CHAPITRE V: La remédiation et la stabilisation électrochimique des échantillons
V.3. L’effet du traitement électrochimique sur l’amélioration et la stabilisation du
Como já exposto, esta pesquisa faz parte de estudos relacionados à bacia hidrográfica do Alto do Rio Doce, visto que o Rio Matipó é um afluente da margem direita dessa bacia. Nos próximos parágrafos foi apresentada uma síntese dos principais
estudos realizados na área e de alguma forma relacionados a análise ambiental, objeto desta pesquisa.
A bacia hidrográfica do Rio Doce drena os estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Ela possui uma área de drenagem de 83.400 km2 e cerca de 850 km de extensão. Dessa extensão, 86% pertencem a Minas Gerais, banhando 202 municípios mineiros (CBH-DOCE, 2008). Devido às distintas características morfoestruturais, ela é dividida em três regiões: baixo, médio e alto (COELHO, 2009).
O povoamento da região foi favorecido com a implementação da ferrovia Estrada de Ferro Vitória/ Minas, pela implantação de siderurgias e pelas atividades de agricultura e pecuária (COELHO, 2009). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2010), a população em torno da bacia hidrográfica é em torno de três milhões de pessoas.
Essa região possui uma relevância histórica, política, econômica e social no estado de Minas Gerais (COELHO, 2009). Suas águas são utilizadas para o abastecimento de populações, para gerar energia elétrica e para o uso nos setores industriais e do agronegócio (COSTA, 2000).
A economia da bacia hidrográfica é diversificada. Há inúmeras indústrias nos setores da siderurgia, metalurgia, alimentação, indústria alcooleira, de celulose e na mineração. Em relação ao setor minerário, destaca-se a mineração de ferro no Quadrilátero Ferrífero/MG. No que diz respeito às atividades agropecuárias, destacam- se os cultivos de café e de cana-de-açúcar, a suinocultura e a pecuária de leite e corte (COSTA, 2000).
Devido ao uso múltiplo em toda a BH do Rio Doce, houve uma pressão ambiental que ocasionou alguns problemas, tais como: contaminação da água por efluentes industriais, domésticos, por agrotóxicos e fertilizantes; desmatamento, erosões, assoreamento, falta da conscientização da população usuária, dentre outros (CBH- DOCE, 2008).
Por apresentar esses problemas a região da BH do Alto do Rio Doce serve como fonte de diversos estudos por parte de universidades, indústrias, poder público e sociedade civil (BORBA et al., 2000; DESCHAMPS et al., 2002; PIMENTEL et al., 2003; COSTA et al., 2006; PARRA et al., 2007; ROESER et al., 2007; WINDMÖLLER, 2007 e GONTIJO et al., 2013). Outros trabalhos com o tema análise ambiental serão apresentados a seguir.
No Rio Piranga, importante afluente da bacia hidrográfica do Rio Doce, os estudos verificaram a influência da litologia nas águas e sedimentos. Foi verificado que as concentrações de sódio, cloreto e a condutividade foram elevadas, tendo em vista a Resolução CONAMA 357/05. Constatou-se que a qualidade da água desse rio tem interferência da litologia local como também da ação antrópica (FUKUZAWA et al., 2007).
Lima (2009) estudou algumas variáveis físicas e químicas do Rio Piracicaba, também tributário do Rio Doce, em Minas Gerais. Essas variáveis serviram para classificá-lo em classe II, segundo a Resolução do CONAMA 357/05. Foi verificado que o uso e a ocupação do solo influenciaram a qualidade da água. Destacaram-se as variáveis concentração de sólidos totais dissolvidos, turbidez e condutividade elétrica, possivelmente influenciadas pelos processos erosivos e despejos domésticos da região.
Também no Rio Piracicaba, Da Silva et al. (2009) determinou algumas variáveis físicas, químicas e biológicas da água. Nesse trabalho, os autores concentraram seus estudos nas partes média e baixa dessa bacia. Foram encontrados altos níveis de arsênio, níquel, cromo, cobre e cádmio, possivelmente por influência da litologia local. Também foram detectados altos valores de concentração de coliformes totais oriundos da poluição antrópica doméstica.
Gontijo (2012) verificou a interação das substâncias húmicas aquáticas (SHA) e elementos metálicos na porção leste do Quadrilátero Ferrífero/MG. Nesse trabalho foi verificado que as SHA influenciaram na biodisponibilidade de metais em meio aquático. Foi constatada uma relação entre enxofre e as SHA. A característica pedológica da região influenciou a mobilidade de materiais orgânicos e o autor não observou influência antrópica nas amostras analisadas.
Na parte leste do Quadrilátero Ferrífero, Silva (2013) também verificaram a relação entre carbono orgânico dissolvido (COD) e elementos metálicos. Este estudo ocorreu em brejos, lagoas e córregos nas seguintes sub-bacias: Rio Piracicaba, Rio Gualaxo do Norte, Rio Conceição, Ribeirão Caraça, Rio Maquiné e Rio Barão de Cocais. Observou a correlação positiva entre os metais alumínio, bário, cálcio, estrôncio, potássio e zinco com o COD. Concluiu-se que a composição do COD e as concentrações dos metais são influenciadas pela sazonalidade. Constatou-se também que a pedologia e o tipo de ambiente da região influenciaram os dados obtidos.
Estudos realizados em 2012 e 2013, no Rio Oratórios, verificaram que as atividades antrópicas influenciaram na qualidade da água. Foram encontradas altas
concentrações para coliformes totais e E. coli provavelmente oriundos dos despejos de esgoto doméstico sem tratamento prévio nessa bacia hidrográfica (LACERDA et al., 2013).
Na região do Quadrilátero Ferrífero que abrange a Bacia do Rio Doce foram encontradas altas concentrações de arsênio, provenientes de fontes naturais devido à litologia da região que hospeda depósitos auríferos sulfetados (PALMIERI, 2006). Entretanto, tem-se também a influência antrópica por meio da deposição de pilhas de rejeitos oriundos da mineração.
Para verificar as concentrações de arsênio nessa região foram realizados diversos estudos, como os de Deschamps et al. (2002), Pimentel et al. (2003) e Costa (2006). Borba et al. (2000) constataram que na região do QF, com a atividade da mineração, foram lançados nos corpos hídricos em torno de 3.900 toneladas deste elemento.
Diante deste fato, Borba, Figueiredo e Calvalcanti (2004) verificaram a concentração de arsênio em alguns pontos nos municípios de Ouro Preto e Mariana. Detectaram altas concentrações de arsênio em córregos em Passagem de Mariana (distrito da cidade de Mariana). Nestes pontos foi feita a especiação deste elemento e foi detectado 35 a 86 μ/L de As3+
. Essa espécie de arsênio é considerada a forma mais nociva a organismos.
Em relação à especiação dos metais, Windmöller (2007) fez um estudo sobre o mercúrio em amostras de sedimentos em alguns garimpos de ouro. Foram encontrados valores elevados de mercúrio, em torno de 1,1 μ/L. Segundo o autor, a origem deste metal é natural, devido à presença de óxidos de manganês, e também antrópica, devido aos garimpos no Quadrilátero Ferrífero.
Ainda no Quadrilátero Ferrífero, Palmieri et al. (2006) verificaram a biodisponibilidade do arsênio e do mercúrio. Seus resultados demonstraram que estes foram absorvidos por espécies de plantas, peixes e anfíbios.
Alguns aspectos dessas sub-bacias estudadas são semelhantes aos da bacia hidrográfica do Rio Matipó, como, por exemplo, os tipos das atividades e processos impactantes como o desmatamento, assoreamento e o lançamento de esgotos domésticos e/ ou industriais; os problemas ambientais como a poluição das águas; a sua formação geológica que se assemelha ao Rio Oratórios e distingue dos estudos realizados no Quadrilátero Ferrífero.
Em relação a estudos na bacia hidrográfica do Rio Matipó, as pesquisas existentes não fornecem informações integradas da região. São geralmente estudos
pouco detalhados, como o caso do Plano de Ação do Rio Piranga, ou relatórios realizados por empresas devido ao potencial de geração de energia hidroelétrica da região; além de estudos realizados na Bacia Hidrográfica do Rio Doce que forneceram dados referentes à região, como as pesquisas realizadas por Pereira, Vieira e Reis (2007), que estudaram a ictiofauna da bacia do Rio Doce e citaram o Rio Matipó. O próprio Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM) fornece dados da bacia hidrográfica referentes a apenas um ponto de amostragem para indicar a qualidade da água de toda a bacia hidrográfica.
Diante deste fato, justifica-se a realização de estudos nessa área para que se possam respaldar tanto os órgãos de controle ambiental quanto o comitê de bacia relativo à região em questão, a fim de promover adequações nas políticas públicas e no plano diretor da bacia hidrográfica.