A. RENFORCER L’INDÉPENDANCE FONCTIONNELLE DES AAI
2. L’adéquation des moyens de chaque autorité à ses missions
A escolha do Campus Santa Inês para a realização da pesquisa empírica se deu a partir dos resultados de uma busca por experiên- cias na Rede Federal que articulassem o Proeja com a Pedagogia da Alternância em todo o país. A condição regular de funcionamento do curso do referido campus contribuiu para a sua escolha, pois nos permitia o efetivo contato com os sujeitos da pesquisa.
Através de uma abordagem qualitativa, que compreende a pesquisa como um processo que visa conhecer, interpretar e contri- buir com a transformação de uma realidade dinâmica e heterogênea, e não apenas procurar respostas e confirmar hipóteses (GAMBOA, 2003), a pesquisa se desenvolveu na forma de um estudo de caso3.
Como instrumentos de coleta de dados, foram adotados a pesquisa documental e bibliográfica, além da realização de entre- vistas e grupo de discussão e observação, tendo como sujeitos parti- cipantes professores, gestores e estudantes.
Na pesquisa documental e bibliográfica primou-se pela análise de estudos referentes à EJA, ao Proeja e à Pedagogia da Alternância. Foram analisados textos oficiais, nacionais e institucionais (leis, decretos, pareceres, resoluções, projetos pedagógicos, editais de seleção e relatórios institucionais), livros e produções acadêmicas (dissertações e teses).
Visando coletar indícios dos modos como os sujeitos percebem e significam sua realidade (DUARTE, 2004), optamos pela realização de entrevistas, visto que possibilitaria melhor compreensão das práticas desenvolvidas na experiência analisada.
Optou-se por entrevista de caráter semi-estruturado, combi- nando perguntas abertas e fechadas, previamente definidas, permi- tindo que o entrevistado pudesse discorrer sobre o tema proposto. De certo modo, tentou-se uma aproximação da perspectiva da entrevista
3 Técnica que possui como objeto um elemento com características definidas, uma insti-
tuição, um programa, uma experiência com sujeitos detentores de conhecimentos específicos sobre as questões que norteiam o estudo proposto (ALVES-MAZZOTTI; GEWANDSZNAJDER, 2001).
compreensiva no sentido de “permitir a construção da problemá- tica de estudo durante o seu desenvolvimento e nas suas diferentes etapas”, possibilitando alterações nas questões em função do direcio- namento desejado no processo de investigação (ZAGO, 2003, p. 295).
Destaca-se que a direção da instituição, especialmente a coor- denação do curso, colaborou muito com a realização das entrevistas, principalmente durante a primeira intervenção, quando foi possível perceber algum preparo para a escuta dos sujeitos, inclusive com a definição de local apropriado e certo conhecimento dos mesmos em relação à pesquisa. O que não ocorreu durante a segunda intervenção, quando não houve uma regularidade de local. As entrevistas acon- teceram onde era possível, e nem sempre em espaços com o silêncio adequado. Conforme Zago (2003, p. 298), o ambiente onde se dá a escuta dos sujeitos é “uma condição importante na produção dos dados”.
Foram entrevistados quatro gestores e seis professores, priman- do-se, dentre os primeiros, por aqueles que possuíam um conhe- cimento maior sobre o processo de implantação do curso Proeja/ Alternância na instituição. Já entre os professores, procurou-se distribuir igualmente a quantidade de entrevistas entre aqueles vinculados às disciplinas da formação básica e da formação profis- sional, buscando contemplar homens e mulheres, com vínculos institucionais efetivos e temporários.
Os encontros com os estudantes se deram sempre na sala de aula do Proeja, em um ambiente tranquilo e acolhedor. Em decor- rência da boa interação estabelecida com os estudantes desde os primeiros contatos, foi possível realizar um grupo de discussão e a observação do Dia de Campo4.
O grupo de discussão possibilitou o conhecimento da reali- dade pesquisada mediante a troca entre os sujeitos participantes.
4 A atividade consiste em um momento mensal, realizado normalmente em dias de sábado,
organizado pelos estudantes em conjunto com o coordenador do curso e, às vezes, com algum professor. Os estudantes pesquisam, previamente, as demandas das comunidades, suas necessidades, e, a partir dos resultados desse diagnóstico, planejam as atividades que mais se aproximam do atendimento promovido.
A construção de dados de pesquisa nesta técnica de entrevista está condicionada pelas relações instauradas no ambiente, assumindo, conforme Weller (2006), uma perspectiva voltada para o conheci- mento dos contextos sociais e dos modelos que orientam as ações dos sujeitos.
Segundo Santos (2008, p. 3), o grupo de discussão é uma técnica de pesquisa muito apropriada em contextos escolares, pois possibi- lita um olhar para a “complexidade, a diversidade e a interação de determinadas situações educativas” próprias do universo escolar. A autora afirma que “ao trabalhar com a fala e situando-se dentro das perspectivas do discurso social”, esta técnica “pode permitir chegar a um tipo de informação diferente daquela a que se chegaria com o recurso a outras técnicas”.
A metodologia construída para esta atividade teve como momento inicial a apresentação de todos os presentes, o que promoveu a identificação dos participantes. Em seguida, em função dos objetivos da pesquisa, com a intenção de direcionar a discussão, a conversa foi conduzida tendo como base o roteiro de entrevistas.
O diálogo com os estudantes aconteceu durante os turnos das aulas, envolvendo entre dez a dezenove participantes que aderiram espontaneamente à pesquisa, tendo total liberdade para se expressar, manifestando suas percepções sobre a formação profissional em que estavam envolvidos.
A observação, nesta pesquisa, é encarada como importante instrumento na revelação de dados e construção de hipóteses. Na perspectiva de Melucci (2005), o pesquisador é por natureza um observador da realidade e de suas representações, e estas, por sua vez, estão a todo tempo em um processo contínuo de (des)construção. Mais que observar a realidade, o observador se encontra inserido no campo de estudo, tendo como consequência a compreensão de que “cada observação é, por definição, sempre intervenção” (MELLUCCI, 2005, p. 318).
A observação do Dia de Campo (Tempo Comunidade) foi um momento importante para a compreensão do cotidiano formativo
dos estudantes, pois foi possível acompanhá-los em seus espaços de origem, suas comunidades, e conhecer como os mesmos se organizam e desenvolvem seu aprendizado durante esse tempo de formação.
Todo o trabalho com as entrevistas e com o grupo de discussão foi gravado com a autorização dos sujeitos, gerando um tempo aproximado de seis horas de áudio. As entrevistas foram posterior- mente transcritas para a devida análise. Todo o material empírico da pesquisa de campo foi organizado tendo em vista a análise de conteúdos, buscando identificar as ideias recorrentes, frequentes ou contraditórias percebidas durante o processo.
Segundo Bardin (2009), a análise de conteúdo refere-se a um conjunto de técnicas de análise de comunicação que utiliza proce- dimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens e busca encontrar indicadores que permitam inferir sobre uma realidade que não a mensagem. Nesta perspectiva, o trabalho visou, principalmente, a determinação das condições de produção dos textos, e não propriamente o texto em si.
Após a transcrição das entrevistas, todo o conjunto de informa- ções recolhidas junto aos entrevistados foi fragmentado em eixos temáticos iniciais e, em seguida, reorganizado em subeixos mais precisos em torno dos quais foram estabelecidas as falas dos entre- vistados a partir da fragmentação dos discursos (DUARTE, 2004).