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L ES R ELATIONS ENTRE T RANSPORT C ANADA ET L ’ACSTA

CHAPITRE CINQ: CONCLUSIONS

L ES R ELATIONS ENTRE T RANSPORT C ANADA ET L ’ACSTA

Nóvoa (1992, p.7) chamou a atenção para as vidas dos professores, que segundo ele, constituíram durante muitos anos, uma espécie de "paradigma perdido" da investigação educacional.

Atualmente, não é mais possível separar o eu pessoal do eu profissional, especialmente em uma profissão marcada fortemente por valores e ideais que exigem muito do empenho do professor e das relações humanas estabelecidas nesse processo.

No passado, acreditava-se na possibilidade de estudar o ensino para além da

subjetividade do professor e isto foi considerado um sucesso científico e também um passo essencial em direção a uma ciência objetiva da educação.

No entanto, as utopias racionalistas não conseguiram reduzir a especificidade da ação de cada professor, dada a relação de cada qual com as suas características pessoais e as suas vivências profissionais.

Nas palavras de Jennifer Nias (apud Nóvoa, 1992): O professor é a pessoa; e

uma parte importante da pessoa é o professor.

Segundo Nóvoa (ibid), nossa profissão precisa de se dizer e de se contar. Sendo assim, é possível compreendê-la em toda a sua complexidade humana e científica, pois ... ser professor obriga a opções constantes, que cruzam a nossa

maneira de ser com a nossa maneira de ensinar, e que desvendam na nossa maneira de ensinar a nossa maneira de ser (p.9).

Ao estruturar o ciclo profissional dos professores, Huberman (1989) opta pela perspectiva clássica: a da carreira.

Na literatura sobre a perspectiva clássica: a da "carreira" é apontada uma série de "seqüências" ou de "maxiciclos" que atravessam as carreiras de diferentes indivíduos dentro de uma mesma profissão mas também as carreiras de pessoas em exercício de profissões diferentes. Conforme Huberman (1992, p.37) aponta, isto não

quer dizer que tais seqüências sejam vividas sempre pela mesma ordem, mas que todos os elementos de uma dada profissão as vivam todas.

Assim sendo, Huberman (ibid) considera, por exemplo, que as seqüências ditas de "exploração" e de "estabilização" se verificam, supostamente, em início de carreira. A exploração consiste em fazer uma opção provisória, em proceder a uma

investigação dos contornos da profissão, experimentando um ou mais papéis (p.37).

Caso essa fase seja positiva, passa-se a uma fase de "estabilização", ou de

compromisso, na qual as pessoas centram a sua atenção no domínio de diversas características do trabalho (p.37).

No caso deste trabalho nos reportamos às características da entrada na carreira, visto que o desenvolvimento desta é um processo e não uma série de acontecimentos.

Segundo Huberman (ibid, p.39), há um grande número de estudos empíricos sobre a escolha da carreira e outros trabalhos que tratam dos dois — três primeiros anos da atividade docente. Apesar de existirem motivações diversas para a escolha

dessa carreira, a tomada de contato inicial com as situações da sala de aula tem

lugar, por parte dos principiantes, de forma um tanto homogênea.

Os autores que procuram "descrever" esta fase na ótica de uma seqüência de fases que balizam a carreira apontam um estado de sobrevivência e de descoberta.

Esse aspecto da sobrevivência é traduzido como "o choque do real". Trata-se do início do confronto com a complexidade da situação profissional:

o tatear constante, a preocupação consigo próprio ... a distância entre os

ideais e as realidades quotidianas da sala de aula, a fragmentação do trabalho, a dificuldade em fazer face, simultaneamente, à relação pedagógica e à transmissão de conhecimentos, a oscilação entre relações demasiado íntimas e demasiado distantes, dificuldades com alunos que criam problemas, com material didático inadequado, etc (p.39).

No entanto, o aspecto da "descoberta" é traduzido pelo entusiasmo inicial, a

experimentação, a exaltação, de finalmente estar em situação de responsabilidade

tendo a sua sala de aula, os seus alunos, o seu programa, se sentir parte de um determinado corpo profissional.

Segundo Huberman, freqüentemente, a literatura empírica indica que os dois

aspectos, o da sobrevivência e o da descoberta, são vividos em paralelo e é o segundo aspecto que permite agüentar o primeiro (ibid, p.39).

A existência de outros perfis com um só desses componentes (sobrevivência

ou descoberta) mostra que apesar de diferentes, há algo de comum em todos: o tema global da exploração [ ... ] essa exploração pode ser sistemática ou aleatória, fácil ou problemática, concludente ou enganadora (ibid, p.39).

Na carreira relativa ao ensino, a exploração é limitada por parâmetros

impostos pela instituição; os docentes têm pouca oportunidade de explorar outras

turmas que não as suas e outros estabelecimentos escolares que não o seu e outros papéis além do ser responsável por suas turmas.

Portanto, a entrada na carreira docente apresenta as características descritas acima, sempre levando-se em conta os critérios de escolha de tal carreira; isto certamente terá influências sobre os componentes da sobrevivência e da descoberta, conseqüentemente da exploração também.

O autor aponta que, ao tentar caracterizar o ciclo de vida profissional dos professores, um fator importantíssimo deve ser considerado pelas pesquisas: ouvir o professor que fala. Quanto a isso ele considera ser muito perigoso tentar:

aplicar quadros explicativos às respostas das pessoas observadas, ou entrevistadas, o que conduz diretamente a uma estandardização manifesta das respostas e, daí, a uma certa cegueira na análise dos dados (ibid, p.55).

Neste aspecto, fica evidenciado que a pessoa que mais sabe de uma trajetória

profissional é a pessoa que a viveu. Assim também, a maneira como essa pessoa define as situações com que se viu confrontada desempenha papel primordial na explicação do que se passou (ibid, p.55).

Assim, acredito que este trabalho tenha relevância para a área de pesquisa educacional porque aqui são relatadas as situações com as quais fui sendo confrontada durante a minha principiante carreira docente. Deste modo, estão expostos os significados que atribuía diante dos fatos vivenciados. Esses significados foram construídos a partir de teorias recebidas durante o processo de formação ao mesmo tempo foram sendo re-significados pelas minhas próprias aprendizagens docentes.

BUSCANDO O SUCESSO DE ALUNOS COM HISTÓRIA DE FRACASSO ESCOLAR

A educação não é uma fórmula de escola, mas sim uma obra de vida.

C.FREINET

O presente capítulo destina-se a mostrar de que forma eu ia construindo minhas aprendizagens iniciais como professora, lidando com o fracasso escolar de meus alunos e buscando transformá-lo em sucesso. Para tanto, aproveitava qualquer oportunidade surgida, que envolvesse esses alunos, fazendo com que encontrassem significado em suas aprendizagens escolares, apoiada na teoria de Vygotsky (1991). Essa forma de agir fazia parte de meu compromisso político, consubstanciado na aposta de que todos os alunos são capazes de aprender.

Os dados constantes deste capítulo, embora procurem mostrar o contexto em que se deu o trabalho com meus alunos, estarão centrados mais especificamente em dois deles — Rodrigo e Mariana — por serem aqueles em que o fracasso escolar se manifestava de forma mais aguda.