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L’établissement du corpus et le plan de travail

A maior parte das entrevistadas afirmaram que irão amamentar seus bebês até o sexto mês de vida, e utilizar após o desmame uma alimentação o mais natural possível. Contudo, uma das gestantes já no 20º dia de vida do bebê interrompeu a amamentação para substituição por fórmulas infantis sem justificativa médica para tal.

Além das fórmulas infantis, outros tipos de alimentos industrializados foram citados, como papinhas, sopinhas, iogurtes, e que serão segundo elas, utilizados tão logo o bebê seja desmamado. Apenas uma gestante buscou orientação médica em relação à alimentação do bebê.

“Quero amamentar se possível até os seis meses, eu quero seguir a orientação da médica, assim, começa a introduzir sucos, frutas, tudo o mais n⌠tur⌠l”. (TT)

Além disso, grande parte das entrevistadas dizem ser influenciadas por ferramentas de comunicação como: publicidades, promoções, principalmente voltados a produtos infantis, incluindo aí os alimentos e fórmulas infantis, podendo com isso estabelecer um contexto de vulnerabilidade no consumo, tendo em vista que muitos produtos utilizados pelas gestantes são prejudiciais a saúde do bebê, e não enquadram- se nas recomendações dos médicos e do ministério da saúde de maneira geral (BAKER et. al. 2005).

“Não m⌠mou não, só m⌠mou 20 di⌠s, p⌠ssou por todos os N⌠n´s possíveis”. (P.A)

“Olhe, sim, é, dependendo de como v⌠i ser ⌠ ⌠ceit⌠ção del⌠, eu pretendo usar, o Nan né? P⌠pinh⌠s não, eu prefiro n⌠tur⌠l”. (C.A)

“Após os seis meses eu vou f⌠zer uso sim, porque não sei t⌠m⌡ém se ⌠ nenenzinha vai se adaptar, tem que ver né? mais eu prefiro mas n⌠tur⌠l”. (AN)

“No começo não, ⌠té enqu⌠nto puder ⌠m⌠ment⌠r sim, não gosto muito desses alimentos, mais minha mãe fala que eu gostava de Danoninho, essas cois⌠s, então vou d⌠r”. (WY)

“Alimentação natural, mais quando a gente viaja, tem que usar, Nan, Papinha, Suquinho”. (AL)

“Eu quero f⌠zer p⌠pinh⌠ n⌠tur⌠l, cozinh⌠r ⌡⌠t⌠tinh⌠, c⌠rne. Mingau eu não pretendo, só a partir dos 6 meses mesmo. Não aquelas sopinhas enlatadas, m⌠s Iogurte, D⌠none, com certez⌠ eu vou compr⌠r”. (MR)

Algumas gestantes relataram que farão uso da amamentação, e que suas escolhas serão voltadas à saúde do bebê, portanto, os consumos de alimentos industrializados não estão inclusos nas suas escolhas que deverão verter sobre uma alimentação mais rica e natural possível.

“Tudo n⌠tur⌠l, frutinh⌠. Quero ⌠liment⌠r el⌠ o m⌠is n⌠tur⌠l possível”. (E.M) “Até ⌠os seis meses só amamentação, depois papinha de legumes. Não gosto de d⌠r esses enl⌠t⌠dos não”. (JL)

“Quero ⌠m⌠ment⌠r, com certez⌠, quero ser mãe por completo, tudo n⌠tur⌠l”. (VL)

“Prefiro não d⌠r enl⌠t⌠dos, eu quero d⌠r cois⌠ m⌠is s⌠udável ⌠ ele”. (CR) “Eu nunca dei aquela sopinha de potinho pro meu filho, minha mãe sempre diz que tudo de supermercado tem conservante, agora meu filho não pegava o peito de jeito nenhum, eu tirava o leite e dava de colherzinha, mais aí o leite foi secando porque não tinha o estímulo, mais nessa gestação com certez⌠ vou ⌠m⌠ment⌠r meu filho, com certez⌠!”. (JN)

No Brasil a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) é quem regula, controla e fiscaliza a fabricação, comercialização e distribuição de diversos produtos infantis. Especificamente para produtos destinados a recém-nascidos e crianças de até três anos de idade, a ANVISA criou a Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, Bicos, Chupetas e Mamadeiras (NBCAL) que corresponde a um conjunto de regulamentações sobre a promoção comercial e a rotulagem de alimentos e produtos destinados a recém-nascidos e crianças de até três anos de idade: como leites, papinhas, chupetas e mamadeiras.

O objetivo da NBCAL é assegurar o uso apropriado desses produtos de forma que não haja interferência na prática do aleitamento materno. Mesmo com o reconhecido valor do aleitamento materno como meio de proteção à saúde física e mental da criança, a realidade encontrada no Brasil ainda está distante dos índices desejados (aleitamento materno exclusivo até os seis meses e continuado até os dois anos de idade ou mais) e apresenta um grande índice de desmame precoce (ANVISA, 2011, Online).

Contudo, percebemos que os órgãos de proteção ao consumidor, não estão preparados para monitorar todas as peças promocionais que existem hoje no mercado. Além disso, outros meios mais modernos de comercialização como o comércio eletrônico não estão contemplados na legislação brasileira, gerando insegurança aos consumidores que recebem mensagens diariamente em suas caixas de e-mails, páginas

pessoais de redes sociais, sites, dentre outras formas de publicidade online que tomam conta, no dia-dia de milhares de pessoas.

A publicidade como o “P” mais visível dentro do marketing mix, tem sido frequentemente acusada de ser uma ferramenta persuasiva em excesso, e perniciosa quando utiliza de mecanismos para enganar ou confundir o consumidor. Isto prova a necessidade de uma proteção ainda maior à sociedade para que a mesma não se prejudique com publicidades enganosas. Diversos países possuem seus códigos de ética próprios, e com isso consequem regular peças publicitárias na mídia de forma coercitiva, não apenas censurando, mas instruindo de como se deve fazer publicidade, sem com isso lesar o consumidor. A Austrália é um exemplo de país que monitora principalmente publicidade ao grupo que considera vulnerável, como as crianças e que incentiva sobremaneira a auto-regulação como mecanismo mais eficiente na prevenção à publicidade enganosa (HARKER ; HARKER, 2000).

As entrevistadas, com excessão da que pregou o anticonsumo pela religiosidade, dizem-se sentir atraídas na gestação por publicidades, promoções e outras ferramentas de comunicação que tragam informações de produtos ou serviços para bebês ou gestantes. Parte delas também relataram que em função da publicidade provavelmente farão uso do produto, tendo em vista que lhes causaram algum tipo de emoção. As publicidades que trazem consigo alguma marca de tradição, e que remetem as gestantes ao seu próprio passado e infância também ganham maior atenção na fase gestacional. Outra forte característica listada pelas gestantes é o acesso e pesquisa pela Internet, a grande maioria utiliza esta ferramenta para realizar compras. Além do uso da Internet, revistas e fotos de pessoas famosas gestantes ou com bebês também chama atenção das entrevistadas, e algumas delas até mesmo copiaram a forma de vestir-se da gestante famosa e de seu bebê.

“Vi n⌠ internet, um⌠ dess⌠s f⌠mos⌠s com ⌠ s⌠íd⌠ de maternidade, linda, a roupa do bebê combinando com a da mãe... mas eu achei bem semelhante em Fort⌠lez⌠ e comprei”. (C.A)

“A pu⌡licid⌠de é ⌠ que m⌠is mexe comigo, a forma como o produto chega a você... A Johnson tem cara de bebê, cheiro de bebê, a cara da minha infânci⌠, remete muito ⌠s minh⌠s origens”. (K.F)

“Gosto d⌠ Internet e do produto. Promoção não gosto muito, já penso em produto com defeito, eu procuro qualidade, agora mesmo comprei um casaco pra minha menina pela Internet... Ai enxoval eu pesquisei muito n⌠ Internet”. (E.M)

“Prop⌠g⌠nd⌠ d⌠ fr⌠ld⌠ Pamper´s com as criancinhas assim se arrastando, ⌠chei ⌡onit⌠”. (TT)

“Fico doid⌠ com promoção risos , eu gosto, pra olhar, mesmo que não compre! Essa promoção que houve aqui no Manaíra Shopping, ⌠ff!”. (JE) “Um di⌠ desses eu vi um⌠ prop⌠g⌠nd⌠ d⌠ Johnson. So⌡re x⌠mpu, l⌠v⌠nd⌠sinh⌠, eu vou compr⌠r!”. (VL)

“Gosto d⌠s prop⌠g⌠nd⌠s d⌠ Johnson e d⌠ P⌠mper´s, ger⌠lmente p⌠ss⌠ no intervalo dos jogos, tem a da Hipoglós, que é do tamanho grande, acho muito interess⌠nte e ⌠ gente ⌠c⌠⌡⌠ compr⌠ndo por c⌠us⌠ d⌠ prop⌠g⌠nd⌠”. (AN)

“Pu⌡licid⌠de ch⌠m⌠ ⌠tenção, prop⌠g⌠nd⌠ n⌠ TV, rádio, folder, ch⌠m⌠ ⌡⌠st⌠nte ⌠ minh⌠ ⌠tenção”. (WY)

Abaixo foi abordada a categoria de consumo conspícuo, e de como as mães lidam com a compra de artigos caros ou de luxo na maternidade.