O artigo “Estruturação da Capoeira como conteúdo da Educação Física no Ensino Fundamental e Médio” (2001) tem a autoria de Sérgio Augusto Rosa de Souza e Amauri A. Bássoli de Oliveira e tem como objetivo geral estruturar a capoeira como conteúdo da Educação Física escolar no ensino fundamental e médio. A pesquisa busca investigar como seria uma aula de capoeira ministrada a alunos da 1ª série do Ensino Fundamental e pautada em uma proposta aberta e problematizadora de ação pedagógica. A ideia de uma proposta aberta e problematizadora pressupõe uma transcendência de limites e, embora o trabalho não tenha embasamento crítico-emancipatório, ele tem em sua problemática a motivação de uma
expansão do campo existencial de seus envolvidos. É de grande importância a preocupação dos autores em compor a capoeira como conteúdo da Educação Física Escolar. Tal preocupação é compartilhada por Kunz que fala da necessidade de transformar as teorias da Educação Física Escolar em prática, situações palpáveis, capazes de serem trabalhadas no cotidiano escolar.
O artigo “A Capoeira na Escola: Perspectivas para a Educação Física Escolar – Uma abordagem teórica e prática” (2007) tem a autoria de José Eduardo Segala de Medeiros e Luís Sérgio Peres e tem como objetivo geral discutir, debater e refletir sobre conceitos metodológicos utilizados pelos profissionais da Educação Física e o interesse em estabelecer parâmetros que tornem o ensino da Educação Física Escolar, verdadeiramente justo e democrático. A pesquisa busca investigar sobre a prática da capoeira no contexto escolar e aplicação de seu plano de ensino no grupo de trabalho estudado. Aqui é possível identificar no objetivo a preocupação com o profissional de Educação Física, já que, com frequência, encontra-se profissionais que apenas reproduzem aquilo que aprenderam, que tem medo de ousar, de investigar, de agir eles mesmos com criticidade e autonomia, que possuem dificuldades em tornar as práticas da Educação Física Escolar educativas e pedagogicamente corretas. No que tange ao profissional da Educação Física este trabalho sugere que haja uma expansão de horizontes, por parte do mesmo e, consequente transcendência de limites, para que o professor saia de sua zona de conforto e busque novos conhecimentos e novas descobertas que o transformem em um mediador da criticidade e da autonomia e não apenas um reprodutor dos velhos paradigmas e modelos educacionais e sociais vigentes e dominantes.
O artigo “O Jogo da Capoeira na Prática Pedagógica” tem a autoria de Cecília de Vasconcelos Martins, Fernanda Karin Barbosa da Silva, Prof.º Mdo. Henrique Gerson Kohl e Prof.ª Dra. Tereza Luiza de França e tem como objetivo geral vivenciar a capoeira, investigar e identificar valores socioeducativos de suas diversas formas de manifestação cultural. A pesquisa buscava investigar a capoeira na prática pedagógica da escola, como constituição da expressão de vivências lúdicas numa perspectiva interdisciplinar. O trabalho em questão propõe que o aluno viva as experiências e fale através da palavra e da linguagem corporal do que aprendeu e do que vivencia. Suas falas e ações serão a principal contribuição para a elaboração de novas aulas, novas vivências e novos diálogos. Aqui o trabalho manifestado através da prática, promove a interação através dos jogos e das rodas e através da linguagem manifesta nesses momentos é possível desenvolver a criticidade e a emancipação de seus participantes e praticantes. Consequentemente é possível constatar uma transcendência de
limites que se dá pela vivência de novas práticas e redescoberta do papel social dos indivíduos na comunidade.
O artigo “Proposições Teórico-Metodológicas para o Trabalho com a Capoeira no Contexto do PIBID/UNEB-Educação Física” (2011) tem a autoria de Gleisiane de S. Almeida Silva, Márcio dos Santos Pereira e Nívia de Morais Bispo e tem como objetivo geral ressaltar a importância da capoeira para a construção de um ser crítico capaz de entender as contradições existentes na sociedade, além de proporcionar ao aluno a vivência de outros elementos da cultura corporal que não o esporte. A pesquisa buscava propor o trato com a capoeira em turmas de Séries Iniciais do Ensino Fundamental através de uma perspectiva teórico-metodológica de uma Pedagogia Histórico-Crítica. Nesse contexto, a capoeira é tida como viés para o desenvolvimento de um ser crítico e emancipado que insurja através de um roteiro de historicização, encenação, problematização e que resulte numa ampliação no campo existencial daquele que participa e numa transcendência de limites do mesmo.
O artigo “Possibilidades de organização do conteúdo capoeira na Educação Física Escolar” (2013) tem a autoria de Luchi Bernardes e Renato Lóss de Freitas e tem como objetivo geral apontar caminhos para o planejamento na Educação Física Escolar, no que tange a organização do conteúdo capoeira, como também, mostrar a relevância educacional da organização do conteúdo capoeira na Educação Física Escolar no processo de ensino aprendizagem, e apresentar uma proposta para sua justificação nas escolas brasileiras. A pesquisa buscava em trabalhos já escritos possibilidades de planejar aulas de capoeira na Educação Física Escolar cuja proposta possuísse significados e ação que justifiquem a aplicação da capoeira na escola e demonstrem a importância da mesma. Nesse trabalho, a preocupação com a organização adequada do conteúdo para que o mesmo atinja objetivo e relevância pedagógica casa perfeitamente com as ideias desenvolvidas por Kunz no sentido de que é preciso dar sentido e significado aquilo que se aprende e se ensina na escola e ampliar o campo existencial daqueles que nela desenvolvem suas potencialidades críticas através de um transcender de limites.
Em todos os trabalhos analisados nesse eixo é possível perceber que, embora eles não objetivem especificamente uma ação crítico-emancipatória, trazem consigo propostas de ação com buscas pedagógicas específicas. O primeiro trabalho apresentado propõe uma encenação, mas esta encenação só acontece depois de uma historicização e de uma problematização. O segundo trabalho apresentado propõe a realização de uma encenação no momento inicial do trabalho, mas esta proposta desenvolve os movimentos sem referência a uma ação lúdica. O terceiro trabalho apresentado aqui se refere a uma encenação e na própria encenação realiza
diálogos através dos quais fundamenta as ações das aulas seguintes, aproximando o que se pratica do que se vive. O quarto trabalho apresentado parte de um diagnóstico para um plano de aula pautado na pedagogia crítica que, portanto, também trabalha com uma encenação intensamente refletida através de problematização e feedbacks. O último trabalho apresentado organiza o conteúdo capoeira de acordo com ramificações de seu próprio estudo, subdividindo seus fundamentos em grupos e, por conseguinte, organizando para atingir objetivos pedagógicos determinados. Esta ação caracteriza-se como sendo pedagogicamente correta, pois organiza os meios para atingir determinados fins. Tocos os trabalhos partem de uma ideia de mundo vivido explicitado pelo Se Movimentar para um sistema em que o movimento humano é um discurso produzido pelo conhecimento histórico, subjetivo e crítico. O primeiro, o segundo e o quinto trabalho apresentados centralizam o conhecimento e o desenvolvimento da aula e do aprendizado na figura do professor, enquanto que o terceiro e o quarto trabalho apresentados centralizam o desenvolvimento do saber na figura do aluno.