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L’émeute, ou la confrontation des représentations

3. Figurer la domination d'un ennemi sans visage

3.1 Figures du peuple et figures de l'ennemi

3.1.2 L’émeute, ou la confrontation des représentations

As imagens geradas utilizando detectores CCD registram caracter´ısticas que n˜ao est˜ao associadas ao objeto observado. Estas caracter´ısticas est˜ao associadas naturalmente ao instrumento utilizado, e definem o perfil instrumental registrado em todas as imagens geradas com estes detectores. O objetivo do processamento das imagens ´e remover esta influˆencia da instrumenta¸c˜ao nas imagens, de maneira que estas caracter´ısticas inerentes ao processo de medida n˜ao interfiram nas quantidades astrof´ısicas obtidas com o imagea- mento. Existem duas caracter´ısticas instrumentais principais que precisam ser corrigidas: • Bias: um processo inerente ao funcionamento do detector CCD ´e introduzir em cada pixel um n´ıvel m´ınimo de tens˜ao. O objetivo deste procedimento ´e evitar que os pixels registrem contagens negativas, atrav´es da adi¸c˜ao de uma contagem m´ınima mesmo na ausˆencia de sinal. Este “sinal” eletrˆonico, conhecido como overscan (ou pre-scan), ´e aproximadamente o mesmo para cada pixel, e consiste no n´ıvel zero de todas as imagens geradas com o CCD.

Um outro processo que adiciona um n´ıvel de contagens ao CCD est´a associado `a leitura dos pixels ap´os cada exposi¸c˜ao. O processo de leitura ´e realizado sequencial- mente de um lado do chip do CCD at´e o outro, sendo que as cargas acumuladas s˜ao transferidas entre pixels adjacentes neste processo. Este procedimento faz com que seja introduzido um ru´ıdo n˜ao uniforme sobre a imagem, sendo que de um lado da imagem o n´ıvel ser´a maior que do outro. Dessa maneira o padr˜ao bidimensional as- sociado a este processo consiste em uma imagem com uma aparˆencia de um “plano inclinado”.

A imagem de bias consiste na superposi¸c˜ao destes dois processos (overscan e sinal do processo de leitura). Uma imagem deste tipo ´e obtida realizando exposi¸c˜oes curtas (tempo de 1s) com o obturador fechado, detectando ent˜ao uma imagem de n´ıvel zero (Figura 4.7). A imagem de bias deve ser subtra´ıda em todas as imagens geradas com o CCD.

• Flat Field (Campo Plano): A sensibilidade de um CCD `a radia¸c˜ao n˜ao ´e a mesma para todos os pixels. Isso significa que se a mesma radia¸c˜ao com a mesma intensidade incidir sobre um conjunto de pixels do detector, cada um poder´a regis- trar uma contagem diferente, ou seja, existem varia¸c˜oes da resposta do CCD pixel a pixel. Uma maneira de minimizar este efeito ´e incidir uma radia¸c˜ao uniforme sobre o CCD e registrar a imagem (neste caso utilizamos uma tela branca iluminada por uma lˆampada uniforme). O resultado ´e uma imagem de flat field, na qual as pe- quenas varia¸c˜oes de sensibilidade dos pixels s˜ao evidenciadas (Figura 4.7). Todas as imagens de objetos astronˆomicos geradas com o CCD ser˜ao influenciadas por estas varia¸c˜oes pixel a pixel, por isso ´e preciso corrig´ı-las. A corre¸c˜ao consiste em dividir todas as imagens por uma imagem de flat field normalizada (j´a corrigida do bias). Dessa maneira, os pixels que apresentam uma baixa resposta (registrando contagens menores que a m´edia) ter˜ao seu valor de contagem aumentado e o inverso ocorre com pixels que apresentam uma resposta mais elevada.

Figura 4.7: Esquerda: Imagem combinada de Bias usando o CCD106 para as observa¸c˜oes da noite 07/03/2008. O contraste da imagem foi modificado de maneira a evidenciar o desn´ıvel entre a extremidade superior e inferior da imagem gerado pelo processo de leitura. Direita: Imagem combinada de Flat no filtro V, para a mesma noite observacional. As pequenas manchas evidenciam regi˜oes de pixels com sensibilidades diferentes.

Um procedimento que ´e normalmente realizado ´e a obten¸c˜ao de v´arias imagens de flat (para cada filtro), e v´arias imagens de bias. A princ´ıpio, apenas uma imagem de cada tipo j´a seria suficiente para realizar a corre¸c˜ao das imagens dos objetos. No entanto, durante uma exposi¸c˜ao, varia¸c˜oes aleat´orias associadas `a parte eletrˆonica do sistema ou mesmo varia¸c˜oes t´ermicas podem comprometer as imagens de bias ou de flat. Por isso, para cada noite observacional medimos um conjunto de 25 imagens de bias e 25 imagens de flat (para cada filtro). A id´eia ´e combinar as imagens de maneira a obter uma imagem m´edia que possa suavizar poss´ıveis varia¸c˜oes aleat´orias individuais de cada imagem. Esse

procedimento tende a diminuir bastante o desvio padr˜ao associado `as contagens sobre as imagens de bias e flat.

A tarefa utilizada para realizar a combina¸c˜ao das imagens ´e a combine. Em particular as tarefas zerocombine e flatcombine utilizam das ferramentas da combine para realizar esta opera¸c˜ao para imagens de bias e flat, respectivamente. Entre os parˆametros de entrada da combine, ´e preciso prestar aten¸c˜ao especial a dois deles: o algoritmo utilizado para combina¸c˜ao (parˆametro combine.combine), e o algoritmo utilizado para rejei¸c˜ao de pixels (parˆametro combine.reject). No caso do algoritmo de combina¸c˜ao, para as imagens de bias usamos a op¸c˜ao “average”(m´edia), j´a que as varia¸c˜oes poss´ıveis nas exposi¸c˜oes destas imagens s˜ao puramente de natureza aleat´oria. No entanto, para as imagens de flat, usamos a op¸c˜ao “median”(mediana), j´a que neste caso devem predominar as varia¸c˜oes sistem´aticas associadas as diferen¸cas de sensibilidade dos pixels. O algoritmo de rejei¸c˜ao consiste em um procedimento realizado para desconsiderar valores muito discrepantes na combina¸c˜ao de um determinado pixel. Isso ´e importante por exemplo, para rejeitar a utiliza¸c˜ao de pontos nas imagens sobre os quais incidiram raios c´osmicos, variando assim muito o valor de contagem daquele ponto em rela¸c˜ao `aquele mesmo ponto nas outras imagens. O algoritmo escolhido tanto para a combina¸c˜ao das imagens de bias quanto de flat foi o “ccdclip”, que rejeita pixels com valores acima (ou abaixo) de uma determinada faixa de espalhamento aceit´avel, deduzida com base no ganho e ru´ıdo de leitura.

Outro parˆametro importante no caso da combina¸c˜ao das imagens de flat consiste no escalonamento (parˆametro flatcombine.scale). Antes de realizar a combina¸c˜ao das ima- gens, ´e preciso que todas elas apresentem um n´ıvel m´edio comum. No entanto, varia¸c˜oes na intensidade da lˆampada utilizada para iluminar a tela branca de flat field podem fazer com que algumas imagens tenham um n´ıvel de contagens m´edio menor. Isso pode ser corrigido usando um escalonamento pela “moda”, corrigindo as imagens que n˜ao tenham um n´ıvel m´edio de contagens igual ao valor mais frequente.

Assim, para realizar as combina¸c˜oes fazemos:

cl> zerocombine bias0*.fits output="biascomb" combine=average \ >>> reject=ccdclip

cl> flatcombine flat*.fits output="flatcomb_" combine=median \ >>> reject=ccdclip scale=mode subsets+

Note que a ativa¸c˜ao do parˆametro flatcombine.subsets faz com que a combina¸c˜ao das imagens de flat de diferentes filtros seja feita automaticamente. A utiliza¸c˜ao destas tarefas produzir´a as imagens combinadas de nome biascomb.fits e flatcomb filtro.fits. Um exemplo destas imagens ´e mostrado na Figura 4.7.

Caso seja necess´ario, pode-se utilizar a tarefa imstat para analisar os valores m´edios e desvios padr˜oes dos valores de pixel das imagens combinadas e das imagens de flat. Imagens com valores muito alto dos desvios padr˜oes e/ou valores m´edios de contagem muito discrepantes do restante das imagens forma removidas do conjunto, para evitar a contamina¸c˜ao da imagem combinada.