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L’émergence des outils numériques de traduction automatique

4 LA RECHERCHE D’UN FINANCEMENT CONJUGUANT UN COUT MAITRISE ET DES

4.4 L’émergence des outils numériques de traduction automatique

Há identidades tidas como ideais num país onde o ideal é aquilo que condiz com o esperado, ou seja, o sujeito branco/a, magro/a, de classe média, tido como bom/boa filho/a, bom/boa aluno/a e assim por diante. Segundo Tássia Silva (2012), isso se deve ao processo de normalização, que “[...] significa atribuir a essa identidade todas as

características positivas possíveis, em relação às quais as outras identidades só podem ser avaliadas de forma negativa” (SILVA, TÁSSIA, 2012, p. 83). Dessa maneira, quando Tássia Silva (2012) afirma que “fixar uma determinada identidade como a norma é uma das formas privilegiadas de hierarquização das identidades e das diferenças” e que “a normalização é um dos processos mais sutis pelos quais o poder se manifesta no campo da identidade e da diferença” (SILVA, TÁSSIA, 2012, p. 83), percebemos o quão problemático e complexo é tratar as identidades como fixas, assim como se faz no senso comum. Isso porque, como dissemos anteriormente, são tratadas como certas as identidades do sujeito que carrega as marcas de identidades tomadas como ideais. Assim, aquelas identidades dos sujeitos que são “diferentes” dificilmente serão aceitas já que fogem aos preceitos pré-estabelecidos.

Essas são maneiras de representar um sujeito, tendo como ideal aquilo que não foge à regra. Isso se evidencia ainda mais se pensarmos que as marcas das identidades negras são estabelecidas sempre no sentido contrário ao da identidade branca, não marcada. Ninguém precisa afirmar que não é negro, não há necessidade porque o/a branco/a nunca foi excluído/a da sociedade e, por isso, não precisa afirmar o seu valor, ao contrário do/a negro/a, que sempre foi tido como inferior e diferente pela cor de sua pele e, a todo o momento, deve se reafirmar para que todos saibam e entendam que não se trata de inferioridade física e muito menos intelectual, mas, sim, uma inferioridade que lhe foi imposta (MUNANGA, 2012).

Nas palavras de Tomaz Silva (2011), “[n]uma sociedade em que impera a supremacia branca, por exemplo, “ser branco” não é considerado uma identidade étnica ou racial” (SILVA, TOMAZ, 2011, p. 83, grifos do autor), pois não há necessidade de se reconhecer como branco/a.

Acreditou-se, por muito tempo, que o/a negro/a era inferior e essa concepção permaneceu e ainda permanece inculcada na mente de muitos, o que faz com que necessitemos afirmar que somos, sim, tão capazes quanto o/a branco/a.

Uma vez que a identidade, de acordo com Tomaz Silva (2011, p. 89), “é um significado – cultural e socialmente atribuído”, entendemos a identidade como forma de representação designada pela sociedade da qual fazemos parte. Segundo o autor, “para a teoria cultural contemporânea, a identidade e a diferença estão estreitamente associadas a sistemas de representação” (loc. cit.). Compreendemos, desse modo, que o/a negro/a se diferencia do/a branco/a em razão da diferença física e histórica construída entre esses dois sujeitos. Se o sujeito se reconhece como negro/a é porque, de acordo com

Tomaz Silva (2011), existem outras raças distintas da sua. Se ele/ela é negro/a, isso se deve ao fato de ele/ela não ser branco/a, não ser amarelo ou ainda não se reconhecer e nem ser reconhecido de nenhuma outra maneira; “a identidade é simplesmente aquilo que se é” (SILVA, TOMAZ, 2011, p. 74). Desse modo, para o autor, “a identidade assim concebida parece ser uma positividade („aquilo que sou‟), uma característica independente, um „fato‟ autônomo. Nessa perspectiva, a identidade só tem como referência a si própria: ela é autocontida e autossuficiente” (loc. cit., grifos do autor).

Sendo assim, o autor lembra que a identidade e a diferença são dependentes uma da outra, uma só existe em razão da outra, pois, quando declaro que sou negro/a, conforme Tomaz Silva (2011), eu só preciso fazê- lo porque existem outras identidades distintas dessa.

Para Muniz (2009), ao enunciar que o outro é negro/a, lhe conferimos esta identidade:

quando dizemos „negro‟ ou „negra‟, nos referindo a alguém: ele ou ela é negro/negra, não se trata puramente de uma constatação. A partir do mo mento que este enunciado é proferido, estamos atribuindo uma iden tidade a esse sujeito, identidade esta que é sócio-historicamente construída (MUNIZ, 2009, p. 26).

No entender da autora, ao pronunciarmos palavras que declaram características físicas dos sujeitos, corre-se o risco de estereotipar, “de inscrever as pessoas em identidades congeladas, imutáveis” (MUNIZ, 2009, p. 27). Para a autora, se fazemos afirmações dessa natureza, estamos destacando que o sujeito possui apenas aquela identidade, esquecendo que o sujeito assume, segundo Hall (2006), identidades distintas em momentos diversos.

Nesta pesquisa, entendemos que as identidades negras, de acordo com Gomes (2003), são “como uma construção social, histórica, cultural e plural” (GOMES, 2003, p. 171). Para ela, as identidades negras, tais como quaisquer outras identidades, são construídas pouco a pouco, desde o contato inicial com a família, depois com a escola e assim sucessivamente nos diversos contatos sociais que a criança estabelecerá ao longo da vida. No entanto, distintamente do que acontece em relação a outras identidades (como a do/a branco/a), a autora afirma que não é fácil assumir uma identidade negra numa sociedade que, “historicamente, ensina ao negro, desde muito cedo, que para ser aceito é preciso negar-se a si mesmo [Esse] é um desafio enfrentado pelos negros brasileiros” (GOMES, 2003, p. 171).

Para C. Silva (1995), é a partir do olhar do outro que a criança define a sua identidade e as diferenças se tornam visíveis. Segundo a autora, “a consciência da própria identidade e da alteridade do sujeito é adquirida em contatos que confirmam estas diferenciações” (SILVA, C., 1995, p. 35). Conforme C. Silva (1995):

a identificação é u m processo parcialmente inconsciente e compreende um dos aspectos mais importantes da interação. Através da identificação, o indivíduo assume o papel do outro, desempenhando -o como se estivesse em seu lugar, assimilando o sistema de valores deste outro, como se fosse seu e copiando as suas ações e comportamentos (SILVA , C., 1995, p. 36).

Ziviani (2012) declara que a identidade da criança na escola se define na relação entre professor(es)/a(s), alunos/as, instituição e família, pois esses são “os outros” que se relacionam com ela e com quem ela se relaciona. Nesse caso, a escola é um espaço de formação que vai além, ou ao menos deveria ir além das avaliações (GOMES, 2003), primando igualmente pela construção das identidades de seus/suas alunos/as, pois, segundo Gomes (2003), “a escola pode ser considerada, [...] como um dos espaços que interferem na construção da identidade negra” (GOMES, 2003, p. 171-172).

Para Nogueira (2011, p. 12), “o „ser negro‟ corresponde a uma categoria incluída em um código social que se expressa dentro de um campo etnossemântico em que o significante „cor negra‟ encerra vários significados” (NOGUEIRA, 2011, p. 12, grifos da autora). Conforme a autora, como o/a negro/a se reconheceria como tal se sua identidade é construída a partir do olhar do outro e esse outro o enxerga a partir de uma história de inferioridade que lhe foi atribuída (NOGUEIRA, 2011)? Sendo assim, ela afirma que o que o/a branco/a vê no/a negro/a não são os significados, mas, sim, os significantes.

Nesse sentido, o que se torna mais “natural” é que o/a negro/a rejeite sua condição em razão da alteridade que lhe foi/é imposta.