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Dans le document opening minds interim report (Page 36-39)

As leis de Newton, os conceitos termodinâmicos e todos os conceitos físicos comumente ensinados no Ensino Médio não se modificaram no século que se passou. E como, para muitos, ensinar Física é apenas transmitir esses conteúdos, o Ensino de Física também não mudou. Profissionais que pensam assim esquecem de que a cada década a sociedade vai se modificando, alunos, professores e escolas vão se modificando. Por isso a importância de formar professores preparados para enfrentar os desafios que cada mudança traz para o ambiente escolar.

Ser professor de Física significa ensinar as leis de Newton, mas também significa inserir seu aluno num mundo multidisciplinar e dinâmico. Neste sentido ressaltamos que devemos olhar com atenção a qualidade da formação dos professores do presente para que não tenhamos que correr eternamente atrás do tempo perdido atrás da formação inicial. (ARAÚJO e VIANNA, 2003, p. 1607)

A formação de professores, em especial nas áreas das Ciências, tem se dado como uma soma de conhecimentos científicos específicos da área (em disciplinas como Mecânica Clássica, por exemplo) com conhecimentos psico-social-pedagógicos da área de Educação (como em Metodologia de Ensino, por exemplo). CARVALHO e GIL- PÉREZ (1995) fazem pesadas críticas a essa tendência, ainda presente, de contemplar a formação de professores somente pela junção de um “pacote de disciplinas científicas” e um “pacote de disciplinas da Licenciatura” propondo uma “Didática das Ciências” capaz de integrar os conteúdos da disciplina, as concepções teóricas e as pesquisas sobre práticas e experiências docentes bem-sucedidas.

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simples, para a qual se necessita apenas conhecer a disciplina num nível maior que os alunos. Para CARVALHO e GIL-PÉREZ (1995) romper com essa visão equivocada e simplista sobre o ensino é a primeira etapa que o processo de formação do professor deve superar. As necessidades apontadas pelos autores são:

a) Conhecer o conteúdo a ser ensinado;

b) Questionar as idéias docentes de “senso comum” sobre ensino e aprendizagem;

c) Adquirir conhecimentos teóricos sobre a aprendizagem das Ciências; d) Saber analisar criticamente o “ensino tradicional”;

e) Saber preparar atividades capazes de gerar uma aprendizagem efetiva; f) Saber dirigir o trabalho dos alunos;

g) Saber avaliar;

h) Adquirir a formação necessária para associar ensino e pesquisa didática. Esse pensamento está explícito no Quadro 3 a seguir.

Q U A D R O 3 – O QUE DEVERÃO “SABER” E “SABER FAZER” OS PROFESSORES DE CIÊNCIAS.

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Para VIANNA e ARAÚJO (2003) a formação do professor deve ser um processo contínuo, que começa em sua formação inicial e que prossegue através da sua vida profissional. Com o desenvolvimento científico e tecnológico avançando rapidamente, a responsabilidade do professor passa a ser cada vez maior, na medida que precisa se preocupar não só com o conteúdo que deve ensinar, mas também com propostas pedagógicas que se tornam possíveis (e talvez necessárias) com esse desenvolvimento. Seu papel se torna mais relevante já que “queremos que os alunos se tornem críticos, criativos, construindo seu conhecimento, acompanhando o mundo em que vivem” (ibid., p. 2459).

Porém, ARAÚJO e VIANNA (2003) em pesquisa realizada nas universidades cariocas observam deficiências nas grades curriculares dos cursos de licenciatura em Física que não discutem o uso do computador e da Internet como tecnologias educacionais. Nas palavras dos autores “há uma lacuna na capacitação do uso da informática para o ensino de Física que é preenchida com linguagens de programação e cálculo numérico, ignorando todos os outros usos potencias das NTIC’s (Novas Tecnologias de Informação e Comunicação) como uma ferramenta que auxilia o professor em sua atividade pedagógica e na sua formação continuada” (ibid., p. 1607).

Isso se reflete na prática pedagógica, como destacam TOFOLI e HOSOUME (2003) ao afirmarem que os professores têm uma compreensão limitada das funções e dos processos envolvidos na utilização do computador. Para os autores, pouco tem se discutido do ponto de vista dos professores em relação à utilização do computador na escola e, mais especificamente, no Ensino de Física.

Eles destacam que parece haver uma preocupação excessiva com a aquisição de equipamentos e softwares por parte das instituições, que esquecem que, para a utilização dessas ferramentas, é fundamental a preparação dos professores, pois afinal somente o computador e seus programas não poderão resolver os problemas educativos. Quando há, a capacitação dos professores se dá, em geral, em treinamentos rápidos sem a preocupação da integração do computador ao processo pedagógico da escola (id.).

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Porém a pesquisa de TOFOLI e HOSOUME (id.) deixa evidente o interesse dos professores em querer aprender a utilizar o computador e os caracteriza em dois grupos, um dos

que querem se aperfeiçoar – querendo aprender os fundamentos básicos do computador e outro, que quer aprender programas, com utilizações mais diretas. Isso está relacionado com o fato que a maioria já usou/usa computadores e justamente a maior parte desses professores querem se aperfeiçoar (ibid., p. 1771).

Para BRITO e PURIFICAÇÃO (2003, p. 26) “a incorporação das tecnologias educacionais no fazer diário do professor é bem mais complexa do que se imaginava e depende de outras variáveis, mas nenhuma intervenção pedagógica harmonizada com a sociedade contemporânea e com inovações será eficaz sem a colaboração consciente do professor e sua participação na promoção da emancipação social”. Para as autoras, o professor é “o elemento humano responsável pelo ambiente de aprendizagem” (id.) devendo assumir uma postura de comprometimento com a pesquisa, com o desenvolvimento da crítica e da criatividade, inclusive ao trabalhar com as Novas Tecnologias.

Dessa forma, ao se utilizar a Internet, é preciso que o professor tenha uma atitude crítica e criativa diante do instrumento, pois, somente assim, poderá formar um aluno também crítico e criativo diante das questões da sociedade.

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