I. Introduction
2. L’enjeu des soins et du diagnostic précoces
No presente capítulo são apresentados alguns estudos relativos ao aproveitamento das águas pluviais.
2.10.1. Aplicação de SAAP a edifícios hospitalares
Magalhães (2013) desenvolveu um estudo sobre o dimensionamento de um SAAP no Hospital Pedro Hispano, localizado em Matosinhos.
De acordo com uma análise exaustiva aos diversos consumos do hospital, a autora chegou a conclusão que o uso final do aproveitamento da água seria nas torres de arrefecimento do
chiller de absorção e na rega de jardins. Para além de ter realizado o dimensionamento do
sistema, nomeadamente do volume de água a captar, volume do reservatório, tubagem, bombagem, etc., realizou uma estimativa orçamental e uma análise da viabilidade económico de todo o SAAP.
Do seu estudo concluiu que existem meses (os de menor precipitação – Verão) em que, mesmo para capacidades de reservatório bastante elevadas, não se consegue armazenar água pluvial e não é possível satisfazerem-se os consumos das torres de arrefecimento, afetando a eficácia do SAAP. Relativamente à análise de viabilidade económica (forma de aferir se a sua implementação seria ou não aconselhável), concluiu que a substituição da água potável por água pluvial arrasta consigo vantagens quer a nível económico quer a nível ambiental.
2.10.2. Análise de SAAP a edifícios de habitação
O principal objetivo do trabalho de Bertolo (2006) era clarificar os efeitos da instalação de SAAP em Portugal.
Para esse efeito, procurou analisar as diferentes alternativas de implementação de um SAAP, bem como os requisitos de tal sistema, numa perspetiva ambiental e também na ótica do utilizador, em termos de viabilidade económica e de aplicações possíveis para a água aproveitada.
funcionamento do SAAP em diferentes implementações.
O seu caso prático é numa moradia unifamiliar, no Porto, contemplando a instalação de um SAAP em diferentes cenários e avaliando as relações custo-benefício para o utilizador. Foram estudadas três hipóteses:
- Hipótese 0: sistema sem aproveitamento da água pluvial. A água da rede pública abastece todos os equipamentos. Este cenário servirá de base para se estimar o custo acrescido das soluções apresentadas nos outros dois cenários.
- Hipótese I: sistema com aproveitamento da água pluvial para consumo não potável excluindo banhos: a água pluvial abastece a rede de serviço, os autoclismos, a máquina de lavar roupa e o tanque de lavar roupa.
- Hipótese II: sistema com aproveitamento da água pluvial para consumo não potável incluindo banhos.
Em relação à análise económica, só se estudou para as Hipóteses I e II, para diferentes cenários: uma habitação unifamiliar, duas habitações unifamiliares geminadas e um conjunto de quatro habitações unifamiliares geminadas.
Deste estudo concluiu que a viabilidade económica do sistema depende essencialmente de três fatores: precipitação, superfície de recolha e lei de consumos. Quanto mais elevados estes fatores forem, menor é o prazo de recuperação do investimento.
2.10.3. Aproveitamento de água pluvial em usos urbanos em Portugal
Continental - Simulador para avaliação da viabilidade
O trabalho desenvolvido por Oliveira (2008) teve como objetivo principal a elaboração de um simulador, de fácil utilização, que pudesse ser usado para a análise da viabilidade em instalações domésticas ou coletivas, visando a sua aplicação em diferentes regiões de Portugal Continental.
O teste deste simulador foi efetuado para três casos de estudo: - Habitação unifamiliar, na aldeia Toito, distrito Guarda;
- Habitação unifamiliar, na povoação de Estômbar, distrito de Faro.
As curvas dos volumes diários dos três casos têm um comportamento semelhante. Como seria expectável, quanto maior for a capacidade do tanque, menor será o consumo de água potável. No entanto, há que adequar a gama de capacidades de tanque, quer à magnitude dos consumos, quer à área de captação. Isto pode ser conseguido fazendo a aplicação do simulador primeiro para uma gama mais alargada, dependendo do espaço disponível, e seguidamente aplicar para uma gama mais restrita, refinando os valores obtidos.
Na análise económica, constata-se que, em todos os casos de estudo, o custo de instalação do tanque e o custo total de água poupada aumentam com a capacidade de tanque. Quanto maior for a capacidade de tanque, maiores serão os custos associados à sua construção e instalação. Por exemplo: LNEC-Lisboa é o único em que o custo total de água poupada é sempre superior ao custo de instalação do tanque, portanto, em termos económicos, é o que apresenta uma situação mais favorável para a instalação de um SAAP.
Do ponto de vista económico, a instalação de um SAAP é particularmente favorável para instalações com elevados consumos e áreas de captação.
O simulador elaborado torna possível, mediante diferentes aplicações, avaliar o potencial local de aproveitamento segundo circunstâncias específicas. Tal facto ajuda a pessoa a escolher se, no seu caso concreto, é ou não favorável proceder à instalação de um SAAP e, em caso afirmativo, quais os benefícios para diferentes capacidades de armazenamento.
2.10.4. Outros projetos desenvolvidos em Portugal
2.10.4.1
Empreendimento cooperativo da Ponte da Pedra
O Empreendimento Cooperativo da “Ponte da Pedra”, em Leça do Balio (Matosinhos), surgiu em 2003 e, numa primeira fase, era composta por 151 habitações. É um empreendimento de qualidade reconhecida pela União Europeia, resultante de uma candidatura ao “Prémio Europeu de Sustentabilidade da Qualidade Habitacional”, que tem em linha de conta a qualidade construtiva aliada à economia de energia e consumo de água.
empreendimento nacional de "habitação sustentável", também em Leça do Balio. Trata-se de um projeto-piloto resultante de uma candidatura ao programa europeu "Habitação Sustentável na Europa", que envolve também a Dinamarca, a Itália e a França e estabelece uma série de regras ao nível da poupança de energia e recurso a fontes alternativas e de gestão ambiental.
O empreendimento de Leça do Balio terá, entre outras inovações, um reservatório enterrado para o armazenamento das águas pluviais e posterior encaminhamento para o sistema de rega de jardins e autoclismos das habitações e um sistema para o aproveitamento da energia solar. Este é um exemplo típico de sustentabilidade coletiva.
No dia 8 de Abril de 2006 foi apresentado o andar modelo relativo a este projeto inédito de habitação sustentável em Portugal.
2.10.4.2
Estádio AXA, Braga
O Estádio Axa, em Braga, construído pelo arquiteto Eduardo Souto Moura, tem como principal particularidade um SAAP. Este é vantajoso na medida que Braga é uma das cidades europeias que apresenta maiores índices de pluviosidade.
A cobertura foi executada com elementos pré-fabricados, que foram colocados na respetiva posição por deslize de cada um deles ao longo dos cabos. Para drenar as enormes superfícies da cobertura foi definido que os traçados dos cabos apresentariam uma variação da flecha central apenas para um dos lados, garantindo-se deste modo uma pendente constante do bordo inferior das duas lajes da cobertura. Isto permite que a água pluvial seja drenada na extremidade de cada cobertura, caindo em cascata para duas bacias de recolha de águas separadas.
Este é um dos estádios mais ecológicos do mundo, não só pelo aproveitamento das águas pluviais para a rega e lavagem das bancadas como pelo facto de ser um exemplo sustentável de recuperação duma pedreira, minimizando o impacte nos ecossistemas.