• Aucun résultat trouvé

3. Evolution de la grammaire et théories linguistiques

3.2. Ferdinand de Saussure et les différents courants structuralistes 1. Ferdinand de Saussure

3.2.2. L’école de Prague

Traçar o perfil dos alunos com síndrome de Down matriculados no Ensino Fundamental I, especificamente quanto às suas aprendizagens, e elegendo a alfabetização como indicador de resultados de ações pedagógicas diferenciadas por parte das escolas regulares integrantes da Rede Municipal de Ensino de Barueri, foi o objetivo geral que propusemos para esta pes- quisa.

Nesse percurso pudemos identificar e mapear a demanda de alunos com síndrome de Down atendidos pela Rede, bem como levantar dados sobre a evolução de suas aprendiza- gens, em especial a alfabetização, pela via da análise dos respectivos prontuários pedagógicos e pela aplicação da Avaliação Global – Língua Portuguesa. Aproximamo-nos do funciona- mento do Departamento de Apoio Especializado – DAE, que responde pela política de inclu- são de alunos com deficiência no Município, a fim de compreender como estão sendo realiza- das as ações direcionadas a esse alunado.

Como anteriormente apontado, a Rede Municipal de Ensino de Barueri apresentou, a partir de 2004, um aumento marcante no número de matrículas de alunos com deficiência, especialmente no Ensino Fundamental, dentre os quais mais de 60 alunos com síndrome de Down, o que demandaria uma revisão de seu funcionamento, compatível com a atual deman- da. Esse funcionamento se relaciona especialmente ao suporte técnico-pedagógico oferecido aos gestores escolares e professores, bem como ao atendimento escolar direcionado às de- mandas específicas de alunos com síndrome de Down matriculados na rede. Acreditamos que uma melhor informação e conhecimento das especificidades e necessidades educacionais de tais alunos, por parte dos gestores, professores, psicopedagogas e demais profissionais envol- vidos, seja um caminho possível para o desenvolvimento de propostas e ações pedagógicas que possam promover modificações qualitativas no processo de aprendizagem e no desenvol- vimento dessa clientela.

Acreditamos, também, que o funcionamento do DAE, em relação às ações técnico- pedagógicas até então disponibilizadas para a Rede, não surtiu os efeitos desejados, apesar de todos os esforços empreendidos, especialmente pelo aumento crescente do número de matrí- culas de alunos com deficiência, hoje com 1.201 alunos, sem o crescimento compatível do

número de profissionais, bem como pela composição da equipe, prioritariamente clínica e administrativa, e pela própria forma como se encontra organizada.

Há que se considerar, ainda, que as pesquisas referidas como suporte teórico a este estu- do apontam que alunos com síndrome de Down apresentam especificidades cognitivas, de linguagem, de memória, de processamento de informação, dentre outras que, por si só mere- ceriam, por parte dos envolvidos, maior conhecimento dessas especificidades e, consequen- temente, de suas necessidades educacionais, fato que esta pesquisa aponta como fundamental para que o processo ensino-aprendizagem se efetive.

Conforme mencionado anteriormente, Bissoto (2005) aponta que o desenvolvimento do indivíduo com síndrome de Down, como o de qualquer outra pessoa, resulta de influências sociais, culturais e genéticas, incluindo-se aí as expectativas em relação às suas potencialida- des e capacidades e aos aspectos afetivo-emocionais da aprendizagem. Muito embora eles apresentem características peculiares de desenvolvimento, isso não se constitui numa unifor- midade que possibilite predizer comportamentos e potencialidades. A ação educacional ado- tada em relação à pessoa com síndrome de Down deve levar em consideração a concepção de que há necessidades educacionais próprias de aprendizagem, que cada um possui um processo de desenvolvimento particular, fruto de condições genéticas e sócio-históricas próprias. As- sim, as ações pedagógicas devem ser investigadas, reconhecidas e trabalhadas com utilização de técnicas e recursos educacionais apropriados para o atendimento das demandas do alunado com síndrome de Down.

Na mesma direção, Silvia e Kleinhans (2006) apresentam algumas das descobertas rela- cionadas aos processos cognitivos na síndrome de Down, procurando evidenciar a função do conhecimento sobre a plasticidade cerebral no desenvolvimento e na aquisição da aprendiza- gem, destacando a importância de uma estimulação bem estruturada, a fim de minimizar as dificuldades e evidenciar a possibilidade de aprendizagem e de desenvolvimento a partir de experiências em ambientes propícios, com estimulação dos processos cognitivos realizada de maneira adequada desde os primeiros anos de vida, com o propósito de promover modifica- ções qualitativas relevantes no desenvolvimento dessas crianças.

O desenvolvimento da pessoa com síndrome de Down se dará em resposta ao ambiente, se esse ambiente for solicitador, promotor de autonomia e de diferentes possibilidades de des- cobertas de seu potencial. É esperado que as atividades sejam programadas de modo a envol- ver as áreas em que o aluno apresenta maior potencial, a fim de que perceba que pode realizar

determinadas tarefas com êxito. Desse modo, acredita-se que haverá satisfação e maior moti- vação para enfrentar aquelas áreas em que apresenta maior dificuldade.

Pode-se pensar, então, que a aprendizagem de crianças com síndrome de Down depende de procedimentos e de técnicas pedagógicas capazes de tornar o aprendizado significativo e, consequentemente, mais efetivo o seu desenvolvimento. Estudos sobre o desenvolvimento infantil indicam que, no momento do ingresso escolar, todas as crianças, com deficiência ou não, estão em plena fase de desenvolvimento e crescimento, sendo esse processo singular a cada uma, pois que apresentam capacidades de desempenho e tempo de maturidade próprios.

Dessa experiência, vista “de fora” da sala de aula, pudemos enxergar que as soluções para tantas dificuldades, já apontadas, relativas à inclusão de alunos com síndrome de Down, estão para além do âmbito da sala de aula, dada a sua amplitude. E essa amplitude não pode ser vista somente pela ótica do aluno com deficiência e que apresenta necessidades educacio- nais especiais, tampouco pela ótica do professor “despreparado”, assim como é referido por muitos, mas envolve questões de ordem sócio-econômicas, estruturais e funcionais pertinentes a políticas públicas específicas. Essas questões representam o universo em que se assentam os alicerces do sistema educacional.

Acreditamos na inclusão escolar, e não temos dúvida de que seja função da escola pú- blica “regular” realizá-la com qualidade, atendendo à demanda de seu alunado, respeitando as diferenças humanas, com propostas de ação que visem e atendam aos múltiplos e interdepen- dentes aspectos do desenvolvimento do aluno enquanto tal; mas não podemos deixar de apon- tar nossa preocupação em relação à inclusão quando vista apenas como acesso à escola regu- lar.

A despeito de percebermos a mobilização da Secretaria Municipal de Educação de Ba- rueri para a efetivação da inclusão de seus munícipes com síndrome de Down no ensino regu- lar, ela ainda não se mostrou suficiente. Podemos inferir, a partir desta amostra, que outros municípios apresentem, também, outras tantas dificuldades, visto que a inclusão deve ser pen- sada como um processo e, como tal, vai se construindo no decorrer do caminho.

Com esta pesquisa foi possível nos aproximarmos de uma dada realidade e constatar a complexidade que envolve o processo de inclusão dos alunos com síndrome de Down, mor- mente ao nos atermos às suas aprendizagens escolares, e, cremos, chegamos ao final desta caminhada com algumas questões respondidas, outras, por responder e outras tantas geradas no transcorrer do percurso.

Acreditamos que esta pesquisa tenha desenhado apenas um esboço do retrato do proces- so de inclusão escolar do município, com foco no aluno com síndrome de Down. Assim sen- do, esperamos que outros estudos possam se aproximar desse processo, pela via do professor, dos gestores, dos demais alunos, bem como da própria política municipal de educação.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AAMR - American Association on Mental Retardation. Retardo mental: Definição, classifi- cação e sistemas de apoio. [Tradução de Magda França Lopes]. 10. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006. 288p.

ADAMS, D., OLIVER, C., KALSY, S., PETERS, S., BROQUARD, M., BASRA, T., et al. (2008). Behavioural characteristics associated with dementia assessment referrals in adults

with Down syndrome. Journal of Intellectual Disability Research, 52(Pt 4), 358-368.

ÁLVAREZ MÉNDEZ, J. M. Avaliar para conhecer, examinar para excluir. [Tradução de Magda Schwartzhaupt Chaves]. Porto Alegre: Artmed Editora, 2002.

ARAÚJO, S. S. A avaliação da aprendizagem no atendimento de alunos com necessidades

educacionais especiais na classe comum. [Dissertação – Mestrado – Universidade Presbiteri- ana Mackenzie]. São Paulo, 2006.

BISSOTO, M. L. O desenvolvimento cognitivo e o processo de aprendizagem do portador de síndrome de Down: revendo concepções e perspectivas educacionais. Ciências & Cognição, v. 2, n. 4, 2005. Disponível em: www.cienciasecognicao.org.

BITTENCOURT, C. M. F.. Disciplinas escolares: história e pesquisa. In: OLIVEIRA, M. A.; RANZI, S. M. F. (org.). História das disciplinas escolares no Brasil: contribuições ao debate. Bragança Paulista: EDUSF, 2003.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de outubro de 1988. 25. ed. São Paulo: Atlas, 2005.

BRASIL. Congresso Nacional. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB [Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996]. Diário Oficial da União, Brasília, 23 de dezembro de 1996.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Introdu- ção aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília: MEC/SEF, 1997. 126p.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Adapta- ções Curriculares. Brasília: MEC/SEF/SEESP, 1998. 62p.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica. Resolução CNE/CEB 2/2001. Diário Oficial da União, Brasília, 14 de setembro de 2001. Seção 1E, p. 39-40.

BRASIL. Decreto 6.571, de 17 de setembro de 2008. Brasília, 17 de setembro de 2008.

BRUNONI, D. Aspectos epidemiológicos e genéticos. In: Schwartzman, J. S. Síndrome de

Down. São Paulo: Memnon, 1999. p. 32-43.

BUENO, J. G. S. Escolarização, práticas didáticas, controle e organização do ensino. Arara- quara: JM Editora, 2002. 176p.

CARDOSO-MARTINS, C.; MICHALICK, M. F.; POLLO, T. C.O papel do conhecimento do nome das letras no início da aprendizagem da leitura: evidência de indivíduos com sín- drome de Down. Psicol. Reflex. Crit., v. 19, n. 1, 2006.

CROCHÍK, J. L. Preconceito, indivíduo e cultura. 3. ed. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2006.

DUARTE, M.; MANZOLI, L. P.; VELLOSA, S. L. Análise e perspectivas de inclusão esco-

lar de alunos com síndrome de Down. Marília: Universidade Estadual Paulista – Unesp, 2006. FERREIRO, E.; TEBEROSKY, A. Psicogênese da língua escrita. [Tradução de Diana Myri- am Lichtenstein, Liana Di Marco e Mário Corso]. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999.

FIEDLER, D. J. The emerging Down Syndrome behavioral phenotype in early childhood:

implications for Practice. Rev. Infants e Young Children, v. 18, n. 2, p. 86-103, 2005.

GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1999.

GODOY, A. S. Introdução à pesquisa qualitativa e suas possibilidades. Revista de Adminis-

tração de Empresas, 1995, v. 35, n. 2, p. 57-63.

GOODSON, I. F. Currículo: teoria e história. [Tradução de Attílio Brunetta; Revisão da tra- dução de Hamilton Francicchetti; Apresentação de Tomaz Tadeu da Silva]. Petrópolis: Vozes, 1995. [Ciências Sociais da Educação].

HOFFMANN, J. Avaliação mediadora: uma prática em construção da pré-escola à universi- dade. 20. ed. [revista]. Porto Alegre: Mediação, 2003.

JULIÁ, D. A cultura escolar como objeto histórico. Revista Brasileira de História da Educa-

ção, n. 1. p. 9-43, 2001.

LUCKESI, C. C. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. 8. ed. São Pau- lo: Cortez, 1998.

MANCINI, M. C.; SILVA, P. C.; GONÇALVES, S. C.; MARTINS, S. M. Comparação do desempenho funcional de crianças portadoras de síndrome de Down e crianças com desenvol- vimento normal aos 2 e 5 anos de idade. Arq. Neuro-Psiquiatr., v. 61, n. 2B.

MAZZOTTA, M. J. S. Educação escolar: comum ou especial? São Paulo: Pioneira, 1987.

MENDES, E. G. Perspectivas atuais da educação inclusiva no Brasil. In: Anais do III Encon-

tro de Educação Especial da Universidade Estadual de Maringá – EUM. Maringá: Editora

UEM, 2001. p. 15-37.

MIZUKAMI, M. G. N. Ensino: as abordagens do processo. São Paulo: EPU, 1986. (Temas Básicos da Educação e Ensino).

MOREIRA L. M. A.; EL-HANI CHARBEL, N.; GUSMÃO, F. A síndrome de Down e sua

patogênese: considerações sobre o determinismo genético. Rev. Bras. Psiquiatr., vol. 22, n. 2, p. 96-9, 2000.

OLIVEIRA, A. A. S. Descrição da fase inicial da escrita de crianças com síndrome de

Down. Marília: Faculdade de Filosofia e Ciências da Unesp; 2004-2006.

OMOTE, S. Perspectivas para a conceituação de deficiência. Revista Brasileira de Educação

Especial, v. 2, n. 4, p. 56-65, 1996.

PADILHA, A. M. L. Possibilidades de histórias ao contrário ou como desencaminhar o alu-

no da classe especial. São Paulo: Plexus, 1997. 112p.

PERRENOUD, P. Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagens. Entre duas lógi- cas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1999.

PRIETO, R. G.; MANTOAN, M. T. E.; ARANTES, V. A. (org.) Inclusão escolar: pontos e contrapontos. São Paulo: Summus, 2006.

PUESHEL, M. S. (org.) Síndrome de Down: Guia para pais e educadores. [Tradução Lúcia Helena Reily]. 2. ed. Campinas: Papirus, 1995. (Série Educação Especial).

SÃO PAULO. Conselho Estadual de Educação de São Paulo. Deliberação CEE 68/2007. SEE de 18 de julho de 2007, publicada em 19 de julho de 2007. Seção I, p. 19-20.

SÃO PAULO. Secretaria Municipal de Educação. Diretoria de Orientação Técnica. Referen-

cial sobre Avaliação da Aprendizagem na Área da Deficiência Intelectual. São Paulo: SME / DOT, 2008. 128 p.

SCHWARTZMAN, J. S. (org.). Síndrome de Down. São Paulo: Memnon, 1999.

SILVA, K. C.; OLIVEIRA, A. A. S. Suporte pedagógico a adolescentes com síndrome de

Down: aquisição da escrita em contextos significativos. Marília: FFC/Unesp; 2006.

SILVIA, M. F. M. C.; KLEINHANS, A. C. S. Processos cognitivos e plasticidade cerebral na Síndrome de Down. Revista Brasileira de Educação Especial, v. 12, n. 1, 2006.

SOARES, M. Alfabetização e letramento. 5. ed. São Paulo: Contexto, 2007.

VIGOTSKY, L. S. (1930) Problemas de método. In: COLE, M.; JOHN-STEINER, V.; SCRIBNER, S.; SOUBERMAN, E. (org.). A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. [Tradução de José Cipolla Neto, Luís Silveira Menna Barreto e Solange Castro Afeche]. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1989.

WECHSLER, D. WISC-III : Escala de Inteligência Wechsler para crianças: Manual. 3ª ed., 2001. In: FIGUEIREDO, V. L. M. Adaptação e padronização de uma amostra brasileira. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2002.

YOUNG, M. Para que servem as escolas?. Educ. Soc., v. 28, n. 101, 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-73302007000400002&lng= en&nrm=iso>. Acesso em: 24 de julho de 2008.