• Aucun résultat trouvé

L’ÉVOLUTION DES CAPACITÉS OPÉRATIONNELLES DE LA FLOTTE

Dans le document AVIS N° 548 (Page 185-195)

CHAPITRE V - OUVERTURE DU CAPITAL DE CERTAINES ENTREPRISES DU

II. L’ÉVOLUTION DES CAPACITÉS OPÉRATIONNELLES DE LA FLOTTE

Para Lévy (1999 apud HAESBAERT, 2004 p. 271), o ciberespaço, o qual também chamou de “rede” é mais o novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores.

O termo especifica não apenas a infraestrutura material da comunicação digital, mas também o universo oceânico de informações que ela abriga, assim como os seres humanos que navegam e alimentam esse universo. Eu defino ciberespaço como o espaço de comunicação aberto pela interconexão mundial dos computadores e das memórias dos computadores. (LÉVY, 1999, apud HAESBAERT, 2004, p. 271).

Toda essa revolução que se configurou no ciberespaço abriu novas portas para outro tipo de relacionamento entre sujeito e máquina. E essa nova relação gerada originou um novo agente de ações, o que chamamos de “internauta”. Segundo Gauterio (2008, p. 43) a sociedade pós-moderna e suas tecnologias sempre mutantes e inovadoras ampliaram ainda mais as possibilidades para garantir que os “internautas” não tenham dificuldade de permanecerem on line em qualquer hora ou em qualquer lugar.

Lévy (2000) aponta também que a característica mais atrativa do ciberespaço seja exatamente a capacidade de combinar a comunicação interativa e a coletiva. Podemos aqui identificar que o ciberespaço tem atraído de forma significativa, a luta pelas causas de LGBT‟s, pois torna-se esse espaço de liberdade, interação, comunicação e coletividade.

Outro importante elemento está na materialização dos lugares de encontros de sujeitos orientados para o mesmo sexo, ou seja, o ciberespaço possibilita a construção de uma cultura LGBT e a constituição dos movimentos de luta pelo reconhecimento social, principalmente em termos de uma luta para a desconstrução do componente heteronormativo da sociedade moderna brasileira.

Nussbaumer (2008, p. 213) também afirma que a Internet se inseriu rapidamente em nosso cotidiano, sobretudo porque os indivíduos decidiram partilhar através dela aquilo que lhes interessa, e desta forma, não é a técnica que vem determinando as relações sociais na rede, mas sim as características das relações sociais que vêm se apropriando dela e dando sentido a seu uso.

Com as facilidades que a rede oferece, em particular com a criação do correio eletrônico e das listas de discussão, emerge uma infinidade de comunidades virtuais cujos membros, dispersos geograficamente, se reúnem no ambiente virtual, a partir de afinidades ou de interesses comuns. Em relação ao público gay, o ambiente on line assume uma importância ainda maior, pois o ambiente off line não oferece para esse público as mesmas oportunidades que oferece para os heterossexuais, em termos de sociabilidade e processos identificatórios. Além disso, na rede, os homossexuais têm a possibilidade de encontrar ou construir comunidades que atendam seus interesses específicos em termos de sociabilidade. A comunidade gay no ciberespaço é composta por inúmeras

subcomunidades: de jovens gays, de lésbicas adolescentes, de judeus gays, de militantes pelos direitos de GLBT, de advogados gays, e assim por diante. (NUSSBAUMER, 2008. p. 204).

Neste sentido, a construção de um ambiente virtual baseado na disseminação regional das redes técnicas, que possibilitam a emergências de redes sociais virtuais, torna-se uma importante espacialidade de encontro, de debate e de afirmação sexual e política de sujeitos e grupos orientados para o mesmo sexo.

Além de oferecer os suportes para a criação, organização e compartilhamento desses lugares-territórios virtuais, a Internet também potencializa a diversificação das interações e, com isso, a multiplicação das identidades e identificações culturais como definem Fragoso, Rebs, Barth (2010, p. 06):

Ou seja, a facilitação das interações sociais pela Internet potencializou as “múltiplas „tribos‟ a que cada um pode pertencer [e que] revelariam múltiplas territorialidades, efêmeras, que assumiríamos ao longo de nosso cotidiano” (HAESBAERT, 2007, p. 226). Nesse processo, as vinculações identitárias individuais e coletivas transpõem-se para as representações online (ou seja, para os lugares-territórios virtuais), potencializando a experiência multiterritorial ao ampliar a gama de territórios dos quais o sujeito pode fazer parte tanto material quanto simbolicamente. (FRAGOSO, REBS, BARTH, 2010, p. 06).

Turkle (1997, p. 13) também acredita que: “as experiências na Internet podem vir a ocupar um lugar de destaque na história, no que se refere à construção das identidades”. Essas identidades são fortalecidas por uma multiterritorialidade, ligando diferentes territórios e contribuindo para a materialização de apenas uma territorialidade específica, neste caso, a Festa da Diversidade.

Outra definição importante encontrada em Recuero (2010, p. 32) afirma que a interação social, no âmbito do ciberespaço, pode dar-se de forma síncrona ou assíncrona. Essa diferença remonta a construção temporal causada pela mediação, atuando na expectativa de resposta de uma mensagem. Para a autora, uma comunicação síncrona é aquela que simula uma interação em tempo real. Deste

modo, os agentes envolvidos têm uma expectativa de resposta imediata ou quase imediata. É o caso, por exemplo, dos canais de chat, ou mesmo de conversas nos sistemas de mensagens. Os e-mail, ou um fórum, por exemplo, têm características mais assíncronas, pois a expectativa de resposta não é imediata.

No caso da organização da Festa da Diversidade, as interações no ciberespaço, podem se estabelecer de forma síncrona, pois a mediação pode ser imediata, através da ferramenta MSN16, onde os sujeitos estão presentes quase em tempo real, ou de forma assíncrona, quando os sujeitos envolvidos apenas recebem ou solicitam informações via comunidades virtuais da Festa ou apenas pesquisam as páginas destas comunidades.

Outro elemento importante do estudo dessa apropriação do ciberespaço como representações e extensões do espaço social dos atores é a percepção de quem são eles. Donath (2000, apud RECUERO, 2010, p. 29) aponta que grande parte do processo de sociabilidade está baseada nas impressões que os atores sociais percebem e constroem quando iniciam sua interação.

Essas impressões são em parte construídas pelos atores e em parte percebidas por eles (Goffman, 1975) como parte dos papéis sociais. Ribeiro (2005) defende que essas representações são possíveis graças à possibilidade de interação dos ambientes no ciberespaço. Através da comunicação entre os atores no ciberespaço, afirma o autor, é que a identidade desses é estabelecida e reconhecida pelos demais. (RECUERO, 2010, p. 29).

É através dessas impressões produzidas na interação dos ambientes do ciberespaço que a Festa da Diversidade também estabelece uma identificação e reconhecimento entre sujeitos LGBT‟s, ou seja, os atores nela envolvidos acabam por se reconhecer e identificar, fazendo com que os mesmo se interessem em deslocar-se para a cidade de Cruz Alta-RS e participar do evento.

16

MSN Messenger é um programa que permite conversas instantâneas entre usuários conectados à Internet em qualquer parte do mundo. O serviço é de propriedade da empresa Microsoft e foi lançado em 1999 e deixou de existir no ano de 2013.

A partir daqui, entender as redes sociais que se constituem como espaços de excelência nos quais se tecem táticas políticas de lideranças e de grupos comprometidos com as lutas de reconhecimento LGBT‟s é indispensáveis.

Dans le document AVIS N° 548 (Page 185-195)