• Aucun résultat trouvé

Choix politiques, optimisation et biens publics

1.2. Les différents courants de pensée et la formulation du modèle de croissance

1.2.3. L'analyse des causes du sous-développement

O lugar por onde se vem para a escola – dos vários ―setores‖, ruas, travessas, avenidas, esquinas, becos, pedaços ou lugares do bairro nos quais se pode morar, residir – bem como a arquitetura da casa são elementos importantes no “cálculo” que muitos estudantes fazem para realizar classificações sócio-raciais50 dos outros e de si. Isto é, o

49Página 9 do PPP do Madre.

50Para explicitar terminologicamente a dimensão de classe e raça, Lívio Sansone usa a noção de grupos sócio-raciais para refletir acerca dos modos de lidar com a questão racial entre jovens negros e pobres com outros grupos não-negros em espaços urbanos e instituições públicas em Salvador. SANSONE,

59 conceito de Raça, concebido de modo propriamente sociológico, que imprime à categoria cor significados ideológicos elaborados e acionados entre os grupos de cor (ALFREDO GUIMARÃES, 1999, p. 22-47) é, a meu ver, associado a outras variáveis discursivas encontradas nas sociabilidades entre os estudantes.

Desse modo, sugiro pensar que o processo de classificação de cor dentro de um gradiente que vai do claro ao escuro (MAGGIE, 1994, p.157) ou mesmo do continuum de cor, está articulado, entre os estudantes, também, aos seguintes aspectos: a) ao caminho que se faz entre casa e escola, e ao que se faz durante ele; b) ao local de moradia dos estudantes, relativa à arquitetura total da residência; c) ao grau de pavimentação da rua na qual se reside e d) a posse ou não de bens de consumo duráveis e não-duráveis no interior da casa.

Explicando-me como estudante, diria o seguinte: o meu modo/lugar de moradia também diz o que sou para meu/minha próximo/a, diz o que posso ser para ele/a, fala como eu afirmaria o que é o/a outro/a para mim em termos raciais. Ou seja, tais elementos me ―tornam‖ mais ou menos ―escuro‖, ―moreno‖ ou ―branco‖ entre meus colegas conforme a posse destes bens; ajudam a me localizar na escala de cor. Esta associação é o que também se tenta demonstrar neste capítulo.

Esse aspecto da sociabilidade escolar, que está fora da escola, dos seus ―muros‖, é o que tento expor a seguir. Ambas as escolas podem ser vistas como lugares de referência identificatória para as Errâncias-Trajetos dos seus estudantes, como suporte de relações, que não estão apenas no intermediário, mas também são intermediadoras.

A escola é o ―meu setor‖, ―minha escola‖, ―onde eu estudo‖; ela intermedeia e é intermediada, ao mesmo tempo, pelos espaços e ruas do bairro, pelos caminhos que ela compreende, feitos pelos estudantes depois que saem da casa para nela chegar, para depois a casa retornar, passando por outros lugares, errando e acertando pelo bairro. É, sobretudo, ―meu setor‖, ―minha escola‖; está ―perto da minha casa‖, é próxima do ―lá na minha rua‖ e serve como referência para se realizar Errâncias-Trajetos.

Lívio. As relações raciais em Casa Grande & Senzala revisitadas à luz do processo de

Internacionalização e Globalização. In: Raça, Ciência e Sociedade. (Org.) MAIO, Marcos C. & SANTOS. Ricardo V. Rio de Janeiro. Editora FIOCRUZ/CCBB; 1998; p. 207-216.

60

2.2. As Vilegiaturas.

Os termos Vilegiatura e Andança são emprestados do trabalho sobre circulação de crianças, elaborado por Angélica Motta-Maués, Daniele Igreja & Luisa Dantas (2008) e Angélica Motta-Maués (2009). Os termos foram usados pelas autoras para designar os fluxos e trajetos hierarquizados das crianças de diferentes camadas sócio- econômicas por lugares fora de casa, por residências de membros da rede de parentesco destas crianças, escolas e atividades educacionais de apoio pedagógico e de lazer (estes últimos, principalmente, para as crianças de camadas altas e médias).

Os termos explicitam a ação que os professores e colegas de natação, balé, música, etc. exercem no sentido de dividir a socialização extra-familiar destas crianças, posto que estes professores e colegas estão mais presentes no dia-a-dia das crianças do que seus próprios familiares, pais e mães.

Essa prática identificada pelas autoras parece ser similar ao que eu verifiquei entre estudantes adolescentes do Madre, principalmente quando alguns deles saem da escola para realizar alguma outra atividade educacional ou de lazer no Guamá ou em outros bairros próximos. Estudantes do Madre, sobretudo homens, participam de treinamento de futebol de salão ou voleibol em uma quadra poliesportiva localizada na Barão de Mamoré; outros, os que podem pagar a mensalidade de treinamentos, praticam artes marciais como Karatê, Judô ou Capoeira na própria escola.

Tanto mulheres como homens, fazem cursos de reforço curricular voltados para provas de vestibulares, como Física, Química e Matemática, além das próprias disciplinas da escola; outros fazem cursos pré-vestibulares completos que estão localizados fora do Guamá, mas próximos a ele, isto é, em bairros como São Braz, Cremação, Batista Campos e Canudos, colados no Guamá. Tipificando melhor, há dois tipos de vilegiaturas, sobretudo entre os estudantes do Madre do matutino, majoritariamente autoclassificados como brancos:

a) Vilegiatura escolar interna: estudantes do turno da manhã entram na escola até 7hs e 30min. Saem dela por volta das 14hs. Voltam para a casa, para o almoço e depois retornam para a escola para os cursos de Karatê, Judô, Música, futebol de salão ou reforço escolar. Retornam para a casa por volta das 19h. Geralmente, são duas ou no máximo três atividades extraclasses realizadas pelos estudantes. Os da tarde fazem essas

61 atividades extraclasses durante o período letivo de aula dos estudantes da manhã. O horário letivo da tarde inicia-se às 13h e 30min e termina às 19hs. Pode-se dizer que há um tipo de circulação intra-escolar dentro do Madre.

b) Vilegiatura escolar externa: após o termino do horário de aula, estudantes do terceiro ano, sobretudo do turno da manhã – não obtive informações acerca de estudantes do turno da tarde que fazem essa vilegiatura – voltam para casa e depois saem para cursos pré-vestibulares particulares ou atividades de reforço pedagógico de matemática, cursos específicos de Física, Química e Biologia, aulas de dança, de música ou treinamento de natação. Esse percurso, em média, termina por volta das 20hs.

Todavia, existem poucos estudantes do Zaca que realizam essa vilegiatura se comparada ao número de estudantes do Madre que também têm o dia composto por atividades educacionais e de lazer. Também têm o dia ―agendado”, de segunda a sábado, pois as atividades feitas por eles acontecem mais de cinco vezes por semana, ou seja, os cursos pré-vestibulares. Esse agendamento do dia dos estudantes acaba realizando um serviço de auxiliar-reforço da escolarização dos filhos, dividindo com os pais a ―responsabilização‖ pela socialização e educação dos mesmos, prática similar ao que assinalam as autoras no trabalho supracitado. Essas vilegiaturas são mais recursivas entre os estudantes do Madre, embora realizadas por poucos estudantes do Zaca do turno matutino.

2.3. As Andanças.

O termo andança serve para identificar outros tipos de Errâncias-Trajetos, de movimentação, de perambulação pelo bairro, que é feito mais pelos estudantes do Zaca, embora realizados pelos estudantes do Madre, sobretudo os do turno vespertino, majoritariamente autoclassificados como negros. O emprego do termo andança é distinto do emprego original escrito pelas autoras.

O primeiro exemplo de andança passa pela orla do Campus Universitário do Guamá, da Universidade Federal do Pará. Alguns grupos de estudantes que variam de quatro (4) até dez (10) membros, quando saem da escola, fazem o que eles chamam de ―coletão‖, isto é, somam nas mãos de um deles as parcas quantias de dinheiro que alguns possuem – raramente todos eles dispõem de dinheiro – e saem pelos

62 Supermercados da Barão de Igarapé-Mirim ou pelas Farmácias para comprar produtos de consumo rápido para alimentação como pães, biscoitos, chocolates ou bolachas, com refrigerante ou bebida alcoólica – e se deslocam para o orla do rio do campus para por lá ficar, em deriva, e conversar, copiar o conteúdo da matéria cuja aula não foi assistida, ler algum texto que precisa ser estudado para a aula do dia seguinte, paquerar, namorar, brincar, beber, comer.

O Segundo tipo de andança também é precedida pelo ―coletão‖, passa pelo comércio do bairro, que podem ser as tabernas51 ou mesmo os Supermercados, e termina na casa de algum dos estudantes do grupo com o ―brocão‖, isto é, nesse segundo tipo de andança há a compra de produtos que serão preparados, cozidos, fritos na casa de algum dos estudantes, como enlatados, comidas instantâneas e/ou os produtos de consumo rápido que são comprados pelos que fazem o primeiro tipo de andança, com exceção das bebidas alcoólicas. Quando a cozinha é necessária, as mulheres dos grupos de andança é que assumem a feitura das comidas.

Enquanto isso, na cozinha ou na sala, que geralmente exibe vídeos-clipes de Reggae, de Hip-Hop, de festas de tecnobrega que todos escutam, homens e mulheres conversam sobre os assuntos curriculares, fofocam sobre professores e outros colegas,

assim como sobre quem pegou quem, quem fez sexo com quem52. Nessa andança, que

abarca os grupos de estudos, ocorre, depois da comensalidade e da festa, a realização e confecção dos trabalhos para apresentação grupal nos seminários, sobretudo das disciplinas História, Biologia, Artes e Geografia. Enquanto metade do grupo produz ilustrações em cartolinas para explicação do conteúdo do texto, a outra metade produz o texto escrito para leitura e exposição em sala de aula.

O terceiro tipo de andança pode ser realizado às proximidades da escola, em Lan-houses, salas de jogos eletrônicos e em visitações à casa de algum membro do grupo, para tomar água, conversar e conhecer o setor do colega. Ver e ser visto para ser reconhecido, deambular para ver onde mora o colega, como mora – no limite, para saber se a casa do colega é ou não é ―sujeira‖, é ou não é ―me roba‖. Lembro até mesmo de

51―Tabernas‖ são pequenos comércios que vendem os mesmos produtos comercializados pelos

―supermercados‖, mas em pequena escala e sem a variedade de opções que o segundo apresenta.

52 Expressões como ―comer‖, ―dar um picote‖, ―fuder‖, ―sair da pedra‖ são usadas pelos homens para se

referir ao ato sexual. As mulheres, geralmente usam ―ficar‖, ―dar‖, ―pegar‖ e, em menor quantidade, ―comer‖.

63 uma conversa entre estudantes do turno matutino do Zaca, no período do intervalo de aulas, na qual dois deles pediam a outro colega para ―conhecer‖ a irmã deste.

O quarto tipo de andança, uma flanância, um tipo de visitação, diz respeito ao sair da escola e ir para outra escola, no mesmo bairro. Sair da escola e visitar colegas de outras escolas do Guamá, que são colegas de rua, do ―setor‖, ―lá da rua‖, ―perto de casa‖ ou colegas que estudaram juntos em uma das escolas em séries anteriores a qual se está no momento, para depois visitar outros colegas de uma terceira escola, cujo contato prévio dessa visitação já foi agendado pelo Orkut ou MSN, por email ou mensagem de celular. Os homens quando visitam outros homens, fazem sempre em grupo: ―pega mal sair daqui pra ver outro macho‖, como me falou um estudante. Porém, quando um homem sai de sua escola para ver outra menina, consolida-se o compromisso feito pelo espaço virtual de ―pegar a menina na escola‖.

Depois disso, juntos, andam até chegarem à casa de cada um, costurando uma andança que vai se desenlaçando na medida em que cada um ou uma chega a sua casa. Esse tipo de andança somente é possível porque os membros desse grupo formado moram em vias próximas ou na mesma via.

Quando moram na mesma via, o papo somente termina por volta das 13h10min para o turno da manhã e 19h40min para o turno da tarde – ora, a última aula, do período letivo de horários disciplinares para cada turno, respectivamente, termina nesses horários. Por isso, é hora de voltar pra casa, pois pode ―rolar a escrotiação‖, pode ―rolar o espancamento‖. Vale acrescentar que poucas aulas se estendem até o penúltimo horário, quiçá o último.

2.4. Os Périplos.

No caso dos périplos, quando Alex Haley (1976, p. 87-112) escreve sobre o ritual de visitas feito pelos membros que compõem o amplo parentesco do qual Kunta Kinte é parte, fala também de périplos que Kunta e seus pais realizam para visitar os parentes que vivem na “aldeia ao lado, atrás daquela que se vê do olho de nossa terra‖ (p. 28), da aldeia Juffure, mas que não pode ser acessada diretamente, pois essa aldeia que se vê os separa da aldeia dos avôs, ―pela qual não se anda, pois não é de sangue Juffure” (p. 29). Isto é, evitam-se caminhos, escolhem-se outros.

64 Essa expressão, périplo, que também foi utilizada para identificar o contorno português sobre o continente africano para se chegar ao continente asiático durante as grandes navegações é também usada por Haley para designar o caminho de contorno que os parentes de Kunta fazem para se chegar à aldeia de seu avô matrilateral.

Na história contada por Haley, Kunta e seus parentes não podem caminhar por alguns territórios de outras aldeias próximas, que encurte o caminho para a aldeia ao lado. Por isso o caminho para chegar aos avôs se estende, porque não possuem autorização ritual, não conhecem o patriarca e podem ser atacados case cruzem tais territórios. Há perigo em se pisar em tais terras sem autorização do patriarca. Daí o contorno longo, que se realiza durante todo um alvorecer (p. 32), para se obter a benção do avô matrilateral para Kunta.

O medo de um possível castigo decorrente da desobediência de passar por terras proibidas, que “não são de sangue Juffure” (p. 36), acaba por conduzir a família de Kunta por um caminho mais longo que uma reta simples, lembrou alguns caminhos feitos por alguns estudantes quando saem de casa para a escola e voltam para ela.

Há para mim algum tipo de similitude entre essa prática registrada na pesquisa com a do evento descrito por Haley na infância de Kunta Kinte; essa prática gira em torno da oposição evitação x privilegiamento dos caminhos escolhidos pelos estudantes para se chegar à escola e voltar dela para suas residências. Ou seja, por um lado, percebi que o evitar algumas ruas, travessas ou becos para se chegar à escola e voltar dela e, de outro, o privilegiar a passagem por outras vias de transporte no bairro, também se associa (nesse caso, se evita) ao medo, ao perigo, à evitação da violência no bairro. Isso me inspirou a usar a noção de périplo – uma metáfora explicativa, para ser mais exato – para entender de algum modo essas escolhas, essas opções pelos caminhos que se fazem no bairro. Périplo, portanto é identificação, não um conceito, mas um termo nomeador.

Acredito que o uso de tal expressão pode ajudar a explicitar os caminhos feitos por estudantes e grupos de estudantes de suas casas até a escola e da escola para a casa, passando por outros pontos geográficos do bairro com base em critérios que levam em consideração, principalmente, a violência no bairro, sobretudo no que tange aos constantes assaltos e roubos que acontecem em muitos pontos do Guamá. Há também o fator pavimentação e/ou o asfaltamento das ruas, travessas, avenidas ou becos pelos

65 quais se realiza o itinerário desse ir e vir, que também é um critério que se adota para construir esse caminho.

Destaco abaixo os principais fatores e motivos apontados por alguns estudantes para composição dos périplos que se escolhe para se chegar à escola e voltar para casa, quando não se vai para outro lugar antes de chegar nela. Estes fatores são motivos para costurar outros caminhos, compondo périplos dos estudantes que encaixam outros lugares, que ajustam outros pontos de referência que não são a sua própria escola, rua ou casa, mas podem sem outras escolas, ruas, outros lugares ou outras casas.

Nesse momento surgem as vilegiaturas – e também as andanças. Nestes lugares se costuram, por assim dizer, um circuito de movimentação, de Errâncias-Trajetos de estudantes entre as escolas do bairro acima descrito.

Usarei aqui informações colhidas por meio do questionário aplicado nas escolas. Sobretudo as perguntas: ―Quais são as ruas e/ou avenidas pelas quais você caminha para chegar à sua escola?” ―Quando você retorna à sua casa, você caminha pelas mesmas ruas?‖ ―Porque você escolhe tal caminho, qual são os motivos e razões?‖. Estes fatores e razões estão simbolizados por trechos de falas e de depoimentos de estudantes de ambas as escolas, registradas no meu cadernão de campo. Dentre os principais fatores que incidem na construção dos périplos, destaco os seguintes:

a) “Tem muito „malaco‟ lá sabe, só tem ladrão”: a questão da violência no bairro, sobretudo os assaltos à mão armada contra moradores nas vias públicas do Guamá foi apontada por 41% dos respondentes como o principal fator e razão de escolha dos caminhos dos estudantes do Zaca e do Madre que responderam o questionário. Notei que o malaco, entre muitos estudantes é dificilmente pensado como ―não-negro‖. Embora eu tivesse ouvido que ―ladrão não tem cara‖, o malaco é recorrentemente definido como um ―moleque‖ que ―anda de bicicleta‖, que usa ―boné‖ e que ―é moreno na maior parte das vezes‖.

De certo modo, há uma espécie de avaliação estética das ruas e uma sutil estetização social das pessoas que moram nelas. A ―rua de malaco‖ é evitada, bem como se evita escolhê-la caso algum colega resida nela para fazer os trabalhos em grupo e muitas atividades das andanças.

66 b) “É uma rua escrota, só vala, só cratera53”: 22% apontaram a má estrutura de

pavimentação e asfaltamento das vias como razão principal de opção pelas vias trajetadas pelas (os) estudantes de ambas as escolas.

c) “Porque eu conheço essas ruas ai”: ver e ser visto, ser conhecido no ―setor‖, enxergar alguns moradores das vias escolhidas, além de ser enxergado e ser visto nelas, foi a razão apontada por 16% dos respondentes de ambas as escolas. Os grupos de estudo são importantes para construir esta rede do ver e ser visto, assim como por meio das andanças que são realizadas pelas casas de colegas, prática pela qual

d) “É asfaltada ela, dá pra andar nela bacana”: em oposição ao segundo fator apontado pelos estudantes, as vias asfaltadas e pavimentadas são apontadas por 12% dos estudantes como uma razão com base na qual se escolhe tramitar por elas.

e) “É mais rápido pra chegar na escola se eu vir por lá”: somente 9% dos estudantes respondentes apontaram o fator rapidez como razão com base na qual se opta em escolher os caminhos tramitados.

Os périplos acima delineados podem ser associados às evitações de um perigo potencial resultante da violência que existe no bairro; de modo geral, é evitação do medo, evitação do assalto, evitação do roubo, evitação das ruas ruins – e, de certo modo, das ―pessoas ruins‖ moradoras das ruas esteticamente classificadas de modo inferiorizado porque são ruas do ―me roba‖. Para fins de explicação da correlação entre as práticas de Errâncias-Trajetos e de seus conceitos designadores, de modo sintético, podemos definir o seguinte.

As vilegiaturas designam Errâncias-Trajetos de estudantes por lugares fora de casa, em escolas e atividades educacionais de apoio pedagógico extra-escolar e de lazer, nos quais os professores e colegas dessas atividades extra-escolares são atores de socialização extra-familiar. Observo este fenômeno entre os estudantes do Madre, sobretudo os da manhã, autoclassificados majoritariamente como brancos.

53―Cratera‖ é uma expressão que se refere a grandes buracos e valas de esgotos abertos que existem em

67 Os périplos se referem às Errâncias-Trajetos que se designam o movimento de evitação x privilegiamento dos caminhos escolhidos pelos estudantes de ambas as escolas, percorridos para se chegar a elas e delas retornar para casa. Essa evitação x privilegiamento leva em consideração, em primeiro lugar, o fator violência, em segundo, o asfaltamento das vias, em terceiro, a distância do caminho percorrido entre casa e escola nas duas escolas. Realizar périplos é prática comum entre estudantes negros, mestiços e brancos, entre os do Zaca e os do Madre.

Já as andanças são um tipo de movimentação no entremeio casa-escola que