• Aucun résultat trouvé

CHAPITRE V: UN ALGORITHME D’EVOLUTION DIFFERENTIELLE

Algorithme 4.1. Kmeans

A segunda parte desta investigação circunscreve-se ao universo específico de um grupo de seis pessoas que cursavam a 4a. série primária nas décadas de 30 e 40. O objetivo principal, no caso, é o de suprir, nas fontes históricas pesquisadas, a lacuna

de informações documentais que pudessem ilustrar, com necessário grau de significância, os ideais e interesses mantidos pelas crianças naquelas décadas. Assim, na forma de entrevistas, aplicou-se a um universo selecionado de pessoas, com idade entre os 65 a 80 anos de idade, o mesmo questionário encaminhado às crianças que foram inicialmente pesquisadas. Dessa forma, pôde-se conhecer, mesmo que minimamente, o que sonhavam os seis entrevistados, evocando sua infância, e o que idealizavam para suas vidas, quando cursavam a 4a. série primária. As respostas prestam-se a uma análise semelhante à que foi realizada com as respostas das crianças pesquisadas em Montes Claros, lançando luzes, através da fala daqueles interlocutores, sobre aspectos sócio-antropológicos da história recente da cidade..

Para Alves-Mazzotti, ... “a entrevista permite tratar de temas complexos que dificilmente poderiam ser investigados adequadamente através de questionários, explorando-os em profundidade” (2000:168).

Exatamente pelo que diz Alves-Mazzoti, para se trabalhar com a categoria do imaginário ou com a das lembranças, torna-se necessária a utilização de uma metodologia muito mais refinada do que a usualmente encontrada num simples questionário. No caso, tratou-se de lançar-se mão das entrevistas, isso porque, se o recurso do questionário provoca o estímulo a uma indução e, até mesmo de uma resposta oral, a entrevista permite que o objeto de estudo se revele muito mais profundamente, incorporando complexidades que dificilmente seriam apuradas pelo aspecto muitas vezes burocrático e impessoal do questionário. O tema proposto, nesta investigação, envolve lembranças, emoções e afetos. As entrevistas tornaram-se, assim, significativas, sendo aqui utilizadas em substituição aos questionários costumeiramente adotados por Antipoff, nos anos de 1929, 1934, 1939 e 1944. As perguntas feitas aos

entrevistados são as mesmas utilizadas por Antipoff nos referidos períodos e por Campos em 1993 e 1998.

No presente caso, pretende-se complementar as pesquisas quantitativas com uma abordagem qualitativa. Além de conhecer os ideais e interesses daquelas crianças, pretende-se ainda, conhecer sentimentos, emoções e reações provocadas pelo atendimento ou não desses interesses. Isto é, que resultados a satisfação ou não daqueles ideais e interesses provocaram nessas pessoas? Passados 50, 60 anos ou mais, como essas pessoas lembram a sua infância? O que provocou em suas vidas a realização ou não de alguns sonhos de criança? Terão sido importantes para sua vida adulta os fatos da infância? Esses, dentre outros, foram os principais questionamentos levantados.

Os entrevistados expressaram-se livremente, sem quaisquer condicionamentos ou recomendações anteriores. Vale dizer que, apesar das entrevistas apresentarem questões estruturadas, a forma com que se trabalhou permitiu uma livre enunciação de pensamentos, sentimentos e idéias, o que poderia caracterizar essas entrevistas como quase semi-estruturadas. O estilo foi o da informalidade, procurando- se, durante todo o tempo das entrevistas, manter-se um vínculo aparente e amistoso de confiança entre entrevistadora e entrevistado.

Burgess, comentando sobre entrevistas não estruturadas na pesquisa social, esclarece:

Esta forma de entrevistar foi utilizada por outros cientistas envolvidos em investigação social. Por exemplo, ao discutir a entrevista como uma técnica de investigação social, Sidney e Beatrice Webb viram-na como uma conversa na qual o investigador deveria ‘não esquecer que é desejável tornar a entrevista uma coisa agradável para as pessoas entrevistadas. Deveria parecer-lhes uma agradável forma de comunicação social’ (Burgess, 1997: 112)

pessoas que se lembrariam de fatos ocorridos há 60, ou 70 anos foi, exatamente, que a entrevista fosse, no geral, um momento agradável, constituindo-se, se possível, num exercício prazeroso para quem ouvia, mas principalmente para quem falava.

Goode e Hatt no livro Métodos em Pesquisa Social, analisando a construção do questionário e o problema de respostas que exijam lembranças remotas do passado, comentam:

Quando são perguntadas questões sobre um determinado e distante ponto no tempo, há grande perigo de uma resposta imediata mas não fidedigna. Para evitar isto ou a resposta “não sei”, deve-se ajudar o informante fazendo-o regredir no tempo até a época, por meio de várias questões, cada uma das quais ligando um fato com o outro ainda mais distante (1979:215).

O modo como recrutou-se os entrevistados e como as entrevistas foram realizadas baseou-se nos seguintes critérios: a pessoa possuidora de um perfil adequado aos objetivos da pesquisa era procurada, sendo-lhe explicado o objetivo da investigação e da entrevista. Caso desejassem, seus nomes seriam preservados. Todos os seis entrevistados, sem exceção, quando se inteiraram do que se tratava, concordaram plenamente tanto com a abordagem quanto com a revelação da identidade. Foi facultado, a cada entrevistado, escolher o local e o horário para dar seu relato, colhido através de gravador.

As entrevistas, com exceção, foram realizadas nas residências das próprias pessoas entrevistadas. Em quase todos os casos, os entrevistados estavam acompanhadas de um companheiro ou companheira, o que, de certo modo, favoreceu a fidedignidade dos relatos, pois esses acompanhantes possuíam idêntica faixa etária do entrevistado e interferiram com lembranças ou “correções” interessantes.

Há de se esclarecer, também, que a decisão de se utilizar o recurso da entrevista informal deveu-se, em muito, à espontaneidade que tal recurso provoca. Na

verdade, utilizou-se o método da entrevista mista, onde há questões estruturadas, mas que não são rigidamente enfocadas. Nas palavras de Alves-Mazzoti, alinham-se as seguintes:

De um modo geral as entrevistas qualitativas são muito pouco estruturadas, sem um fraseamento e uma ordem rigidamente estabelecidos para as perguntas, assemelhando-se muito a uma conversa. Tipicamente, o investigador está interessado em compreender o significado atribuído pelos sujeitos a eventos, situações, processos ou personagens que fazem parte de sua vida cotidiana (2000:168).

Aquilo com que as pessoas entre 65 e 80 anos de idade, aqui pesquisadas, sonhavam para si foi objeto de comparação, especialmente frente à noção de ideal e de interesse assumidas pelas crianças pesquisadas por Antipoff nas décadas de 20, 30 e 40. Numa época em que o mundo não era pequeno e instantâneo, graças à globalização de hoje, quais as diferenças entre os interesses e ideais de crianças da capital e crianças do sertão norte-mineiro? Por exemplo, ao se indagar à criança o que ela desejaria ser, quando fosse adulta, quais poderiam ser as aproximações e os distanciamentos entre os segmentos mais recentemente pesquisados? O que esses segmentos, enfim, teriam em termos de traço comum?

Para se obter respostas condizentes com as realidade pesquisada nesses relatos, incentivaram-se as pessoas a um retorno ao próprio passado. Teoricamente, Ecléa Bosi justifica: ...”A lembrança é a sobrevivência do passado. O passado, conservando-se no espírito de cada ser humano, aflora à consciência na forma de imagens-lembranças” (1979:15).

É isso que se pretendeu: motivar as pessoas para que retornassem a lembranças de 70 ou 60 anos atrás, com o risco de que essas lembranças pudessem estar recheadas de “outros” eus. Goethe, citado em Bosi, diz em “Verdade e Poesia”: “Quando queremos lembrar o que aconteceu nos primeiros tempos da infância,

confundimos muitas vezes o que se ouviu dizer aos outros com as próprias lembranças...” (Bosi, 1979:21).

Significa que essas pessoas poderiam confundir seus ideais e interesses com ideais e interesses familiares, grupais ou sociais. Não houve uma preocupação da pesquisa, se as lembranças dos entrevistados eram ou não puras e verdadeiras. Possivelmente, haverá, neste trabalho, a presença dessas interferências, parte das lembranças dos entrevistados, como bem salienta Bosi, ao teorizar sobre a lembrança dos mais velhos.

As categorias a que as respostas foram submetidas e as comparações analíticas subseqüentes foram as mesmas utilizadas por Antipoff e Campos e tiveram a sua representatividade expressa em forma de relato de histórias e em termos de percentagem. (vide relação das categorias, anexas)

As informações foram dispostas segundo sua significância e encadeadas numa ordem lógica, de forma que pudessem ser verificadas as relações que mantêm entre si, expressando os conceitos analíticos do Ideal e Interesse, utilizados para evidenciar a problemática e os objetivos em questão.

Ressalta-se, ainda, que a pesquisa tem a mesma metodologia fundamentada nas práticas de Antipoff e Campos, em que o questionário e as entrevistas, no caso presente, são a base fundamental para a prospecção da realidade investigada, abrindo-se mão de outros recursos metodológicos da investigação científica.

Documents relatifs