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Os aplicativos têm se tornado uma ferramenta poderosa para difundir conteúdo. Um dos motivos é que, de acordo com Satuf (2015), “ao contrário dos agregadores desenvolvidos para com- putadores, que pressupõem certa fixidez temporal e espacial do usuário, os apps potencializam o fenômeno da agregação de con- teúdos ao permitirem uma integração absoluta com a rotina ordi- nária das pessoas” (SATUF, 2015, p.7). Muitas instituições têm feito a notícia circular através desses miniprogramas. É comum, inclusi- ve, ver empresas com mais de um app numa possível tentativa de atender a públicos diferentes para cada conteúdo. Se digitarmos o nome Globo na loja de apps, aparecerão, pelo menos, 30 possibi- lidades do mesmo grupo (incluindo rádios, TV, portal e produtos). Em geral, os apps têm uma tela inicial com os títulos das notí- cias e um menu de editorias (Figura 5). As reportagens são com- postas de textos e vídeos. No Reino Unido, o aplicativo de notícia com o maior número de downloads é o BBC News13. Como um dos veículos mais fortes, neste caso, é o canal de televisão, a primeira coisa da página das matérias é um trecho ou a reportagem com- pleta que foi ao ar na TV (Figura 6). O mesmo acontece no app da

Fox News, o mais usado pelos usuários de smartphones nos Esta-

dos Unidos14 (Figuras 7 e 8).

13 Dados do relatório Reuters Instituto Digital News Report 2015. 14 Dados do relatório Reuters Instituto Digital News Report 2015

Figura 5 – Menu do app BBC News

Fonte – Captura de tela Fonte – Captura de tela

Figura 6 – Página de matéria do BBC

Fonte – Captura de tela Fonte – Captura de tela

Figura 7 – Menu do app Fox News Figura 8 – Página de matéria do Fox News

Quanto mais o tempo passa, mais aplicativos de notícias aparecem com novidades. Para entrar em contato com esses usuários de smar- tphones, a rede de TV Al Jazeera lançou um produto apenas para o mercado digital de notícias. O aplicativo AJ+15 tem um conteúdo que engloba temas variados e funciona através de abas, onde o usuário pode assistir a vídeos, ver infográficos e responder a enquetes para ficar atualizado do que está acontecendo no mundo. Os formatos da notí- cia são em um vídeo curto e um parágrafo de texto por página. Você escolhe um tópico (por exemplo, Gamers) e vê pequenas reportagens sobre o assunto fazendo o movimento do dedo para a direita, como se estivesse navegando na galeria de fotos (Figuras 9, 10, 11 e 12).

Figura 9 – Matéria 1 sobre Gamers

Figura 11 – Matéria 3 sobre Gamers

Figura 10 – Matéria 2 sobre Gamers

Figura 12 – Matéria 4sobre Gamers Fonte – Captura de tela

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A empresa também criou uma revista diagramada, especifica- mente, para a plataforma móvel, a Al Jazeera Magazine (Figura 13). Dentro das reportagens, que geralmente são de textos de tama- nho médio, o usuário tem várias possibilidades para ler o texto ou ir à uma galeria de fotos. Na figura 14, é possível ver um ícone (seta amarela virada para baixo). Ao clicar nela ou rolar para baixo, o usuário vai para o texto da reportagem (Figura 15). Se rolar para o lado direito, o usuário vai para a capa da galeria de fotos da repor- tagem (Figura 16). Deste modo, basta clicar em Open gallery (abrir galeria) ou rolar para baixo e ver a série de fotos (Figura 17). É uma revista pensada especialmente para quem usa smartphones. Ela não faz o caminho Empresa > Impresso > Internet > Smartphone. Ela vai do primeiro ao último, configurando o smartphone como um outro suporte de comunicação dentro da internet.

Figura 13 – Capa da edição de

jul/ de 2015 Figura 14 – Capa da matéria. Ed. de jul/15

Figura 15 – Texto da matéria Figura 16 – Capa galeria de fotos.

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Figura 17 – Primeira página da galeria de fotos

Um outro aplicativo de notícias interessante é o The Economist

Espresso. De segunda a sexta, no início da manhã, um número pe-

queno de notícias é colocado na página principal (Figura 18). Elas representam os assuntos sem os quais você não poderia passar o dia, os mais importantes a serem informados, de acordo com os critérios de noticiabilidade da empresa. Cada uma tem uma foto ou vídeo e um parágrafo de texto (Figura 19) e o usuário vai ro- lando para o lado para navegar entre as notícias. No final, vem a mensagem “é isto” para sinalizar o fim do informativo do dia e uma citação de algum escritor famoso (Figura 20), algo que é comum ver compartilhado na rede diariamente.

Figura 18 – Página inicial do app Figura 19 – Primeira notícia da série

Figura 20 –Página final do app.

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Lorenz (2014) relata que, em um artigo publicado em 1995, au- tores da Harvard Business Review dizem que a personalização é um caminho para “manter os clientes para sempre”, tendo em vis- ta as necessidades individuais de cada um. E complementa:

Uma estratégia de personalização deve ir mais longe do que apenas redesenhar a superfície ou mudar o que se apresenta, como conceitos relati- vamente novos de pré-seleção. Funciona basica- mente assim: apoiado no tempo e nas necessida- des do utilizador, o conteúdo adapta-se(LORENz, 2014, p.140).

Os aplicativos já são uma personalização do conteúdo que se quer ver ou ler, mas há exemplos de apps de notícia que se apro-

fundam ainda mais nesse contexto. Um exemplo está no NYT Now, app entre os mais recentes criados por eles (Figuras 21 e 22). A pro- posta do miniprograma é ser mais prático do que o original NYTi- mes – Breaking National & World News (Figura 23) que fica, inclu- sive, armazenado na parte de revistas e periódicos do smartphone como um aplicativo próprio do jornal impresso. No NYT Now, a personalização funciona de maneira metrificada e automática. Se o usuário clica mais em notícias relacionadas a cultura e esportes, com o passar do tempo, esses assuntos vão aparecer primeiro na página inicial do app no smartphone.

Figura 21 – Nos domingos, o aplicativo faz um resumo com

as notícias mais importantes da semana.

Figura 22 – Capa de uma notícia do dia Figura 23 – Página principal do NYTimes

Fonte – Captura de tela Fonte – Captura de tela

Vale salientar que mesmo com uma proposta de ser mais práti- co, o NYT Now ainda tem textos muito longos e densos, compara- do aos outros aplicativos de dispositivos móveis, mesmo que mais curtos que os do app original NYTimes.

Uma observação importante é a integração desses aplicativos com as redes sociais. Seja nas opções de compartilhamento – no Brasil, 59% dos usuários ativos da internet que acessam notícias pelo celular afirmam compartilhar o que leem nas redes sociais16 – ou nas possibilidades de personalização através do login. O usu- ário pode entrar no aplicativo com seu perfil do Facebook ou do Twitter, na maioria dos casos (em alguns aplicativos o LinkedIn

também funciona), e as notícias serão direcionadas a ele de acor- do com as informações obtidas pelas métricas que mostram os interesses de leitura desse usuário.

A notícia tem circulado de maneira diferente, de fato. Os aplica- tivos facilitam o consumo de informação por se mostrarem práti- cos e atrativos. Mesmo quando o usuário está diante de um outro meio, os dispositivos móveis continuam sendo suporte de mídia, criando o fenômeno conhecido como multitelas. Para Rangel, “multitelas estão nas mãos dos indivíduos permitindo que inte- rajam, criem, critiquem e opinem sobre o que estão consumindo” (RANGEL, 2014, p.2).Essa opção de não somente ver o que está acontecendo, mas ter a possibilidade de tecer comentários e com- partilhar com outros usuários, torna o ecossistema móvel cada vez mais fértil para a notícia.