CHAPITRE I : SYNTHESE BIBLIOGRAPHIQUE
I. Développement durable et éco-conception
2. Eco-conception
2.3 L’Analyse de Cycle de Vie
O período da hegemonia do paradigma da região e regionalização, nos Estados Unidos, coincide com o período no qual a crença no Positivismo fragilizou-se. A superação dessa situação se deu por meio do estabelecimento da Filosofia Analítica e seu Empirismo Lógico e, a consequente crise do paradigma em questão.
A respeito do descontentamento dos geógrafos com o paradigma da região e regionalização, Johnston (1986, p. 72) menciona as declarações de Freeman, segundo quem havia três razões para esse descontentamento:
1) muitas classificações regionais eram ingênuas e, particularmente nas grandes escalas apresentavam numerosas discrepâncias quando submetidas a uma investigação detalhada;
2) a ‘sucessão cansativa’ de ‘fatos’ físicos e da atividade humana, que caracterizaram tantos escritos regionais;
3) o modelo dos escritos regionais sugeria que o conjunto da superfície terrestre poderia ser dividido em tais tipos claros de regiões, cada uma com seu próprio caráter, mas muitos estudos prosaicos de áreas que não tinham essa personalidade provaram que não era bem assim.
Johnston (1986, p.73), também menciona que a argumentação que se fazia nos Estados Unidos, entre o final dos anos 1940 e início dos anos 1950, era de que a insistência na primazia da Geografia Regional estava minando os estudos sistemáticos associados.
Ackerman, ao relatar sua experiência no serviço de informação durante a guerra, também fez a mesma colocação sobre a Geografia Regional e os estudos sistemáticos. De acordo com Johnston (1986, p.73), “ele identificou duas falhas maiores nos geógrafos profissionais envolvidos em tais atividades [serviços de informação durante a guerra]: sua incapacidade de dominar línguas estrangeiras e a fraqueza de suas especializações tópicas”.
A sugestão de Ackerman para a retificação dessa deficiência maior do trabalho geográfico exigia muito mais pesquisa e treino nas especializações sistemáticas.
Esse descontentamento contribuiu para fomentar uma revolução contrária ao paradigma regional nos Estados Unidos, e credita-se a Schaefer uma das primeiras contribuições para as mudanças que se seguiriam no campo da Geografia após o fim da guerra.
Em 1953 foi publicado o artigo no qual Schaefer critica o excepcionalismo em Geografia. Esse trabalho foi publicado após a morte de seu autor e com a colaboração de Gustav Bergmann, um dos membros do Círculo de
Viena, que atuou junto com Schaefer em universidades americanas após a fuga da Europa em guerra. Embora o artigo de Schaefer não tenha produzido muita reação direta na literatura impressa, conforme considera Johnston (1986, p. 77), ele provocou uma resposta considerável de Hartshorne.
As colocações iniciais do artigo de Schaefer se dirigiam à situação do debate metodológico em Geografia. Ele menciona que certas noções fundamentais permaneciam incontestadas há décadas, enquanto outras permaneciam meio esquecidas, dispersas e expostas à erosão lenta. Assim, Schaefer faz menção aos trabalhos de natureza metodológica de Hettner e Hartshorne, como representantes da situação de inércia do debate metodológico em Geografia.
A postura dos geógrafos ao escrever sobre o objetivo e a natureza de sua disciplina, segundo o autor em questão, se caracterizava por uma contradição, pois, “geógrafos que escrevem sobre o escopo e a natureza da geografia, muitas vezes iniciam humildemente [...]. E [...] prosseguem fazendo reivindicações exorbitantes”.
Nesses escritos, a geografia, aliada à história, surge como a ‘ciência integradora’, totalmente diversa das outras disciplinas, cuja importância singular expressa-se nos métodos especiais que precisa adotar para atingir seus resultados profundos. Infelizmente, os resultados práticos da pesquisa geográfica [...] não chegam a revelar os novos e profundos insights que se tende a esperar de tão exuberantes caracterizações do campo [...]. (SCHAEFER, 1977, p. 6)
Após expor suas impressões sobre o modo como os geógrafos tratavam questões metodológicas, o autor tece considerações críticas sobre a metodologia empregada na Geografia até aquela ocasião.
Com o desenvolvimento das ciências naturais nos séculos XVIII e XIX, tornou-se evidente que uma simples descrição não seria suficiente. Uma descrição, mesmo seguida por uma classificação, não explica a maneira pela qual os fenômenos estão distribuídos no mundo. Explicar os fenômenos, que foram descritos, significa sempre reconhecê-los como casos ligados a leis. [...] a ciência não se interessa tanto pelos fatos individuais, quanto pelos padrões que eles exibem. [...].(SCHAEFER, 1977, p. 7)
Johnston (1986, p. 74) explica que a intenção de Schaefer era criticar as alegações ‘excepcionalistas’ da Geografia Regional, e apresentar a
argumentação de que a disciplina deveria adotar a filosofia e os métodos da escola positivista da ciência.
Temos observado que existe um grupo inteiro de ideias que são variantes de um tema comum: a geografia difere completamente das demais ciências, sendo metodologicamente única, por assim dizer. Esta atitude tem sido influente e persistente nas suas diversas variações, merecendo uma denominação própria. Eu a chamarei de excepcionalismo e passarei a investigar algumas de suas raízes históricas. (SCHAEFER, 1977, p.13)
Para Schaefer (1977, p. 8), as raízes do excepcionalismo em Geografia mantinham relação com o ponto de vista corológico, que é a base da ideia da diferenciação de áreas. Esse ponto de vista, segundo o autor, “apresentou à geografia um problema que tem causado maiores polêmicas e equívocos metodológicos do que qualquer outro”.
A inserção do excepcionalismo na Geografia se deve a Kant, a quem se atribui o papel de “pai” do excepcionalismo.
O pai do excepcionalismo foi Immanuel Kant. [...] Kant fez a reivindicação excepcionalista não apenas para a geografia, mas também para a história. Segundo ele, a história e a geografia acham-se em uma posição excepcional, diferente daquela das chamadas ciências sistemáticas. [...] Esta é, sem dúvida, uma das raízes da variante histórica da reivindicação do caráter único (uniqueness), com a qual teremos de lidar agora [...]. Tanto a história quanto a geografia são essencialmente corológicas. A história ordena os fenômenos no tempo, e a geografia no espaço. Ambas, em contraste com as demais disciplinas, integram entre si fenômenos heterogêneos. Ainda mais, esses fenômenos são únicos [...]. Assim ambos os campos se confrontam com a tarefa de enfrentar o único. Tal explicação é, portanto, diversa de toda explicação cientifica que ‘explica’ subordinando fatos a leis [...]. (SCHAEFER, 1977, p.13)
Foi por conta da influência de Kant sobre o pensamento de Hettner que, por sua vez, exerceu influência sobre o pensamento de Hartshorne, que o excepcionalismo teria sido inserido na Geografia.
O argumento do caráter único da Geografia estava relacionado ao paralelismo de Kant entre a História e a Geografia, que era enaltecido por Hartshorne, o principal protagonista da linha do historicismo16 na América do Norte.
Por conta dessa orientação historicista, Hartshorne adotava a terminologia que faz a
16 Cf. ABBAGNANO, N. Dicionário de filosofia. Tradução de A. Bossi e I. C. Benedetti. 5 ed. São
distinção entre disciplinas idiográficas e nomotéticas. “Aquelas descrevem o único; estas procuram leis”. (SCHAEFER, 1977, p. 24)
Ao artigo de Schaefer, Hartshorne respondeu três vezes. A primeira resposta foi escrita sob a forma de uma carta ao editor dos Annals, cujo propósito era indicar falhas na formação de Schaefer. Embora a maior parte da carta tivesse sido organizada para sustentar a afirmação de que Schaefer era limitado em suas referências, tirava conclusões insustentáveis e modificava os pontos de vista de outros, a parte final apresenta um exame da argumentação antiexcepcionalista. (JOHNSTON, 1986, p.77-78)
A segunda resposta abordava a alegação de Schaefer de que Kant era a fonte da visão excepcionalista. Por fim, Hartshorne produziu uma monografia intitulada Perspective on The Nature of Geography, na qual além de procurar responder em detalhe a Schaefer, ele fornecia uma metodologia para que a Geografia respondesse às suas necessidades de novas abordagens conceituais, e meios mais efetivos de medir as inter-relações dos fenômenos. (JOHNSTON, 1986, p.79)
A despeito dessa mobilização de Hartshorne, foi a visão de Schaefer que prevaleceu nos Estados Unidos e no Reino Unido a partir de meados dos anos 1950, ainda que “o alcance da influência pessoal de Schaefer, baseada em seu artigo de 1953, tenha sido muito pequeno” e ele não figure entre os iconoclastas da “revolução”. (JOHNSTON, 1986, p.81-82)
2.4 O método científico e as mudanças metodológicas nos