• Aucun résultat trouvé

L’essor des sciences du cerveau : un peu d’histoire

Dans le document RÉSUMÉ DES COURS ET TRAVAUX (Page 169-172)

ENDOTHÉLIALE DES VAISSEAUX INTRA-STRIAUX

G. Allergie au pollen de frêne : étude immunochimique

I. L’essor des sciences du cerveau : un peu d’histoire

As alterações demográficas, epidemiológicas e socio-demográficas e a mobilidade geográfica da população afec- tam o panorama das necessidades em relação a cuidados nas sociedades ocidentais. Os novos tipos de família e a urbanização complicam ainda mais a situação, principalmente nas cidades. A inclusão da mulher no mercado de trabalho é uma realidade que veio diminuir significativamente a disponibilidade para providenciar cuidados informais/familiares, tradicionalmente pertença da população feminina.

Estas transformações requerem uma abordagem diferente no sector das políticas sociais e da saúde. No presente e no futuro, as tomadas de decisão devem incluir os cuidados domiciliários como uma aproximação sustentada para prevenir a necessidade de institucionalização desnecessária, em agudos ou em cuidados de longa duração, e manter as pessoas em suas casas tanto tempo quanto possível.

Os desenvolvimentos científicos e tecnológicos constituem mais um factor para incrementar as alterações e as necessidades de cuidados domiciliários. Os avanços da tecnologia médica, incluindo possibilidades terapêuticas e equipamentos contribuem para que, com algumas modificações na casa e no equipamento seja possível manter as pessoas no seu espaço, e o seu acompanhamento constante.

De acordo com a WHO (2008), outro elemento de peso na opção pelos cuidados domiciliários assenta nas al- terações ocorridas nas atitudes e expectativas dos cidadãos relativamente à organização e prestação de serviços. Nos cuidados de saúde, tem crescido um discurso sobre os direitos do utente em torno da importância da indi- vidualização do cuidado e com a ênfase nas escolhas individuais relativamente à localização dos cuidados. Num inquérito realizado em território europeu, quase 90% dos respondentes considerou que os sistemas sociais e de saúde deveriam apoiar as pessoas idosas a permanecer em suas casas durante o maior período de tempo possível (WHO, 2008:5).

Em Portugal, a criação da RNCCI procurou dar resposta àquelas necessidades, considerando a preponderância de cuidados prestados por unidades e equipas de cuidados continuados de saúde e apoio social, em sinergia, inserindo um leque de estruturas de apoio social, autarquias e a saúde. Constituem uma proposta de mudança de paradigma, necessariamente centrado nas necessidades da pessoa dependente e privilegiando a sua manutenção no espaço onde deseja permanecer, o que pode incrementar a constituição de equipas que atendam a singulari- dade da pessoa cuidada: unidades de internamento, unidades de ambulatório, equipas hospitalares e as equipas domiciliárias.

Cuidados domiciliários são cuidados integrais de saúde proporcionados no domicílio a pessoas dependentes e, por simpatia, às suas famílias, com o propósito de promover a saúde e minorar os efeitos da doença e da incapa- cidade;

Procuram satisfazer as necessidades sociais e de saúde das pessoas em suas casas, através da provisão de cuidados de saúde de qualidade, por cuidadores formais e informais, com a utilização de tecnologia adequada, mantendo a continuidade dos cuidados (WHO, 2008).

A casa é o espaço de conforto físico e emocional, de memórias e de associações. Os cuidados domiciliários são prestados no espaço onde a pessoa prefere permanecer quando o mal-estar se instala (WHO, 2008).

A aposta nos cuidados domiciliários passa por comprometimento público e um ímpeto social e político, condu- zindo a mudanças na cultura, atitudes e educação global de todos os profissionais, na comunidade e na institui- ção, nos sectores da saúde e social, bem como em cuidadores informais envolvidos no cuidado da pessoa. Exige comprometimento humano e organização flexível mais do que medicamentos e intervenções dispendiosas, e deve ser uma preocupação de todos os governos (WHO, 2008).

Contudo, transferir os cuidados para o domicílio sem a certeza de existirem estruturas de apoio à pessoa e seus cuidadores pode vir a revelar-se um factor acrescido de iniquidade, o que tem sido objecto de alerta por pesqui- sadores (Duke & Street, 2003). A crescente complexidade das situações em cuidados domiciliários e o envelhe- cimento da população resultam no aumento das exigências na comunidade. Este quadro pode representar uma sobrecarga adicional para a qual as famílias não dispõem dos recursos adequados como é salientado pela DGS, 2004.

O domicílio é um lugar estratégico para a prevenção e promoção da saúde, mas, para a pessoa dependente e a necessitar de cuidados de saúde, é o espaço, onde se movem, apesar das dificuldades, com autonomia e segu- rança. O domicílio pode ser cenário de estratégias de coordenação e de integração, mas também é o local onde se manifestam as contradições no modelo de cuidados vigente, por vezes demasiadamente compartimentado (Garrote, 2005).

A precocidade das altas determina a transferência para o domicílio de situações cada vez mais complexas e com um risco acrescido de complicações pelo que, adicionalmente, se coloca a questão de como assegurar a continua- ção dos cuidados em doentes graves num ambiente fora da segurança tecnológica dos hospitais.

O domicílio requer do enfermeiro: a ênfase na educação da pessoa e da família; a avaliação do ambiente da casa; a compreensão dos recursos da comunidade; a utilização da evidência para se adaptar aos cuidados domiciliários; a assumpção de um papel de advogado para capacitar a pessoa e a família; e que seja uma influência no sistema de cuidados de saúde.

Estes desafios são enfrentados pelos enfermeiros, pelo facto de serem o maior grupo profissional dentro dos cui- dados de saúde e da preparação inserida nos curricula da Licenciatura: são profissionais cujo foco de atenção é o diagnóstico das respostas humanas à doença e aos processos de vida, a partir do qual se constrói um processo de cuidados profissionais em parceria com a pessoa cliente.

Se os enfermeiros podem vir a desempenhar um papel fundamental na rede de cuidados de saúde, será junto das pessoas, em suas próprias casas que o seu desempenho pode ser sujeito aos maiores desafios. Mas como é que estes profissionais, no exercício das suas funções, poderão assegurar a continuidade dos cuidados no domicílio, uma vez que a sua presença junto da pessoa é esporádica e de duração limitada?

Qual a especificidade do papel do enfermeiro na manutenção da continuidade dos cuidados, entendida como a transição, sem hiatos e ao longo do tempo em diferentes tipos de respostas, de prestação de cuidados e de apoio social.

Como assegurar a continuidade de cuidados de qualidade, flexíveis e equitativos, assegurando a permanência da pessoa no seu meio, sejam estes cuidados transitórios ou de longa duração?

Com esta questão, procurei identificar a forma como os enfermeiros constroem a continuidade dos cuidados, visando a independência da pessoa cuidada, reconhecendo a consequência do processo de construção da con- tinuidade para o profissional, para os utentes e equipas de cuidados domiciliários, identificando assim as mais- -valias que esta construção determina no bem-estar do grupo social.

A continuidade dos cuidados constitui um processo dinâmico, envolvendo prestadores e utentes em interacção. É um processo em construção, pelo que importa conhecer a participação dos actores, do ponto de vista émico para ajudar a determinar o significado e o propósito que as pessoas atribuem às suas acções.

A opção foi por um estudo de desenho qualitativo porque procurava perceber os contextos social e interpessoal da prestação de cuidados que constroem o papel do enfermeiro enfatizando a intencionalidade e a construção consciente de significado. É uma aproximação hermenêutica ao procurar o sentido dos acontecimentos, descritos na globalidade e meio natural.

Por considerar ser uma área com detalhes complexos envolvendo acção e interacção, sentimentos e emoções, uma esfera de ocorrência peculiar, dotada de um processo e de uma estrutura, decidi-me, a exemplo de De la Cuesta (2003) e de Lopes (2003) pela Grounded Theory.

O trabalho de Campo ocorreu numa localidade na qual estava implementado um programa de cuidados Con- tinuados Domiciliários

Todos os enfermeiros da equipa do PCCD fizeram parte da amostra. Os utentes e os cuidadores participaram igualmente no estudo (observação participante e entrevistas qualitativas). Foram ainda entrevistados um vere- ador da câmara e todos os outros profissionais da equipa multidisciplinar. As famílias foram entrevistadas em função de ter vontade em participar, ter capacidade para tal e ser utente do programa. Com a prossecução da investigação, foram estabelecidos critérios no sentido de focalizar uma ou outra categoria, como por exemplo, entrevistar utentes e famílias que se encontravam em diversos momentos cronológicos do contacto com o pro- grama. Strauss & Corbin (1998):202 denominam esta amostra propositada de teórica. O objectivo é colocar na amostra ocorrências que podem ser indicativo de categorias, propriedades e dimensões que poderão ser relacio- nadas. Como cada pessoa conta uma parte da história o quadro final obtém-se através da colaboração de todas as partes, com o progredir da análise da informação e a construção de novas formulações teóricas, a entrevista tornou-se focalizada num informante específico, previamente seleccionado.

Dans le document RÉSUMÉ DES COURS ET TRAVAUX (Page 169-172)