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L’ART VETERINAIRE

Atualmente muito se tem debatido sobre o sentido da Educação Física dentro da escola, bem como suas concepções de ensino. Principalmente ao tratarmos dos conteúdos que devem ser trabalhados na disciplina de Educação Física. Os quais nos apontam um grande aporte de conhecimentos a ser vivenciado e discutido, seja no esporte, jogos, dança, ginástica ou nas lutas, conteúdos que segundo Daolio (1996) integram a cultura do movimento.

No entanto, por mais que a Educação Física se constitua como um fenômeno que atua no estudo das manifestações da cultura corporal de movimento e apresenta uma diversidade de conhecimentos a serem trabalhados, esta ainda encontra dificuldades para implementá-los dentro da escola. Isto torna a Educação Física Escolar fragmentada e monopolizada (DOALIO, 1996). Acabando por tornar difícil mudar as concepções voltadas á tematização dos conteúdos da Educação Física dentro da escola, fazendo com que dar ênfase á conteúdos antes nunca trabalhados na sala de aula vá muito além de ir “contra” as expectativas dos alunos, mas principalmente em bater de frente com as próprias vontades dos docentes que já estão acostumados e acomodados nessa situação. Fazendo com que não persistam na luta pela implantação do “novo”, uma vez que permanecer na acomodação é muito mais fácil e exige menos trabalho e preparação.

Assim ao iniciarmos a presente pesquisa considerávamos que os professores da área tivessem um mínimo possível de conhecimento sobre a tematização dos conteúdos acima referenciados e/ ou ao menos sobre a temática dança de salão. Porém, não foi o que se constatou durante o processo, em que os três professores envolvidos percebiam a dança na aula de Educação Física como um corpo estranho, totalmente fora de contexto. Isto é, mostraram-se amplamente perdidos na tematização da dança, não sabendo como caracterizar as manifestações dançantes, saindo da intencionalidade do estudo da área acima destacado, desconsiderando a expressão corporal como linguagem. Assim, acabavam de certa forma barrando seus alunos de vivenciar novos conhecimentos devido à falta de experiências nas demais áreas que não se refere ao âmbito esportivo. Ações estas que, vão contra os ideais defendidos por Daolio (1996, p. 41), o qual prioriza as aulas de Educação Física como um meio de oportunizar aos educandos infinitas possibilidades motoras. Inclusive, que o aluno descubra novas expressões corporais e que domine seu corpo com ritmos variados, onde os elementos da cultura corporal serão tratados como conhecimentos sistematizados, contextualizados e reconstruídos pelos próprios alunos.

Daolio (1996) enfatiza ainda que o professor necessita trabalhar o movimento de forma ampla e não fechado com apenas o ideal de técnica, mas oportunizar uma gama de relações com o espaço, ou seja, procurar desenvolver um movimento de dança a dois como uma relação com o colega e o ritmo da música. Nesse sentido, no que se refere à tematização do conteúdo, os três professores ao pensar nas aulas de dança de salão, nos primeiros encontros, preocupavam-se com a execução das figuras, deixando em último plano a ideia de contextualizar e tematizar o Forró.

Nessa perspectiva, Brasileiro (2003) se preocupa com quais elementos os professores de Educação Física estão chegando até a abordagem da dança nesse espaço. Uma vez que em sua pesquisa constatou que os profissionais utilizam a dança apenas como um aporte para festejos e datas comemorativas. Ou seja, não existe a preocupação com a aprendizagem do conteúdo em suas inúmeras dimensões. Preocupação esta, que se torna relevante de acordo com o que foi encontrado na pesquisa: os professores observados demonstravam a partir de suas atitudes e comentários que a dança como conteúdo no contexto em que estavam não seria considerado relevante nas aulas de Educação Física. Uma vez que esta na realidade observada também é considerada apenas como “objeto” para apresentações em dias comemorativos, não sendo utilizada como um conhecimento construtivo aos escolares, servindo apenas como mero refúgio de trabalhos extracurriculares.

Apesar deste tratamento para com o conteúdo dança, por parte dos professores, foi possível perceber que o trabalho de dança de salão nas aulas de Educação Física chamou a atenção dos sujeitos envolvidos, pelo fato de ser um estilo diferente e que está em alta na mídia. No início da pesquisa houve controvérsia do professor Cristiano em desenvolver o estudo do Forró, por este não ser de nossa cultura. Porém, as demais professoras acharam ainda mais conveniente trabalhar o Forró, uma vez que possibilita aos educandos conhecer melhor a cultura que compõem o seu país. A posição das professoras firmou a ideia de Brasileiro (2003, p. 54) que expõe a necessidade dos escolares conhecer um universo mais vasto de referências de dança, bem como seus variados repertórios, possibilidades de improvisação e reconstrução coreográfica.

De uma forma ou de outra, os professores têm entendimento da importância do conteúdo dança na escola. O tanto que ao desenvolver a unidade didática de dança de salão dentro das aulas de Educação Física, uma das professoras conseguiu ensinar para seus alunos os conhecimentos culturais, motores, históricos e sociais do Forró; mostrando relevância do conteúdo à sua turma e também para toda a escola. O que se percebe, em grande parte, é que a formação inicial desses professores não desenvolveu competências para o ensino da dança.

Entendemos que isso não justifica abandonar o conteúdo, mas justifica a sensação de incapacidade e “medo” dos professores em trabalhá-lo.

Tendo a formação continuada grande responsabilidade na prática de ensino dos professores, é importante que estes busquem o “novo”, e estejam preparados a trabalhar com ele. Já que a aquisição de novos conhecimentos por parte do professor é possível e preciso em função do contexto escolar e social em que se está inserido.

Dessa forma, cabe primeiramente, ao professor buscar se apropriar de novos saberes da cultura corporal de movimento, independente de suas preferências, uma vez que a construção da identidade do educando está em suas mãos. O ensino da dança na escola é possível se o professor realmente quiser desenvolver, como ocorreu na pesquisa, em que a professora Roberta buscou de forma incessante se apropriar o máximo possível dos conhecimentos que conduziam o ensino do Forró. Mas cabe destacar que, o apoio, a parceria e a colaboração de outros professores foram fundamentais para ela desenvolver o novo conteúdo, bem como o suporte encontrado em mim para compartilhar as dificuldades, questionar as dúvidas e vibrar com as aulas bem sucedidas.