1 I NTRODUCTION A LA PROBLEMATIQUE DU FORAGE DIRECTIONNEL
1.2 L E FORAGE DIRECTIONNEL 1 I NTRODUCTION
1.2.5 L ES GARNITURES ROTARY STEERABLE SYSTEMS (RSS)
As análises de covariância entre os fatores evariáveis ambientais e a diversidade, em número (H’N) ou em peso (H´P) (variáveis resposta em cada ANCOVA, em separado) revelaram um
resultado ligeiramente diferente. No caso da diversidade em número foram selecionados o fator paisagem e as covariáveis: profundidade, transparência, temperatura. No caso da diversidade em peso foram selecionados os fatores paisagem e macrófitas e as covariáveis profundidade, transparência, condutividade. Assim, em relação aos fatores, a paisagem (nas duas análises) e presença de macrófitas (no caso da H’P) são elementos importantes para a
diversidade, sendo a primeira relacionada com a complexidade ambiental ao redor da represa e as macrófitas um notável elemento funcional do ecossistema aquático, atuando como criadouro e refúgio para a ictiofauna, como também relatado per BARRELLA et al. (2000) e SMITH et al. (2003). Neste contexto, THOMAZ (2005) ressalta a importância das macrófitas para a pesca e a diversidade da ictiofauna, afirmando que o manejo desta vegetação é uma das técnicas utilizadas para conservar a biodiversidade e elevar a produção pesqueira em reservatórios.
Em relação as outras quatro covariáveis, observa-se a correlação inversa da profundidade e condutividade com as diversidade em peso e da profundidade com a diversidade em número. Ao contrário, a correlação entre a transparência e a temperatura é direta.
Em síntese, os resultados obtidos mostram que:
1. a unidade de medida da diversidade (em número ou peso) tem influência na seleção das variáveis ambientais mostrando que a diversidade em peso é uma variável resposta mais sensível em relação a importância do ambiente em termos de refúgio e criatório. Neste caso, as áreas ricas em macrófitas, além dos pequenos, suportariam peixes maiores, principalmente predadores e especialistas na estratégia de caça “espera - ataque”; ao contrário, no caso da diversidade em número é evidenciada somente a importância da complexidade do ambiente em termos de paisagem ressaltando as funções de proteção e aporte de material orgânico alóctone ao ecossistema aquático (BARRELLA et al., 2000).
2. A correlação positiva, entre transparência e temperatura com a variável resposta diversidade em número, e transparência e macrófitas com a variável resposta
diversidade em peso, mostra que os ambientes de desembocadura e laterais da represa são os mais explorados pela ictiofauna, como observado também por SMITH et al (2003), ao contrário das áreas pelágicas. Esta interpretação é reforçada pela correlação negativa da diversidade em peso com profundidade e condutividade. Neste caso ao aumento da profundidade e da condutividade corresponde a diminuição da diversidade em peso.
Segundo CRAIG (2005), a diversidade e a produção das comunidades ictíicas é reduzida devido ao declínio da extensão do ecotóno terra/água. Em represas, a flutuação do nível e o desmatamento das áreas limítrofes contribuem para a erosão da margem, simplificação estrutural do habitat aquático e redução dos aportes alimentares de origem terrestre, como também ressaltado por BARRELLA et al. (2000). Portanto, nossos resultados confirmam a importância das faixas de macrófitas e complexidade estrutural da paisagem nas áreas limítrofes da represa para a manutenção da diversidade.
5.3 Estrutura da comunidade
Quanto á participação das diferentes ordens levantadas na represa de Barra Bonita, observa- se que a maioria é constituída por Characiformes (66 %) e Siluriformes (17%), o que está de acordo com LOWE-McCONNEL (1999) em relação á evolução da ictiofauna na região Neotropical. Em relação ao número de famílias, salienta-se que na represa de Barra Bonita foram encontradas 47% das famílias da região Neotropical (CRAIG, 2005)
A distribuição das espécies nas duas épocas apresenta-se homogênea, mostrando pequena importância das migrações sazonais das espécies, pois a maioria delas é sedentária.
Em relação ao número de espécies, no braço do rio Piracicaba foram encontradas 97% das espécies e no braço do rio Tietê se registrou a presença de 58%. Esta consistente diferença, também observada por CASTRO (1997), pode estar relacionada com as piores condições ambientais do rio Tietê.
A curva espécie - abundância (Whittaker-plot) para a amostra total ajustou-se ao modelo da série logarítmica. Esse resultado está de acordo com PRESTON (1948), segundo o qual a série logarítmica pode descrever pequenas amostras de comunidades também ajustadas pela log-
normal truncada. Neste caso, o modelo log-normal truncado foi considerado inadequado devido a ocorrência de várias modas nas classes de distribuição de oitavas. Concluímos, portanto, que a organização da comunidade de peixes da represa de Barra Bonita melhor se ajusta ao modelo da série logarítmica, apesar de que o poder discriminante do teste χ2 utilizado
para avaliar a significância do ajuste, seja considerado baixo, por alguns autores (ROUTLEDGE, 1980 apud KREBS, 1998), mas mesmo assim é o mais usado na literatura sobre o assunto (MAGURRAN, 1989; 2004).
Ao contrário, o número de espécies estimado pelo modelo log-normal truncado (S*=36) resulta próximo ao estimado pelo método Jackknife (38) e dentro de seu intervalo de confiança (34,6-41,2). Embora a estimativa Jackknife sobreestime o número de espécies numa amostra (KREBS, 1998), provavelmente no caso da represa de Barra Bonita é apropriada, pois, durante as fases de coleta do trabalho foram assinaladas pelo menos duas espécie que não conseguimos capturar: a espada (S. virescens) e o dourado (S. maxillosus). A presença da primeira é também confirmada por CASTRO (1997) e a segunda por BARRELLA (1997) e BARRELLA & PETRERE (2003).
Tudo isso nos permite descrever a estrutura da comunidade de peixes da represa de Barra Bonita como heterogênea, com evidente desequilibro entre as espécies abundantes e raras (ROSSARO, 1993) adequadamente descrita pelo modelo da série logarítmica.
No caso das curvas de espécie-abundância para ambientes, os resultados mostram que a organização da comunidade se ajusta aos modelos logarítmico e log-normal truncado. O ambiente de centro, também se ajusta à série geométrica. Como no caso anterior, todavia, o modelo log-normal truncado foi excluído devido à presença de várias modas na distribuição dos dados em classes de oitavas. Em relação à série logarítmica, MAY (1975, apud KREBS, 1998) afirma que este modelo é usado para descrever amostras de comunidades pequenas, estressadas ou pioneiras. Ao contrário, CASWELL (1976) a utilizou para descrever uma comunidade neutra, não estressada e GRAY (1978) utilizou com sucesso a log-série para amostras provindas de grandes comunidades. BOSWELL & PATIL (1971) afirmam que a série logarítmica pode resultar de efeitos estocásticos ou, como visto anteriormente, descrever pequenas amostras de comunidades também ajustadas pela log-normal (PRESTON, 1948). A inspeção da literatura, portanto, não ajuda muito a escolher inequivocamente o modelo mais
adequado para representar a organização das comunidades entre os ambientes de desembocadura, laterais e de centro. Neste último caso, provavelmente a série geométrica é a mais adequada para descrever a organização da comunidade. Esta conclusão se justifica pelo pequeno número de espécies encontradas (14) e pelo baixo valor do estimador do parâmetro α (αˆ =3,1) em comparação com os outros, que sugerem uma comunidade pioneira nesses ambientes. A maior complexidade dos ambientes de desembocadura e laterais leva a pensar que o ajuste à série logarítmica seja efetivamente mais adequado, indicando uma comunidade “estressada”, mas não pioneira (MAY,1975 apud KREBS, 1998). Ao contrário, trata-se de uma comunidade heterogênea, como evidenciado pelos valores mais altos dos estimadores do parâmetro α do ambiente de desembocadura (αˆ =4,99) e lateral (αˆ =5).