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l El canvi de representació de la muntanya a l'edat moderna

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4 - Quarta part: Les primeres representacions protopaisatgís- protopaisatgís-tiques de les muntanyes catalanes

4. l El canvi de representació de la muntanya a l'edat moderna

maneira de conhecer a cidade, um paradoxo parece instalado desde o ponto de partida. Contradição que caracteriza a psicologia desde sua inauguração como disciplina científica, funda-se na cisão entre objetividade e subjetividade, as esferas cognitiva e afetiva, emoção e razão. Desse modo, o conhecimento científico legítimo seria aquele produzido com a ênfase na racionalização e instrumentalização de seu processo, o que colocaria, em última análise, os aspectos afetivos como um empecilho ao seu desenvolvimento.

Sem a pretensão de iniciar uma discussão epistemológica no campo da ciência psicológica, a ambiguidade do questionamento de Bomfim (2010) reside exatamente na justaposição da afetividade e conhecimento. Ao fazê-lo, borram-se as fronteiras convencionais da produção do conhecimento em psicologia e coloca-se em evidência a

possibilidade do afeto (que outrora fora um ―câncer da razão‖) como um modo de compreender a relação das pessoas com a cidade.

Trata-se do que Sawaia (1995) denominou de racionalidade ético- afetiva na cidade, capaz de gerar espaços onde ressoem os interesses e necessidades da coletividade. Essa postura possibilita a invenção de zonas de movimento e a recriação permanente da existência coletiva no território da cidade (Sawaia, 1995). No mesmo sentido, Bomfim (2010) pontua que o uso da categoria de afetividade na psicologia ambiental e social retrata a síntese do encontro entre o indivíduo e a cidade. Ela integra aspectos do conhecimento, percepção e orientação no espaço na tentativa de atenuar os entraves epistemológicos no modo de conceber o espaço e como as pessoas se relacionam com ele. Assim, propõe-se a afetividade como uma categoria que norteia a construção da identidade de lugar em contextos urbanos.

A articulação entre identidade de lugar e afetividade é feita por Ponte et al. (2009), que pensam a identidade a partir da tensão entre espaço, lugar e não lugar. A proposta dos autores é considerar a possibilidade de sua abertura conceitual, entendendo que os atributos definidores de identidade e de lugar estão em constante negociação e interação, afetando-se mutuamente.

Com base na leitura histórico-cultural da realidade, Ponte et al (2009) compreendem que as relações pessoa-ambiente são marcadas pelo movimento dialético na produção dos lugares. Assim, a interação com o espaço não se dá simplesmente pela ocupação corporal, mas principalmente pela significação e apropriação do espaço, o que lhe garante caráter de lugar, produtor de sentidos. A formação de laços com o ambiente físico, que se desdobra na produção da identidade de lugar, não se dá descolada de uma compreensão ético-política dos afetos, o que abre caminho para a apreensão dos modos como as pessoas se engajam com os lugares de sua história, vivenciam a alteridade e agem sobre sua realidade socioespacial.

Ideia difundida por Sawaia (2000), a aliança entre ética e política na compreensão da afetividade não pretende ser um recurso gramatical para aproximar dois conceitos de natureza distinta, mas uma junção ontológica que reforça seu caráter de categoria analítico-valorativa. Para a autora, a dimensão ética da afetividade indica a preocupação com ―a virtude como dimensão da verdade‖, e a dimensão política ressalta ―a preocupação com a justiça e o poder‖ (Sawaia, 2000).

Desse modo, a afetividade é um ponto de transmutação do social e do psicológico, pois ao mesmo tempo em que é um vetor que potencializa a capacidade de ação (dimensão política), favorece o

encontro dos indivíduos com sua capacidade de manutenção do ser, o que remete a si mesmo e à coletividade (dimensão ética). Por isso, salienta Bomfim (2010), a afetividade é uma dimensão mediadora na ação-transformação.

É um conceito filiado à tradição da filosofia de Espinosa, que entende o afeto como afecções do corpo pelas quais a potência de ação aumenta ou diminui, é favorecida ou entravada (Sawaia, 2000). Diferente de outras correntes filosóficas que consideram os afetos como ―distúrbios da alma‖, em Espinosa eles são inerentes à condição humana. Nesses termos, entende-se que a afetividade é o tom emocional da existência humana e é vivenciada como sentimentos e emoções. Estas como fenômeno afetivo intenso e breve, centrado em um objeto e que interrompe o fluxo normal dos acontecimentos; aquelas como reações moderadas de prazer e desprazer em relação a dado objeto (Sawaia, 2000).

Na compreensão das dinâmicas urbanas, pode-se tomar o afeto como aquilo que medeia a intersubjetividade, sendo que na posição do outro se situam outras pessoas ou a própria cidade. Bomfim (2010) expõe que a cidade não é somente um palco de interações, mas uma parte com a qual forma-se uma totalidade em que eu e mundo, espaço construído e subjetividade formam uma ―unidade pulsante‖. Extrapolando para o cotidiano na cidade, a afetividade é mais que o vínculo do habitante com seu lugar, são ―[...] todos os sentimentos e emoções que, em seu conjunto, demandam disposições afirmativas ou negativas, positivas ou negativas, que configuram uma afetividade em relação ao espaço construído e vivido‖ (Bomfim, 2010, p. 55).

Vale ressaltar que positivo e negativo não são juízos de valor em relação aos sentimentos e emoções disparados na relação pessoa-cidade. São classificações guiadas por objetivações sociais e se relacionam com a experiência concreta dos indivíduos. Como salienta Sawaia (2000), a análise das emoções deve ir além dos significados cristalizados que garantem a elas um sentido único (a Alegria, a Vergonha). A autora exemplifica que o mesmo sentimento ou emoção podem ser bons ou ruins: bom quando emerge em relações de igualdade e aumentam a potência de ação; e ruins quando explicitam relações de humilhação e sofrimento, que despotencializam a capacidade de agir.

Essa nuance afetiva aparece como discurso no estudo conduzido por Tassara et al. (2004) em um bairro paulistano. Os autores identificaram que as marcas afetivas dos moradores em relação à vizinhança e ao local de moradia são definidas sob a forma de saudades do passado, familiaridade com os espaços públicos ou privados e na

percepção das modificações ocorridas na localidade, entendidas de maneira negativa. Desse modo, os autores assumem o afeto como elo total na relação das pessoas com a cidade, pois é o vetor que atravessa, de maneira mais ou menos intensa, a relação das pessoas com os locais onde moram e transitam.

Enfocar a afetividade por esse prisma permite considerar a cidade como lugar de encontros, da produção de relações, onde o outro se impõe como diferença. Como enfatiza Bomfim (2010), as pessoas não se afetam sozinhas, e é por isso que a afetividade é um termômetro para a ética, política e cidadania. Ela indica as formas de engajamento das pessoas na cidade e sinaliza para a abertura dos corpos ao regime do sensível.

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