PITTA (1998) classifica as juntas conforme a posição (transversais e longitudinais) e conforme a função (de retração, de construção, de articulação e de expansão), o que têm implicações diretas no método executivo conforme descrito a seguir:
• juntas transversais de retração: a NBR-7583 (1986) determina que as juntas transversais devem ser retilíneas em toda a sua extensão e em toda a sua largura. Devem também, ser perpendicular ao eixo longitudinal do pavimento (SENÇO, 2001), salvo, em algumas situações particulares, e que deverão ser definidas em projeto. A função principal é de combater o aparecimento de fissuras devidas à retração volumétrica do concreto, em função da retração hidráulica que ocorre durante a passagem do estado elástico (concreto fresco) para o estado plástico (concreto endurecido) (PITTA, 1998, p. 61). Estas juntas devem ser dotadas de um dispositivo de
transferência artificial de carga (barras de transferência), com o objetivo de melhorar o comportamento estrutural e a durabilidade do pavimento;
• juntas longitudinais: PITTA (1998) e SENÇO (2001) definem as juntas longitudinais como aquelas que são paralelas ao eixo da pista, igualmente retilíneas, e tendo como principal função combater as variações térmicas e higroscópicas do concreto (empenamento da placa de concreto pelas variações de tensões durante o dia e a noite). Podem ser divididas em dois tipos: de construção e de seção enfraquecida, com ou sem barras de ligação. A junta “longitudinal de construção” é projetada quando se executa meia pista de cada vez (uma faixa de tráfego), e pode-se utilizar, para este caso, qualquer tipo de equipamento de espalhamento. Já a junta “longitudinal de seção enfraquecida” é projetada quando se executa a pista inteira (duas faixas de tráfego), e neste caso, o equipamento de espalhamento deve ser compatível com a largura da pista. Quando constante do projeto, as juntas poderão ser dotadas de barras de ligação, conforme item 3.1.3 – aço;
• juntas de expansão: são chamadas também de juntas de dilatação (SENÇO, 2001) e tem por função controlar a movimentação longitudinal por dilatação do concreto em épocas de temperaturas elevadas, em locais e situações especiais. Entre as situações especiais, pode-se citar o encontro do pavimento com outras estruturas – por exemplo, pontes e viadutos (PITTA, 1989, p. 71). Podem ou não ter barras de transferência, e neste caso vale as orientações já vistas nas juntas transversais de retração;
• juntas de construção: dividem-se quanto à posição, em transversais e longitudinais. A junta longitudinal de construção coincide, em tipo e espaçamento, com as juntas longitudinais já tratadas anteriormente. A junta transversal de construção é aquela que encerra a jornada diária de trabalho, e deve-se executá-la tão logo o equipamento de espalhamento deixe o local da junta. Segundo PITTA (1998, p. 72), esta junta pode ser
planejada ou de emergência. A junta planejada ocorre quando coincide com uma junta transversal de retração definida em projeto. A junta de emergência é quando por algum motivo imprevisto – por exemplo, quebra de equipamentos, acidentes pessoais, chuva, etc – a equipe é obrigada a paralisar a concretagem em local que não coincide com uma junta de retração (neste caso a junta fica localizada no interior da placa e esta fica com dimensão menor que a de projeto).
A adequada execução das juntas nos pavimentos de concreto é fundamental para o desempenho futuro dos mesmos, visto que são estes os pontos mais suscetíveis à ocorrência de defeitos (PITTA, 1998, p. 61). As especificações do DNIT e a NBR-7583 (1986) citam que as juntas deverão estar de conformidade com as posições do projeto, não admitindo desvios de alinhamento superiores a 5mm.
Por exemplo na obra desse estudo, as juntas longitudinais em tangente eram marcadas topograficamente a cada 6,0 (seis) metros e nas curvas a cada 3,0 (três) metros.
Materiais
Os diversos tipos de aços utilizados nas juntas são os detalhados no item 3.1.3 – aço.
O material utilizado como selante da junta poderá ser, quanto à natureza e ao tipo de aplicação, moldado a frio, moldado a quente ou pré-moldado de produção industrial (PITTA, 1998; NBR-7583, 1986), conforme descrito a seguir:
• selante moldado a quente: podem ser mástiques elásticos bi- componentes, associações de um líquido viscoso (ex: asfaltos de baixa penetração, emulsões, óleos não secativos) e um fíler (cimento portland, fibras de amianto, cal hidratada ou areia fina);
• selante moldado a frio: devem ser produtos industrializados mono ou no máximo bicomponentes, e serão aplicados à temperatura ambiente. A sua
constituição básica pode ser de resinas epoxílicas, polissulfetos, uretanos, silicones ou polimercaptanos;
• selante pré-moldado: devem ser preferencialmente de poliuretanos, polietilenos, poliestirenos, cortiças ou borrachas sintéticas.
Os materiais de enchimento das juntas de dilatação poderão ser fibras trabalhadas, cortiça, borracha esponjosa, poliestirenos e madeira de pinho sem nó devidamente tratada (PITTA, 1998; NBR-7583, 1986).
Equipamentos
De acordo com as especificações técnicas do DNIT 049/2004 – ES, DNIT 048/2004 – ES, DNIT 047/2004 - ES são os seguintes os equipamentos recomendados para os serviços de corte e selagem das juntas:
• máquina de serrar juntas com disco diamantado com diâmetro e espessura apropriada com motor elétrico ou a explosão (diesel ou gasolina);
• aplicador de selante; • compressor de ar. Recursos humanos
A seguinte equipe de mão-de-obra é necessária para execução dos serviços de corte e selagem de juntas:
• operador da serra de disco; • operador do aplicador do selante; • operador do compressor de ar; • serventes.
Método executivo
As juntas transversais de retração são executadas com o concreto em fase final de pega, geralmente entre 8 e 12 horas após o acabamento da superfície, através de corte utilizando serra de disco diamantado, com espessura e profundidade definida em projeto (geralmente de 1/4 a 1/3 da espessura da placa). Este processo é o mais comumente utilizado, embora seja possível também moldar as juntas com a inserção ou introdução temporária de um perfil (metálico, plástico, madeira, etc) que tenha o formato da junta, tomando-se o cuidado de reparar as irregularidades provenientes desta atividade (DNIT 047/2004-ES; SENÇO, 2001).
A junta longitudinal de construção é executada após a concretagem da segunda meia-pista, e quando o concreto já adquiriu resistência de projeto, fazendo- se o corte da mesma utilizando serra com disco diamantado. A junta longitudinal de seção enfraquecida são utilizadas quando o equipamento de espalhamento possibilita a construção da pista inteira de uma só vez. Para esta situação as recomendações de corte das juntas são idênticas às observadas para as juntas transversais de retração (PITTA, 1998; SENÇO, 2001).
A instalação das juntas de expansão com ou sem barras de transferência, deve-se iniciar à frente do ponto em que estiver sendo lançado o concreto (exemplo: estrutura de uma ponte), com antecedência suficiente, a fim de permitir o seu correto posicionamento quando da concretagem. Utiliza-se em toda a sua superfície material de enchimento compressível para separar as duas estruturas de concreto, e na parte superior, um material compressível e elástico (selante).
As juntas de construção são executadas de acordo com os procedimentos já descritos para juntas transversais de retração e longitudinais. No caso de junta de construção transversal, independente de ser planejada ou de emergência, deverá utilizar barras de transferência e formas auxiliares.
A última operação desta etapa é a selagem das juntas, que tem a função principal de vedação quanto à penetração de água e ou de sólidos através da junta (PITTA, 1998; SENÇO, 2001). De acordo com as especificações do DNIT 047/2004 -
ES e norma NBR-7583 (1986) o material de selagem só poderá ser aplicado após a completa limpeza dos sulcos e estes não poderão estar úmidos. Esta limpeza pode ser realizada através da utilização de compressores de ar.
Cuidados devem ser tomados quando o selante for de aplicação à quente, para que a operação de aquecimento do produto seja controlada de modo a não prejudicar as suas características elásticas (NBR-7583, 1986).
Condição de contorno
Independente do tipo do selante, todos devem ser aplicados até a profundidade de penetração do material definida em projeto.