Section II. Méthodologie de recherche
I.2. Les objectifs de la recherche et les méthodes d’enquête
I.2.4. L’enquête par questionnaire
Ao longo da História, a ansiedade tem constituído um foco de grande interesse do pensamento Ocidental, com grandes raízes quer na tradição médica, quer na tradição filosófica (Hetem & Graeff, 2004). Etimologicamente, o termo ansiedade deriva da raiz latina anxia, com a tradução portuguesa de anseio, que significa desejo ardente de algo (Cunha, 1998, citado por Mota Cardoso, 2001). Este radical coordena várias expressões latinas como anxiare, anxietas, anxiosus, que em português, confluem
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respectivamente as palavras ansiar, ansiedade e ansioso. Atendendo a todas estas expressões, verifica-se a alusão comum à noção de aperto, aflição, estreitamento, constrição (Cunha, 1998, citado por Mota Cardoso, 2001).
Darwin, em 1873 (citado por Telles-Correia & Barbosa, 2009), defendeu a presença da ansiedade num contínuo em todas as espécies animais, não a diferenciando do medo, correspondendo a um processo adaptativo fundamental para lidar com o perigo e lutar pela sobrevivência (Kessler, 2003, citado por Telles-Correia & Barbosa, 2009). Freud, no ano de 1936 (citado por Telles-Correia & Barbosa, 2009), discerniu a ansiedade objectiva da ansiedade neurótica, caracterizando a primeira através da sua relação com o meio ambiente, e a segunda pela sua origem puramente intrapsíquica, associada a uma predisposição genética e/ou um conflito sexual reprimido e não resolvido.
No dia-a-dia, é comum um determinado nível de ansiedade, sendo muitas vezes funcional, na medida em que motiva o indivíduo para a acção (Picado, 2007). A ansiedade caracteriza-se por um estado emocional inerente ao ser humano que inclui sintomas fisiológicos (Marks, 1987, citado por Montiel et al., 2005), psíquicos e somáticos (como medo, pânico, palpitações, sudação, tremores) (Picado, 2007), correspondendo a um estado de leve tensão emocional, vivenciado como um aperto, uma opressão ou uma contracção muscular que comummente se estende por todo o ventre, ressoando no interior e estendendo-se pelo peito, pescoço e face, provocando algum desconforto visceral, respiratório e mímico (Mota-Cardoso, 2001), estando assim associada a um grau elevado de excitação e reactividade autónoma (Sharma et al., 1995, citado por Montiel et al., 2005).
Segundo Mota-Cardoso (2001), a ansiedade conforma uma apreensão ou receio de que qualquer coisa desagradável estará para acontecer. Em níveis normais, quando adequada às circunstâncias em que a resposta é proporcional ao estímulo que a despoleta, e quando aceite como um acontecimento que assiste simplesmente o estímulo necessário para lidar com uma determinada situação, a ansiedade estimula de forma saudável a acção do indivíduo, sendo familiar à maior parte dos humanos (p.e., num exame ou numa intervenção em público) (Picado, 2007). Porém, a ansiedade afigura-se
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como patológica quando a resposta individual é desproporcional à situação que a desencadeia ou quando não existe um objecto específico na origem dessa resposta (Marks, 1987, citado por Montiel et al., 2005), ultrapassando os limites adaptativos e afectando negativamente o funcionamento do individuo, pela sua severidade e persistência (APA, 1994).
As Perturbações da Ansiedade podem assumir várias formas. O DSM-IV (APA, 1994) identifica uma serie de perturbações nas quais o grau elevado de ansiedade desempenha um papel central. Nomeando estas perturbações, reportam-se o Ataque de Pânico, a Agorafobia, a Perturbação de Pânico sem/com Agorafobia, a Agorafobia sem História de Perturbação de Pânico, a Fobia Especifica, a Fobia Social, a Perturbação Obsessiva-Compulsiva, a Perturbação Pós-Stress Traumático, a Perturbação Aguda de Stress e a Perturbação da Ansiedade Generalizada, além da Perturbação da Ansiedade Provocada por um Estado Físico Geral, a Perturbação da Ansiedade Induzida por Substancia e a Perturbação da Ansiedade Sem Outra Especificação (APA, 1994).
Focando a Perturbação da Ansiedade Generalizada, destaca-se a característica nuclear da ansiedade e da preocupação (apreensão expectante), experienciadas num grau excessivo sobre um conjunto de acontecimentos ou actividades que decorrem em mais de metade dos dias por um período de pelo menos seis meses (APA, 1994). A Perturbação é expressa por uma dificuldade em controlar a preocupação, que, em conjunto com a ansiedade, é assistida por sintomas como agitação, fadiga fácil, dificuldades de concentração, irritabilidade, tensão muscular e sono perturbado (APA, 1994).
Os sujeitos não identificam as preocupações como sendo excessivas, vivenciando mal-estar subjectivo relacionado com as preocupações constantes, difíceis de controlar, que, em intensidade, duração ou em frequência, se encontram nitidamente fora da proporção da probabilidade real ou impacto do acontecimento temido, tal como acontece com a ansiedade (APA, 1994). A ansiedade, preocupação ou sintomas físicos são responsáveis por mal-estar clinicamente significativo, ou limitação ao nível do funcionamento social, ocupacional, ou em qualquer outro campo (APA, 1994). No que
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diz respeito a características associadas, encontram-se aspectos tais como tensão muscular, tremores, contracções musculares e dores musculares (APA, 1994).
A ansiedade e a depressão constituem as perturbações psicológicas mais comuns, principalmente no âmbito dos cuidados de saúde primários (Dourado et al., 2010). Em amostras clínicas, a Perturbação de Ansiedade Generalizada é mais frequentemente diagnosticada em mulheres do que em homens (APA, 1994). Estudos epidemiológicos apontam para uma proporção de dois terços na prevalência desta perturbação nas mulheres (APA, 1994). A ocorrência do início deste quadro é comum depois dos 20 anos de idade, sendo a sua evolução crónica, mas flutuante, acentuando- se frequentemente durante períodos de stress (APA, 1994).
A Organização Mundial de Saúde e a União Europeia têm demonstrado preocupação com a realidade das doenças mentais (Pereira, 2006). A Organização Mundial de Saúde (2004, citado por Dourado et al., 2010) levou a cabo um estudo em sete países europeus, tendo averiguado uma prevalência entre 3% e 7,6% para estas perturbações. O relatório da Comissão das Comunidades Europeias (2005, citado por Pereira, 2006), debruçado sobre indivíduos afectados por doença mental, conglobando o total da população de adultos, com idades compreendidas entre 18 e 65 anos, dos países da UE, mais Islândia, Noruega e Suíça, num total de 301,7 milhões, apresentou uma prevalência de 1,96% da Perturbação de Ansiedade Generalizada, correspondendo a uma realidade de 5,9 milhões de indivíduos.
Uma análise reportada no DSM-IV (APA, 1994), numa amostra da comunidade, verificou uma prevalência da Perturbação de Ansiedade Generalizada, ao longo de um ano de aproximadamente 3%, e de 5% ao longo da vida. Outras investigações voltadas para a prevalência das perturbações ansiosas, com base nos critérios de diagnóstico da classificação Americana (DSM-IV, APA, 1994), têm apontado para taxas de prevalência ao longo da vida entre 13,6% e 21,2% (Dourado et al., 2010).
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