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par l’assurance maladie

Na difusão das estruturas computacionais na sociedade, a internet vem se vinculando aos artefatos16 tradicionais e aos processos de produção de conteúdos jornalísticos na TV, como condicionante da configuração de novos modelos paradigmas, como fase atual do telejornalismo apontado por Rezende (2010). Esta vinculação de renovação de modelo pode ser orientada para otimizar as relações, harmonizando o sistema competitivo multimidiático (HERREROS, 2004), evitando o que Monzoncillo (2011) chama de canibalismo de audiência, no modelo de sustentação da rede televisiva aberta brasileira, em que as mídias digitais podem competir com as mídias tradicionais, nas junções dos meios nos grupos de comunicação. No contexto atual da TV que envolve as duas fases apontadas por Mattos (2010): a) fase convergência e da qualidade digital; e b) fase da portabilidade, mobilidade e interatividade digital17.

A proliferação de dispositivos digitais e a facilidade de distribuição de conteúdos pela internet são dois pontos que impactam na função e no público da televisão no complexo sistema de mídias na sociedade. Na perspectiva de Mattos (2010), o desenvolvimento tecnológico que começou a modificar a vida das pessoas, ao longo da convergência entre a televisão e a internet. Esta convergência entre os meios contribuem para a busca pela interatividade cada vez maior, com base nas NTIC’s, em que se destaca a internet, como fator de alteração/corrosão do modelo de sustentação, em meio à integração entre a televisão e a internet. Segundo previsões, “o processo de migração deveria demorar de dez a quinze anos e movimentaria recursos da ordem de $ 80 a 100 bilhões, incluindo investimentos das emissoras em infraestrutura para reformular os sistemas de transmissão e renovação do parque de televisores nos lares brasileiros” (MATTOS, 2010, p.161).

Nos últimos anos, a TV, como aparelho, vem ampliando a função de suporte para outros dispositivos, tais como VHS, DVD, Games, e mais recentemente a internet, deixando de ser unicamente receptor dos conteúdos radiodifundidos. Desta maneira, as características da TV vêm se ampliando com as tecnologias digitais de alta definição de captação e distribuição de imagem e som, com programação atravessando as madrugadas, múltiplos canais, DTV, Televisão fechada, televisão portátil, disponibilizada em telefones celulares, colocada no interior de metrôs, ônibus e até automóveis (HOHLFELD, 2010).

A invenção da Internet e posterior adoção coloca a televisão em um contexto diferenciado, que reconfigura a televisão na perspectiva de redução dos conteúdos

16 Para a presente tese instrumentos, artefatos, plataformas e dispositivos são compreendido como termos

semelhantes.

17 Embora Matos (2010) aponte como fases distintas e sequenciais, ambas as fases estão em cursos para a

generalistas para todo tipo de público (HERREROS, 2001). Neste cenário, a TV pode estar juntamente com um complexo conjunto de fatores sociais, culturais, políticos e econômicos, em uma alteração ou reconfiguração dos conteúdos e das rotinas produtivas.

A convergência tecnológica implica uma reorganização do processo de produção e distribuição jornalística, favorecendo o surgimento de novos modelos de produção jornalísticas, com a proliferação dos recursos característicos das mídias digitais, tais como distribuição multiplataforma. No caso específico do jornalismo de TV, além dos recursos de distribuição multiplataforma, as grandes redes televisivas vêm incorporando, na produção noticiosa, imagens de amadores, produzidas com telefones celulares, que não seguem quaisquer dos critérios profissionais de controle e verificação da informação (GOMES, 2011). A princípio, tais reconfigurações e alterações estão centradas na lógica da transposição, calcada na crença de que a TV estava sendo digitalizada para a internet. Entretanto, a internet também está indo para a TV, o que gera uma complexidade maior aos produtos da TV, como os noticiários, que se encontra em um cenário de coexistência/junção de meios com funções tradicionais e digitais, possibilitando fluxos de conteúdos multiplataformas e um descolamento do noticiário, com o seu meio de origem: a TV.

No atual cenário, o jornalismo de TV ainda resiste, para alguns autores, como elemento fundamental na distribuição de informação noticiosa, nas atuais sociedades liberais democráticas18. Os noticiários das redes televisivas nacional constituem-se como “um lugar de referência para os brasileiros muito semelhante ao da família, dos amigos, da escola, da religião e do consumo” (VIZEU; CORREIA, 2008, p. 12). Para Porcello (2006), os

18

A expressão sociedade democrática liberal está relacionada à junção de três termos, primeiramente a sociedade civil, que são aqueles indivíduos “que se reúnem num só corpo e adotam uma lei comum estabelecida e uma magistratura à qual apelar, investida da autoridade de decidir as controvérsias que nascem entre eles, se encontram uns com os outros em Sociedades civis”; (LOCKE, 1983, p. 132-133). Este corpo, ao qual fazem parte os membros da sociedade, possui tensões no que se referem aos interesses e direcionamento do Estado e, dificilmente, constituiriam um único corpo homogêneo. O termo democracia, na presente tese é compreendido na proposta de Bobbio (2006) é estabelecer uma definição mínima de democracia. Assim, a democracia é entendida como um conjunto de regras (primárias ou fundamentais) que estabelece quem está autorizado a tomar as decisões coletivas e com quais procedimentos (BOBBIO, 2006). O termo liberal está relacionado ao Estado liberal e Estado democrático, que são interdependentes basicamente em dois aspectos: o primeiro é a necessidade de garantir certas liberdades para o exercício do poder democrático dos cidadãos autorizados a decidir; o segundo aspecto é que se torna necessário o poder democrático para garantir a existência e a manutenção das liberdades fundamentais. Nesta perspectiva, dificilmente um estado não liberal pode assegurar um funcionamento pleno da democracia, porque é pouco provável que um estado não democrático seja capaz de garantir as liberdades fundamentais. “A prova histórica desta interdependência está no fato de que o estado liberal e o estado democrático, quando caem, caem juntos” (BOBBIO, 2006, p. 21). Neste sentido, o jornalismo se apresenta como um dos fatores da construção do espaço público, exercendo um importante papel na elaboração das regras de visibilidade e transparência, sociabilizando informações para construção da realidade social em democracias liberais (MARQUES, 1997).

noticiários “são hoje a principal fonte de informação da sociedade brasileira: mais barata, mais cômoda e de fácil acesso [...]. O telejornalismo ocupa hoje um lugar central na vida dos brasileiros” (PORCELLO, 2006, p.13). Segundo Lage (2004), os noticiários de horário fixo, como os evening news (boletins do começo de noite), são os de maior audiência, entre os jornais de TV. No reforço a essas perspectivas, a Pesquisa Brasileira de Mídia de 2014 e 2015 aponta que 79% dos brasileiros assistem TV para ver notícias, e 67% dos internautas acessam sites em busca de notícias (BRASIL, 2014b). A Pesquisa Brasil (2014a, 2014b) também mostra melhorias na confiança dos brasileiros nas notícias da TV, com 49% na pesquisa de 2014 e 54% para a pesquisa de 2015; com relação às notícias na internet, a confiança aponta ascensão, como na TV, na pesquisa de 2014 registra-se 28% e na pesquisa de 2015 atinge 30%. Curado (2002) lembra que o noticiário faz parte da programação da TV brasileira pela qualidade do produto, necessidade social, audiência numérica, mas também por uma determinação legal, do decreto lei 52.795 de 31.10.1963. O mesmo refere-se ao regulamento dos serviços de radiodifusão, e estipula que as emissoras dediquem 5% do horário da programação diária ao serviço noticioso (CURADO, 2002).

Monzoncillo (2011) faz uma reflexão sobre as mutações relacionadas ao meio televisivo que foi a referência do século passado; com o advento da internet se estabelece uma reformulação na cadeia de valores tradicionais, que separavam produção, distribuição e público, em que “os públicos generalistas e massivos dão origem a novos cidadãos que exigem a liberdade de escolha e de participar” (MONZONCILLO, 2011, p.2)19. Deste modo, estabelece-se o desenvolvimento das televisões temáticas que pressupõe uma lógica distinta da televisão de massa e começa a estruturar a televisão de uso flexível aos interesses pessoais (on demand / dieta de conteúdo). A TV está passando por um processo de fragmentação e digitalização de conteúdos, além de menos coletiva e mais individual (pessoal/personalizada). As telas ampliaram-se em termos de tamanho da imagem, e multiplicou-se em muitos dispositivos, incluindo os dispositivos móveis. Os processos digitais, coexistentes com os modelos e processos anteriores, estão viabilizando as condições de alteração da TV e os conteúdos produzidos, relacionados aos fatores culturais, políticos e econômicos.

A alteração na cadeia de valores tradicionais da TV, oriunda da adoção social da tecnologia, em especial, no que se refere à produção de conteúdos, coloca certa dificuldade em conceituar o próprio meio.

19 Do original: “las audiencias interclasistas y masivas dan lugar a nuevos ciudadanos que reivindican la

Esta evolução nas redes e dispositivos resultou em novas formas de entretenimento que questionam o próprio conceito de TV. Se trataria do conceito de ‘nossa Televisão’ em relação ao passado: ‘minha TV’ e ‘sua televisão’. Esta seria a nova maneira de entender a nova televisão, opinativa, mas o ponto crucial está na produção de conteúdo. (MONZONCILLO, 2011, p.2)20

Neste sentido, se estabelece o desafio de refletir o telejornalismo, bem como o suporte original televisivo, no atual contexto tecnológico, frente às inovações, invenções e adoções que estão transformando tanto o meio como o veículo jornalístico. Por meio do presente panorama permite organizar as fases da televisão e o telejornalismo de rede nacional brasileiro, com base em: produção, atuação profissional, distribuição, suporte, referência de noticiário, notícia, captação de imagem e modelo de sustentação; para precisar o atual estágio do meio e veículo jornalístico no percurso da compreensão das rotinas produtivas flexíveis. Ao longo deste primeiro capítulo evidencia-se que o modo de adoção social, os aspectos econômicos, culturais e a práticas profissionais, direcionaram as possibilidades das inovações e invenções tecnológicas, distinto de uma abordagem determinista ou fatalista tecnológica, que exclui o papel dos agentes sociais.

Tabela 01 – Fases da TV e do jornalismo televisivo estruturado com base na distribuição

DISTRIBUIÇÃO DO TELEJORNAL NO BRASIL

Regional/Local 19 de setembro de 1950

Rede Televisiva – 1 de setembro 1969

Rede Televisiva Flexível – 2 de dezembro de 2007

Fases da TV brasileira – Mattos21 (2010)

Fase elitista – (1950 - 1964) Fase populista – (1964 -

1975) Fase do desenvolvimento tecnológico – (1975 - 1985) Fase da transição e da expansão internacional – (1985 - 1990) Fase da globalização e da TV paga – (1990 - 2000) Fase convergência e da qualidade digital – (2000 - ....) Fase da portabilidade, mobilidade e interatividade digital – (2010 - ....) Fases do Jornalismo televisivo – Rezende (2010) Influência radiofônica – (1950 -1969) Busca da linguagem própria – (1960 - 1969) Telejornalismo em redes – ( 1969 - 1983) Alternativa no horário nobre – (1983 - 1990) Ancoragem à brasileira –

Busca de novos modelos –

(2002 - ....)

20 Do original: “Esta evolución de redes y dispositivos ha dado lugar las nuevas formas de entretenimiento que

cuestionan el proprio concepto de televisión. Se trataría del concepto de “nuestra televisón”, frente a los del pasado: “mi televisión” y “su televisión”. Ésta sería la nueva forma de entender la nueva televisión, etiquetada, pero el punto crucial está en la producción de contenidos” (MONZONCILLO, 2011, p.2) [Tradução nossa]

21 Os termos elitista e populista estão preservados na presente tese, com base na perspectiva de Matos (2010),

(1990 - 1997)

Canais segmentados –

(1997 - 2002)

Estrutura dos telejornais até as rotinas produtivas

flexíveis

Referência: O Reporte Esso

(TUPI), embora o primeiro tenha sido o Imagens do Dia (TUPI), foi o Jornal de Vanguarda (Excelsior) que rompeu com o rádio.

Característica da Notícia: Radiofônica em busca da televisiva (profissionais do rádio) – Estúdio. Gravação: Filme – analógica – óptico – revelação.

Produção: relação quase

nula com outros veículos, quanto ocorria eram adotados canais de integração como transporte aéreos e terrestres - canais mecânicos de integração. Distribuição: sistema analógico de antenas de transmissão. Atuação profissional: polivalência funcional e temática.

Suporte : TV preto e branco Redação: sem redação

própria Modelo de sustentação 1 – patrocínio (grande interferência no telejornal). Referência: Jornal Nacional. Característica da Notícia: Televisiva (profissionais do rádio) – Estúdio / repórter / Correspondentes /ao vivo.

Gravação: VT – analógica –

eletromagnético

Produção: relação com

outros veículos, por canais de integração por rebatimento de sinais analógico vía satélite - canais analógicos de integração. Distribuição: sistema analógica satélite. Atuação profissional: polivalência funcional e temática. Suporte : TV – preto e

branco – transição para colorido – predominância do colorido a partir do Jornal Nacional.

Redação: específica por

meios.

Modelo de sustentação 2 –

anúncios (menos influência).

Referência: em

flexibilização, busca de um novo modelo.

Característica da Notícia:

televisiva em busca de uma possível linguagem convergente. (web cam/ imagens de celular/ ampliação das fronteiras – novo ao vivo).

Gravação: HD –Digital. Produção: relação com

outros veículos, por canais

digitais de integração.

Distribuição: sistema digital

– multiplataforma – dois sistemas (em transição de sistemas). Atuação profissional: polivalência multimídia, compilando os tipos funcional, temática e midiática. Suporte : multiplataforma. Redação: integrada

verticalmente por canais.

Modelo de sustentação 3 –

em flexibilização

conservadora, busca de um novo modelo.

Fontes: do Autor com base em Rezende (2010) e Mattos (2010)

O panorama traçado sobre o desenvolvimento sócio-técnico da TV e do jornalismo televisivo, esquematizado na tabela 01 acima, permite a contextualização do ambiente tecnológico televisivo em que a atual sociedade convive, demonstrando o modo como a sociedade se inter-relaciona com o desenvolvimento da TV em rede televisiva, em diversos fatores políticos, econômicos e culturais, bem como os processos de inovação, invenção e adoção das novas tecnologias digitais, em especial as vinculadas ao noticiário de TV, em um processo sócio-técnico. Assim, o presente capítulo abre o caminho para o debate do atual

contexto em que o telejornalismo se encontra, com base na síntese da Tabela 01: Rede Televisiva Flexível.

Com base na tabela 01, o atual estágio do telejornalismo depara-se com a busca de novos modelos, para além do último modelo consagrado dos anos 70, em uma configuração que envolve portabilidade, mobilidade e interatividade digital. Paralelo ao cenário do jornalismo de TV encontra-se o meio televisivo em um estágio de processo de convergência e qualidade digital. Os aspectos do entorno de meio e veículo, apontam para distribuição de conteúdos em formato digital para multiplataforma, em que as redações das redes televisivas estão integradas verticalmente, em meio à busca de um novo modelo de sustentação dos grupos de comunicação. Este é o atual contexto que a pesquisa se debruça.

O capítulo seguinte traça a abordagem sobre o jornalismo e a notícia, na perspectiva da construção social da realidade. Para compreender e consolidar um repertório para compreender a cadeia produtiva do telejornalismo das redes televisivas de início de noite, no atual contexto de convergência, em que se evidenciam as Rotinas Produtivas Flexíveis.