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Faz-se inicialmente uma defesa a respeito do não uso de softwares que auxiliam na análise de dados. Embora se reconheça suas vantagens e potenciais, não pode ser tratada como a finalidade, mas como um meio (SILVA; RUSSO, 2019). Esses autores defendem a tese de que a principal representação a ser analisada está na própria fala ou ação do sujeito de pesquisa. Assim, buscou-se garantir o rigor na análise seguindo os critérios a seguir.

Conforme Creswell (2010), os documentos foram organizados e, em seguida, foi realizada uma leitura completa para obter uma percepção geral dos dados. Assim como os documentos, os dados do roteiro de observação também foram tabulados em planilhas Excel com as principais informações coletadas, conforme apêndice E.

Para as entrevistas, análise dos dados se deu de forma contínua, sempre retomando as informações levantadas nas etapas e nos passos anteriores da coleta – conforme realizado por Silva (2019). Após realização das entrevistas, os dados foram transcritos, anonimizadas, e tabulados em planilha Excel, permitindo as devidas análises. O Apêndice G demonstra a estrutura de tabulação realizada com os dados da entrevista.

A leitura analítica foi a técnica utilizada por Maciel et al., (2019) para analisar como o Sistema Eletrônico do Serviço de Informação ao Cidadão (e-SIC) contribui com a transparência em uma universidade federal, atendendo às exigências da Lei de Acesso à Informação (LAI). Para Maciel (2018), a leitura analítica permite inferências assertivas a partir da realização das entrevistas porque recorre aos componentes das dimensões do modelo de análise, direcionando a investigação.

Gonzaga (2018) também analisou os dados coletados nas entrevistas a partir da leitura analítica. Vale registar que todos esses autores iniciaram a coleta de dados, bem como a análise, já com as dimensões e indicadores estabelecidos a partir da teoria. Seus esforços estavam focados em debater os dados encontrados com a literatura que originou cada

indicador do framework. Outra similaridade dessas pesquisas é o fato de não utilizarem o roteiro de entrevista como fonte exclusiva de coleta de dados. A leitura analítica permite, então, debater com análises oriundas de dados coletados via instrumentos de coleta diversos, tais como: observações (SILVA, 2019; GONZAGA, 2018; MACIEL, 2019) e documentos (FONSECA, SANTOS, 2015; GONZAGA, 2018; MACIEL, 2019) – por isso a importância que o pesquisador indique a origem dos dados, informando quais instrumentos foram utilizados na coleta dos dados debatidos em cada indicador do modelo, conforme Quadro 23. Nesse sentido, foi realizada uma leitura analítica dessas informações que, por sua vez, foram relacionadas com o framework proposto – considerando os elementos de FCS e as pressões institucionais encontradas. Esse procedimento, junto às análises dos documentos e da observação, permitiu verificar se as proposições da pesquisa foram ou não confirmados. O Quadro 23, na página seguinte, registra a relação entre os elementos dos FCS e os instrumentos de coleta de dados.

Quadro 23 – Relação entre os elementos dos FCS e os instrumentos de coleta de dados.

FCS ELEMENTOS (INDICADORES) INSTRUMENTOS

1 Controle do processo para garantir o envolvimento do usuário

1 – Ser capaz de controlar a implementação, promovendo a

participação dos usuários e suas rotinas Entrevi/Docs/Obser 2 – Ser capaz de controlar a implementação, compartilhando as

informações com todos e em todos os estágios. Entrevi/Docs/Obser

2 Liderança da implementação

1 – Monitorar e controlar os detalhes do projeto Entrevi/Docs/Obser 2 – Ser capaz de coordenar e executar o projeto Entrevi/Docs/Obser 3 – Definir metas claras Entrevi/Docs/Obser 4 – Instrumentalizar a transferência de conhecimento Entrevi/Docs/Obser

3 Relação com o fornecedor

1 – Manter, com o fornecedor, visão de longo prazo e alinhamento à

estratégia organizacional Entrevi/Docs/Obser 2 – Cobrar, junto ao fornecedor, garantia de suporte eficiente Entrevi/Docs/Obser

4

Redesenho

organizacional e do processo

1 – Configurar os processos a partir do ERP, necessidades e possíveis

melhorias Entrevi/Docs/Obser

(continuação)

FCS ELEMENTOS (INDICADORES) INSTRUMENTOS

5

Questões legais durante a implementação

1 – atuar para que os ajustes, consequentes da legislação, não

inviabilizassem a organização ou os processos organizacionais. Entrevi/Docs/Obser 2 – atuar para que a estratégia de implementação, alterada por alguma

imposição, não se tornasse um excesso de customizações. Entrevi/Docs/Obser

6 Comunicação

1 – Envolver as várias funções e níveis da organização Entrevi/Docs/Obser 2 – Fortalecer a comunicação entre as equipes de negócio e TI Entrevi/Docs/Obser 3 – Realizar sondagem e compreensão de todos os elementos

presentes no momento de implantação do módulo para compor a comunicação

Entrevi/Docs/Obser

4 – Identificar a abordagem de comunicação mais adequada para cada

envolvido para diminuir a resistência Entrevi/Docs/Obser 5 – Detalhar o canal de comunicação mais adequado, destacando os

objetivos e as características da comunicação Entrevi/Docs/Obser

7 Suporte da alta gestão

1 – Garantir o apoio, com recurso para financeiros para: hardwares,

softwares e serviços auxiliares, disponibilizando suporte técnico. Entrevi/Docs/Obser 2 – Garantir a prestação de suporte de mudança organizacional Entrevi/Docs/Obser 3 – Garantir a prestação de suporte ao compartilhamento de visão do

projeto Entrevi/Docs/Obser

8

Adequação da equipe de implementação

1 – Escolher pessoas com base em suas competências, não no cargo; Entrevi/Docs/Obser 2 - Escolher pessoas capacitadas para tomar decisões; Entrevi/Docs/Obser 3 – Realizar escolhas compartilhadas com a equipe formada a partir

de sugestões, com participações. Entrevi/Docs/Obser

9 Estratégia de implementação

1 – Realizar processo e política desenhados após a decisão do tipo de

implementação (fases, big-bang e small-bang) Entrevi/Docs/Obser 2 – Garantir que exista uma ferramenta para planejamento,

monitoração e controle para a implantação Entrevi/Docs/Obser 10 Limitações do

sistema

1 – Integrar o sistema aos processos Entrevi/Docs/Obser 2 – Integrar o sistema aos sistemas legados Entrevi/Docs/Obser Fonte: elaborado pelo autor

O capítulo a seguir destaca os principais resultados da investigação que contribuíram para a verificação das proposições e elaboração da tese.

5 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Para debater sobre o problema central da tese, faz-se, inicialmente, uma descrição do sistema implementado na Univasf e, em seguida, apresenta-se a análise sobre o processo de implementação, de acordo com o objetivo principal. Assim, o capítulo se concentra na em explorar os resultados a respeito do esforço gerencial sobre os fatores críticos de sucesso eleitos pelos gestores de implementação: I – liderança da implementação; II – Formação adequada da equipe de implementação; III – questões legais durante a implementação; IV – controle do processo para garantir o envolvimento do usuário; V – relação com o fornecedor; VI – redesenho organizacional e do processo; VII – comunicação; VIII – suporte da alta gestão; IX – estratégia de Implementação; X – limitações do sistema.

O capítulo ainda realiza debate sobre as proposições, buscando verificar se essas foram ou não confirmados: 1) as pressões institucionais exercem influências que dificultam o gerenciamento elementos dos FCS de ordem organizacional e tecnológica; 2) individualmente, os elementos de FCS de implementação de ERP de ordem organizacional recebem mais pressões institucionais; 3) os elementos de FCS que recebem pressões miméticas exigem mais iniciativas gerenciais da equipe de implementação; e por fim, 4) as pressões institucionais moderam o gerenciamento dos FCS, mas são as iniciativas gerenciais que determinam o processo de implementação.

5.1 DESCRIÇÃO DO SISTEMA IMPLEMENTADO NA UNIVASF: O SIG DA

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