Chapitre 5 : Sélection de biomarqueurs
5.1 Analyse en composantes principales
5.1.4 L'ACP pour la sélection d'attributs : Principal Feature Analysis
Inauguramos a análise de conteúdos das notícias publicadas entre o período de 2013 e 2016, respeitando a cronologia da publicação das mesmas, por considerarmos a fase preliminar do projeto municipal para o antigo Matadouro Industrial do Porto. Nesta cidade, o ano de 2013 foi marcado por alterações no plano político da autarquia, de
campanha eleitoral e eleições autárquicas19, onde foram apresentadas pretensões de novos
planos e dinâmicas no antigo Matadouro, bem como novas perspetivas para a zona oriental. Por sua vez, foi em 2016 que aconteceu a apresentação pública do projeto municipal para o antigo Matadouro e, por isso, estes são os marcos que justificam e intervalam aquilo que consideramos fase preliminar do projeto.
A partir notícia “Pizarro quer incubadora de empresas no antigo matadouro
industrial”20,e considerando a categoria características gerais, objetivos e perceções,
torna-se visível a pretensão do candidato à CMP Manuel Pizarro (PS) - ainda durante a sua campanha eleitoral - em instalar no antigo Matadouro do Porto um Centro de Empresas de Campanhã (CEC), a fim de comungar e solucionar a escassez de recursos económicos camarários e a carência de emprego na localidade:
o CEC insere-se ainda noutro objectivo do PS para o Porto: “devolver à cidade o título de capital do trabalho, distinção que o Porto foi perdendo nos últimos anos e que merece recuperar.
Uma das maiores preocupações que chegam por parte dos cidadãos do Porto está relacionada com o desemprego e a falta de trabalho” pelo que, disse, “com este novo
18 As grelhas de análise do conteúdo do observatório de imprensa estão presentes no anexo 7.
19 Devemos contextualizar o seguinte: o ano de 2013 foi marcado por eleições autárquicas e pela
obrigatoriedade em substituir o presidente da CMP Rui Rio que, por lei, não pode recandidatar-se. Assim, foi um período de mudança política, e regido por campanhas eleitorais, apresentações de manifestos e agendas políticas, das quais surge a ideia mais recente de reabilitação do antigo Matadouro, apresentada pelos candidatos Manuel Pizarro e Rui Moreira.
20“Pizarro quer incubadora de empresas no antigo matadouro industrial”, notícia publicada online pelo
centro empresarial não só se renovará a área como se pretende a criação de 1.500 postos de trabalho.
Pizarro quer incubadora de empresas no antigo matadouro industrial, Porto 24 (2013)
Em relação às linhas estratégicas operacionais direcionadas às intervenções urbanísticas, Manuel Pizarro ambicionava o investimento privado como motor de reabilitação do edificado e revitalização da área envolvente, e considerava que o retorno do capital económico, aplicado por privados, seria conseguido devido à autossustentabilidade do projeto proposto, na qual a CMP teria o papel de delinear o caderno de encargos para a exploração.
Já após a tomada de posse do novo executivo municipal, constituído pela coligação entre o eleito presidente Rui Moreira e o então vereador da Habitação e Ação Social Manuel Pizarro, na sequência depoimento do então novo vereador da Cultura,
Paulo Cunha e Silva21, em “O Porto pode ser um laboratório político-cultural para o
país”22, a política cultural parece ocupar um lugar de destaque na agenda autárquica,
visando, entre outros aspetos, o estado de permanente comunicação com a cidade. Paulo Cunha e Silva, ao apropriar-se do conceito de sociedade líquida de Bauman, corrobora a mudança de diretrizes propostas para a cidade, referindo-se a Campanhã como uma das linhas prioritárias de intervenção cultural, pelo que daí podemos analisar esta viragem à luz da categoria relações com Campanhã e com a cidade, prioridade e necessidades:
essa cidade líquida não é uma cidade cristalizada em torno de uma ideia de bairros. É uma cidade em que tudo pode acontecer em todo o lado. [A freguesia oriental de] Campanhã, por exemplo, será uma área de intervenção cultural fundamental, justamente pela articulação que a cultura deve estabelecer com as zonas mais fragilizadas da cidade.
O Porto pode ser um laboratório político-cultural para o país, Público (2013)
Na senda das linhas estratégicas operacionais direcionada à política cultural, no discurso do então vereador parece estar vincada a preocupação das políticas culturais municipais aplicadas aos territórios mais fragilizados, bem como a intenção de estabelecer parcerias com outros agentes. Assegura, também, a programação cultural
21 Paulo Cunha e Silva faleceu em 2015, sendo as suas funções transferidas para o presidente da CMP Rui
Moreira e para o adjunto do presidente Guilherme Blanc.
22“O Porto pode ser um laboratório político-cultural para o país”, publicado online pelo jornal Público a 17
como linha estratégica, ao invés da criação de novos equipamentos, referindo a escassez de orçamento para a cultura como um constrangimento refletido na forma de pensar as políticas culturais:
quando falo na cultura fora do sítio, estou a pensar, por exemplo, em bairros sociais. E já tenho alguma programação definida: haverá Wagner num bairro. O dinheiro é pouco, mas vamos desenvolver uma política de parcerias e tentar capitalizar o estado de graça que Rui Moreira conquistou.
O Porto pode ser um laboratório político-cultural para o país, Público (2013)
Considerámos a seguinte notícia “Abriram-se os portões do Matadouro para
deixar entrar a cultura”23 por anunciar um acontecimento cultural em Campanhã com
lugar no antigo Matadouro Industrial, este que está encerrado ao público há cerca de duas décadas. Sobre as características gerais, objetivos e perceções, observámos a oportunidade para o público tanto de entrar no antigo Matadouro como também de assistir à rodagem de duas cenas do filme de João Sousa Cardoso “A Santa Joana dos Matadouros”, onde participam atores e habitantes da freguesia de Campanhã. Constatámos a surpresa, através dos testemunhos dos residentes, no momento em que percecionam o portão aberto e de acesso livre e gratuito para acolher um evento cultural, naquele local onde a carnificina era a função principal:
quem chega também minutos antes da hora marcada é Alvina Pinheiro, que teve conhecimento do projecto Cultura em Expansão através da Junta de Freguesia. Alvina está curiosa com o que se vai passar no interior do Matadouro, uma vez que a realidade que conhece é outra. “Conheci o Matadouro quando era novinha e havia muita miséria. Matavam-se aqui os bois e a gente vinha buscar o sangue para cozinhar e comer”, conta.
Abriram-se os portões do Matadouro para deixar entrar a cultura, Público (2014)
Sobre a categoria analítica relações com Campanhã e com a cidade, prioridades e necessidades, analisámos a cultura como motor de felicidade coletiva e de partilha identitária. Seguindo as linhas estratégicas direcionadas à política cultural, o então
23“Abriram-se os portões do Matadouro para deixar entrar a cultura”, publicado online no jornal Público a
vereador da Cultura Paulo Cunha e Silva, vê iniciado um dos planos programáticos culturais “Cultura em Expansão” inaugurado, então, no antigo Matadouro:
“este projecto já fazia parte do manifesto eleitoral, em que tínhamos a convicção de que a cultura não poderia ficar prisioneira dos territórios clássicos e devia expandir-se por toda a cidade e colonizar espaços de zonas mais degradadas, zonas que não fazem parte do itinerário fashion da cidade”, explica [Paulo Cunha e Silva].
Abriram-se os portões do Matadouro para deixar entrar a cultura, Público (2014)
As primeiras pistas que surgem em relação ao projeto municipal para o antigo Matadouro Industrial do Porto chegam do anúncio, em reunião de executivo, do presidente da CMP Rui Moreira, explanado na notícia “Nova casa do Museu da Indústria
será no antigo Matadouro Industrial do Porto”24. Sobre a categoria características gerais,
objetivos e perceções, é possível identificar a intenção de construir uma nova casa para o espólio do Museu da Indústria - este que tem estado desde 2006 encerrado num armazém na freguesia de Ramalde, sem acesso ao público. Neste sentido, o antigo Matadouro Industrial é apontado como local de abrigo para o espólio, sem que sejam avançadas datas ou prazos para a concretização do museu. Nesta direção, e tendo como referência as relações com Campanhã e com a cidade, prioridades e necessidades, parece ser ação prioritária a devolução do museu à cidade - espaço íntimo da história e identidade portuense. Neste sentido, está aplicado o primeiro princípio da política cultural, apresentado por Pinto (1994), sendo este a criação e/ou salvaguarda de infraestruturas básicas especializadas que, neste caso, o futuro espaço museológico pretende comunicar e preservar o produto cultural identitário do passado industrial portuense. Para além do Museu da Indústria, são anunciadas outras propostas para o espaço do antigo Matadouro:
a nossa vontade é que o Museu da Indústria seja devolvido à cidade e que seja instalado no Matadouro, no âmbito do projecto mais vasto que estamos a delinear para lá [Rui Moreira].
Nova casa do Museu da Indústria será no antigo Matadouro Industrial do Porto, Público (2015)
24“Nova casa do Museu da Indústria será no antigo Matadouro Industrial do Porto”, publicado online no
Ainda no plano cultural, analisámos outra notícia referente a um evento cultural
no antigo Matadouro Industrial -“Arquipélago” junta comunidade”25-, evento criado pela
companhia Ao Cabo Teatro. As características gerais podem ser organizadas em dois momentos – o primeiro com a encenação “À Margem da Alegria”, protagonizada por atores e residentes na freguesia; e o segundo momento com a inauguração da exposição “Sem Volta Nunca Mais, Uma Pequena História do Possível” realizada por artistas plásticos. As linhas estratégicas operacionais direcionadas à política cultural dizem respeito à integração de residentes de Campanhã na peça de teatro, sendo este o culminar de um processo de desenvolvimento criativo e coletivo. Neste ponto falamos num princípio fundamental da política cultural com vista à democracia cultural – formação e alargamento de públicos – com a participação da comunidade em projetos artísticos diminuindo, assim, a distância entre a obra e o recetor. Este evento surge da programação municipal “Cultura em Expansão”, tal como vimos anteriormente, é um plano cultural aplicado ao território, que pretende levar as práticas e expressões artísticas a locais mais debilitados economicamente:
pretende-se pensar a partir dos territórios concretos de intervenção, pensar a pólis, a república e a democracia, com as armas da criação artística, com os habitantes e com as comunidades envolventes.
Arquipélago junta comunidade, Público (2015)
Lançadas as pistas, surgem, um mês depois, os primeiros esboços do projeto em
“Matadouro vai ter gastronomia, arte, empresas e investigação”26, onde podemos analisar
as ambições municipais para o espaço. Este projeto vem no seguimento da candidatura submetida ao Programa Operacional Regional Norte 2020/setembro 2015 do PEDU, que visa a implementação de espaços a várias áreas do empreendedorismo, cultura e conhecimento, e vem afirmar o antigo Matadouro como pilar fundamental para o desenvolvimento económico, urbano e social da zona:
25“Arquipélago junta comunidade”, publicado online pelo portal de notícias do Porto., a 1 de novembro de
2015.
26“Matadouro vai ter gastronomia, arte, empresas e investigação”, publicado online pelo jornal Público na
a Câmara do Porto pretende dotar o antigo Matadouro Municipal de espaços de incubação de empresas, estúdios de novos media, lazer, investigação, gastronomia, arte contemporânea e residências, transformando o equipamento numa âncora da revitalização da zona de Campanhã.
Matadouro vai ter gastronomia, arte, empresas e investigação, Público P3 (2015)
Tendo como referência as relações com Campanhã e com a cidade, prioridades e necessidades, o executivo de Rui Moreira reforça a prioridade da ascensão da atratividade da freguesia de Campanhã e, consequentemente, da restante área municipal através da implementação do projeto referido:
o PEDU nota que se pretende criar no Matadouro “um pólo de inovação e de criação, com uma capacidade de atracção, seja no que respeita aos profissionais seja ao nível dos visitantes que se estende a toda a cidade ao espaço metropolitano”.
Matadouro vai ter gastronomia, arte, empresas e investigação, Público P3 (2015)
No que diz respeito às linhas estratégicas operacionais direcionadas à política cultural e às intervenções urbanísticas, o futuro equipamento será composto por múltiplos espaços dedicados a vários setores, desde o empreendedorismo à criação artística. Com a implementação do projeto, o executivo da CMP considera o efeito imediato na regeneração da área, ao qual se juntam outros dois projetos municipais – reconversão da estação de recolha da STCP e da antiga fábrica “A Invencível”, situada a metros do antigo Matadouro:
este polo deverá configurar-se como alavanca da regeneração urbana da envolvente imediata, designadamente em articulação com os projectos de requalificação previstos para a Praça da Corujeira e para o espaço público que liga ambos. Adicionalmente espera-se que os efeitos de difusão se alarguem a toda a área oriental da cidade, claramente marcada por um contexto socioeconómico vulnerável.
Matadouro vai ter gastronomia, arte, empresas e investigação, Público P3 (2015)