Carte 18 Standard d’habitat en
3. LES ÉVOLUTIONS SOCIO-ÉCONOMIQUES ET SOCIODÉMOGRAPHIQUES
3.2 L’ ÉVOLUTION DES VOLUMES DE POPULATION 1 Mise en contexte internationale
Nesta seção discorre-se sobre o modelo disciplinar, que continua válido, vi- gente e é utilizado por muitas instituições de ensino e pesquisa. Também são apre-
sentadas definições referentes à pluri, a inter e a transdisciplinaridade. A pluridisci- plinaridade continua arraigada ao modelo disciplinar, enquanto a interdisciplinarida- de e a transdisciplinaridade pretendem ser modelos que visam romper o paradigma da unicidade e da unicausalidade científica.
2.4.1 Visão Geral
O modelo unidisciplinar continua sendo hegemônico. Em todos os níveis aca- dêmicos, depara-se com a divisão dos conteúdos em disciplinas, cabendo ao apren- diz fazer ou não a integração dos conteúdos. Não é difícil perceber enormes lacunas entre essas diversas disciplinas, e que a comunicação entre os vários campos do conhecimento praticamente inexiste. Isso compele respostas simplórias para ques- tões complexas; opta-se pela objetividade exarcebada em detrimento da subjetivida- de.
2.4.2 Disciplinaridade, pluridisciplinaridade e interdisciplinaridade
A divisão disciplinar teve sua gênese no século XIX, e buscava organizar o caos instaurado pelas revoluções sociais e intelectuais que, além de outras coisas, buscam na Teologia a única possibilidade de conhecimento. Augusto Comte propõe uma divisão positivista e disciplinar da hierarquização das ciências, na qual o foco maior passa a ser a matemática, divisão esta que passou a ser extensamente ado- tada pelo mundo Ocidental (PINEAU, 2000).A disciplinaridade traz consigo a objetividade, em que tudo se restringe a ver- dadeiro ou falso, ao bem ou ao mal. Segundo Nicolescu (1999), esta mesma objeti- vidade trouxe consigo algo inevitável: a transformação do sujeito em objeto.
“O ser humano torna-se objeto: objeto da exploração do homem pelo homem, objeto de experiências de ideologias que se anunciam científicas, objeto de estudos científicos para ser dissecado, formalizado e manipulado. O homem-Deus é um homem objeto cuja única saída é se autodestruir” (NICOLESCU, 1999, p. 18).
A indispensabilidade de comunicação entre as mais variadas áreas do conhe- cimento, provocou, em meados do século XX, o surgimento da pluridisciplinaridade e da interdisciplinaridade.
2.4.3 A transdisciplinaridade
Segundo Nicolescu (1999, p. 45), “a pluridisciplinaridade diz respeito ao estu- do de um objeto de uma mesma e única disciplina por várias disciplinas ao mesmo tempo”. Ou seja, apesar da pluridisciplinaridade ir além da disciplinaridade, a mesma ainda continua ligada à estrutura da pesquisa disciplinar.
Já a interdisciplinaridade propõe a transferência de métodos entre diversas disciplinas, sendo assim mais ousada que a pluridisciplinaridade (NICOLESCU, 1999).
Mas estas duas novas formas de evolução da disciplinaridade mostraram-se limitadas e pouco evoluídas com relação às barreiras ainda perceptíveis e existentes entre as disciplinas. Necessitava-se de um método que fosse capaz de ir além das fronteiras entre as disciplinas, que transcendesse a retórica disciplinar vigente à é- poca. Dessa forma, há três décadas, pesquisadores como Jean Piaget, Edgar Morin, Eric Jantsch, entre outros, enveredaram na proposição e na definição do termo transdisciplinaridade. Nicolescu (1999, p. 46) afirmaque transdisciplinaridade:
“... diz respeito àquilo que está ao mesmo tempo entre as disciplinas, através das diferentes disciplinas e além de qualquer disciplina. Seu objetivo é a compreensão do mundo presente, para o qual o impera- tivo é a unicidade do conhecimento.”
Uma outra definição, complementar a esta apresentada por Nicolescu (1999), é a em que Berger (1997, p. 178) coloca que a transdisciplinaridade:
“... manifesta não somente como um tipo de “progresso” que seguiria a multi pluri interdisciplinaridade, mas coloca-se como a passagem que conduz da fragmentação, do corte do real, à recuperação da in- tegralidade. O transdisciplinar atravessa as disciplinas, manifestando, no transcorrer de sua emergência, um poder de polarização generali- zada”.
Em uma era em que as tecnologias da inteligência, as comunidades virtuais, a maximização do poder comunicacional proporcionado pelos websites, e tantos ou- tros facilitadores tecnológicos, a transdisciplinaridade ganhará força e se abastecerá de uma maneira rápida. Até porque, “a transdisciplinaridade se interessa pela dinâ- mica gerada pela ação de vários níveis de Realidade ao mesmo tempo” (NICOLES- CU, 1999, p. 47).
Na visão transdisciplinar, vários níveis de Realidade são considerados, ou se- ja, uma Realidade multidimensional em vários níveis, colocando em desuso a acei- tação inquestionável de uma Realidade unidimensional, de um único nível, apresen- tada pelo pensamento clássico. Em resumo, as realidades não são unireferenciais, mas multireferenciais. (NICOLESCU, 1999)
O reducionismo das realidades a um único ponto de estudo ou interesse mos- tra-se insuficiente e em muitas situações perigoso. Para Nicolescu (1999, p.74):
“A Realidade reduzida ao Objeto leva aos sistemas totalitários. A Re- alidade reduzida ao Sagrado leva aos fanatismos e integralismos re- ligiosos. Uma sociedade viável só pode ser aquela onde as três face- tas da Realidade estejam reunidas de maneira equilibrada”.
A transdisciplinaridade apresenta-se como algo que transformará a sociedade no seu todo, que tem como intuito provocar uma mudança radical nos tradicionais pilares que sustentam a disciplinaridade como ela se apresenta hoje, a qual é de uma forma unireferencial e unidimensional. Apresentando como uma via potenciali- zadora na comunicação entre as disciplinas e a possibilidade de descoberta daquilo que está além destas mesmas disciplinas, onde o intuito maior é que se alcance “um espaço ilimitado de liberdade, de conhecimento, de tolerância e de amor” (NICO- LESCU, 1999, p. 76).
Mas o transcender não está reduzido somente ao campo das pesquisas disci- plinares, mas também se observa e há aplicabilidade de ir além, entre e através em outras áreas. Na seara cultural, também existe a possibilidade de ir além, entre e através. No envolvimento e na relação entre as várias expressões artísticas, há o aparecimento de novidades, inesperadas e inéditas, que são propiciadas por esta interação. Sendo assim, surge uma nova perspectiva de se pensar cultura, ou seja, de uma forma trans, a transculturalidade.