B. Les déterminants de la collaboration
4. L’aspect organisationnel
Os professores de CFQ foram questionados quanto ao conhecimento da simbologia da Química e da Física Braille. Todos os professores de CFQ referiram não ter conhecimento da simbologia da Química e da Física Braille. Aos alunos cegos, perguntou-se se sabiam representar a terminologia específica da Física e da Química em Braille. Cinco dos alunos afirmaram saber representar a simbologia enquanto três dos alunos disseram saber alguma coisa relacionada com simbologia da Química e da Física Braille. Um dos alunos cegos, explicou que alguns dos símbolos utilizados na Física e na Química são comuns à matemática e por isso, dominava-a, explicando assim:
“Sabia mais ou menos, os sinais já os sabia de cor. Já sabia por causa da matemática.”A2
Não foi feita qualquer questão nem aos alunos cegos, nem aos professores de CFQ, quanto às dificuldades que a simbologia da Química e da Física Braille poderia oferecer. No entanto, os professores de CFQ e os alunos cegos aproveitaram esta questão para mostrar que este é um assunto que acrescenta dificuldades à disciplina de CFQ. Assim, na tabela 27, apresentam-se algumas dificuldades sentidas pelos professores de CFQ e pelos alunos cegos.
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Tabela 27: Dificuldades que a simbologia da Química e da Física Braille oferece a professores de CFQ e alunos cegos
N=11 N=8
Dificuldades Professores Alunos
Falta de formação dos professores nesta área 1 -
Utilização complicada 3 2
Alguns símbolos são comuns à matemática - 1
Dificuldade na utilização correta dos índices e expoentes 2 2
Grande variedade de símbolos - 1
Falta de conhecimentos científicos por parte das pessoas que transcrevem os
materiais de CFQ 1 -
O conhecimento do abecedário em Braille não é suficiente para aprender a
simbologia da Química e da Física Braille. 1 -
Não existir correspondência do livro a negro e em Braille 1 -
Um dos professores referiu que os professores que se verifica falta de formação dos professores de CFQ nesta área. A título de exemplo o professor P1 referiu:
”(…) nenhum dos professores do CT tinha alguma formação nesse campo, não percebíamos nada de Braille e não percebemos ainda, alguns professores e eu também, fiz o abecedário mas muito devagar (…)”
Alguns professores e alunos referiram que a utilização da simbologia da Química e da Física Braille é de complicada, conforme se pode ver nas seguintes transcrições:
”Ainda tentei e tal mas depois pus de lado. É um bocado difícil. Eu comecei a ler e como não tenho muito tempo para explorar(…). Uma altura tive lá com a PA e tivemos a ver daquilo o que interessava para o aluno cego. (…)claro que não exploramos as mais complicadas.”P5
”Olha, eu só tenho uma crítica a fazer, acho que a linguagem Braille às vezes nessas coisas têm muita complicação, dá muitas complicações. Tinha muitos sinais, em Braille (…).Complicava-me e não era pouco.” A1
”Os sinais em Braille e tudo é totalmente diferente dos sinais, pronto, da escrita normal e depois baralha muito. É preciso aprender, é quase como uma grafia nova. Atrapalhou, bastante. Porque eu só comecei com o Braille exatamente no 7º ano. Porque até lá eu ainda consegui ver, para escrever e para ler. Só que depois pronto, perdi e tive mesmo que começar com o Braille. E então nesse ano foi começar tudo, foi na Matemática, foi na FQ, foi muita coisa. Às vezes escrevia a palavra toda. Escrevia, porque facilitava-me mais para mim.”A3
O argumento de que alguns símbolos são comuns à matemática serve para justificar a dificuldade sentida pelo aluno A5:
”Sim, em alguns símbolos matemáticos que eu nunca sei muito bem.”A5
Alunos e professores explicaram que existe dificuldade na utilização correta dos índices e expoentes, conforme se pode ver nas seguintes transcrições:
”A escrita da Química usa índices e é muito complicado em linguagem Braille porque índices não existe, ele tem que pôr um sinal antes para dizer a palavra ou o número, que a letra que vem a seguir é um índice e está em baixo ou está em cima. Ele não consegue por uma reação Química linear, têm que estar sempre dividida, não consegue. Têm montes de sinais para isto e para aquilo e é muito complicado.”P1
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” como é que eu explicava ao aluno cego como é que era por exemplo O2 Em índice? E os expoentes? Depois por os iões H+. Essa simbologia eu não fazia a mínima e mesmo ela (PA), ela ainda por cima, ela era de letras, era de Francês, acho eu, e por isso eu tive que primeiro estar com ela, reunimo-nos algumas vezes para dizer como é que tinha que ser, como é que eu queria e depois ela trabalhava com ele. Depois como ela transcrevia os meus testes em Braille, e depois ele fazia as respostas, e ela transcrevia a negro eu corrigia a negro. Eu nunca corrigi em Braille.”P7
”havia partes em que era um bocado mais difícil. Quando nós tínhamos as fórmulas iónicas e tínhamos que meter uma parte em cima e outra parte em baixo, esquecia-me disso, dos índices. Porque na máquina lê ao contrário. Porque, porque tinha que se meter os pontos de cima, não sei muito bem estar a explicar.”A4
” Depende dos sinais, por exemplo, as fórmulas Químicas, vamos supor H2O, a fórmula mais simples, o H é, são as teclas 1, 2 e 5, portanto o indicador esquerdo, o médio esquerdo e o médio direito, primeiro era o sinal de maiúscula que é o 4 e o 6 na máquina. Depois o H é 1, 2 e 5. O 2 era índice inferior.”A7
O facto de existirem uma grande variedade de símbolos foi também indicado pelo aluno A6 como uma dificuldade, da seguinte maneira:
” Pronto, é como eu digo, volto a referir que a FQ é igual à Matemática. A FQ, a nível de Braille, se formos a ver, existem 100% de sinais e a gente se for possível usa 40%. Existem muitos sinais da FQ. ”A6
Um dos professores explicou se verifica falta de conhecimentos científicos por parte das pessoas que transcrevem os materiais para CFQ, detetando-se erros, o que constitui, na sua opinião, uma dificuldade para professores e alunos. Assim, P3 referiu:
”Não (conheço a simbologia), nada e portanto aquilo que acontece, o que acontece é “professora não percebo aqui a pergunta” e “oh filha que pergunta?” E ela dizia-me e não era nada do que estava a perguntar aos outros. Portanto eu tinha redigido de uma maneira e se calhar não sei se dá jeito”P3
Um dos professores explicou que o conhecimento do abecedário em Braille não é suficiente para aprender a simbologia da Química e da Física Braille dizendo assim:
”Ele (PA) deu-nos um panfleto, um documento, com o abecedário Braille embora para nós, pronto, a não ser que a gente se dedicasse, não conseguiu e não utiliza muito, embora eu ache bastante interessante e quem sabe um dia eles explorem isso, ficar mais sensibilizado para isso.”P4
Um dos professores referiu que não há correspondência do livro a negro e em Braille e por isso, às vezes, não conseguia ajudar o seu aluno cego, explicando-se:
”E o livro também é complicado porque ele depois tem os livros em Braille e pergunta-me que página é que é, e isto não bate certo. Andamos os 2 ali atrás das páginas e para ele me ler, porque realmente é muito complicado.(…) Porque eu acho que até ele sente que nós precisamos de ajuda.”P11
As dificuldades referidas por professores e alunos são também enunciadas por Costa, Neves & Barone (2006), e Camargo, Silva & Filho (2006). Nos estudos realizados por estes autores, o Braille foi classificado como cansativo. Para além disso, mutos alunos deficientes visuais admitem não conhecer o Braille, tal como neste estudo
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três alunos referiram ter algum conhecimento da simbologia da Química e da Física Braille. Costa, Neves & Barone (2006), referem também que os professores e alunos revelam falta de conhecimentos Braille e do código matemático unificado, situação referida também pelos participantes neste estudo.
A simbologia Braille associada à Física e à Química coloca alguma dificuldade aos alunos devido a características específicas como a utilização de setas, expoentes, índices entre outros. Para além disso, a iniciação no Braille deve ser feita entre os 6 e os 10/11 anos, um dos alunos cegos referiu que iniciou a aprendizagem do Braille posteriormente à idade recomendada e as diferentes grafias. Esta situação pode naturalmente explicar as dificuldades sentidas (ME, 2008). O facto de existirem erros nas transcrições pode criar confusões e acrescentar dificuldades e alunos cegos e professores de CFQ. Esta situação pode ser resultado da maioria dos PA que fazem as transcrições não terem formação em ciências. Um dos professores, deixou como sugestão que os livros em Braille tenham inscrições a negro para facilitar o apoio ao aluno cego.
4.3.5. A utilização do laboratório nas aulas de CFQ