparelho, que nós nos denominamos com nosso nome individual, não é o coletivo Pitiú dentro do Aparelho, é Débora, Víviam e Verônica com seu trabalho colaborativo lá, e que de vez em quando o coletivo Pitiú participa das ações do Aparelho. Cada um tem sua forma de gerir, de ir se organizando no lugar, na comunidade. E como isso potencializa o outro? A forma com que cada uma tá fazendo, que horas que a gente pode se cruzar e que redes que podem se formar.
Esse modo de agenciamento do Aparelho está implicado na ideia de uma iniciativa coletiva, ao reunir artistas em torno de um determinado projeto que são as ocupações, sem o compromisso de estabelecer, de modo rígido, uma experiência artística comum ou qualquer outro tipo de vínculo45. No entanto, dentro desse contexto, também participam coletivos que atuam em conjunto na produção de uma obra artística implicada nas relações presentes no espaço. Nesse sentido, inventam os próprios percursos e táticas de gestão que combinam, no calor das ações, as demandas artísticas pensadas para o lugar e os recursos humanos envolvidos. Sobre a pergunta ao grupo o que é o Aparelho, o grupo responde:
Isso é o que a gente tá se perguntando. Se ele é um coletivo, se ele é um projeto, se ele é um modo de estar ali, porque a diferença mais que eu vejo entre o Aparelho e o Pitiú, é que o
Verônica Lima
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